segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aula 04 – GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE


3º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Tiago 1:9-11,16-18

 
“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1Pe 1:23).

 

INTRODUÇÃO


Nesta Aula, trataremos de três assuntos importantes. Primeiro - com base Tiago 1:9 – 11 -, trataremos sobre a forma como os cristãos devem encarar a pobreza e a riqueza. Estas condições sociais são enfatizadas por Tiago como circunstâncias transitórias da vida, como situações efêmeras, e também como conjunturas em meio às quais o cristão deve aprender a estar sempre satisfeito. Os cristãos verdadeiros, gerados pela Palavra da verdade e por estarem ligados pelo Evangelho, devem saber se relacionar com o outro independente da sua condição econômica e social. Segundo – com base em Tg 1:16,17 -, trataremos acerca de Deus como a fonte de todo bem verdadeiro. Terceiro - com base em Tg 1:18 -, trataremos acerca do maior de todos os dons que o Senhor nos concede: o de sermos gerados de novo pelo poder da Palavra de Deus.
 
I. A RELAÇÃO ENTRE OS POBRES E OS RICOS DA IGREJA (Tg 1:9-11)

A Bíblia jamais ensina que a riqueza em si é um mal. O próprio Deus deu a Salomão tanto a riqueza como a sabedoria (1Rs 3:12,13). Tudo depende de como a riqueza é adquirida, como é usada e qual o lugar que ela ocupa no coração de quem a possui. À luz das Escrituras Sagradas, o pobre é convidado a gloriar-se em Cristo pela sua nova posição de filho de Deus e pelo que tem permanente no Céu; enquanto o rico, no encontro com o Evangelho de Cristo, é convidado por Cristo a se humilhar para compreender a natureza passageira da sua riqueza.

1. Os pobres na igreja do primeiro século. A história da igreja e os estudos mostram que a igreja do primeiro século era composta de irmãos de condição muito pobre financeiramente. A maioria vinha das classes mais humildes da sociedade; havia ricos, mas poucos. Se Tiago está escrevendo para cristãos judeus na Palestina e Síria, muitos deles, ou quem sabe todos, deviam ser pobres. Temos noticias de uma grande fome que aconteceu por volta daquela época, e é possível que os cristãos, que padeciam no ostracismo, tenham sofrido de modo particularmente severo (veja Atos 11:28,29).

A pobreza, a carência, é uma das situações na vida em que o cristão é muito tentado. Ele é tentado pela falta daquilo que lhe é essencial para sua subsistência; ele também é tentado pela cobiça, pela inveja, pelo ressentimento ao ver outras pessoas receberem aquilo que ele não tem e não pode ter. Então, o irmão carente – materialmente falando - é muito provado por causa de sua situação.

A orientação de Tiago em 1:9 é que o cristão, cuja posição social e econômica é realmente baixa, deve gloriar-se na sua dignidade - “glorie-se na sua dignidade” (Tg 1:9) -, ou seja, não é pecado ser pobre, embora as igrejas neopentecostais ensinam que a vontade de Deus é que nós sejamos ricos e prósperos financeiramente. Este ensino é falso; não há em lugar nenhum do Novo Testamento esse tipo de ensino. Uma pessoa pode ser pobre e digna, especialmente se ela é cristã, se ela ama a Deus; se ela é discípula de Jesus Cristo, existe uma certa dignidade nisso. É claro que o “gloriar-se”, neste contexto, não significa a vanglória arrogante de alguém considerada poderosa, mas o alegre orgulho possuído pela pessoa que valoriza aquilo que Deus valoriza.

A palavra “dignidade” (“exaltação”, ARC) é usada em outros lugares do Novo Testamento como descrição do reino celestial ao qual Cristo foi elevado (Ef 4:8) e de onde desce o Espírito Santo (Lc 24:49). Pela fé, agora os crentes pertencem ao reino celestial como cidadãos (Fp 3:20) e também aguardam do Céu o Senhor Jesus, que transformará o “nosso corpo de humilhação“ em “corpo da sua glória” (Fp 3:21). Podemos afirmar, então, que “dignidade” inclui o gozo atual que o crente tem em seu “status” espiritual exaltado e também a esperança de participar do glorioso e eterno reino de Cristo.

É justamente esta combinação do “status” atual e da herança futura que Tiago destaca em Tiago 2.5: “Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?”. É claro que Tiago não é da Teologia da Libertação, que diz que Deus fez uma opção preferencial pelos pobres; aqui, ele está constatando uma realidade de que através da história o número de cristãos que vem das camadas mais humildes da sociedade é muito maior do que aqueles que vieram de entre os ricos, nobres, poderosos, influentes, intelectuais e os fazedores de opiniões deste mundo. É só ler a história da igreja que veremos que isso é uma verdade. Então há uma dignidade que os irmãos humildes se lembrem disso, e que Deus os recebe em seu reino.

2. Os ricos na igreja Antiga.E o rico, na sua insignificância, porque ele passará como a flor da erva(Tg 1:10). No início existiam poucos ricos na igreja; muitos que eram detentores de posses vendiam suas propriedades para serem repartidos com os pobres. Também, por serem cristãos, estavam sujeitos a todo tipo de assédio da classe dominante do governo local: havia prisões, arrestamento de bens, tortura e morte. E os judeus - não cristãos - proprietários de muitos bens negligenciavam as obrigações que pesavam sobre eles (Lv 19:10; 23:22; Dt 15:1-18; 1Tm 6:9,17-19). Por causa disso, e pelas suas atitudes, eles eram frequentemente repreendidos por Deus (Am 2:4-8; Lc 6.24; 18.24,25).

Tiago diz que os ricos são como a flor da erva, aquela flor bonita que existe nas campinas, mas que com o calor do sol se secam, se murcham; assim, os ricos passarão na sua insignificância. Portanto, não cobicem as riquezas, diz Tiago para aqueles crentes pobres do primeiro século; não fiquem com inveja dos ricos porque eles passarão num instante e vocês são herdeiros do reino que Deus tem reservado àqueles que O amam.

A lição aqui é que não devemos permitir que as alterações da nossa situação financeira influenciem o nosso compromisso com Deus. Se somos pobres, se temos uma condição humilde, gloriemo-nos nisso, demos graças a Deus por isso. Contudo, se temos condição de progredir, que o façamos; mas se não, lembremos que Deus nos tem reservado um tesouro ainda muito maior e infinitamente muito melhor. E se temos alguma riqueza material aqui neste mundo, lembremos que ela é passageira! Recentemente, o mundo passou por uma crise financeira, que veio de repente, de um dia para o outro muitos milionários ficaram na miséria, entre eles cristãos. Nos Estados Unidos, pessoas venderam suas mansões por míseros dólares, mansões que valiam milhões de dólares, para ter alguma coisa para sobreviver. O mundo está cheio de histórias de pessoas que eram riquíssimas, eram tranquilas financeiramente, mas que no dia seguinte amanheceram pobres sem absolutamente nada.

Se a nossa felicidade e estabilidade espiritual vão depender da oscilação da nossa situação financeira ou do sistema financeiro mundial, então nunca seremos cristãos perseverantes. Nós não devemos depender dessas coisas. Devemos, sim, colocar a nossa confiança em Deus e aguardar nEle e nEle ter o nosso conforto apenas. Esta é a orientação de Tiago.

