segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Aula 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL


4º Trimestre/2014


Leitura Bíblica: Dn 12:1-4,7-9,11-13

 

“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3)

 

INTRODUÇÃO

Prezados irmãos e amigos, chegamos ao final do 4º Trimestre e do ano letivo de 2014. Nesta Aula, estudaremos o último capítulo do livro de Daniel; o capítulo 12 não somente encerra a sequência iniciada no capítulo 10, como também faz o fecho de todo o livro. O anjo ainda está revelando a Daniel urna brilhante descrição do tempo do fim. Deus levanta a ponta do véu e revela o fim da história com nuanças gloriosas. Neste capítulo iremos encontrar mais alguns detalhes sobre o período de angústia que virá para Israel, avançando, inclusive, para além desse período; mas em meio a esse tempo de angústia, há promessa de intervenção divina na história (Dn 12:10). Vários eventos são descritos nesse capítulo 12, inclusive o evento da ressurreição dos justos e injustos. Esses eventos são como balizas que nos direcionam no entendimento do fim da história. As cortinas se fecham e o fim desse drama é a vitória gloriosa do povo de Deus.

I. O TEMPO DA PROFECIA (Dn 12:1)

“E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro”.

1. Qual é o tempo?  “... naquele tempo...”, ou seja, continua o assunto de Dn 11:45. O tempo é a grande tribulação. É o período de ascensão e queda do Anticristo, o qual liderará o mundo político e bélico contra o povo judeu contra todos aqueles que estiverem a favor de Israel (Dn 11:35,40). Esse último líder mundial se levantará quando a Igreja do Senhor foi tirada deste mundo (2Ts 2:6) e se concretizar a septuagésima semana de Daniel, período este chamado de Grande Tribulação. Ele se levantará na força de Satanás. Ele se oporá e se levantará contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus (2Ts 2:4). Ele vai blasfemar contra Deus e magoar os santos do Altíssimo (Dn 7:25; 11:45). Ele será adorado em todo o mundo por todos aqueles que aceitarem o seu sinal (Ap 13:8). Ele perseguirá e matará muitos cristãos (Ap 13:7).

- “... haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo...”. Observe que o texto dá um destaque ao período da Grande Tribulação. Esse período será de angústia sem precedentes na história. Esse tempo é descrito como o pouco tempo de Satanás, a grande apostasia, o aparecimento do homem do pecado e a grande tribulação. Daniel vê não apenas a perseguição do anticristo, mas também seu fim, sua derrota (Dn 11:45).

Concordo com pr. Elienai Cabral quando diz que nem as piores incursões contra Israel, como as da Babilônia e os horrores do holocausto nos dias de Hitler (1939-1945), podem se comparar com o “tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo” (Dn 12:1). A proporção desse conflito ultrapassará qualquer outro momento da história da civilização (Mt 24:21,22; cf. Jr 30:5-7).

2. É Deus quem protege Israel.E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo...” (Dn 12:1).

Deus tem um plano especial para a nação de Israel no futuro. Todas as suas promessas materiais e espirituais destinadas a esta nação, que ainda não se cumpriram, se cumprirão à risca. Isso acontecerá porque Deus é Eterno, e um dos seus atributos é a imutabilidade (Ml 3:6). Deus ama tanto ao povo judeu que tem um arcanjo para protegê-lo, o arcanjo Miguel (Dn 10:21; 12:1).  

Alguém poderá inquirir: “como Deus ama o povo de Israel, se Ele o espalhou por todo o mundo?”. O povo judeu foi espalhado por todas as nações do mundo por causa de sua desobediência aos mandamentos do Senhor. Está escrito em Dt 28.64,65: “E o SENHOR vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra; e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; servirás à madeira e à pedra. E nem ainda entre as mesmas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o SENHOR ali te dará coração tremente, e desfalecimento dos olhos, e desmaio da alma”.

Jeremias, entretanto, profetiza que os exilados voltariam à sua pátria e possuiriam a terra prometida: “Porque eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei tornar do cativeiro o meu povo de Israel e de Judá, diz o Senhor; e torná-los-ei a trazer à terra que dei a seus pais, e a possuirão (Jr 30:3).

Ezequiel, também, profetizou sobre esse tema: “E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra, e sabereis que eu, o SENHOR, disse isso e o fiz, diz o SENHOR” (Ez 37:14); “Dize-lhes, pois: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra (Ez 37:21). Ezequiel 36:21,22 diz que Deus restaurará Israel "por amor do meu nome":

“Mas eu os poupei por amor do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi. Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Não é por vosso respeito que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanaste entre as nações para onde vós fostes”.

Israel foi restabelecido como país em 1948 e nunca mais será expulso de sua terra novamente. Israel, hoje, é indestrutível, porque Deus é o seu protetor. As nações deveriam prestar atenção àquilo que Deus diz do Seu "vermezinho Israel" e como Ele o protege: "Porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho" (Zc 2:8b).

Após sua independência, em 1948, o pequeno Israel já derrotou seus inimigos árabes em seis guerras e os supera política, científica e economicamente. Se compararmos a população dos países árabes no Oriente Médio com a judaica, vemos que Israel é superado em uma proporção de 52 para 1. No entanto, Israel continua a derrotar todas as forças armadas árabes combinadas e será usado por Deus para trazer julgamentos de aniquilação contra muitas dessas nações.

Certa feita, alguém que odiava os judeus, perguntou a um velho judeu: "O que você pensa que acontecerá com o seu povo se nós continuarmos perseguindo vocês?”. O velho judeu respondeu: "Haverá um novo feriado para nós!". "O que você quer dizer com isso?", perguntou o outro, "como vocês podem ter um novo feriado se continuarmos perseguindo vocês?". O velho judeu disse: "veja bem, Faraó quis nos exterminar e nós recebemos um feriado: a Páscoa; Hamã quis enforcar Mordecai e exterminar todos os judeus e nós recebemos um novo feriado: o Purim; Antiôco Epifânio IV, rei da Síria, quis exterminar os judeus - ele ofereceu um porco ao deus Júpiter no templo - e Israel recebeu outro feriado: o Hanucah. Hitler quis nos exterminar e nós recebemos mais um feriado: o Yom Ha’atzmaut - o Dia da Independência; Os jordanianos ocuparam Jerusalém Oriental durante 19 anos, impedindo-nos de orar no Muro das Lamentações, até que, no ano de 1967, nossos soldados libertaram Jerusalém Oriental, desde então, festejamos anualmente o Yom Yerushalaym - o Dia de Jerusalém. E caso continuarem nos perseguindo, receberemos mais feriados da parte de Deus. E o velho judeu tem razão!

