terça-feira, 19 de agosto de 2014

Aula 08 – O CUIDADO COM A LÍNGUA


3º Trimestre/2014

 
Texto Base: Tiago 3:1-12

 
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3:2).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, veremos o quanto o cristão precisa ser cuidadoso com a língua, pois ela pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Teremos como texto base Tiago 3:1-12. Tiago já demonstrou sua preocupação com os pecados da língua em outros textos: Tg 1:19,26; 2:12; 4:11; 5:12. Em Tiago 1:19, ele encorajou seus leitores a serem “tardios para falar”, enquanto em Tg 1:26, a ação de refrear a língua é destacada como um dos principais ingredientes de uma “religião pura”. Agora, ele ataca o problema com certa minuciosidade. Assim como os médicos de antigamente examinavam a língua para conhecer o estado de saúde do paciente, Tiago avalia a saúde espiritual da pessoa por meio de suas palavras. A primeira etapa do autodiagnóstico são os pecados da fala, que já tratamos sobre isso na Aula 05. Tiago concordaria com a pessoa espirituosa que disse: “Cuide de sua língua. Ela fica num ambiente molhado, onde é fácil escorregar!”.

Como vimos na Aula 05, ninguém pode se dizer religioso sem primeiro refrear sua língua (Tg 1:27). Tiago está dizendo que podemos ter um conhecimento colossal das Escrituras, podemos ter um invejável cabedal teológico, mas se não dominamos a nossa língua, a nossa religião é vã. Para Tiago, para ser um cristão verdadeiro não basta apenas a teologia ortodoxa, é preciso também uma língua controlada.

I. A SERIEDADE DOS MESTRES (Tg 3:1,2)

1. O rigor com os mestres. Os mestres levam sobre si grandes responsabilidades e serão julgados com especial rigor em virtude da influência exercida sobre os outros. Ao referir-se aos “mestres”, Tiago tem em mente exatamente todos aqueles crentes que exercem a atividade de ensino na Igreja. Trazendo para os dias de hoje, aqui estão incluídos os obreiros em geral, professores da Escola Dominical, dirigentes de igreja, ou qualquer irmão em Cristo que exerça, reconhecidamente, um ministério de ensino entre o povo de Deus. Ora, uma vez que só pode dar quem tem para dar, isto é, só pode ensinar quem tem realmente recebido e aprendido o bastante para poder ensinar, e uma vez também que Jesus afirmou que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lc 12:48), é óbvio que ninguém tem uma responsabilidade maior do que aqueles que ensinam a Palavra de Deus. Trata-se de uma atividade extremamente honrosa e para a qual existe uma promessa extraordinária de Deus: “... os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3 - ARC). Entretanto, por outro lado, como toda benção, toda dádiva, todo dom - e o ensinar é um dom (Rm 12:6,7; Ef 4:8,11,12) – traz consigo uma responsabilidade, e essa responsabilidade é ainda maior no caso do dom do ensino, então o juízo será mais severo para os mestres. É o que assevera Tiago, inclusive incluindo-se entre os mestres, entre aqueles que passarão por esse julgamento diante de Deus: “... receberemos mais duro juízo” (Tg 3:1).

2. A seriedade com os mestres (Tg 3:1). Ensinar é coisa séria. Logo, os mestres devem exercer esta missão com muita seriedade. Jesus foi muito enfático e contundente ao advertir os discípulos sobre isso: “Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5:19). Na igreja do primeiro século da era cristã, o ministério de mestre incluía não só o ensino aos discípulos, mas também a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. Estas duas esferas de atuação faziam parte do ministério da liderança didática, objetivando o cumprimento da Grande Comissão: “Ide... pregai o evangelho... fazei discípulos... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei...” (Mt 28:19,20).

3. Perfeição que domina o corpo (Tg 3:2). Usando como gancho o fato de que mesmo os mestres são passíveis de erro, Tiago insere o tema da língua, ao falar do “tropeço na palavra”, isto é, o tropeço na fala: “... Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo”.

O maior perigo daquele que ensina está no falar desenfreado, que leva a declarações irrefletidas. Tiago não diz que todo mundo usa deliberadamente mau a língua, mas que, às vezes, ela é mal empregada por todas as pessoas, involuntariamente. Tiago diz que, quem nunca é culpado de um deslize cometido com a língua, quem nunca profere uma palavra ociosa ou vã, esse é perfeito, isto é, plenamente instruído, bem equilibrado e bem aparelhado para aceitar a responsabilidade de ensinar a outros e de frear toda a inclinação menos digna. Quem tem o domínio sobre a língua, tem igualmente o coração preservado, pois a boca fala do que o coração está cheio.

Todos nós batalhamos contra a tentação de falar antes de pensar, talvez uma palavra áspera ou crítica usada desnecessariamente, talvez uma expressão de raiva ou ódio. Uma simples palavra mal empregada pode levar uma nação à beira da guerra, destruir uma amizade de toda a vida, desfazer uma família ou arruinar um casamento. Por isso, a advertência de Tiago: "Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).

Salomão, em Provérbios 6:16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um pecado que a alma de Deus abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da língua: a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

O maior problema da igreja em Corinto era os pecados sociais da língua. Foi necessário que Paulo tratasse este problema com muita firmeza. "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer"(1Co 1:10).

Portanto, amados irmãos, discipline-se! Faça um propósito com Deus e consigo mesmo: não empreste os seus lábios para fazer o mal. "Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã"(Tg 1:26). "Porque quem quer amar a vida e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal e os seus lábios não falem engano"(1Pe 3:10). "Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado" (Mt 12:37).

II. A CAPACIDADE DA LÍNGUA (Tg 3:3-9).

1.  As pequenas coisas no governo do todo (Tg 3:3-5).3 - Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. 4 - Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. 5 - Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas”.

Aqui, Tiago faz uma analogia acerca da nossa capacidade de usarmos a língua. A língua tem o poder de dirigir tanto para o bem como para o mal. Tiago usa duas figuras para mostrar o poder da língua: o freio na boca do cavalo e a do leme do navio (Tg 3:3,4). As duas ilustrações evidenciam como esses dois objetos menores, essas pequenas partes de um todo, tem o poder de influenciar completamente o todo, de direcionar e dirigir todo o conjunto – o freio dirige as ações do cavalo e o leme conduz o imenso navio na direção que o capitão deseja.