3. Perante Deus, pobres e ricos são iguais. “O rico e o pobre se encontram; a todos o Senhor os fez”(Pv 22:2). “O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra”(Pv 14:31). Não há predileção entre o rico e o pobre. Ambos foram criados por Deus. São gêmeos com aparências díspares.

Num texto que lembra bastante as denúncias dos profetas do Antigo Testamento, Tiago pronuncia julgamento sobre os ricos (Tg 5:1-6). E, da mesma forma que os “pobres” nos salmos, os cristãos devem olhar para o Senhor com paciência e perseverança, a fim de receberem livramento (Tg 5:7-11).

Contudo, nem Tiago nem os profetas condenam os ricos pelo simples fato de serem ricos. Tiago, por exemplo, enumera os pecados específicos pelos quais “o rico” será julgado: um egoísta acúmulo de dinheiro (Tg 5:2,3); luxo sem sentido (Tg 5:5); fraude contra o trabalhador (Tg 5:4); e perseguição ao justo (Tg 5:6). O fato de que Tiago não condena o rico, só porque ele é rico, provavelmente também é demonstrado em Tg 1:10,11, onde é possível que o “rico” seja um “irmão” em Cristo.

Portanto, jamais se pode avaliar a espiritualidade de uma pessoa pelo que ela possui de bens materiais. O pobre ao ser provado deve dizer: mas quão rico eu sou! O rico ao ser provado pelas glórias do mundo deve dizer: quão vulnerável eu sou! Cada um deve olhar para a sua vida na perspectiva da eternidade.

II. DEUS SÓ FAZ O BEM (Tg 1:16,17)

1. Não erreis (Tg 1:16). “Não erreis, meus amados irmãos”. Este versículo atua como uma transição entre Tg 1:12-15 e 17-18. Atribuir a Deus o intento maligno de tentar as pessoas é um assunto sério. Tiago quer ter a certeza de que seus leitores não se “enganarão” nesta questão. Muitas vezes, as pessoas que caem em pecado culpam Deus em vez de assumir a responsabilidade. Perguntam ao Criador: “Por que me fizeste assim?”. Proceder assim é enganar-se a si mesmo. Tudo o que Deus faz é bom. Na verdade, Ele é a fonte de “toda dádiva e todo dom perfeito” (Tg 1:17).

Como expusemos na Aula 02, de uma maneira que não sabemos explicar, Deus não é responsável pelos atos pecaminosos de suas criaturas; por isso, elas darão conta de seus atos pecaminosos junto a Deus; por isto, Deus não é injusto quando Ele as conduz para a condenação. A Bíblia responsabiliza o ser humano pelo pecado e pela decisão errada que ele comete. Não deixemos que a nossa fé venha esmaecer nem por um minuto, em pensar que a graça de Deus, que a soberania de Deus, nos dá uma desculpa para o pecado. Nós somos responsabilizados pelas Escrituras por todas as nossas ações. Portanto, “não erreis, meus amados irmãos”.

2. Toda boa dádiva e todo dom vêm de Deus. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto...” (Tg 1:17). Tudo o que Deus nos dá é bom. Toda boa dádiva procede das Suas mãos. Ele, muitas vezes, nos dá não o que pedimos, mas o que precisamos. Seriamos destruídos se Deus deferisse todas nossas orações. Muitas vezes pedimos uma pedra, pensando que estamos pedindo um pão; pedimos uma serpente, pensando que estamos pedindo um peixe. Deus, então, é tão bondoso, que não nos dá o que pedimos, mas o que necessitamos. Elizabeth George registra uma sublime mensagem sobre os paradoxos da oração:

Pedi a Deus força, para que eu pudesse alcançar êxito. Fui enfraquecido, para que pudesse aprender a humildade para obedecer...

Pedi saúde, para que eu pudesse fazer grandes coisas. Fiquei enfermo, para que pudesse fazer coisas melhores...

Pedi riquezas, para que eu pudesse ser feliz. Foi me dada a pobreza, para que eu pudesse ser sábio...

Pedi poder, para que eu pudesse ter o louvor dos homens. Recebi fraqueza, para que eu sentisse a necessidade de Deus...

Pedi todas as coisas, para que pudesse desfrutar a vida. Foi me dada a vida, para que eu pudesse desfrutar todas as coisas...

Não recebi nada do que pedi, mas tudo de que precisava.

Quase que a despeito de mim mesmo, minhas orações não respondidas foram respondidas. Eu sou, dentre todos os homens, o mais ricamente abençoado (George, Elizabeth. Tiago – Crescendo em sabedoria e fé).

3. A origem de tudo o que é bom está no Pai das luzes.Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1:17). De Deus só pode vir o bem. Todo o bem que temos e experimentamos vem lá do alto, do Pai das luzes, que é imutável.

Note que Tiago chama Deus de “Pai das luzes”; na Bíblia, a palavra pai significa, por vezes, criador ou fonte (cf. Jó 38:28). Assim, Deus é o Criador ou a fonte das luzes. Mas o que são essas luzes? Sem dúvida, compreendem os corpos celestes: o sol, a lua e as estrelas (Gn 1:14-18; Sl 136:7). Deus é a fonte de toda forma de luz existente no universo, “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. Deus é diferente de todos os corpos celestes criados por Ele. Enquanto estes estão sempre mudando, Deus permanece imutável.

É possível que Tiago tenha pensado não apenas no brilho declinante do sol e das estrelas, mas também em sua mudança de posição em relação à Terra, à medida que esta realiza sua rotação.

Os corpos celestes são caracterizados por variações. A expressão “sombra de mudança” pode significar sombra provocada por uma mudança. Neste caso, talvez se refira às sombras que incidem sobre a Terra por seu movimento em torno do sol. Deus é totalmente diferente; nele não há variação, não há sombra provocada por mudança. A sua criação gira, move, muda de posição; todavia, o Pai das luzes é imutável no seu propósito de nos fazer o bem. Ele não muda, ou seja, não é aquele que um dia nos ama, outro dia está com raiva de nós e nos manda a tentação para nos destruir, não. Seu propósito é imutável. Nele não há variação, nem mudança de sombra como existe nos luzeiros que Ele criou.

III. PRIMÍCIAS DE DEUS ENTRE AS CRIATURAS (Tg 1:18)

“Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”.

1. Algo que somente Deus faz. Um exemplo maravilhoso das boas coisas que Deus nos dá é o nascimento espiritual, a regeneração. Nós somos salvos porque Deus decidiu nos tornar “primícias das suas criaturas” (seus próprios filhos). O nosso nascimento espiritual não se dá por acidente, nem porque Deus tinha que fazê-lo. Ser gerado de novo (2Co 5:17) é um presente para todos os crentes (veja João 3:3-8; Rm 12;2; Ef 1:5; Tt 3:5; 1Pedro 1:3,23; 1João 3:9), é uma ação realizada exclusivamente por Deus através do Santo Espírito; Ele limpa o homem dos seus pecados (Is 1:18), dando-lhe perdão e implantando-lhe um novo caráter.

2. A Palavra da verdade. A Palavra da verdade é o Evangelho, as Boas Novas da salvação (Ef 1:13; Cl 1:5; 2Tm 2:15). Como um proeminente exemplo das boas dádivas divinas, Tiago menciona o fato de que Deus “nos gerou pela palavra da verdade”.