3. Os anjos no mundo hoje. A Bíblia Sagrada ensina-nos que os anjos são seres reais, plenamente espirituais, que, embora superiores aos homens, não têm qualquer função na salvação do homem. Eles são ministros da providência de Deus e agentes ativos na vida do crente e da Igreja de Cristo. O não entendimento, ou a falta de estudo, sobre sua natureza e atividades, tem ocasionado o surgimento de muitas seitas, heresias e credos, distintos e distantes da sã doutrina.

a) Os anjos são criaturas. Assim como os homens, os anjos são criaturas de Deus. Gênesis 1:1 e Colossenses 1:16 são incisivos ao mostrar que Deus foi o criador dos anjos, de forma que os anjos são criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o próprio Deus, nem podemos atribuir a anjos quaisquer atributos divinos, pois Deus é o criador, enquanto os anjos são apenas criaturas.

b) Os anjos são seres espirituais. A Bíblia, também, mostra-nos que os anjos são seres espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (o espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14).

c) Os anjos são seres poderosos. O salmista os descreveu como "valorosos em poder" que executam as ordens de Deus e lhe obedecem (Sl 103:20). Quando os pais de Sansão levantaram um altar ao Senhor, um anjo desceu sobre as chamas do altar sem sofrer qualquer dano (Jz 13:19,20). Um só anjo destruiu com fogo as cidades de Sodoma e Gomorra (Gn 19). Um só anjo removeu a pedra do sepulcro onde Jesus foi sepultado, quando se exigia vários homens para remover aquela enorme pedra (Mt 28:2). Um só anjo matou a 185 mil soldados do exército assírio (2Rs 19:35).

d) Os anjos são seres pessoais. A Bíblia dá a entender que os anjos possuem uma inteligência superior à dos homens, mas não igual ou superior à de Deus (2Sm 14:20; 1Pe 1:12). Dotados de sentimentos, anjos podem experimentar emoções quando rendem culto a Deus (Sl 148:2).

e) Os anjos são criaturas morais. O Senhor Deus criou os anjos não para que fossem meros autômatos; criou-os dotados de livre-arbítrio, a fim de que o servissem amorosa e voluntariamente. Quando se fala que os anjos são dotados de livre-arbítrio, quer se dizer que eles são dotados de vontade, ou seja, com o poder de escolher entre servir a Deus ou não. Tanto é assim que o “querubim ungido” escolheu o mal, quis ocupar o lugar de Deus e, por isso, pecou, tendo sido achado iniquidade nele, a ponto de ter perdido toda a glória que possuía neste lugar de proeminência diante do Senhor (Is 14:12-16; Ez 28:12-19). Isto só foi possível porque os anjos são dotados de livre-arbítrio. Entretanto, este livre-arbítrio só pode ser exercido uma única vez, visto que os anjos estão na dimensão celestial, onde não existe o tempo e, portanto, o arrependimento se torna impossível. Tendo feito a sua escolha, quando do pecado do “querubim ungido”, os seres angelicais a fizeram para sempre e, por isso, podemos, hoje, falar em “santos anjos” (Mt 25:31; Mc 8:38; Lc 9:26; At 10:22; Ap 14:10), como também em “anjos do diabo” (Mt 25:41; Ap 12:7,9), também chamados de “anjos que não guardaram o seu principado” (Jd.6).

f) Os anjos participarão de eventos especiais da igreja e de Israel. Os anjos de Deus terão uma participação especial antes e após o arrebatamento da igreja e nas circunstâncias que envolverão Israel e o resto do mundo na Grande Tribulação (1Ts 4:13-17; Ap 12:1-9).

II. RESSURREIÇÃO E VIDA ETERNA (Dn 12:2-4)

1. Ressurreição. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12:2).

Este versículo contém a referência mais clara do Antigo Testamento à ressurreição dos justos e dos ímpios, e revela que há dois e somente dois destinos para toda a humanidade: Céu e Inferno.

2. As duas ressurreições (Dn 12:2). Daniel 12:2 é claro: haverá duas ressurreições. Jesus, também, mostra que haverá duas ressurreições distintas – “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação (João 5:28,29). Paulo também afirmou: “Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos” (Atos 24:15). Estes e muitos outros versículos desfazem a ideia de que os ímpios serão destruídos e de que não haverá condenação porque “Deus é amor”. Segundo a Bíblia, todos ressuscitarão. O que precisamos saber é que os justos não irão ressuscitar juntamente com os ímpios. A ressurreição dos mortos acontecerá em duas etapas diferentes: uma para os justos e a outra para os ímpios.

a) A Ressurreição dos justos – ou Primeira Ressurreição. Na Primeira Ressurreição serão ressuscitados todos os santos, de todos os tempos. Isto terá lugar no arrebatamento da Igreja (João 5:29; 1Co 15:22,23; 1Ts 4:16), sendo depois complementada por outros exemplares deste gênero (as duas testemunhas e os mártires da Grande Tribulação – Ap 11:11,12;20:4). Nesta primeira fase não haverá ressurreição dos ímpios. Os santos receberão corpos glorificados, dotados de vida eterna, e conforme o corpo do Senhor Jesus, segundo o ensino de Paulo: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3:20-21). Também o Apóstolo João, declarou: “... Mas sabemos que, quando ele se manifestar seremos semelhantes a ele...” (1João 3:2). Em 1Co 15:52, Paulo assim afirma: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados”.

Quando acontecer a primeira Ressurreição todos os santos, ou seja, aqueles que morreram em Cristo, serão levados para o Céu, ou na expressão usada por Jesus, para a “Casa de meu Pai” (João 14:1-3). Foi assim que Paulo ensinou aos Tessalonicenses: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1Tes 4:16-17).

b) A Segunda Ressurreição. “... e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (João 5:29). Conforme se pode observar, esta é a ressurreição dos ímpios. Ela somente acontecerá depois do Milênio – “Mas os outros mortos não reviveram, ate que os mil anos se acabaram...” (Ap 20:5). Estes “outros mortos” são todos aqueles que morreram sem a salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, ou seja, são os ímpios de todos os tempos, que, certamente, estarão diante do Grande Trono Branco para o Juízo Final. Esse momento foi visto e descrito por João em Apocalipse 20:11-15: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo”.

A ressurreição de Cristo é nossa garantia no presente e no futuro. Quanto a isso, a Bíblia declara: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (1Co 15:14). Se Cristo não tivesse ressuscitado não haveria razão de sermos crentes. A sua ressurreição é a maior substância de nossa pregação, do nosso ensino e de nossa fé. O Senhor havia prometido que ressuscitaria dentre os mortos no terceiro dia. Se não tivesse ressuscitado nessa ocasião seria um impostor ou se havia equivocado. De qualquer modo, não seria digno de confiança. Mas, Ele ressuscitou e: "se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas" (At 1:3).

Se Cristo não tivesse ressuscitado não haveria salvação. Ao ressuscitá-lo dentre os mortos Deus Pai testificou sua satisfação total com a obra redentora de Cristo.

3. “A ciência se multiplicará” (Dn 12:4b). Costuma-se considerar que este texto se refere a avanços científicos, mas William Macdonald (Comentário Bíblico do Antigo Testamento – p. 737) diz o seguinte: “é provável, contudo, que seu significado seja outro. Darby traduz: ‘muitos investigarão com diligência’. Tregelles sugere: ‘muitos examinarão o livro do começo ao fim’. Indica, portanto, que, durante a grande tribulação muitos estudarão a palavra profética, e o saber a seu respeito se multiplicará”.