Para que serve um cavalo indomável e selvagem? Um animal indócil não pode ser útil, antes, é perigoso. Mas, se você coloca freio nesse cavalo, você o conduz para onde você quer. Através do freio a inclinação selvagem é subjugada, e ele se torna dócil e útil. Tiago diz que a língua é do mesmo jeito. Se você consegue controlar a sua língua, também conseguirá dominar os seus impulsos, a sua natureza e canalizar toda a sua vida para um fim proveitoso.

A figura do leme. Um navio transatlântico é dirigido para lá ou para cá, pelo timoneiro, por meio de um pequeno leme. Imagine o que seria um navio sem o leme. Colocaria em risco a vida dos tripulantes, a vida dos passageiros e a carga que transporta. Isso seria um grande desastre. Sem leme, um navio seria um instrumento de morte, de naufrágio, de loucura. O leme, porém, pode conduzir esse grande transatlântico, fugindo dos rochedos, das rochas submersas e pode transportar em paz e segurança os passageiros, os tripulantes e a carga que nele está. O que Tiago está dizendo é que se nós não controlarmos a nossa língua, nós seremos como um transatlântico sem leme e sem direção. Se não controlarmos nossa língua, vamos nos arrebentar nos rochedos, vamos nos destruir e vamos ainda destruir quem está perto de nós, porque a língua tem poder de dirigir para bem ou para o mal.

2. “A língua também é um fogo” (Tg 3:6).A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno”.

Aqui, também, Tiago usa outra metáfora da língua: o fogo. Ele diz que uma fagulha pequena incendeia toda uma floresta. Você já parou para perceber que um incêndio de proporções tremendas pode ser causado por uma simples ponta de cigarro ou por um mero palito de fósforo? Aquela chama inicial é tão pequena que, se você der um sopro, ela se apaga. Mas o que adianta você soprar um fogo que se alastra por uma floresta? Aí não adianta mais. O fogo, depois que se agiganta e alastra torna-se indomável e deixa atrás de si grande devastação. Assim é o poder da língua. Onde um comentário maledicente se espalha, onde a boataria cresce e onde a fofoca se infiltra, como labaredas de fogo, vai se alastrando e provocando destruição. Assim como o fogo cresce, espalha, fere, destrói e provoca sofrimento, prejuízo e destruição, assim também é o poder da língua.

Uma pessoa pode corromper toda a personalidade ao usar a língua para maldizer, insultar, mentir, blasfemar e praguejar. Você já parou para pensar quantas pessoas não frequentam mais as nossas reuniões porque foram feridas com palavras?

É preciso usar nossa língua sabiamente, pois “a morte e a vida estão no poder da língua” (Pv 18:21).

3. Para dominar a língua.Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal” (Tg 3:7,8).

Tiago mostra que a natureza humana conseguiu domar e adestrar as bestas-feras, as aves, os répteis e os animais do mar, mas a língua do ser humano até hoje não houve quem fosse capaz de dominar.

O pr. Josué Gonçalves - em seu livro “A LINGUA (Domando essa fera)” – conta que “três jovens foram orar em um monte. Em determinado momento, pararam de orar e resolveram confessar um ao outro ‘o seu ponto fraco’. O primeiro disse: — O meu ponto fraco, é que não posso olhar para as meninas da igreja que eu logo penso bobagem. O segundo disse: — O meu ponto fraco é pior do que o seu, não posso olhar para os rapazes da igreja, porque tenho tendência para o homossexualismo. O terceiro disse: — O meu ponto fraco eu não vou contar, porque é pior do que o de vocês. Mas de tanto insistirem, ele contou. — O meu ponto fraco está na língua. Eu estou com uma vontade incontrolável de descer lá na igreja, e contar para toda a comunidade o que vocês acabaram de contar para mim. Os rapazes então disseram: — vamos orar primeiro por ele, caso contrário estaremos perdidos... Não seria este o ponto mais fraco de algumas pessoas?”.

Por esforço próprio o homem não terá forças para domar o seu desejo e as suas vontades. O próprio Tiago afirma isso: “mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal” (Tg 3:8). Domar a língua é um processo diário e que exige muito autocontrole, disciplina e compromisso com a prática dos princípios bíblicos que devem nortear nossa vida. Quando o cristão mostra equilíbrio no falar, significa que o Espírito Santo está construindo nele o caráter de Cristo. Pedro disse que Jesus nos deixou o exemplo, para que seguíssemos as suas pegadas. Ter a mente de Cristo (1Co 2:16) também é falar como Cristo falou e agir como Ele agiu. Nós falamos aquilo que pensamos. Disse Jesus, o Mestre por excelência: "A boca fala do que está cheio o coração" (Mt 12:34 - ARA). Quando Deus passa a nos governar, a língua do crente deixa de ser um órgão de destruição e passa a ser um instrumento poderoso e abençoador, usado para o louvor da glória do Eterno. "O que guarda a sua boca e sua língua, guarda das angústias a sua alma" (Pv 21:23).

III. NÃO PODEMOS AGIR DE DUPLA MANEIRA (Tg 3:10-12)

1. Bênção e maldição (Tg 3:10).de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim”.

Tiago está enfatizando o mesmo que Jesus Cristo disse, que a boca fala daquilo que o coração está cheio. Se o seu coração é mau, a palavra que vai sair da sua boca é má. A incoerência da língua está no fato de que com ela você bendiz a Deus e também amaldiçoa a seu irmão, criado à imagem e semelhança de Deus.

Como é estranho que a língua consiga bendizer a Deus e Pai, em um momento, e, a seguir, amaldiçoar as pessoas. Devemos ter, pelos seres humanos, a mesma atitude de respeito que temos por Deus, porque eles foram criados à sua imagem. Mas temos esta língua horrível de duas faces, de modo que de uma mesma boca procede benção e maldição. A mesma língua que usamos para falar dos outros é a mesma língua que usamos para louvar a Deus no culto. A mesma língua que usamos para glorificar ao Senhor com nossos cânticos e orações, usamos também para ferir de morte uma pessoa criada à imagem de Deus. A língua não apenas é incoerente, mas também contraditória.