Ele nos gerou é uma descrição do novo nascimento. Por meio do nascimento espiritual, nos tornamos seus filhos. Isto Ele fez a partir de sua determinação espontânea e gratuita, “segundo o seu querer”. Ou seja, Ele não foi obrigado a nos salvar por algum mérito nosso. Ele nos salvou segundo o seu livre querer. Não tínhamos como merecer, conquistar e nem comprar o amor de Deus por nós. Ele o expressou de forma inteiramente voluntário. Que motivo extraordinário de adoração!

O instrumento através do qual Deus realiza este nascimento espiritual é o Evangelho, a Palavra da verdade. Fomos gerados pela Palavra da Verdade, que salva a nossa alma (Tg 1:21). Assim como o nascimento natural vem pelo relacionamento do pai e da mãe, o nascimento espiritual vem por meio da Palavra e do Espírito (1Pedro 1:23). As Escrituras Sagradas, expressas na forma oral ou escrita, participam de todas as conversões autênticas. Sem a Bíblia não conheceríamos o caminho para a salvação. Aliás, nem saberíamos que Deus nos oferece a salvação!

Assim, a despeito de todas as circunstâncias difíceis da vida, podemos aplicar essa verdade afirmando que somos filhos de Deus, as primícias entre as criaturas do Senhor. Os destinatários da Epístola de Tiago, que sofriam grandes provações e tentações, precisavam saber dessa verdade.

3. O propósito de Deus. Tiago diz que o principal propósito de Deus é fazer da pessoa regenerada primícias das suas criaturas - “... para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”.

No Antigo Testamento, as primícias eram a colheita do melhor fruto (Lv 23:10,11; Êx 23:19; Dt 18:4). Os cristãos para os quais Tiago escreveu faziam parte dos primeiros convertidos da Dispersão cristã. Por certo, todos os cristãos são como que primícias das criaturas de Deus, mas a expressão aqui se refere, primeiramente, aos cristãos judeus para quem Tiago escreve.

No Antigo Testamento, as primícias eram oferecidas a Deus em gratidão por sua generosidade e em reconhecimento a tudo que vem dele e pertence a Ele. Assim, todos os cristãos devem se apresentar a Deus como sacrifícios vivos (Rm 12:1,2).

Tiago compara os destinatários originais de sua Epístola aos primeiros feixes de cereal da colheita de Cristo. Serão seguidos de outros ao longo dos séculos, mas foram separados como padrão para mostrar os frutos da nova criação. Um dia, o Senhor encherá toda a terra de outros como eles (Rm 8:19-23). A colheita completa se dará quando o Senhor Jesus voltar para reinar sobre a terra.

Apesar de Tiago 1:18 se referir, originalmente, aos cristãos do século I, todos nós que honramos o nome de Cristo podemos aplicar perfeitamente esta passagem à nossa vida.

CONCLUSÃO


Todo aquele que é gerado pela Palavra da verdade possui um comportamento irrefragável de um verdadeiro filho de Deus, diante de um mundo de tanta desigualdade em todas as áreas da vida. O seu relacionamento íntimo com Deus e a aplicação das Escrituras Sagradas à sua vida diária, faze-o suportar, com alegria, todas as situações adversas. Ele é “ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3:15). Ele é cônscio do seu maior desafio: fazer o Evangelho ser conhecido num mundo dominado por relacionamentos distorcidos.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Rev. Hernandes Dias Lopes –  Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel  & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Aula 03 – A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE


3º Trimestre/2014

 
Texto Base: Tiago 1:5; 3:13-18

 
“Não desamparares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará” (Pv 4:6)

 

INTRODUÇÃO

Tiago escreveu a Epístola que leva o seu nome com dois objetivos precípuos: Primeiro, confortar as igrejas, destinatárias de sua Epístola, que passavam por grandes tribulações. Os cristãos no século primeiro estavam sujeitos a todo tipo de assédio da polícia local: havia prisões, arrestamento de bens, tortura e eventualmente a morte. Existiam problemas financeiros. No capítulo cinco, Tiago faz menção a injustiças cometidas pelos patrões ricos opressores. Ele consola os cristãos que trabalhavam nos campos desses senhores, proprietários de terras. Em fim, era uma igreja muito sofrida e que precisava de conforto, precisava de consolo da parte de Deus.

Segundo, corrigir algumas deficiências na fé e na prática desses irmãos. Aparentemente esta comunidade - tudo indica de judeus convertidos ao cristianismo -, não tinha ainda compreendido plenamente todas as implicações do evangelho. Eles não estavam enfrentando as tribulações e o sofrimento da maneira correta. Por isso que Tiago tem de dizer para eles como eles deviam passar pelo sofrimento. Quando lemos a Epístola toda de Tiago temos a impressão que aqueles irmãos tinham uma compreensão deficiente da doutrina fundamental do cristianismo, que é a doutrina de que somente somos justificados pela fé, sem as obras da lei. Para eles, se você é justificado pela fé em Cristo Jesus, o que você faz ou como você vive isso não vai ter muito impacto em seu relacionamento com Deus. Isto é o que em Teologia nós chamamos de antinomianismo, ou seja, a ideia de que a fé e a graça excluem as obras, atitude, comportamento e o andar diante de Deus. Então Tiago Tg 2:14-26, confronta essa compreensão errada, e afirma que a fé salvadora sempre vem acompanhada da evidência. Desta feita, fé e obras são dois lados de uma mesma moeda: a fé sendo a raiz da salvação e as obras sem fruto dela; onde tem uma vai ter a outra; onde falta uma a outra também falta.

Nesta Aula, vamos aprender com Tiago como viver com sabedoria humilde neste mundo, no meio das provas. “Ele inicia a temática em tom de exortação, enfatizando a necessidade da sabedoria divina como condição básica de levar a igreja a viver a Palavra de Deus com alegria, coerência, segurança e responsabilidade (Tg 1:5). E isso tudo sem precisar fugir das tribulações ou negar que o crente passa por problemas”. “Como servos de Deus, somos chamados por Ele para uma vida que espelhe decisões e práticas advindas de uma sabedoria espelhada na sabedoria divina”. (1)

I. A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS (Tg 1:5)

“E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada”.

Todos nós carecemos de sabedoria. A Bíblia não oferece respostas específicas para as inúmeras questões que surgem ao longo da vida; não resolve os problemas de forma explícita, mas nos fornece os princípios gerais. Precisamos de sabedoria para aplicá-los aos desafios da vida diária. A sabedoria espiritual consiste, portanto, na aplicação prática dos ensinamentos de Jesus às situações do quotidiano.

1. A sabedoria que vem de Deus.E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus”. Quando estamos sendo provados, precisamos de sabedoria para não desperdiçar as oportunidades que Deus está nos dando para chegarmos à maturidade. A sabedoria nos ajuda a entender como usar as provas para nosso bem e para a glória de Deus. Sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus. Há pessoas que têm erudição, mas não sabem viver a vida nem fazer escolhas corretas.