Bom, a interpretação de William pode está correta, porém, dificilmente podemos evitar em identificar a breve descrição de Daniel com os nossos dias, em que a ciência nunca esteve tão avançada, de uma forma especial nos campos da Comunicação, da Tecnologia da Informação e da Engenharia Genética.

O saber hoje se multiplica espantosamente. Vivemos hoje o tempo do milagre científico. A ficção virou história. Vivemos no mundo cibernético. O planeta terra tornou-se apenas uma aldeia global. Somos cidadãos planetários.

O transporte de massas e a velocidade são marcas do século 21. A mobilidade ininterrupta dos povos do mundo, a comunicação de massa quase instantânea, e a demanda insistente e universal por educação pelas massas, são características do nosso tempo.

O rev. Hernandes Dias Lopes diz que “em 1822, para D. Leopoldina enviar uma mensagem a D. Pedro 1, do Rio de janeiro para São Paulo, precisou um cavalo de corrida. Isaac Newton disse que chegaria o dia em que o homem correria à estrondosa velocidade de 60 km por hora. Voltaire disse que ele estava delirando. Hoje o homem vai à lua e faz viagens interplanetárias”.

No dia 12 de novembro de 2014 assistimos a um feito inédito e espantoso: pela primeira vez uma máquina humana pousou na superfície de um cometa, a 500 milhões de quilômetros da Terra. O módulo Philae, da sonda Rosetta, tornou-se a primeira espaçonave a fazer um pouso suave num cometa. O pouso se deu às 13:35h, sete horas depois que o veículo se desprendeu de sua nave-mãe, a Rosetta, e cerca de dez anos após a decolagem da Terra, realizada em 2004.

Para se ter uma ideia desse feito, vale lembrar que a nave Rosetta viajou 6 bilhões de quilômetros durante dez anos para chegar ao cometa 67-P, uma pedra de apenas 4 km de comprimento e formato muito irregular. O módulo Philae, que fez o pouso, pesa apenas 98 kg e é do tamanho de uma máquina de lavar roupas. O sucesso inédito reforça o poderio tecnológico no desenvolvimento de veículos para missões espaciais. O futuro chegou. Vivemos nele. As profecias estão se cumprindo. Precisamos nos preparar porque o tempo de nossa redenção se aproxima.

III. A PROFECIA FOI SELADA (Dn 12:9-11)

1. A profecia está selada. “E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas e seladas...” (Dn 12:9).

Três versículos nos chamam atenção: "E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo" (Dn 12:4); "Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim" (Dn 12:9); "Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte, no fim dos dias" (Dn 12:12). Estes versículos demonstram o conselho de Deus para o profeta Daniel. Diante da visão que ele recebera era natural o profeta ter uma atitude de medo acerca do futuro. Mas a palavra de Deus encorajou o profeta, que por certo estava no final da vida, a "ir" até ao fim da existência vivendo em confiança em Deus.

O profeta Daniel recebe a ordem de "encerrar" e "selar" o livro. A palavra “encerrar” contém a ideia de "preservar", enquanto a palavra “selar” se relaciona com o conceito de "autenticar ou assegurar". Assim, a expressão não significa que as coisas reveladas a Daniel deviam permanecer em segredo.

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, o costume persa era que, uma vez copiado um livro e trazido a público, selava-se uma cópia e colocava-se na biblioteca. Assim, as futuras gerações poderiam lê-lo. Dessa forma, na antiguidade, quando se mandava selar um livro, isso significava que o livro estava completo e recebia o selo de sua integridade, utilidade e proveito para o povo. Depois, uma cópia era disponibilizada para a biblioteca e estava disponível para ser examinada pelos estudiosos. O último ato profético de Daniel foi assegurar-se de que as profecias que lhe haviam sido reveladas se tornassem conhecidas não apenas de sua geração, mas das gerações vindouras. Eis a razão porque muitos o esquadrinharão.

2. O “tempo do fim” (Dn 12:9). Daniel recebe a ordem de selar o livro. As profecias do livro não são para os dias do profeta, mas para os tempos do fim, para despertar os que viverem nos tempos do fim. Daniel, a seguir, observa dois anjos, em um cada lado do rio (Hidéquel), e um deles pergunta quanto tempo falta para o fim. O homem vestido de linho branco (cf. Dn 10:5,6) jura por Deus que o tempo seria de três anos e meio, uma provável referência à segunda metade da septuagésima “semana” de anos (Dn 9:27).

3. Humildade e finitude. “Eu, pois, ouvi, mas não entendi...”. Daniel contemplava a visão e ouviu as palavras, que iam sendo proferidas, mas nada entendia. O anjo também ficou sem entender aquela visão tão sublime. Isso mostra com clareza a finitude, não somente de Daniel, mas também dos anjos. Existem, no eterno propósito de Deus, mistérios desconhecidos até mesmo pelos anjos. Daniel sabia que “as coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus” (Dn 29:29), por isso, com toda a humildade, cônscio de sua finitude, Daniel pediu a interpretação dessas coisas – “...eu disse: Senhor meu, qual será o fim dessas coisas?”.

CONCLUSÃO

Finda-se aqui o estudo do Livro de Daniel. Ele escreveu sobre o futuro, contou-nos a história antes dela acontecer. O livro de Daniel nos mostra que Deus é quem está com as rédeas da história nas mãos. Ele a conduz ao seu fim glorioso.

Espero que este ano letivo, de estudos hipermaravilhosos, possam ter inflamado em nós chamas inapagáveis de esperança da volta do Senhor Jesus. Que a Maravilhosa Graça do Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aula 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTCRISTO


4º Trimestre/2014

 
Texto Base: Daniel 11:1-3,21-23,31,36

 
 

“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3)

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 11 de Daniel, o qual traz uma profecia que abrange os dois últimos Impérios: o Medo-Persa e o Grego. Neste capítulo Deus revela a Daniel eventos proféticos que se cumpriram no período interbíblico, ou seja, aquele período entre o Antigo e o Novo Testamentos. Mas também Deus revela a Daniel os grandes conflitos pelos quais passarão o povo de Israel até a vinda gloriosa de Jesus Cristo. A revelação maior da profecia de Daniel capítulo 11 diz respeito ao personagem histórico Antíoco Epifânio IV. Pelo caráter traiçoeiro, cruel, astuto e enganador desse déspota, e pelo seu desprezo às coisas sagradas, é que muitos estudiosos o colocam como o tipo mais emblemático do Anticristo descrito no Novo Testamento (Mt 24:15; 2Ts 2:3-12; Ap 13).