Algumas pessoas pensam que o único limite para os palavrões e a linguagem grosseira é a desaprovação social. Mas a Palavra de Deus condena isto. Tiago diz que a razão pela qual nós não devemos amaldiçoar as pessoas é porque elas foram criadas à semelhança de Deus. Nós não devemos usar nenhuma palavra que as reduza a qualquer coisa inferior à sua estatura plena de seres criados por Deus.

2. Exemplos da natureza (Tg 3:12). “Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce”.

Os exemplos da natureza têm por objetivo lembrar-nos de que nossas palavras devem ser sempre boas. Tiago compara a língua com uma árvore e seu fruto. A árvore fala de fruto e fruto é alimento. Fruto renova as energias, a força, a saúde e dá capacidade para viver. Nós podemos alimentar as pessoas com uma palavra boa, uma palavra vinda do coração de Deus, uma palavra de consolo. Fruto também fala de um sabor especial. Nós podemos dar sabor à vida das pessoas pela maneira como nos comunicamos.

A figueira não pode produzir azeitonas, e a videira não pode dar figos. Na natureza, cada árvore produz somente um tipo de fruto. Como é possível, então, a língua produzir frutos bons e maus?

3. Uma única fonte.Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? (Tg 3:11).

Nenhuma fonte jorra água doce e amarga ao mesmo tempo. As duas são mutuamente excludentes. O mesmo princípio deve ser aplicado à língua. O fluxo de palavras tem de ser uniformemente bom. É incoerente e completamente contrário à natureza usar a língua para o bem e para o mal. Num momento a pessoa bendiz ao Senhor e, logo em seguida, amaldiçoa aqueles que são feitos à semelhança de Deus. Que incongruência a mesma fonte produzir resultados opostos! Isso não deve acontecer. A língua que bendiz ao Senhor deve ajudar os outros, e não prejudicá-los. Tudo o que dizemos deve ser testado com três perguntas: “É verdadeiro?” “É amável?”, “É necessário?”.

Que bênção você poder usar sua língua como uma fonte de refrigério para as pessoas, para abençoá-las, encorajá-las e consolá-las. Como é precioso trazer uma palavra boa, animadora e restauradora para uma alma aflita. A principal marca do cristão maduro é ser parecido com Jesus, o varão perfeito. Uma das principais características de Jesus era que sempre que uma pessoa chegava aflita perto dele saía animada, restaurada, com novo entusiasmo pela vida.

Quando as pessoas chegam perto de você, elas saem mais animadas e encantadas com a vida? Elas saem cheias de entusiasmo, dizendo que valeu a pena conversar com você? Você tem sido uma fonte de vida para as pessoas? Sua família é abençoada pelas suas palavras? Seus colegas de escola e de trabalho são encorajados com a maneira de você falar? Pense nisso!

CONCLUSÃO

Devemos pedir constantemente ao Senhor que nos ajude a guardar nossos lábios (Sl 141:3) e orar para que as palavras de nossa boca e a meditação de nosso coração sejam agradáveis na presença dEle, que é nossa força e nosso Redentor (Sl 19:14). Não podemos esquecer que nosso corpo, mencionado em Romanos 12:1, inclui a língua. Em Mateus 12:36 somos avisados de que "de toda palavra ociosa que os homens falarem, dela darão conta no dia do juízo". Tenhamos sempre em mente a admoestação do apóstolo Paulo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4:29). Amém?

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

 Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Aula 07 – A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS


3º Trimestre/2014

 
Texto Básico: Tiago 2:14-26

 
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16).

 

INTRODUÇÃO

A fé é uma doutrina chave no cristianismo. O pecador é salvo pela fé (Ef 2:8,9). O justo vive pela fé (Rm 1:17). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). Tudo o que é feito sem fé é pecado (Rm 14:23). Em Hebreus 11 encontramos a galeria da fé, em que homens e mulheres creram em Deus, viveram e morreram pela fé. Fé é a confiança de que a Palavra de Deus é verdadeira, não importam as circunstâncias.

Nesta Aula, veremos a importância de manifestar nossa fé por meio de nossas obras. Para que a ortodoxia gere frutos é necessário que ela seja encarnada na vida, se manifeste nas ações; é necessário que seja algo mais do que mero conhecimento; é necessário que se materialize em ortopraxia.

Não basta falar bonito ou saber o que falar, se não houver ação. Não raro, muito do que é falado nos púlpitos raramente é praticado, e isso tem colocado o testemunho de muitos em desvantagem. A verdadeira fé salvífica é tão vital que não poderá deixar de se expressar por ações, e pela devoção a Jesus Cristo; Tiago chama isso de “religião pura e imaculada para com Deus” (Tg 1:27). Portanto, as obras sem a fé são obras mortas; a fé sem obras é fé morta.

I. DIANTE DO NECESSITADO, A NOSSA FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tg 2:14-17)

1. Fé e Obras. A julgar pela dedicação da Epístola no capitulo 1:1 – “aos irmãos da dispersão” -, o local da dispersão era o local onde Paulo pregou muito, para os judeus que estavam fora da palestina. Não é impossível que estes crentes tenham escutado o que Paulo tinha falado a respeito da doutrina da justificação, e que desenvolveram uma implicação errada acerca da justificação. Ou seja, para eles, se você é justificado pela fé em Cristo Jesus, o que você faz ou como você vive isso não vai ter muito impacto em seu relacionamento com Deus. Isto é o que em Teologia nós chamamos de antinomianismo, ou seja, a ideia de que a fé e a graça excluem as obras, atitude, comportamento e o andar diante de Deus. Tiago, porém, no capítulo 2:14-26, confronta essa compreensão errada, e afirma que a fé salvadora sempre vem acompanhada da evidência. Então neste sentido, fé e obras são dois lados de uma mesma moeda: a fé sendo a raiz da salvação e as obras sendo fruto dela. Onde tem uma vai ter a outra. Onde falta uma a outra também falta.