Há uma sabedoria que vem de Deus e outra engendrada pelo próprio homem. A sabedoria do homem vem da razão, enquanto a sabedoria de Deus vem da revelação. A sabedoria do homem desemboca no fracasso, a sabedoria de Deus dura para sempre. A Bíblia traz alguns exemplos da tolice da sabedoria do homem: Primeiro, a torre de Babel parecia ser um projeto sábio, mas terminou em fracasso e confusão (Gn 11:9). Segundo, pareceu sábio a Abraão descer ao Egito em tempo de fome em Canaã, mas os resultados provaram o contrário (Gn 12:10-20). Terceiro, o rei Saul pensou que estava sendo sábio quando colocou a sua armadura em Davi (1Sm 17:38,39). Quarto, os discípulos pensaram que estavam sendo sábios pedindo a Jesus para despedir a multidão no deserto, mas o plano de Cristo era alimentá-la por meio deles (Mt 14:13,16). Quinto, os especialistas em viagens marítimas pensaram que era sábio viajar para Roma e por isso não ouviram os conselhos de Paulo e fracassaram (At 27:9-11).

Portanto, “a sabedoria que vem de Deus é o meio pelo qual o ser humano alcança o discernimento da boa, agradável e perfeita vontade divina (Pv 3:1-5; Rm 12:1,2). Sem esta sabedoria, o ser humano vive à mercê de suas próprias iniciativas, dominado por suas emoções, sujeitando-se aos mais drásticos efeitos das suas reações” (LBM).

2. Deus é o doador da sabedoria. Deus é a fonte da sabedoria; Ele é o doador. Ele dá - “a todos” - generosamente a sabedoria necessária para que possamos viver neste mundo de forma que o agrademos e sejamos também referenciais para as pessoas que nos cercam. A generosidade de Deus é ilimitada. A generosidade de Deus não conhece limites na terra: é para todos. A generosidade de Deus não conhece limites no céu: Ele dá liberalmente. A acolhida de Deus é garantida (1:5): Deus não rejeita aquele que o busca (Sl 66:20).

3. Peça a Deus sabedoria. “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto...”. Aqui, Tiago orienta a todos os que não têm sabedoria para buscá-la, em Deus, por meio da oração. Devemos rogar ao Senhor a sabedoria de que precisamos e Ele certamente a dará como um presente divino, “e não o lança em rosto”, ou como diz na linguagem popular, “não joga na nossa cara”. Deus é o detentor da sabedoria que nos é necessária em todos os momentos, e Ele faz questão de que a tenhamos.

Perceba que há uma conexão natural entre Tg 1:4 e Tg 1:5. No verso 4 Tiago diz que o alvo de Deus é que nós não devemos ser deficientes de nada, de que não tenhamos necessidade de nada – “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma”. E aí ele acrescenta no verso 5: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus...”.  Percebe-se, então, que ele está continuando o assunto. O propósito de Deus é que não tenhamos nenhuma deficiência. E uma dessas deficiências é a sabedoria. Sabedoria que é mencionada aqui não é aquela sabedoria teórica que nós acumulamos em nossos estudos seculares, mas é a sabedoria prática, aquela que é mencionada no livro de Salmos e Provérbios – “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 111:10; Pv 1:7; 15:33).

Sabedoria é você tomar as decisões certas e encaminhar a sua vida à luz do temor de Deus, fazer o que é certo. Sinceramente, é isso o que mais nos falta no meio das provações. Nós não tomamos decisões, diante dos problemas, como se faz no mundo, como os descrentes tomam. Por exemplo, se a sua empresa está com problemas, está com dificuldades, então um homem que não conhece a Deus ele vai usar de recursos ilícitos, ele vai burlar a lei, ele vai fazer negócios escusos e errados para salvar a sua empresa; mas, o cristão não pode fazer isso, ele tem que achar uma solução que está de acordo com a Palavra de Deus. Se você tem um problema com seu filho, se a sua filha tem um relacionamento com o seu namorado fora dos padrões bíblicos, morais, as pessoas do mundo não têm problema com isso, mas nós temos porque somos cristãos. Como é que vamos lidar com um filho problemático e difícil? Lá no mundo isso é fácil, mas nós não podemos tomar qualquer decisão e segui qualquer caminho quando a dificuldade bate à nossa porta. Quando estamos enfrentando o inimigo e certas dificuldades, lá no mundo as pessoas agem de forma brutal, mas um cristão não pode fazer isso. Como, então, enfrentarmos essas coisas? É aqui que precisamos de sabedoria. É o que mais precisamos no meio das provações, para achar o caminho correto, para nos comportar de uma maneira que glorifique o nome de Deus.

Tiago diz que se alguém tem falta dessa sabedoria peça a Deus. É claro que o que está por detrás aqui dessa orientação é a história de Salomão no Antigo Testamento, quando Deus apareceu a Salomão e lhe deu permissão para lhe fazer um pedido e Salomão pediu, acima de tudo, sabedoria para governar o povo de Deus; e Deus se agradou daquele pedido e concedeu a Salomão não somente sabedoria, mas inclusive tudo aquilo que ele não tinha pedido, a saber, riquezas e poder sobre os seus inimigos. O Deus de Salomão é o mesmo nosso. E Tiago, então, encoraja aos cristãos a pedir sabedoria com os seguintes argumentos:

a) que Deus dá liberalmente. Ou seja, Ele dá de maneira abundante. Ele não mede a sabedoria que nos dá literalmente. Mas Ele derrama com graça e abundância sobre nós.

b) que Deus “não lança em rosto”. Por exemplo, se você vai tomar um empréstimo financeiro a um amigo, o amigo pode lançar no teu rosto que no mês anterior ele já te emprestou dinheiro. Deus não faz isso conosco; Ele não lança em rosto. Quando nos chegamos a Ele para lhe pedir sabedoria, Ele não vai dizer assim: “eu já te dei sabedoria!”; “Você já me pediu isso!”; “Lá vem você de novo!”; “Por que estás aqui outra vez?”. Não! Deus não lança em nosso rosto as nossas faltas. Mas, Ele nos acolhe como sendo a primeira vez e liberalmente nos concede, como Tiago afirma no final do verso 5: “e ser-lhe-á dada”.

Aqui está a promessa de que Deus tem prazer em dar sabedoria aos seus filhos quando estamos passando por grandes dificuldades, por grande provação e vivemos em meio de grandes tentações. Podemos, então, nos socorrer de Deus pedindo-lhe sabedoria.

É uma pena que nós deixamos para fazer isso depois; primeiro nós planejamos tudo, como vamos resolver os nossos problemas, e depois de tudo planejado nós chegamos para Deus e dizemos: “Deus, eu vou fazer desta maneira, se o Senhor puder abençoar eu agradeço”. Mas, não é isso que Tiago nos instrui. Nós temos que, em todo tempo, a primeira coisa que temos que fazer é orar quando as dificuldades batem à nossa porta.

II. A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3:13)

“Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (ARA).

1. A sabedoria colocada em prática. Em Tg 3:13, Tiago trata da diferença entre a verdadeira sabedoria e a falsa. O autor não se refere à soma de conhecimentos de uma pessoa, mas a sua vida no dia-a-dia. O que conta não é ter o conhecimento, mas saber aplicá-lo. Tiago conclama os servos de Deus a demonstrarem sabedoria divina através de ações concretas. A pessoa sábia manifesta a vida de Cristo, uma vida na qual o fruto do Espírito é evidente (Gl 5:22,23). Como bem diz o pr. Eliezer de Lira, “a sabedoria é a virtude que devemos buscar e cultivar em nossos relacionamentos neste mundo (Mt 5:13-16)”. Portanto, a sabedoria de Deus é prática; ela muda a vida e produz bons frutos para a glória de Deus. Quem não produz frutos, produz galhos.