A primeira parte das profecias de Daniel, isto é, Dn 11:2b-35, refere-se a fatos que já se cumpriram na história, concentrando-se principalmente nos acontecimentos na Pérsia e na Grécia. Essas profecias cumpriram-se de forma literal e muitíssimo detalhadas na história, causando grande impacto e espanto entre muitos historiadores. A última parte de Daniel 11, do versículo 36 em diante, passa para o “tempo do fim”, haja vista os fatos narrados não terem ações correspondentes ao longo da história. A partir do versículo 36, os relatos dizem respeito às ações do Anticristo que virá.

I. PREDIÇÕES PROFÉTICAS CUMPRIDAS COM EXATIDÃO (Dn 11:2-20)

1. A revelação sobre o fim do Império Medo-Persa (Dn 11:2). “E, agora, te declararei a verdade: Eis que ainda três reis estarão na Pérsia, e o quarto será cumulado de grandes riquezas mais do que todos; e, esforçando-se com as suas riquezas, agitará todos contra o reino da Grécia”.

Aqui, Daniel fala sobre quatro reis persas. Embora doze reis persas tivessem reinado, Daniel fica sabendo que três reis sucederão a Dario, o medo, antes que se levantasse um quarto rei de grande prosperidade. Segundo o estudioso Arno Clemens Gaebelein(influente ministro evangélico metodista estadunidense - 1861-1945), os três reis foram Assuero (530-522 a.C), Artaxerxes (522 a.C) e Dario (522-486 a.C), conhecidos na história secular como Cambises, Pseudo-Smirdes(considerado um impostor) e Dario Histapais (não Dario o Medo). O quarto rei foi Xerxes (486- 465 a.C), chamado de Assuero (marido de Ester, Et 1:1), que como nos conta a história, era imensamente rico (Et 1:4). Usou sua fortuna para formar e manter um imenso exército, com o qual atacou a Grécia. A invasão da Grécia aconteceu em 480 a. C. Veja Esdras 4:5-24.

Segundo Comentário Bíblico Beacon, Xerxes ou Assuero, reuniu uma gigantesca força de infantaria, cavalaria, carros de guerra e navios. Estima-se que cerca de cinco milhões de homens se engajaram nessa guerra. Apesar desse imenso poderio bélico, os valentes gregos os venceram nas batalhas cruciais de Termópilas e Salamina. Embora outras campanhas militares tenham acontecido, nenhuma se igualou a essa e o poder da Pérsia declinou até sua derrota final sob Dario III.

2. Um rei valente (Dn 11:3).Depois, se levantará um rei valente, que reinará com grande domínio e fará o que lhe aprouver”.

Neste versículo o Império Greco-Macedônio entra em cena. Observe que o império Grego não é mais representado como nas composições anteriores descritas por Daniel: (a) "Cobre" (Dn 2:32); (b) "Metal'' (Dn 2:39); (c) "Leopardo" (Dn 7:6); (d) "Bode peludo" (Dn 8:20,21). Agora, no presente versículo, este reino tem sua representação na pessoa de um "rei valente" que reinaria com grande domínio. Este rei valente foi Alexandre Magno, ele realmente tomou o Império Medo-Persa, e reinou com grande poder (Dn 8:3,4).

O pr. Severino Pedro da Silva narra em seu livro que “Alexandre foi, de fato, um guerreiro habilidoso, porém, tudo quanto fez e conquistou foi derramando sangue (dos outros) e pela espada. Ele foi a antítese do verdadeiro Cristo, que tudo quanto fez e conquistou foi derramando o seu próprio sangue, e manifestando seu grande amor”. Ele mostra o quadro antitético do caráter de Alexandre ao comparar com o caráter de Cristo, da seguinte maneira:

“Jesus e Alexandre morreram aos trinta e três anos. Um deles viveu para si mesmo, o outro por mim e por você. O grego morreu num trono; o Judeu morreu numa cruz. A vida de um foi triunfante (aparentemente); a do outro, uma derrota (aparentemente). Um deles comandou imensos exércitos armados, o outro teve apenas um pequeno grupo, desarmado. Um derramou o sangue alheio sem piedade, o outro derramou o seu próprio sangue, e o derramou por amor ao mundo. Alexandre conquistou o mundo em vida; Jesus perdeu a sua vida para ganhar vida para seus seguidores. Um morreu na Babilônia, o outro no Calvário em Jerusalém. Um conquistou tudo para si, e o outro a si mesmo se deu. Alexandre, enquanto viveu, conquistou todos os tronos; Jesus, na morte e na vida, conquistou o Trono de Glória. Um deles sendo servo se fez deus; o outro sendo Deus se fez servo (Fp 2:6-7). Um deles ganhou um grande nome: Alexandre! O outro "um nome que é sobre todo o nome": JESUS! Um deles viveu para se gloriar; o outro para abençoar. Quando o grego morreu, seu trono, conquistado pela espada, ruiu para sempre. Jesus, quando morreu ganhou o trono que permanece para sempre (Sl 93:2)”.

3. A divisão do reino entre quatro generais (Dn 11:4-20). “Mas, estando ele em pé, o seu reino será quebrado e será repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros” (Dn 11:4).

"O seu reino será quebrado". Isto aconteceu realmente como diz a profecia em foco. Alexandre reinou com grande poder; ele foi chamado de Magno, mas morreu prematuramente aos trinta e três anos de idade. Ele conquistou o mundo em dez anos; morreu aos 33 anos de idade, na Babilônia. Conforme estudiosos, afogou-se na própria bebedeira e vaidade. O “chifre” ilustre foi realmente "quebrado", como vaticinara o profeta do Senhor: “E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu” (Dn 8:8).

Depois de sua morte o império de Alexandre foi dividido em quatro partes (“quatro ventos”), depois da batalha de Ipso, em 301 a.C. A sua posteridade (família) não recebeu o reino, e sim seus quatro generais de exércitos: a) Ptolomeu; b) Seleuco; c) Lisímaco; d) Cassandro. As quatro regiões de que fala o texto divino foram: a) O Egito (região Sul); b) A Síria (região Norte); c) A Macedónia (região Oeste); d) A Ásia Menor.

Os generais de Alexandre Magno reinaram também com grande autoridade, mas nenhum deles chegou à sua glória e magnitude; também não eram de sua família; cumprindo-se, assim, a profecia: "... seu reino será repartido... mas não para a sua posteridade". Esse acontecimento sobre seu reino, o próprio Alexandre já o previu em vida como ele mesmo declarou ao seu biógrafo: "Ainda em vida, Alexandre predisse que seus amigos lhe fariam um cruento funeral". Cumpriu-se o vaticínio. Alexandre não deixou sucessor direto ao trono (pr. Severino Pedro da Silva – Daniel – versículo por versículo. CPAD).

II. O CARÁTER PERVERSO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO (Dn 11:21-35)

1. Antíoco Epifânio foi um rei perverso e bestial. “Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino com engano” (Dn 11:21).

O “homem vil” referido neste texto refere-se a Antíoco Epifânio IV, que chegou ao poder por volta de 175 a.C, aos 40 anos de idade, e reinou onze anos, até sua morte, em 164 a.C. Foi o grande perseguidor dos judeus na terra de Israel. No seu governo começou a revolta dos Macabeus.