Alguém pode aparentar que tem fé, mas não vai ter obras se essa fé não é verdadeira. Pode haver que pessoas sejam retas, morais, que tenham obras, todavia lhe falta fé, que é a raiz de toda obra verdadeira.  Então fé e obras são dois lados de uma mesma moeda. São duas coisas que andam juntas. Então não há nem a necessidade de jogar Tiago contra Paulo, porque a fé que Tiago condena não é a fé que Paulo recomenda em Romanos; e as obras que Paulo condena, dizendo que nós não somos salvos pelas obras, não são as obras que Tiago recomenda. Paulo estava falando contra o legalismo, por isso ele enfatizava um lado da moeda; e Tiago está falando contra o antinomianismo - a libertinagem -, por isso ele está enfatizando o outro lado da moeda. Portanto, os dois homens de Deus estão absolutamente de acordo.

Em nossa vida cristã, o equilíbrio deve sempre ser uma busca incessante: uma fé que seja pura, centrada somente em nosso Senhor Jesus; e, por outro lado, uma vida que demonstre a realidade dessa fé através da prática das obras.

2. A “morte” da fé. “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2:17). Tiago é claro em afirmar que a fé sem as obras está morta (Tg 2:17; 2:26), e uma fé morta não salva ninguém. Ortodoxia sem piedade produz morte. Quando, então, se constata a “morte” da fé? Responde o Rev. Hernandes Dias Lopes: (1)

a) quando a fé não desemboca em vida santa. A fé morta está divorciada da prática da piedade. Há um hiato, um abismo entre o que a pessoa professa e o que a pessoa vive. Ela crê na verdade, mas não é transformada por essa verdade. A verdade chegou à sua mente, mas não desceu a seu coração. É um erro pensar que apenas recitar ou defender um credo ortodoxo faz de uma pessoa um cristão. Aceitação intelectual, apenas, não é fé salvadora. A fé que não produz vida, que não gera transformação, é uma fé espúria (Mt 7:21).

Certo pastor, ao ser confrontado em razão de seu adultério, respondeu: "E daí se eu estou cometendo adultério? Eu prego melhores sermões do que antes". Esse homem estava dizendo que enquanto ele acreditasse e pregasse doutrinas ortodoxas, não importava a vida que ele levava. Mas Tiago ataca esse tipo de pensamento. Isso é fé morta.

b) quando a fé é meramente intelectual. Constata-se a “morte” da fé quando ela atinge apenas o intelecto. A pessoa consente com certas verdades, mas não é transformada por elas. No versículo 14, Tiago pergunta: "Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?". Quando Tiago usa a palavra semelhante, ele está falando de um certo tipo de fé, ou seja, a fé apenas verbal em oposição à fé verdadeira. Ainda no versículo 14, ele pergunta: "Que proveito há, meus irmãos, se alguém disser que tem fé e não tiver obras?". A fé aqui descrita existe apenas na base da pretensão. A pessoa diz que tem fé, mas na verdade não tem.

As pessoas com uma fé morta substituem obras por palavras. Elas conhecem as doutrinas, mas elas não praticam a doutrina. Elas têm discurso, mas não têm vida. A fé está apenas na mente, mas não na ponta dos dedos.

c) quando a fé não produz frutos dignos de arrependimento. Essa fé é ineficiente, inoperante e não produz nenhum resultado. Ela tem sentimento, mas não ação. Tiago dá dois exemplos para ilustrar a fé morta (Tg 2:15,16): um crente vem para a igreja sem roupas próprias e sem comida. Uma pessoa com uma fé morta vê essa situação e não faz nada para resolver o problema do irmão necessitado. Tudo o que ele faz é falar algumas palavras piedosas (Tg 2:16). Comida e roupa são necessidades básicas (1Tm 6:8; Gn 28:20). Como crentes, devemos ajudar a todos e, principalmente, aos que professam a mesma fé (Gl 6:10). Deixar de ajudar o necessitado é fechar o coração ao amor de Deus (1João 3:17,18). O sacerdote e o levita podiam pregar sobre sua fé, mas não demonstraram a sua fé (Lc 10:31,32).

II. EXEMPLOS VETEROTESTAMENTÁRIOS DE FÉ COM OBRAS (Tg 2:18-25)

1. Não basta “crer”.Tu crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o creem e estremecem” (Tg 2:19). Somente crer não é uma experiência salvadora. Você não conhece uma pessoa salva pelo conhecimento que adquire nem pelas emoções que demonstra, mas pela vida que vive (Tg 2:18). A fé dos demônios tem um estágio mais avançado de fé que muitos crentes, porque a fé dos demônios não é apenas intelectual, mas também emocional - eles creem e tremem. No que os demônios creem? O Rev. Hernandes Dias, citando Warren Wiersbe, responde a essa pergunta: (1)

Em primeiro lugar, os demônios creem que Deus é um só. Os demônios creem na existência de Deus. Eles não são nem ateístas nem agnósticos. Eles creem na "shemma" judaica: "Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor". Mas essa crença dos demônios não pode salvá-los.

Em segundo lugar, os demônios creem na divindade de Cristo. Os demônios corriam para ajoelhar-se diante de Cristo para adorá-lo (Mc 3:11,12). Eles sabiam quem era Jesus. Eles se prostravam aos pés do Senhor Jesus.

Em terceiro lugar, os demônios creem na existência de um lugar de penalidades eternas. Eles sabem que o inferno foi criado para o diabo e seus anjos. Eles sabem que o inferno é destinado para todos aqueles cujos nomes não forem encontrados no Livro da Vida. Eles não negam a existência do inferno (Mt 8:29; Lc 8:31). Eles creem nas penalidades eternas.

Em quarto lugar, os demônios creem que Cristo é o supremo Juiz que os julgará. Os demônios sabem que terão de comparecer diante de Cristo, o supremo juiz. Eles creem no julgamento final. Eles creem que todo joelho se dobrará diante de Cristo.

Entretanto, os demônios estão perdidos, eternamente perdidos. Uma fé meramente intelectual e emocional coloca-nos apenas no patamar dos demônios.

Portanto, irmãos, não basta somente “crer”. É necessário que a fé seja compromissada com ação. Tiago demonstra que a fé não consiste em um discurso, mas em convicção autêntica, seguida da prática de obras de amor. Em Tiago 2:18 é mostrado que a única maneira de os outros saberem que você tem fé é por uma vida que a comprove - “...mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”. Neste versículo a palavra-chave é “mostrar”. É impossível mostrar fé sem obras. A verdadeira fé e as obras são inseparáveis.