2. A humildade como prática cristã. Na concepção de Tiago, sabedoria e humildade devem andar juntas. O sábio tem atitudes humildes, não arrogantes. Da mesma forma que a sabedoria de que precisamos encontra sua fonte em Deus, a humildade nos faz ser sempre mais dependentes de Deus. Curiosamente falando, a obediência a Deus é uma demonstração de humildade, e não de arrogância. A desobediência a Deus e aos seus preceitos mostra o quanto podemos ser arrogantes, mas a dependência de Deus e a humildade demonstram o quanto somos obedientes a Ele. (2)

Humildade é uma condição necessária para todo aquele que quer viver como salvo. Os cristãos no princípio da Igreja foram ensinados que o orgulho, a altivez, a soberba eram coisas do mundo e que “... Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes...”(Tg 4:6). Neste mesmo sentido ensinou, também, o Apóstolo Pedro, dizendo: “... revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”(1Pedro 5:5). Também escreveu Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”(Fp 2:3).

Pelo que se pode observar, entre os crentes da igreja do primeiro século não havia sentimentos de grandeza, orgulho, soberba, superioridade – “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam...” (Atos 4:32).

Portanto, para andar como salvo é necessário andar em humildade. Contudo, existem muitas ideias erradas sobre o verdadeiro sentido da humildade. Vamos considerar o que não é humildade.

– Humildade não é pobreza. Normalmente quando alguém quer se referir a um irmão muito pobre costuma-se dizer: “é um irmão muito humildezinho”. Porém, nem todo pobre é humilde, bem como nem todo rico é soberbo, ou orgulhoso. Existem pobres revoltados pelo simples fato de serem pobres. Não se conformam, têm inveja dos ricos. Humildade e inveja são dois sentimentos que não podem habitar juntos.

– Humildade não é ausência de cultura. Costuma-se dizer: “aquele irmão é muito humilde, nem ler ele sabe”. Todavia, para ser orgulhoso, altivo, soberbo, não precisa saber ler. Nem todo analfabeto é humilde e nem todo letrado e sábio tem que ser altivo e soberbo. Existe uma nova geração de obreiros que possuem vários diplomas de curso superior, são muito culto, escritores, porém muitos destes deixaram a verdadeira humildade, por isso correm o risco de nem estar vivendo como salvos.

– Humildade não é aparência exterior. Não é pela aparência exterior que identificamos uma pessoa humilde. Alguém pode dizer: Ele é muito humilde, não liga para nada, anda mal vestido, não tem vaidade”. Isto pode ser desleixo, falta de higiene, mau gosto no vestir. Humildade não é alimentar-se e vestir-se mal, podendo alimentar-se e vestir-se bem. Humildade não é ter um carro velho, podendo ter um novo. Humildade não é morar num barraco, podendo morar numa casa confortável.

Portanto, a verdadeira humildade manifesta-se de dentro para fora, não é, apenas, aparência exterior.

3. Obras em mansidão de sabedoria.Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras” (Tg 3:13). Se um homem for sábio e inteligente, demonstrará esses atributos num condigno proceder, juntamente com um espírito humilde resultante da sabedoria. O Senhor Jesus - a encarnação da verdadeira sabedoria -, não era orgulhoso nem arrogante, mas manso e humilde de coração (Mt 11:29). Assim, as pessoas verdadeiramente sábias podem ser distinguidas pela humildade autêntica. Alguém disse que “mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle”. Uma pessoa que não tem controle pessoal ou domínio próprio não é sábia. Mansidão é o uso correto do poder, assim como a sabedoria é o uso correto do conhecimento.

III. O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3:14-18).

A verdadeira sabedoria – a sabedoria divina – não é contenciosa nem facciosa e nem beligerante. A sabedoria do homem leva à competição, rivalidade e guerra (Tg 4:1,2), mas a sabedoria de Deus conduz à paz. Essa paz é produzida pela santidade e não pela complacência ao erro. Não se trata de paz que encobre o pecado, mas da paz fruto da confissão de pecado.

1. Sabedoria verdadeira e a arrogância do saber. Não é incomum ver pessoas de destacável conhecimento secular tornarem-se arrogantes no trato com outras que as cercam, pelo fato de serem bem dotadas intelectualmente e de um saber bastante destacável. Todavia, isto não é aceitável aos olhos de Deus. É necessária sabedoria humilde para convivermos com pessoas intelectualmente menos favorecidas. O acúmulo de conhecimento não pode obstruir nossa vida espiritual de tal forma que nos tornemos arrogantes. Sabedoria é o uso correto do conhecimento. Uma pessoa pode ser culta e tola; pode ter muito conhecimento e não saber se relacionar com as pessoas; pode ter muito conhecimento e não saber viver consigo e com os outros. Sabedoria é também olhar para a vida com os olhos de Deus.

É bom enfatizar que Tiago não condena pessoas que estudam e que se valem de seus conhecimentos ao longo de suas vidas, “mas coloca em cheque o hábito de algumas pessoas acharam-se superiores a outras porque possuem conhecimento. Estudar é muito bom, e nos torna pessoas mais capacidade para servir a Deus e ao próximo com muitos talentos, mas não pode nos tornar pessoas altivas. A soberba é tão duramente condenada por Deus que Ele resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde. Portanto, usufruamos do conhecimento que Deus nos permite ter, mas busquemos acima de tudo aproveitar esse conhecimento de forma sábia e com humildade”. (4)

2. Atitudes a serem evitadas.Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3:16). Pensamentos errados produzem atitudes erradas. Uma das causas do porquê deste mundo estar tão bagunçado é que os homens têm rejeitado a sabedoria de Deus e age de acordo com a sua suposta inteligência. Tiago 3:14,16 lista duas características próprias de pessoas arrogantes: inveja e sentimento faccioso. São evidências da falsa sabedoria. São atitudes a serem evitadas pelos salvos em Cristo.

a) Quanto à inveja. O homem com sabedoria terrena é caracterizado pela inveja e ambição egoísta de seu coração; seu objetivo maior é beneficiar a si mesmo. O invejoso é implacável com seus concorrentes, orgulha-se da própria “sabedoria” que lhe trouxe sucesso. Porém, Tiago afirma que isso não é sabedoria, mas apenas vanglória infundada. É uma negação prática da verdade segundo a qual a pessoa genuinamente sábia também é genuinamente humilde.

Não é incomum que haja inveja entre as pessoas, mas pior ainda é quando esse sentimento da carne (Gl 5:21) encontra abrigo no coração dos servos de Deus. E justamente aqui encontra-se o desafio de Tiago; ele alertou para o perigo de se cobiçar ofícios espirituais na igreja (Tg 3:1). Existe sempre o risco de a liderança da igreja ser entregue a um homem com sabedoria terrena. Devemos permanecer atentos e não permitir que os princípios do mundo nos orientem nas questões espirituais. De acordo com Tiago, essa falsa sabedoria é “terrena, animal e demoníaca (Tg 3:15). Estes três adjetivos expressam, propositalmente, uma degeneração progressiva:

- Terrena” . É a sabedoria deste mundo (1Co 1:20,21). A sabedoria do mundo diz: promova a você mesmo; você é melhor do que os outros. Os discípulos de Cristo discutiam quem era o maior dentre eles. A sabedoria do mundo exalta o homem e rouba a Deus da sua glória (1Co 1:27-31; ler Atos 12:21-23). O invejoso, em vez de alegrar-se com o triunfo do outro, alegra-se com seu fracasso. Ele não apenas deseja ter como o outro tem, mas tem tristeza porque não tem o que é do outro; ou seja, o invejoso ele não quer um cargo igual ao seu, ele quer o seu cargo, a sua função.