Ele usurpou o trono que por direito pertencia a Demétrio, o jovem filho de Seleuco IV. Antíoco (a “ponta muito pequena” de Dn 8:9-14,23-25) levou a efeito várias campanhas contra o Egito. Assassinou o “príncipe do concerto” (uma profecia sobre o assassinato do sumo sacerdote Onias, em 170 a.C., Dn 11:22). Seus tratados com outras nações eram eivados de intriga e engano. Atacava de improviso cidades ricas em tempo de paz (ver Dn 11:24). Seus ataques contra o Egito foram bem-sucedidos porque os que deviam ajudar o Egito não o fizeram, e Antíoco regressou à Síria com grandes riquezas (veja Dn 11:25-28).

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Osvaldo Litz, diz que Antíoco Epifânio passou quatorze anos em Roma, em contato com as imoralidades e extravagâncias dos romanos. Ali moldou seu caráter pervertido. Ele deu a si o título de Antíoco Epifânio (ilustre), mas o povo chamava-o Antíoco Epimanes (louco). Certamente, este monarca Seleuca foi, em sua geração, uma figura do verdadeiro Anticristo, “... o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3).

2. Antíoco Epifânio invadiu Jerusalém (Dn 11:28). “Então, tornará para a sua terra com grande riqueza, e o seu coração será contra o santo concerto; e fará o que lhe aprouver e tornará para a sua terra”.

Antíoco Epifânio IV nutria um grande ódio dos judeus e da santa lei de Deus. Estava convicto de que a língua e a cultura grega eram superiores a qualquer outra língua e cultura, e também odiava os judeus porque a religião deles era exclusivista. Cerca de 168 a.C., invadiu o Egito outra vez, mas os “navios de Quitim”(Dn 11:30, isto é, Chipre) comandados pelo cônsul romano Laenas derrotaram-no, e ele retirou-se para o seu país. Ele, então, procurou vingar-se da sua frustração, opondo-se aos judeus, embora alguns destes o apoiassem. Esses judeus apóstatas convidaram Antíoco a introduzir entre eles a cultura e a religião gregas (Dn 11:30).

Antioco marchou contra Jerusalém, profanou o templo e fez cessar os sacrifícios diários requeridos pela lei de Deus (Dn 11:31). Ele levantou um altar pagão no templo, colocou no lugar santo uma imagem do deus grego, Zeus, e mandou sacrificar um porco no altar e borrifar o sangue no templo. Esse altar a Zeus é “a abominação desoladora” de Dn 11:31, que prefigura outra abominação que, segundo Jesus profetizou, ocorrerá no período do Anticristo, quando ele quebrará o concerto firmado com Israel, na segunda metade da septuagésima semana de Daniel.

Antioco Epifânio seduziu os judeus apóstatas (Dn 11: 31b,32), contudo, aqueles que conheciam a Deus eram fortes e ativos (Dn 11:32) e não cederam nem à sedução nem à violência. Homens com percepção espiritual circulavam entre o povo ensinando as Escrituras (Dn 11:33). Continuaram pregando, mesmo sob perseguição e morte (Dn 11:33-35). Muitos desses sábios morreram, mas aqueles que sobreviveram permaneceram puros até o fim.

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “Deus sempre teve um remanescente fiel entre os judeus nos tempos do Antigo Testamento (ver 1Rs 19:18). Agora, Deus também tinha um remanescente que permanecia leal e fiel a Ele. Um grupo de judeus, liderados pelo sacerdote Matatias, resistiu às ordens sacrílegas de Antíoco Epifânio e começou uma guerra de resistência, chamada a guerra dos macabeus (Dn 11:32-35). O líder do movimento contra Antíoco foi um ancião sacerdote chamado Matatias. O fiel sacerdote não só se recusou a obedecer à ordem de oferecer sacrifícios a um deus pagão, mas também matou o emissário real e destruiu o altar pagão. Seguidamente, Matatias e seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas organizavam uma guerra de guerrilhas que começou a causar sérios estragos entre as forças de Antíoco. Em dezembro do ano 165 a. C., o exército dos macabeus marchou triunfante pelas ruas de Jerusalém. Em 25 de dezembro daquele ano, o templo foi purificado e restaurado o culto a Deus Jeová”. Até o dia de hoje a Festa da Dedicação ou Hanukkah é observada pelos judeus, comemorando esse evento. Jesus esteve durante essa festa, em Jerusalém – “E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno” (João 10:22).

3. Antíoco Epifânio era cruel (Dn 11:31-35). Ao invadir Jerusalém, Antíoco Epifânio desrespeitou, sem nenhuma inquietação de consciência, os valores morais, éticos e higiênicos tão importantes no povo judeu. Estabeleceu regulamentações contra a circuncisão, a observação do sábado, e outras práticas dietéticas do povo de Israel. O versículo 31 fala da "abominação desoladora", quando construiu um altar a Zeus, deus pagão, sobre o altar dos holocaustos no templo. Ele era um déspota sem par em sua época.

III. ANTÍOCO EPIFÂNIO, TIPO DO ANTICRISTO

1. O “homem vil” que chega ao poder.Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito” (Dn 11:36).

As profecias de Daniel 11:21-35 referem-se ao “homem vil” (11:21), tipo do Anticristo, Antíoco Epifânio IV. Já as profecias de Daniel 11:36-45 não se enquadram no caso de Antíoco. A menção do “fim do tempo” (Dn 11:35,40) indica que esta profecia tem a ver com um futuro distante, a saber, fim dos tempos, e com o personagem a quem Antíoco tipifica, a saber, o Anticristo (Dn 7:8; 9:27), futuro ditador mundial.

Conforme Daniel 11:36, o Anticristo é a antítese do verdadeiro Cristo; Jesus é Justo, ele será o iníquo; Jesus, ao entrar no mundo, disse ao Pai: "Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Hb 10:9), o presente texto diz que o Anticristo "fará conforme a sua vontade". O Senhor Jesus é o Filho de Deus; ele será "o filho da perdição" (2Ts 2:3).

Daniel 11:36 fala-nos também que esse homem vil blasfemará dos "poderes superiores" – “se engrandecerá sobre todo deus” - e ridicularizará a própria existência de Deus - “contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis ", isto é, abrirá a sua boca em blasfêmia contra Deus e seu tabernáculo. Ele não terá consideração para com as tradições e preceitos familiares (Dn 11:37). Ele não terá respeito à família por ter sido estabelecida por Deus (2Ts 2:4).

2. O futuro governante mundial no “tempo do fim”.E, no fim do tempo, o rei do Sul lutará com ele, e o rei do Norte o acometerá com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e entrará nas terras, e as inundará, e passará” (Dn 11:40).

A expressão “fim do tempo” se refere a uma época escatológica, isto é, aponta para um tempo futuro. Se Antíoco Epifânio demonstrou características de crueldade e destruição contra Israel, no futuro, surgirá outro governante mundial, que promoverá grandes males ao povo de Israel e ao mundo, até que Jesus Cristo, em sua vinda pessoal, desça para desfazer o poder desse personagem, o Anticristo.