Tiago apresenta dois exemplos de fé operante encontrados no Antigo Testamento: Abrão, um hebreu, e Raabe, uma gentia. Vejamos mais detalhes nos itens seguintes.

2.  Abraão.Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?” (Tg 2:21). Abraão ouviu a voz de Deus e o obedeceu quando Ele ordenou que o patriarca oferecesse seu filho em holocausto. Abraão foi obediente à ordem de Deus porque cria que Ele era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar (Hb 11:18 - ARC). Foi sem dúvida uma prova difícil, mas Abraão confiou que Deus iria fazer o melhor, pois Ele mesmo havia prometido que faria de Abraão uma grande nação.

Para entendermos corretamente a afirmativa de Tg 2:21 devemos ler Gênesis 15:6. Nesta passagem, observamos que Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça. Abraão foi justificado por crer, ou seja, pela fé. Só mais adiante, em Gênesis 22, vemos Abraão oferecer seu filho e ser justificado por obras. Assim que creu no Senhor, Abraão foi justificado. Mas, no capítulo 22, Deus provou essa fé. O patriarca demonstrou a autenticidade de sua fé por meio da disposição de oferecer Isaque. Com a obediência, deixou claro que sua fé não era apenas uma crença intelectual, mas um compromisso do coração. A disposição de oferecer Isaque foi uma demonstração prática de fé do patriarca Abraão. Suas boas obras o levaram a ser chamado amigo de Deus (Tg 2:23).

3. Raabe. “E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho?” (Tg 2:25). Aqui, também, Tiago menciona o exemplo de Raabe. Essa mulher, que era meretriz, ouviu a Palavra de Deus e reconheceu que estava em uma cidade condenada. Ela não somente entendeu a mensagem, mas seu coração foi tocado (Js 2:11), e assim fez alguma coisa: protegeu os espias (Hb 11:31). Ela arriscou sua própria vida para proteger os espias. Mais tarde ela fez parte do povo de Deus (Mt 1:5) e tornou-se membro da genealogia de Cristo. Raabe não foi salva porque acolheu os espias, mas porque esse ato de hospitalidade comprovou que ela era, verdadeiramente, fiel ao Senhor.

Pergunta-se: Acaso essas obras de Abraão e Raabe, por si só, foram boas? Certamente não! No caso de Abraão, foi a disposição de matar o filho; no caso de Raabe, foi traição. Se removêssemos a fé dessas obras, elas seriam más, e não boas. Alguém disse que “sem a fé, essas obras seriam não apenas imorais e insensíveis, mas pecaminosas”. Se subtrairmos a fé de Abraão e Raabe, o resultado são obras do mal. Se as considerarmos frutos da fé, são obras da vida.

Conclui-se, então, que uma pessoa é também justificada por obras, e não somente por fé (Tg 2:24). Isso não significa que o cristão é justificado por fé acrescida de obras. A justificação se dá por fé em relação a Deus e por obras em relação aos homens. Deus justifica o cristão no momento em que ele crê. Alguém poderá dizer: “Mostra-me a realidade da tua fé”. A única maneira de fazer isso é por meio de boas obras.

III. A METÁFORA DO CORPO SEM O ESPÍRITO PARA EXEMPLIFICAR A FÉ SEM OBRAS (Tg 2:26)

1. Uma analogia do corpo sem espírito. Tiago termina a sua mensagem sobre fé e obras fazendo uma analogia do corpo sem espírito:Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2:26).

Eis um excelente resumo da questão: Tiago compara a fé ao corpo humano, e as obras, ao espirito. O corpo sem espirito é morto, inútil e sem valor. De modo semelhante, a fé sem obras é morta, ineficaz e imprestável. Trata-se, obviamente, de uma fé espúria, e não da verdadeira fé salvadora.

Em síntese, Tiago testa nossa fé de acordo com a resposta que damos à seguinte pergunta: Estou disposto, como Abraão, a oferecer a Deus o que tenho de mais precioso? Estou disposto, como Raabe, a trair o mundo a fim de ser leal a Cristo? Ninguém é levado a agir se não tiver fé; a fé de uma pessoa não será real a menos que a leve à ação. A ação é a obediência a Deus.

2. Da mesma maneira: fé sem obras é morta. Tiago conclui a sua exortação, reafirmando seu tema central: a fé sem obras é morta. Do mesmo modo que o corpo sem seu espírito vivificante - “sem fôlego de vida” (Gn 2:7) -, não passa de um cadáver, assim também a fé, sem as obras que lhe dão vitalidade, é morta. Percebemos que Tiago está preocupado não com que as obras sejam “acrescentadas” à fé, mas, sim, com que se possua o tipo certo de fé, uma fé operante. Sem este tipo de fé, o cristianismo torna-se uma ortodoxia estéril e perde todo o direito de ser chamado de fé. (2)

CONCLUSÃO

A fé deve nos mover em prol de boas ações, não para sermos salvos, mas para demonstrar que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que Deus pode usar nossas ações para fazer apresentar a fé pura e imaculada.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

(1) Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

(2) Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.

 

 

 

 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Aula 06 – A VERDADEIRA FÉ NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS


3º Trimestre/2014

 
Texto Base: Tiago 2:1-13

 
“Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores” (Tg 2:8,9).

 

INTRODUÇÃO

Acepção é a tradução de uma palavra grega que, literalmente, significa “receber o rosto”, ou seja, fazer julgamentos e estabelecer diferenças baseadas em considerações externas, tais como aparência física, status social ou raça. É uma atitude considerada anticristã pela Bíblia Sagrada (cf. Rm 2:11; Ef 6:9; Cl 3:25).

Tiago 2:1-13 enfatiza, com cabível exortação, que nenhum cristão pode alegar-se ser verdadeiramente cristão se vive desprezando as pessoas devido à condição social delas. O Cristianismo nivela todas as pessoas. Embora os cristãos possam estar em níveis diferentes na sociedade terrena, somos todos iguais diante de Deus; “não há acepção de pessoas”; ninguém é mais importante do que qualquer outro (ler Rm 3:23).