- Animal” (ou “não-espiritual”). Que está em oposição à nova natureza que temos em Cristo; é uma sabedoria totalmente à parte do Espírito de Deus. Essa sabedoria escarnece das coisas espirituais. O mundo está cada vez mais secularizado; as coisas de Deus não importam; a Palavra de Deus não governa a vida familiar, econômica, profissional e sentimental das pessoas.

- “Demoníaca” . Que se presta a ações que remetem ao comportamento de demônios, e não de homens. Essa foi a sabedoria usada pela serpente para enganar Eva, induzindo-a a querer ser igual a Deus e fazendo-a descrer de Deus para crer nas mentiras do diabo. As pessoas hoje continuam crendo nas mentiras do diabo (Rm 1:18-25). O diabo se transfigura em anjo de luz para enganar as pessoas. Pedro revelou essa “sabedoria” quando tentou induzir Cristo a fugir da cruz (Mc 8:32,33).

b) Quanto ao sentimento faccioso. É outra característica de quem alega ter a sabedoria e não consegue demonstrá-la na prática. A falsa sabedoria manifesta-se através de um sentimento faccioso. Há grandes feridas nos relacionamentos dentro das famílias e das igrejas. A palavra que Tiago usa, erithia, significa espírito de partidarismo. Subentende a inclinação por usar meios indignos e divisórios para promover os próprios interesses. Era a palavra usada por um político à cata de votos. As pessoas estão a seu favor ou estão contra você. Tiago, então, propõe à igreja um desafio àqueles que afirmavam ter a verdadeira sabedoria: eles precisavam observar a verdadeira sabedoria que vem do Céu.

Paulo alertou os crentes de Filipos sobre o perigo de estarem envolvidos na obra de Deus com motivações erradas: vanglória e partidarismo (cf Fp 2:3). Essa exortação é bastante atual!

CONCLUSÃO

A verdadeira sabedoria é humilde e faz parte da nova natureza do crente. Só pode tê-la quem é nascido de novo, regenerado. Tiago não está tratando de uma sabedoria oriunda do aprendizado secular, não; está, sim, tratando da sabedoria das Escrituras, que é Espírito e Vida. É resultado de uma intima relação com Deus, por meio do Seu filho Jesus e pela força do Espírito Santo. Por isso, então, esta sabedoria não pode ser negociada. Ela vem exclusivamente de Deus, por meio do estudo e da exposição das Escrituras Sagradas.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Rev. Hernandes Dias Lopes –  Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel  & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

(1) Alexandre Coelho  - Fé & Obras. CPAD

(2) ibidem.

 (4) Alexandre Coelho  - Fé & Obras. CPAD

domingo, 6 de julho de 2014

Aula 2 - O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO


3º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Tiago 1:2-4,12-15

 
“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência” (Tg 1:2,3).

 

INTRODUÇÃO

Por que o povo de Deus sofre? Por que um cristão passa provações? Por que um cristão sofre prejuízos? Por que um cristão fica doente em cima de uma cama, às vezes sem nenhuma perspectiva de cura, humanamente falando? Por que o povo de Deus é injustiçado? Estas são perguntas corriqueiras feitas por inúmeras pessoas que não compreendem o propósito da provação.

Muitos que se dizem cristãos têm se iludo com a filosofia enganosa do “não sofrimento” que a falaciosa teologia da Prosperidade tem propagado. De forma irresponsável, falsos pregadores vociferam frases de efeitos como estas: “pare de sofrer”, “é tempo de vitória”, “você vai conquistar”. Nestas frases, está presente a ideia de que o cristão não sofre. Mas, quando chega o sofrimento, as pessoas que foram iludidas com estes clichês têm sua fé definhada e sua esperança apagada. Infelizmente, muitos desabam no esgoto da apostasia.

Deus nos adverte a esperar as provações. A vida cristã não é um mar de rosas, não é uma redoma de vidro, não é uma estufa espiritual. Cristianismo não é uma sala vip, não é uma colônia de férias, antes, é um campo de batalha. Não temos imunidade das provações da vida.  Jesus advertiu: "no mundo tereis tribulações... “ (João 16:33). O apóstolo Paulo disse: "... por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de deus" (At 14:22). Ainda, Paulo disse: "... todos os que querem viver piamente em cristo Jesus padecerão perseguições" (2Tm 3:12). O grande patriarca Jó disse: "... o homem nasce para a tribulação, como as faíscas voam para cima" (Jó 5:7).

Enquanto estivermos neste mundo, enfrentaremos muitas provações. A Bíblia diz que somos peregrinos neste mundo. Nossa pátria permanente não é aqui. Nossa pátria está no Céu. Diz o apóstolo Paulo: “pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas“ (Fp 3:20,21).

Nesta Aula, trataremos do ensino de Tiago capítulo 1, quanto ao valor e o propósito do sofrimento por Cristo e da sua importância para o nosso crescimento espiritual. Rumo à Terra Prometida, o sofrimento é inevitável; contudo, visa à nossa maturidade espiritual. Em Cristo, temos o privilégio de sofrermos para a honra do Seu nome – Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações” (Tg 1:2).

I. O FORTALECIMENTO PRODUZIDO PELAS TENTAÇÕES/PROVAÇÕES (Tg 1:2,12)

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (ARA).

1. O que é tentação/provação. Em Tiago 1:2,12, na versão ARC o vocábulo empregado é “tentação”; na versão ARA, o vocábulo empregado é “provação”. Para ambos, o termo grego original é “peirasmos”, que significa literalmente “prova”, “provação” ou “teste” (1).  O termo “sugere uma situação difícil, uma pressão dolorosa” (2).  As duas traduções estão corretas, uma vez que “peirasmos” é utilizado nessa passagem em alusão às aflições decorrentes de perseguições sofridas pelos crentes por causa da sua fé (Tg 1:3) e tais adversidades são também tentações, porque elas testam a fidelidade dos cristãos a seu Senhor. Aliás, as aflições, de forma geral, funcionam quase sempre também como tentações. Ou seja, “peirasmos” descreve perfeitamente a situação dos cristãos judeus dispersos pelo Império Romano: eles estavam tendo a sua fidelidade ao evangelho provada pela fornalha da perseguição (3). Já em Tiago 1:13-15, trata das tentações pecaminosas que vêm do interior da pessoa e conduzem ao pecado. O termo original é o mesmo – peirasmos -, que pode se referir à atração interna ao pecado, como em 1Timóteo 6:8: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição”.