O Anticristo será um homem comum, nascido de mulher. Mas será revestido de poder satânico, e terá uma capacitação demoníaca extraordinária (Ap 13:2,4), de modo que exercerá poderosa influência sobre toda a humanidade. Ele é chamado na Bíblia de a Besta (Ap 13:1), o homem do pecado e filho da perdição (2Ts 2:3), assolador (Dn 9:27), designações que bem retratam o seu caráter iníquo.

O que foi feito por Antíoco Epifânio em suas atrocidades contra os judeus fiéis a Deus, durante o seu reinado de trevas, que, de um certo modo, “pisou” o povo de Deus, muito mais ainda será feito pelo Anticristo durante o período da Grande Tribulação que virá.

O Anticristo será um governante ditador, cruel, que se proclamará maior do que Deus, e que falará “coisas incríveis” (blasfêmias) contra o Deus de Israel. O Anticristo prosperará por algum tempo, mas logo haverá batalhas com o “rei do Sul” e o “rei do Norte” (Dn 11:40), batalhas essas que culminarão com a do Armagedom, onde ele será aniquilado pela espada que sai da boca de Cristo (isto é, por sua Palavra) e lançado para sempre no lago de fogo (Ap 19:20).

3. Precisão profética. Tendo em vista a espantosa precisão profética dos fatos exarados no capítulo 11 de Daniel, e querendo desfazer a veracidade das profecias bíblicas, muitos têm julgado este capítulo 11 uma história escrita depois dos acontecimentos nele narrados. Mas Deus, que está entronizado no mais alto e sublime trono, e estava presente no início do tempo, e estará presente quando o tempo não mais existir, pode certamente declarar, com a devida precisão e exatidão, “as coisas futuras, e as que ainda hão de vir” (Is 44:7). Ele não somente é Deus de perto, mas também é Deus de longe (Jr 23:23). Glórias sejam dadas a Deus, eternamente!

CONCLUSÃO

Chegará o Dia, que está muito breve, que o “tipo” não mais se manifestará, mas, sim, o próprio Anticristo, "o homem da iniquidade, o filho da perdição" (2Ts 2:3). A apostasia nunca foi tão acentuada como estamos vendo hoje, em todos os países em que antes o cristianismo autêntico era praticado. E o grau de intensidade da apostasia será ainda mais elevado não muito distante dos nossos dias. Sejamos, pois, vigilantes e discernentes do tempo para o que brevemente irá acontecer. A igreja não espera o Anticristo; espera, sim, desejosa, a vinda de Jesus Cristo. Vem, Senhor Jesus!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Aula 11 - O HOMEM VESTIDO DE LINHO


4º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Dn 10:1-6,9,10,14

 
“E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz” (Dn 10:5).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estudaremos o capítulo 10 de Daniel. Conquanto não tenhamos a descrição de uma visão profética específica, as circunstâncias mencionadas por Daniel no capítulo 10 trazem-nos importantes revelações e ensinos a respeito do mundo espiritual, tendo sido este o propósito do Espírito Santo ao inspirar o profeta para registrá-las, a fim de que aprendamos que os desígnios divinos, embora soberanos, enfrentam sempre oposição das hostes espirituais da maldade, cuja realidade jamais pode ser menosprezada pelos servos do Senhor que, como disse o apóstolo Paulo, vivem em constante luta contra elas (Ef 6:12). É importante frisar que os capítulos 10 a 12 são sequenciais e estão no mesmo contexto, fazendo parte da mesma visão. Poderíamos dizer que o capítulo 10 é a introdução da visão, o capítulo 11 o desenvolvimento da visão e o capítulo 12 o fecho da visão. O capítulo dez retrata o envio de um emissário celestial, conhecido como o homem vestido de linho, que trouxe uma mensagem a Daniel acerca do futuro das nações e do povo de Israel. Neste capítulo, os anjos aparecem com uma missão específica em relação ao desenrolar da história revelada em visão a Daniel. Os seres espirituais são enviados da parte de Deus para auxiliar o profeta concernente a interpretação de algo que Daniel buscava compreender. Os acontecimentos ali registrados ocorreram no terceiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia (534 a.C.). Neste terceiro ano do rei Ciro, Daniel já não se encontrava mais prestando serviço ao rei Ciro, já se encontrava “aposentado”, ante a sua idade bem avançada, pois, em Dn 1:21 está registrado que Daniel serviu ao rei Ciro até o seu primeiro ano, de modo que já fazia dois anos que Daniel se encontrava inativo.

I. UMA VISÃO CELESTIAL (Dn 10:1-3)

1. “Foi revelada uma palavra a Daniel” (Dn 10:1). Foram reveladas a Daniel coisas extraordinárias acerca do seu povo e acerca de coisas futuras, não apenas concernentes a Israel, mas abrangentes a todo o mundo. Porém, nos capítulos 10, 11 e 12, toda a revelação fala de fatos que acontecerão "nos últimos dias" - “No ano terceiro de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel... e trata de uma guerra prolongada”. Deus é Onisciente, Ele sabe todas as coisas, Ele tem conhecimento total do futuro. Nada está escondido aos seus olhos (Lc 12:2). As figuras de linguagem utilizadas por Deus para ilustrar as revelações eram extremamente fiéis ao que Deus queria revelar.

2. Daniel um homem de oração. Indiscutivelmente, Daniel é um dos modelos de vida devocional mais importante da Bíblia. Ele soube conciliar sua atividade palaciana com a sua vida devocional. No exílio, mesmo servindo a reis pagãos, Daniel não se descuidou de estar em oração, três vezes por dia (Dn 6:3). Ele não estava em Jerusalém para adorar ao Senhor no Templo, mas fazia do seu quarto de dormir o seu altar de adoração e serviço a Deus através da oração. Foi desse modo que ele teve as grandes revelações dos desígnios de Deus para o seu povo.

Certa feita, ele orou com seus amigos, e os “sábios” da babilônia foram poupados da morte (Dn 2:17,18); ele orou com as janelas abertas para Jerusalém, e Deus o livrou da cova dos leões (Dn 6:10); ele orou confessando seu pecado e os pecados do seu povo, pedindo a restauração do cativeiro babilônico (Dn 9:3); agora, ele ora novamente em favor de sua nação (Dn 10:1-3). Daniel sabia o quanto Deus é poderoso e que no tempo certo Ele agiria em favor do seu povo.

A oração é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus; é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do Senhor; é a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de Deus.

Nas páginas das Escrituras Sagradas, veremos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus. Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. Eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia-a-dia.

Como bem afirmou Paulo, a oração é indispensável para que vençamos as hostes espirituais da maldade, pois é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente a armadura de Deus (Ef 6:13-18).