Deus ordena que amemos o nosso próximo incondicionalmente, independente de sua condição social, econômica, física, etc. (Lv 19:18; Mt 22:39). O cumprimento deste mandamento foi muito mais difícil no início da igreja, à época em que a Epístola de Tiago foi escrita, haja vista que o mundo de então era caracterizado por profundas divisões sociais que eram aceitas normalmente pela maioria esmagadora da sociedade. Àquela época, agir com humildade era manifestação de fraqueza, não de virtude, e fazer distinção de pessoas por aparência ou por condições físicas ou socioeconômica era visto como algo absolutamente natural. Logo, a mensagem cristã ao ser proclamada, teria um impacto enorme na sociedade de então, porque ela batia fortemente de frente com toda essa cultura, ao pregar a humildade, o perdão, a misericórdia, a igualdade entre os seres humanos, etc.

Nesta Aula, mostraremos, pelas Escrituras Sagradas, que a verdadeira fé em Cristo e a acepção de pessoas são atitudes incompatíveis entre si e, justamente por isso, não podem coexistir na vida de quem aceitou o Evangelho de Jesus Cristo (Dt 10:17; Rm 2:11; Tg 2:1,9).

I. A FÉ NÃO PODE FAZER ACEPÇÃO DE PESSOAS (Tg 2:1-4)

Tiago diz que nós podemos testar nossa fé pela maneira como nós tratamos as pessoas. Não podemos separar relacionamento humano de comunhão divina (1João 4:20). A maneira como nos comportamos com as pessoas indica o que realmente nós cremos sobre Deus.

1. Em Cristo a fé é imparcial. Tiago diz que a fé verdadeira é conhecida pelo relacionamento imparcial com as pessoas (Tg 2:1-4). Favoritismo e acepção de pessoas não são atitudes de um cristão. Dois visitantes entram na igreja: um rico e outro pobre; oferecer maiores privilégios ao rico e desprezar o pobre é negar a nossa fé no Senhor da glória. Jesus não valorizava as pessoas pela cor da pele, pela beleza das roupas, ou pelo dinheiro. Jesus não julgava as pessoas pela aparência (Mt 22:16). Ele, sendo o Senhor da glória, se fez pobre e não julgou as pessoas pela aparência. Jesus acolheu os ricos e os pobres; os religiosos e os publicanos; os doentes e as crianças; os israelitas e os gentios. Sua Palavra orienta-nos a não julgarmos as pessoas pela aparência (João 7:24).

2. O amor de Deus tem de ser manifesto na igreja local. Conforme Tiago Tg 2:2-4, havia na igreja do primeiro século uma clara acepção de pessoas por parte de alguns que frequentavam as reuniões. Veja o que diz Tiago:

2. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com vestes preciosas, e entrar também algum pobre com sórdida vestimenta,

3. e atentardes para o que traz a veste preciosa e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui, num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé ou assenta-te abaixo do meu estrado,

4. porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?

Pelo que se depreende do referido texto, Tiago deve ter presenciado este pecado bem de perto. Segundo Silas Daniel, à época de Tiago os judeus convertidos ao cristianismo ainda se reuniam nas sinagogas – “ajuntamento” -, ao estilo judaico e, por isso, muito provavelmente, ainda traziam consigo práticas das sinagogas de seus dias que se chocavam com a essência do Evangelho. Tais praticas haviam, inclusive, já sido alvo de repreensão de Jesus, como podemos ver em Mt 23:6 – “e amam os primeiros lugares nas ceias, e as primeiras cadeiras nas sinagogas”.

Veja os seguintes detalhes retirados do texto supra:

- “... anel de ouro no dedo, com vestes preciosas...” (Tg 2:2). Silas Daniel, citando Harper, diz que o anel de ouro indicava que esse homem era do Senado ou um nobre romano, pois durante os primeiros anos do Império romano, somente homens nessa posição tinham o direito de usar esse tipo de anel. Já “vestes preciosas” é uma referência a belas togas brancas, que eram uma vestimenta usada frequentemente por candidatos a um ofício politico.

- “... abaixo do meu estrado” (Tg 2:3). Segundo Silas Daniel, esta expressão é uma alusão ao fato de que, em uma sinagoga, pessoas de uma posição inferior ficavam em pé ou sentavam no chão. Logo, “abaixo do meu estrado” deve ser compreendido como “aos meus pés”. Isto é, enquanto as cadeiras das sinagogas e os demais assentos do “ajuntamento” eram reservados para os anciãos, escribas, fariseus e saduceus, e a qualquer outra pessoa na congregação que fosse detentora de privilegiada posição social, os pobres ficavam em pé ou no chão.

Pelo que se depreende de Tiago 2:1-4, essas mesmas atitudes estavam ocorrendo nos ajuntamentos dos cristãos judeus. Por isso, Tiago declara contundentemente: “porventura não fizestes distinção dentro de vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (v.4).

A Igreja de Cristo tem como princípio eterno produzir um ambiente regado de amor e acolhimento, e para isto “não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).

3. Não sejamos perversos (2:4).Não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos?” (ARA). A discriminação contra o pobre é atribuída a “perversos pensamentos”.

Na comunidade cristã, destinatária da Epístola de Tiago, havia uma excessiva deferência em relação aos ricos e poderosos, resultando em desrespeito e humilhação às pessoas mais pobres. Tal comportamento manifesta uma falha na prática da “lei régia” que eles tinham ouvido (cf. Tg 1:22-25).

Imagine a seguinte cena na congregação local de cristãos: um senhor de aparência distinta, vestindo trajes da moda e usando “anéis de ouro” acaba de chegar. Um membro da congregação com toda gentileza e civilidade conduz o visitante ilustre até ao “lugar de honra” na primeira fileira. Outro visitante chega logo em seguida. Desta vez, é um homem pobre em trajes muito humildes, ou seja, vestimentas velhas e gastas em virtude das condições de vida difíceis dessa pessoa. Desta vez, o homem da congregação procura, habilmente, poupar os presentes de qualquer embaraço e diz ao visitante que fique em pé nos fundos do templo ou se acomode no chão, diante de um dos assentos; esta atitude é quase inacreditável. Gostaríamos de imaginar que se trata apenas de um exemplo exagerado, mas, se perscrutarmos nosso coração, veremos que, muitas vezes, temos preconceito contra pessoas e, desse modo, nos tornamos “juízes tomados de perversos pensamentos”.