A vida cristã é repleta de problemas indesejados e inesperados que em algumas ocasiões surgem sozinhos e, em outras, vêm aos montões; de qualquer modo, são inevitáveis. Tiago não diz “se passardes por várias provações”, mas “o passardes”. Como não podemos escapar das provações a pergunta é: “O que fazer com elas?”. A melhor atitude é permitir que as dificuldades e perplexidades da vida nos exercitem (Hb 12:11). Podemos dizer: “Deus permitiu que eu passasse por esta provação para o meu bem. Não conheço seu propósito, mas vou tentar descobrir, pois desejo que Deus cumpra seu desígnio em minha vida”. Esta é a instrução de Tiago: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações”. Não devemos nos rebelar! Não devemos desanimar! Regozijemo-nos! Esses problemas não são inimigos determinados a nos destruir; são amigos que vieram nos ajudar a desenvolver o caráter de Cristo em nós.

2. Fortalecimento após a tentação/provação.sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1:3). “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1:6,7).

Segundo Douglas J. Moo, a razão pela qual os crentes devem reagir com alegria, ao enfrentarem várias provações é que elas são uma prova, através da qual Deus opera para aperfeiçoar a fé (4). Conforme se depreende de 1Pedro 1:7, do mesmo modo que o ouro precisa do fogo para ser refinado ou purificado, o cristão passa pelas provações para que a sua fé “redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”. Provavelmente, este é o significado pretendido por Tiago: o sofrimento é o meio através do qual a fé, testada no fogo da adversidade, pode ser purificada e então fortalecida. Desta forma, a ideia não é a de que provações determinam se uma pessoa tem fé ou não. Em vez disso, elas fortalecem a fé que já existe (5).

3. Felicidade pela tentação/provação (Tg 1:12).Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam”. Observe a expressão: “Bem-aventurado [feliz] o homem que suporta, com perseverança, a provação...”. Passar por provações e ao mesmo tempo ser feliz para ser paradoxal. Mas, é isso que a Bíblia recomenda: que nos alegremos em Deus porque a tribulação produz a paciência, e esta, a experiência que, finalmente, culmina na esperança (Rm 5:3-5).

Há uma recompensa prometida ao cristão que alcança êxito na prova: a coroa da vida. A “coroa” (stephanos) é o emblema do sucesso espiritual, que será dada pelo Rei do universo àqueles que “guardam a fé” no meio de sofrimentos e tentações. O termo “vida” deve ser encarado como identificação da recompensa. É claro que esta “vida” não é de ordem física, mas uma vida eterna, o gozo da presença de Deus para toda a eternidade. A palavra de Jesus, em Apocalipse 2:10, dirigida a cristãos que estavam passando por grandes provas, é um correspondente íntimo do pensamento aqui: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Mesmo quando suportar provação significa a morte, a “vida” é a recompensa para aqueles que amam a Deus. Este amor a Deus é demonstrado e aperfeiçoado em nossa disposição de sofrer pela causa de Cristo (6).

Como reagimos quando somos provados de várias maneiras? Ficamos amargurados e nos queixamos dos infortúnios ou nos alegramos e agradecemos a Deus por eles? Alardeamos nossas aflições ou as suportamos com discrição? Vivemos no futuro, esperando que as circunstâncias melhorem, ou no presente, procurando ver a mão de Deus em todos os acontecimentos?

Amados irmãos, quando Deus nos prova é para o nosso bem, para que tenhamos a coroa da vida, por isso somos bem-aventurados. Quando somos provados, desenvolvemos a paciência triunfadora. Quando somos provados somos aprovados por Deus. Quando somos provados somos galardoados por Deus. Quando somos provados temos a oportunidade de demonstrar nosso amor por Deus. A Bíblia diz que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co 4:17). Como Lutero expressou no hino Castelo Forte, ainda que percamos família, bens, prazeres, Deus continua sendo nosso castelo forte (7).

Atente para esta exortação do apóstolo Pedro:Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe 4:12,13).

II. A ORIGEM DAS TENTAÇÕES (Tg 1:13-15)

Em Tiago 1:13-15, Tiago fala das tentações pecaminosas. Assim como as provações santas visam a cultivar o que temos de melhor, as tentações pecaminosas visam a trazer à tona o pior de nós. É preciso deixar claro que a tentação de pecar não vem de Deus. Ele testa ou prova as pessoas no tocante à fé, mas jamais tenta alguém a praticar o mal. Porque Deus não tem nenhuma relação com o mal e não nos instiga a pecar - “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1:13).

1. A tentação é humana. Tiago é claro quanto à origem da tentação; ele declara que a tentação não provém de Deus, mas da fragilidade humana; e também não diz que ela procede diretamente do Diabo ou do mundo. Tiago assevera que a tentação tem sua origem no próprio ser humano, em sua natureza pecaminosa – “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1:14,15). Ou seja, o mundo e o Diabo são apenas agentes indutores externos da tentação (8). Silas Daniel, citando Millard J. Erickson, diz: “a Bíblia enfatiza que o problema do pecado ‘está no fato de que os homens são pecadores por natureza. [...] Muitas vezes, a tentação envolve indução externa, [...] porém, o pecado é uma escolha da pessoa que o comete. O desejo de fazer o que se faz pode estar presente de forma natural e também pode haver indução externa, mas o indivíduo é basicamente responsável”. Como o próprio Jesus afirmou, o pecado não vem de fora para dentro; ele está dentro de nós, é resultado de nossa natureza” (Mc 7:15). O que vem de fora são apenas estímulos para que o pecado se manifeste dentro de nós. Tiago 1:15 aplica o termo “concebido” à ideia de que ninguém peca sem desejar o pecado. Assim, antes de ser efetivamente consumida, a transgressão passa por um processo de concepção no interior do ser humano. Portanto, a origem da tentação está nos desejos humanos e jamais no Altíssimo, “porque Deus [...] a ninguém tenta”.

2. A atração pela própria concupiscência. “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1:14). O ser humano está sempre pronto a se eximir da responsabilidade por seus pecados e encontrar um modo de escapar do julgamento. Se não pode jogar a culpa em Deus, adota a abordagem da psicologia moderna e diz que o pecado é uma doença. Mas o pecado não é uma doença; é uma falha moral da qual precisamos prestar contas.

Tiago rastreia a origem do pecado com precisão quando diz: “Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”(ARA). O pecado vem de dentro de nós, de nossa velha natureza decaída e pecaminosa. Jesus disse: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mt 15:19).

O termo “cobiça” (ARA), no texto supra, também pode ser traduzido por “desejo” e referir-se a desejos em geral, bons ou maus. A cobiça é comparada a uma mulher perversa que exibe seus encantos e seduz as vitimas. Todos são tentados. Todos nós temos desejos vis e apetites impuros que nos impelem a pecar. Isto acontece porque temos uma natureza pecaminosa. Como bem explica Tiago no texto supra. Isso só será extirpada definitivamente de nós quando formos glorificados, “quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade...”(1Co 15:54).