Como está a nossa vida de oração? Cultivamo-la diariamente? Ou já nos conformamos com o presente século? Quando oramos expressamos as seguintes verdades:

a) reconhecemos a soberania de Deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração.

b) reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de Deus e que, sem Ele, nada podemos fazer.

c) revelamos nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em Deus e não em qualquer outro ser.

d) revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de Deus expressa em sua palavra, que quer que oremos sem cessar (1Ts 5:17).

3. A tristeza de Daniel.Naqueles dias, eu, Daniel, estive triste por três semanas completas” (Dn 10:2).

Embora Daniel fosse um homem “muito amado” (Dn 10:19) por Deus, que tinha “um espírito excelente” (Dn 5:12), e que tinha à sua disposição as bênçãos do Céu, em alguns momentos de sua jornada ele sentiu tristeza, muita tristeza. Quando as nossas expectativas são frustradas elas nos trazem tristezas mil e, muitas vezes, depressões. Se não estivermos no sobrenatural de Deus, e se não for a Sua misericórdia em nos acudir, sucumbiremos. Quando as feridas são fortes demais, só o “óleo de Gileade” (Jr 8:22) pode aliviar.

Daniel 10:2 diz que Daniel esteve triste por 21 dias. Não se sabe o motivo real de sua tristeza. Sabe-se, porém, que estes momentos não o fizeram murmurar e nem blasfemar de Deus; ele fez o que qualquer servo autêntico faria: buscar a Deus em oração. As adversidades e tristezas desta vida não podem nos impedir de orar e prosseguir em nossa caminhada.

Talvez um dos motivos da tristeza de Daniel tenha sido o fato de que a obra de reconstrução do Templo havia sido interrompida (Ed 4:4,5,23,24). Era o terceiro ano do reinado de Ciro. À época, Daniel era um homem muito idoso. Ele orou, chorou e jejuou pela libertação do cativeiro. Agora, o povo está em Jerusalém, mas sob fogo cruzado. A oposição dos samaritanos interrompeu a construção do templo. O povo voltou, mas a restauração plena ainda não aconteceu. Daniel, contudo, mesmo distante, aflige sua alma e chora pelo povo.

II. A VISÃO DO HOMEM VESTIDO DE LINHO (Dn 10:4,8)

4. E, no dia vinte e quatro do primeiro mês, eu estava à borda do grande rio Hidéquel;

5. E levantei os meus olhos, e olhei, e vi um homem vestido de linho, e os seus lombos, cingidos com ouro fino de Ufaz.

6. E o seu corpo era como turquesa, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos, como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés, como cor de bronze açacalado; e a voz das suas palavras, como a voz de uma multidão.

7. E só eu, Daniel, vi aquela visão; os homens que estavam comigo não a viram; não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se.

8. Fiquei, pois, eu só e vi esta grande visão, e não ficou força em mim; e transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma.

1. Um “homem vestido de linho” (Dn 10:5). As descrições do “homem vestido de linho” são magníficas e muito parecidas com a aparição gloriosa de Jesus a João, na ilha de Patmos (Ap 1:12-20): sua vestimenta (v. 5); seu corpo (v. 6); seu rosto (v. 6); seus olhos (v. 6); seus braços (v. 6); seus pés (v. 6) e sua voz (v. 6).

Em Apocalipse, Jesus é visto vestido até os pés de um vestido comprido. Era uma vestimenta talar, usada exclusivamente pelos sacerdotes e juízes no desempenho de suas funções. É isso realmente a dupla função de Jesus Cristo (Hb 3:1; 2Tm 4:8). O cinto de ouro cingido à altura do peito era também usado pelos sacerdotes quando ministravam no santuário; e estava à altura do peito e não nos rins, para ajustar as vestes, de modo a facilitar os movimentos; é símbolo de dignidade e majestade, coisas que são inerentes ao Filho de Deus, tanto no passado como no presente. Na Dispensação a Graça, Cristo é o nosso Sumo Sacerdote perfeito para sempre (Hb 7:28).

2. A reação de Daniel diante da visão (Dn 10:7-12). Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Daniel, diante do esplendor do anjo, reage de três formas diferentes.

Em primeiro lugar, ele tem claro discernimento (v.7). Apenas Daniel conseguiu discernir a voz do anjo. Os outros ouviram, temeram e fugiram, mas apenas Daniel compreendeu. Foi assim também com Saulo de Tarso no caminho de Damasco (At 9:7; 22:9). Apenas aqueles que vivem na intimidade de Deus discernem a voz de Deus.

Em segundo lugar, ele passou por profundo quebrantamento (v.8). Quando Daniel ficou sozinho diante do ser celestial, seu corpo enfraqueceu. Daniel cai prostrado diante do fulgor do anjo. Diante da manifestação da glória de Deus os homens se prostram e se humilham. A glória de Deus é demais para o frágil ser humano suportar.

Em terceiro lugar, Daniel experimentou gloriosa consolação (v.12). O Daniel que está prostrado ouve, agora, palavras doces e encorajadoras. Ouve que é amado no céu (v.11). Toma conhecimento que suas orações foram ouvidas (v.12). Ouve que Deus aciona seus anjos para atender seus filhos quando esses se põem de joelhos em oração (v.12b). Por isso, Daniel não devia ter medo (v.12).

3. “Eis que uma mão me tocou” (Dn 10:10). A visão provocou um efeito extraordinário em Daniel. Ele não teve forças físicas para se manter em pé e caiu adormecido pela glória do "homem vestido de linho". A mesma experiência que João teve na Ilha de Patmos com a visão do Cristo glorificado (Ap 1:17,18) foi experimentada por Daniel junto ao rio Hidekel, ou seja, o rio Tigre. Daniel, então, foi tocado pelo anjo de Deus e reergueu-se de seu desmaio, e foi confortado.

A Bíblia mostra-nos que os anjos são seres espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (o espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14).

Sobre os anjos, o que podemos tirar de ensino neste capítulo 10 é o seguinte:

a) Os anjos são enviados a favor daqueles que servem a Deus (Dn 10:12).

b) Os poderes demoníacos podem influenciar nações (Dn 10:20,21).

c) Os anjos do Senhor pelejam pelo seu povo (Dn 10:13,20,21).

d) Atrás da história humana existem inteligências sobrenaturais, boas e más, em conflito (Dn 10:12,13,20,21).

III. DANIEL É CONFORTADO POR UM ANJO (Dn 10:10-19)

1. Daniel é confortado por um anjo Dn 10:18,19).E aquele, que tinha aparência de um homem, tocou-me outra vez e me confortou. E disse: Não temas, homem muito amado! Paz seja contigo! Anima-te, sim, anima-te! E, falando ele comigo, fiquei fortalecido e disse: Fala, meu senhor, porque me confortaste”.

Segundo Hernandes Dias Lopes, Daniel recebeu três toques confortadores de Deus:

Em primeiro lugar, recebe o toque para se levantar (Dn 10:10-14). O anjo do Senhor toca em Daniel. Ele estava prostrado com o rosto em terra e enfraquecido. Deus o levanta por meio de Sua voz e de Seu toque. Mas o que pode levantar esse homem? Saber que é amado no céu (Dn 10:11); saber que os céus se movem em resposta a suas orações (10:12); saber que o futuro está nas mãos de Deus (10:14).