Tiago apresenta duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de comportamento discriminatório: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7); Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei régia”, que exige o amor ao próximo (Tg 2:8-13).

Infelizmente, ainda hoje, há pessoas que se deixam guiar por esses critérios iníquos. Isso só revela o quão distante os seus corações estão ainda do verdadeiro Evangelho. Que Deus nos livre de cairmos nesse mesmo pecado! Que em nossas igrejas e no nosso dia a dia tratemos a todos com honra, amor e respeito, independente da condição social de cada um. A nossa obrigação é expressar de forma prática o fato de que todos os cristãos constituem um só corpo em Cristo.

II. DEUS ESCOLHEU OS POBRES AOS OLHOS DO MUNDO (Tg 2:5-7).

Hoje há muitos ensinos distorcidos e anti-bíblicos sobre questões financeiras; ensinos que conduzem o crente ao mercenarismo, ao procurar servir a Deus para ser servido ou para ser abençoado, financeiramente.

Se os pobres são ricos na fé e devem ser honrados na Casa de Deus, não há fundamento na afirmação de que a pobreza é uma maldição, estando atrelada ao pecado ou a algum “encosto”. Isso é uma invencionice, e muitos crentes, por falta de conhecimento, estão sendo enganados por homens que mercadejam a Palavra de Deus.

“... Não tenho prata nem ouro...” (Atos 3:6). Estas palavras não foram proferidas por um crente fraco e sem fé; não foram proferidas por um homem fora da direção e da vontade de Deus; não foram proferidas por alguém com problemas espirituais; não foram proferidas por uma pessoa em desespero pela falta de dinheiro. Estas palavras - “não tenho prata e nem ouro” - foram proferidas por um homem de Deus, por um homem chamado por Jesus para ser Apóstolo, por um homem de fé e de oração; ele estava indo orar, no Templo - “E Pedro e João subiam juntos ao Templo a hora da oração, a nona” (Atos 3:1). Pedro e João eram crentes, eram Apóstolos, eram fiéis. Amavam a Jesus e estavam empenhados em fazer a Sua Obra, porém, “não tinham prata e nem ouro”. Se você, meu irmão, não tem recursos financeiros, saiba que Pedro e João também não tinham.

Alguns pregadores usam com frequência a passagem bíblica de Deuteronômio 28:1-14 para fundamentar seus argumentos em favor da riqueza. Destacam as expressões contidas nos versículos 12 e 13 –”... emprestarás a muita gente, porém tu não tomarás emprestado... E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda, e estarás em cima e não embaixo...”. Não dizem, contudo, que estas promessas foram feitas à nação de Israel, e com uma condição: “... quando obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para guardar e fazer”. A Palavra de Deus coloca a obediência antes da benção e o servir a Deus antes de ser servido.

À luz do Novo Testamento, não é pecado ser pobre, nem ser rico; somos livres para trabalhar e conquistar dignamente os nossos bens. Por isso, o texto de Tiago 2:1-7 apresenta algumas lições quanto à convivência em comunhão entre ricos e pobres na Casa de Deus:

1. Não deve haver acepção de pessoas (vv.1,4). Não podemos nos deixar influenciar por ideologias humanas, e sim pela Palavra de Deus, segundo a qual os ricos não devem menosprezar os pobres; nem estes, valendo-se do complexo de inferioridade, se indignar contra aqueles.

2. Não deve haver desprezo aos pobres (vv.2,3). É uma tendência humana julgar as pessoas pela aparência (1Sm 16:7; João 7:24). No entanto, não devemos tratar melhor alguém só porque exibe um anel de ouro ou usa vestes preciosas. Ninguém é superior perante o Senhor. Todos devem se humilhar diante dEle (Lc 18:9-14).

3. Os pobres devem ser honrados (Tg 2:5).Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?”. Aqui, trata da soberana escolha de Deus. É claro que a salvação não é apenas para os pobres, porém esse versículo deixa claro que o Senhor prioriza a riqueza da fé, e não a prosperidade financeira.

4. A principal razão para não desonrar o pobre (Tg 2:6,7).Mas vós desonrastes o pobre. Porventura, não são os ricos que vos oprimem e não são eles que vos arrastam para tribunais?”. Porventura, não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?”.

Aqui, Tiago mostra que os crentes, destinatários de sua Epístola, desonravam os pobres porque nãos os tratavam como Deus os trata. Tiago traz à memória da igreja que quem a oprimia era justamente os ricos. Estes os arrastavam aos tribunais. Como podiam eles desonrar os pobres, aos quais Deus tinha profundo apreço, e favorecer os ricos que os oprimia e blasfemavam o bom nome de Cristo?

A discriminação social na igreja é algo reprovável diante de Deus. “Por isso, o favoritismo, a parcialidade e quaisquer tipos de discriminação devem ser combatidos com rigor na igreja local, principalmente pelas lideranças. Quem discrimina não compreendeu o que é o Evangelho!”.

III. A LEI REAL, A LEI MOSAICA E A LEI DA LIBERDADE (Tg 2:8-13).

Em Tiago 2:2-4 é ilustrado o problema da discriminação contra o pobre, ato este atribuído a “perversos pensamentos”(2:4). Em Tg 2:8-13 são apresentadas duas razões pelas quais os cristãos devem evitar este tipo de favoritismo: Primeira, o tratamento preferencial prestado ao rico estabelece um franco contraste com a atitude de Deus, que escolheu os pobres “para serem ricos em fé” (Tg 2:5-7); Segunda, toda manifestação de favoritismo é condenada pela “lei real” que exige amor ao próximo (Tg 2:8-13).

1. A Lei Real (2:8).Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis”.

De acordo com Tiago, tratar o rico com deferência e desconsideração com o pobre constitui uma transgressão da lei, que diz: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Essa prescrição é chamada de “lei real”, pois foi dada pelo Rei, e governa as outras leis. Muitas vezes, tomamos decisões com base nas retribuições que advirão. Somos egocêntricos. Tratamos bem os ricos porque esperamos recompensas materiais ou sociais. Desprezamos os pobres porque é pouco provável que nos possam trazer benefício semelhante. A “lei real” proíbe a exploração egoísta e nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos. E se perguntarmos: “quem é o meu próximo?”, descobrimos na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37) que ele é qualquer pessoa com uma necessidade que podemos ajudar e suprir.