Quem escreveu esta história? “Um homem estava andando numa rua e de repente veio uma mulher muito bonita vestida sensualmente e esta mulher começa a conversar com este homem, e atrai este homem, seduz este homem, e ambos vão para um determinado local onde eles mantêm relação, e aquela mulher fica grávida. E quando finalmente aquele menino nasce e atinge a maturidade, a primeira coisa que ele faz é pegar uma arma e matar o pai”. Sabe quem escreveu o roteiro desta história? Tiago. É o que ele esta dizendo em Tg 1:14. Aqui, ele personifica a cobiça e o pecado. Quando é que a cobiça engravida? Quando dissemos sim a ela! Quando somos seduzidos pela tentação engravidamos a cobiça. Então ela dá à luz o pecado. O que é que nasce entre essa união entre a minha vontade e a tentação? O filho que foi gerado pela minha decisão. E o pecado uma vez que ele realizou (consumado) gera a morte, de quem? Minha! É o meu filho quem me mata! Tiago está contando esta história para dizer: o pecado é seu filho! Não coloque a culpa em Deus! Faça o teste do DNA e você vai ver que é seu filho. Foi você quem o gerou! E com isso ele está tirando qualquer base para que atribuamos a Deus a participação no pecado que praticamos.

Devemos estar cônscios dessa verdade: Deus não é responsável pela mal; ele está no mundo pela permissão soberana de Deus. De uma maneira que não sabemos explicar, Deus não é responsável pelos atos pecaminosos de suas criaturas. Por isso elas darão conta de seus atos pecaminosos junto a Deus. Por isto, Deus não é injusto quando Ele as conduz para a condenação. A Bíblia responsabiliza o ser humano pelo pecado e pela decisão errada que ele comete. Não deixemos que a nossa fé venha esmaecer nem por um minuto, em pensar que a graça de Deus, que a soberania de Deus, nos dão uma desculpa para o pecado. Nós somos responsabilizados pelas Escrituras por todas as nossas ações!

3. Deus nos fortalece na tentação. É importante frisar que, em si mesma, a “cobiça” não é pecado; apenas quando uma pessoa, por um ato de vontade, cede à sua atração é que o pecado surge – “Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1:15). Uma ilustração viva do processo da cobiça que concebe e dá à luz o pecado é o episódio de Davi e Bate-Seba (2Sm 11:1-27). Às vezes, em vez de expulsar o pensamento vil de nossa mente, o alimentamos e passamos a gostar dele. Esse ato de aquiescência é comparado a uma relação sexual – veja o exemplo no item anterior. A cobiça concebe e dá à luz um rebento terrível chamado pecado. Em outras palavras, se pensarmos muito tempo num ato proibido, terminaremos por realizá-lo.

Então, somos vítimas impotentes atraídas e seduzidas pela nossa própria cobiça? Não, pois podemos expulsar os pensamentos pecaminosos de nossa mente e nos concentrar no que é puro e santo (ler Fp 4:8). Além disso, nos momentos de tentação intensa podemos clamar ao Senhor, lembrando-nos de que “torre forte é o nome do Senhor, à qual o justo se acolhe e está seguro” (Pv 18:10). Esse momento de tentação poderá se transformar em uma oportunidade para o nosso crescimento, para o fortalecimento da nossa fé; poderemos suportar e vencer essa provação pela graça de Deus, fortalecendo-nos no Senhor e na força do seu poder (Ef 6:10), vencendo no dia mal (Ef 6:13) e crescendo na fé (1Pe 1:6,7).

III. O PROPÓSITO DAS TENTAÇÕES (Tg 1:3,4,12)

1. Para provar a nossa fé - “sabendo que a prova da vossa fé...” (Tg 1:3). Nas provações da vida, nossa fé é testada para mostrar a sua genuinidade. Quando Deus chamou a Abraão para viver pela fé, ele o testou com o fim de aumentar a sua fé. Quando Deus permitiu que Satanás atingisse a Jó nas cinco áreas nevrálgicas de sua vida – financeira, filhos, saúde, casamento e amigos – Ele permitiu isso para provar a genuinidade de sua fé. Satanás nos tenta para fazer o pior em nós, mas Deus sempre nos prova para produzir o melhor em nós. As provas da fé provam que, de fato, nascemos de novo. Alguns cristãos são mais provados do que outros, mas todos são provados de alguma forma, porque são as provas que exercitam a nossa fé. Essa é a razão pela qual Deus permite provações na vida de seus filhos.

2. Produzir a paciência - “sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência(Tg 1:3). As provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem paciência. Segundo o dicionário VINE, o vocábulo grego traduzido neste texto como “paciência” (hupomone) significa literalmente “permanência em baixo de”, “ficar em baixo de”, trazendo a ideia de “tolerância”, “resignação”, “persistência”, “perseverança”.

A versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) traduz esse vocábulo, no referido texto, como “perseverança” - “sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança”. Ou seja, o que Tiago está dizendo neste texto é que uma vez confirmada a nossa fé em meio às provações, esta é fortalecida, porque o resultado da provação é a paciência ou a perseverança. São nas provações que aprendemos a perseverança, que é a capacidade de mantermo-nos firmes mesmo quando tudo está dando errado, mesmo quando tudo parece estar conspirando contra nós. Não se engane: ninguém aprende a perseverar, ninguém cresce e amadurece na fé, sem passar por provações (9).

Deus está no controle de nossa vida. Tudo tem um propósito, diz o apóstolo Paulo: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus..." (Rm 8:28). Paulo diz ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co 4:17). Em Efésios 2:8-10, Paulo diz que Deus trabalha por nós, em nós e através de nós. Ele trabalhou em Abraão, José, Moisés antes de trabalhar através deles. É assim que Deus faz conosco ainda hoje.

3. Chegar à perfeição “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tg 1:4). A paciência, ou perseverança, visa nos levar à maturidade.

A nossa natureza não é ter paciência. Quando se trata de provas, nós preferimos escapar, sair da dificuldade. Na verdade, faremos praticamente qualquer coisa para evitar passar por uma prova. Entretanto, a paciência fiel gera pessoas íntegras, reconhecidas como perfeitas e completas, ou amadurecidas. Seremos maduros, experientes e bem desenvolvidos, adequados para as tarefas que Deus nos envia ao mundo para realizar. Esta resistência é uma qualidade desenvolvida de acordo com o quanto aprendemos dos testes pelo quais passamos.

Também não nos falta nada – “sem faltar em coisa alguma” -, porque nós fomos completamente treinados. As fraquezas e imperfeições estão sendo removidas do nosso caráter, e nós estamos alcançando a vitória sobre os antigos pecados; estamos demonstrando um sentido de competência no tocante à vida. Esta perfeição está relacionada com a extensão da nossa experiência. Paulo diz: “... sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança” (Rm 5:3,4). Portanto, as tribulações, as provações são pedagógicas, levam-nos à perfeição, à maturidade. (10)

CONCLUSÃO


Qual deve ser a atitude com que vamos enfrentar as provações da vida? Tiago responde: "... tende por motivo de grande alegria...". Em vez de murmurar, de reclamar, de ficar amargo, de enfiar-se em uma caverna, devemos nos alegrar intensamente. Essa alegria é confiança segura na soberania de Deus, de que Ele está no controle, de que Ele sabe o que está fazendo e sabe para onde está nos levando.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Rev. Hernandes Dias Lopes –  Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel  & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

(1) Dicionário Vine. CPAD

(2) Lawrence Richards. Comentário Devocional da Bíblia. CPAD.

(3) Silas Daniel. Fé & Obras. CPAD.

(4) Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

(5) Douglas J. Moo. Ibidem.

(6) ibidem

(7) Hernandes Dias Lopes – Tiago.

(8) Silas Daniel. Fé & Obras. CPAD.

(9) Silas Daniel. Ibidem.

(10) Comentário do Novo Testamento. CPAD.