Em segundo lugar, recebe o toque para abrir a boca e falar (Dn 10:16,17). Daniel é tocado nos lábios como Isaías. Quando é tocado, ele sente dores (como de parto). Ele se sente fraco e desfalecido. Apenas aqueles que se quebrantam diante de Deus têm poder para falar diante dos homens. Daniel está extasiado diante do fulgor da revelação do anjo que o tocou (10:17). Apenas podem falar com poder aos homens, aqueles que ficam em silêncio diante de Deus.

Em terceiro lugar, recebe o toque para ser fortalecido (Dn 10:18-21). O anjo de Deus toca Daniel agora para o fortalecer. O anjo lhe diz: "Não temas" (10:19). O anjo reafirma que ele é amado no céu (10:19). O anjo ministra paz àquele que está aturdido por causa do fulgor da revelação. Duplamente o anjo lhe encoraja: "Sê forte, e tem bom ânimo".

2. O conflito entre o Arcanjo Miguel e o príncipe do reino da Pérsia (Dn 10:13).O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim”. Com relação a este texto faremos três considerações importantes.

Primeiro, quem é este príncipe da Pérsia? Certamente, não era um potentado humano, mas um ser demoníaco (um anjo satânico que influenciava os reis da Pérsia). Enquanto Daniel orava e jejuava, estava sendo travada uma batalha espiritual de grande magnitude. O “príncipe da Pérsia” estava impedindo que Daniel recebesse do anjo a mensagem de Deus. Por causa desse conflito, Daniel teve que esperar vinte e um dias para receber a revelação. Só foi derrotado quando Miguel, o príncipe de Israel (Dn 10:21), chegou para ajudar o anjo mensageiro. Os poderes satânicos queriam impedir o recebimento da revelação, mas o príncipe angelical de Israel (Dn 12:1) demonstrou sua superioridade. Esse incidente nos dá um vislumbre das batalhas invisíveis que são travadas na esfera espiritual a nosso favor (cf. Ap 12:7-12). Note que Deus já tinha respondido a oração de Daniel, mas que a ação satânica retardou a resposta da mensagem por vinte e um dias. Tendo em vista que Satanás sempre quer impedir nossas orações – “porque não ignoramos os seus ardis” (2Co 2:11) -, o crente deve perseverar na oração (cf. Lc 18:1-8).

Segundo, o personagem de Dn 10:10-13, a meu ver, não poderia ser o Senhor Jesus, pois: (a) Ele é enviado como portador de uma mensagem (v.11), tal como Gabriel anteriormente (Dn 9:21,22); (b) O personagem é impedido pelo príncipe da Pérsia, que, no caso, é um ser demoníaco. O texto diz que o mensageiro não conseguiu passar e necessitou da ajuda do Arcanjo Miguel (v.13). Fica difícil acreditar o Senhor Jesus sendo impedido por uma criatura qualquer, e mais difícil ainda é imaginar Jesus não conseguindo “furar” o bloqueio e necessitando da ajuda de um outro ser para vencer. Assim sendo, conclui-se que o referido personagem é um ser angelical, provavelmente Gabriel, que é enviado para trazer a interpretação da visão que Daniel teve. Percebe-se, entretanto, que existe um espaço entre os versículos 9 e 10. Na tradução Almeida Revista e Corrigida bem como na Tradução Almeida Contemporânea (Bíblia thompson), o versículo 17 diz: “Como, pois, pode o servo deste meu senhor falar com aquele meu senhor?”; o que dá a entender mais nitidamente a existência de dois personagens distintos.

Terceiro, cumpre-nos aqui, também, desfazer um falso ensino, formulado pelos sabatistas e pelos “Testemunhas de Jeová”, segundo os quais Miguel é, na verdade, Jesus. Trata-se de mais um sutil engano do adversário de nossas almas que, ao defender esta tese, procura negar a divindade de Cristo. Miguel é um arcanjo, é um anjo e, portanto, uma criatura. Pode ter uma posição excelente no céu e não se pode sequer deixar de reconhecer que é possível que tal posição tenha ganhado proeminência maior após a queda de Lúcifer, no entanto, Miguel não é Jesus. Miguel foi criado, Jesus é criador; Miguel não ousou repreender Satanás, Jesus feriu a cabeça do diabo, ao vencer a morte e o inferno na cruz do Calvário; Miguel é príncipe de Israel, Jesus é o Rei de Israel, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Miguel se levantará, na Grande Tribulação, pelos filhos de Israel, mas Jesus libertará Israel e porá fim a Grande Tribulação, na batalha do Armagedom. Portanto, Jesus e Miguel jamais poderiam ser a mesma pessoa.

3. A hostilidade espiritual contra o povo de Deus. O capítulo 10 de Daniel esclarece que não eram apenas os desencorajadores ou os samaritanos que se opunham à obra de Deus, nem mesmo os reis persas que atenderam aos samaritanos, mas, sobretudo, os anjos caídos (Dn 10:13,20).

A revelação dada a Daniel foi feita dentro do período do Império Medo-persa, mas logo este império passaria, e outro império haveria de surgir, suplantando o Medo-persa, que era o Império Grego (Dn 10:20). O anjo revela a Daniel que "o príncipe da Grécia", na figura de um dos espíritos satânicos, também se levantaria para se opor ao povo de Deus num tempo bem próximo daquele que ele, Daniel, estava vivendo.

O inimigo tem usado todas as armas e inúmeros estratagemas, em todas as épocas, para destruir a nação de Israel, mas Deus tem uma aliança inalterável com Israel e a cumprirá, porque Ele é imutável e cumpre suas promessas.

Quanto à igreja de Cristo, os mesmos espíritos do mal operam e hostilizam a igreja e aos crentes em particular. Há resistência espiritual às nossas orações. Quando oramos entramos em batalha contra as potestades do mal. Portanto, nossa principal luta não é contra o desânimo nem contra os homens, “não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6:12). O apóstolo Paulo diz que os homens não creem porque o príncipe deste mundo cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4:4).

CONCLUSÃO

A grande lição que aprendemos com Daniel capítulo 10 é que no mundo temos uma guerra espiritual sobre as nossas cabeças. Trata-se de uma guerra invisível, e para termos vitória contra as hostes infernais da maldade precisamos usar as armas apropriadas. Nesse conflito precisamos nos entregar à oração, ao jejum, ao pranto e ao quebrantamento. “Como Daniel, precisamos entender que há poder de Deus liberado por meio da oração. Precisamos continuar orando, mesmo que a resposta demore a chegar até nós, a despeito de já ter sido deferida no céu”.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Daniel, um homem amado do Céu. HAGNOS.

Severino Pedro da Silva – Daniel (a visão para estes últimos dais). CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Bíblia de Estudo Pentecostal.