O amor é o cumprimento de toda a lei. Amar é tratar as pessoas como Deus nos trata. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-37), o sacerdote e o levita tinham uma fé ortodoxa. Eles serviam no templo, mas eles falharam em viver a fé amando o próximo. A fé era ortodoxa, mas estava morta (Lc 10:31,32). Tiago estava convidando os seus leitores a obedecerem à lei real do amor, que os proibia de discriminar qualquer pessoa que viesse a participar da sua comunhão. Nós devemos favorecer a todos, seja pessoa rica ou pobre.

Segundo Tiago, dar atenção especial aos ricos, em detrimento do pobre, é pecado. E aqueles que estão envolvidos neste ato são transgressores, por não terem respeitado a “lei real” de Tiago 2:8 – “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores (Tg 2:9). As nossas atitudes e os nossos atos em relação aos outros devem ser guiados pelo amor.

2. A Lei Mosaica.Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu, pois, não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tg 2:11).

Segundo o pr. Eliezer de Lira, “na época em que a Epístola de Tiago foi escrita os judeus faziam distinção entre as leis religiosas mais importantes e as menos importantes, segundo os critérios estabelecidos por eles mesmos. Os judeus julgavam que o não cumprimento de um só mandamento acarretaria a culpa somente daquele mandamento desobedecido. Mas quando a Bíblia afirma: ‘Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás’, está asseverando o aspecto coletivo da lei, isto é, quem desobedece um único preceito, quebra, ao mesmo tempo, toda a lei. Embora os crentes da igreja não adulterassem, faziam acepção de pessoas; eles não atendiam a necessidade dos órfãos e das viúvas e, por isso, tornaram-se transgressores da lei’”.

O mesmo Deus que proibiu o adultério também proibiu o homicídio. Um homem que não é culpado de adultério pode, no entanto, ter cometido homicídio. Acaso ele é transgressor da lei? Sem dúvida! De acordo com o espirito da lei, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos. O adultério certamente constitui uma transgressão desse princípio, e o homicídio também. Pode-se dizer o mesmo do esnobismo e da discriminação; se cometemos um desses pecados, deixamos de cumprir a lei.

Portanto, a lei é como uma corrente com dez elos, o rompimento de um dos elos representa o rompimento de toda a corrente. Deus não permite que guardemos algumas leis de nossa preferência e não outras. Se tropeçarmos em um único ponto da “lei real”, somos culpados da lei inteira - “Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos” (Tg 2:10).

3. A Lei da Liberdade.Assim falai e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (Tg 2:12). Aqui, Tiago está dizendo que como cristãos não estamos sob a servidão da lei, mas sob a ‘lei da liberdade’, ou seja, a liberdade de fazer o que é certo. Quem é verdadeiramente salvo - liberto do pecado, dos preconceitos e da maneira mundana de pensar (Rm 6:18) -, desfruta de tal liberdade (João 8:36; Gl 5:1,13). Entretanto, tal liberdade deve vir acompanhada da coerência: “assim falai e assim procedei...” (Tg 2:12). Esta expressão de Tiago refere-se a palavra e atos. O modo de viver deve ser coerente com a profissão verbal. É a conduta do crente em relação aos demais irmãos que demonstrará se ele é, de fato, um liberto em Cristo ou não.

No regime da graça, amamos incondicionalmente o nosso próximo e somos recompensados quando obedecemos. Não o fazemos para receber a salvação, mas porque já somos salvos. Não obedecemos por medo do castigo, mas por amor àquele que morreu por nós e ressuscitou. No Tribunal de Cristo, os galardões serão distribuídos de acordo com esse padrão. Não se trata de salvação, mas de recompensa.

As transgressões da “lei da liberdade serão julgadas no Tribunal de Cristo. “Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13). “Misericórdia” era exatamente o que os crentes não estavam demonstrando quando insultavam as pessoas pobres. Se eles continuassem a fazer discriminações, estariam correndo o risco de enfrentar o seu próprio julgamento sem misericórdia. Esta é uma excelente declaração da ética do Novo Testamento: o que nós fazemos aos outros, na verdade, fazemos a Deus, e ele igualmente nos retribui. Nós comparecemos diante de Deus precisando da sua misericórdia. Precisamos constantemente de sua misericórdia. Quando negamos o perdão a outros, depois de nós mesmos o termos recebido, mostramos que não compreendemos nem valorizamos a misericórdia que Deus tem para conosco.

O mundo está procurando provas de que Deus é misericordioso. Mostrar que somos pessoas que tiveram misericórdia e que expressam misericórdia irá chamar a atenção do mundo. O mundo vai ver que por causa de nosso relacionamento com Cristo, que é misericordioso, expressamos ações misericordiosas. Não mostrar misericórdia nos deixa sujeitos unicamente ao julgamento de Deus. Mas, ao demonstrarmos misericórdia, passamos a estar sujeitos à misericórdia de Deus, como também ao seu julgamento. Devido ao caráter de Deus, a sua misericórdia triunfa sobre o seu juízo contra nós.

CONCLUSÃO

A salvação não está baseada em mérito humano nem mesmo em nossas obras. A salvação não é comprada nem merecida (Ef 1:4-7; 2:8-10). Deus ignora diferenças nacionais (salvou Cornélio). Ele ignora diferenças sociais (salva senhores e escravos: Filemom e Onésimo). A escolha divina não está baseada no que a pessoa tem (1Co 1:26,27). É possível uma pessoa ser pobre neste mundo e rica no vindouro. Ser rica neste mundo e pobre no vindouro (1Tm 6:17,18). Devemos tratar as pessoas como Deus as trata, e não de acordo com o seu status social. A verdadeira fé não faz acepção de pessoas.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Revista Ensinador Cristão – nº 59 – CPAD.

William Macdonald - Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. Mundo Cristão.

Douglas J. Môo. Tiago. Introdução e Comentário. Vida Nova.

Rev. Hernandes Dias Lopes – Tiago (Transformando Provas em Triunfo). Hagnos.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Silas Daniel & Alexandre Coelho – Tiago – Fé e Obras. CPAD.