segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Aula 04 – A PROVIDÊNCIA DIVINA NA FIDELIDADE HUMANA

4º Trimestre/2014

Texto Base: Daniel 3:1-7,14


“Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei” (Dn 3:17).

INTRODUÇÃO
Nesta Aula, trataremos acerca da fidelidade de Hananias, Misael e Azarias. Três jovens que tinham uma fé imutável no seu Deus. Eles foram provados numa fornalha ardente, todavia permaneceram fiéis e Deus os livrou da maldade do rei Nabucodonosor e de seus inimigos. Esses jovens não concordaram em se dobrar diante de uma estátua, que representava o orgulho de um déspota, e desobedeceram a uma lei que ia contra os princípios divinos. Nabucodonosor era um homem embriagado pelo poder; ficou cego pelo fulgor de sua própria glória. Ele não se contentou em ser rei de reis, em ser o maior rei da terra, mas quis ser adorado como deus.
Obedecer a Deus é sempre a melhor alternativa, mesmo que nos leve até a fornalha ardente. Às vezes cruzamos os vales da sombra da morte, mas temos a presença amiga e consoladora do divino Pastor para nos encorajar. Passamos pelas ondas, pelos rios e até pelo fogo, mas o Senhor sempre aparece para nos livrar (Is 43:2) - “quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”. Jesus é o quarto Homem na fornalha ardente (Dn 3:24-25). O senhor não nos livra da fornalha, mas nos salva do fogo da fornalha. Na jornada da fé há tempestade, mas também há Deus conosco; há fornalha ardente, mas há o quarto Homem. As provações vêm, e às vezes com ímpeto, mas Jesus sempre vem ao nosso encontro na hora da crise.
I. A TENTATIVA DE SE INSTITUIR UMA RELIGIÃO MUNDIAL
1. A grande estátua.O Rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, cuja altura era de sessenta côvados, e a sua largura, de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia” (Dn 3:1).
O Império Babilónico foi o primeiro grande império mundial a construir uma grande estátua que deveria ser adorada por todos súditos do império. Provavelmente a imagem que o rei mandou erguer fosse uma estátua dele próprio. Isto significava uma espécie de culto ao rei; uma divinização do governante. É uma prova de que ele não se converteu depois que o seu sonho foi interpretado por Daniel. Adorar a estátua significava, além da idolatria, a adoração ao rei. Judá havia “sentido na pele”, recentemente, o resultado desastroso da idolatria.
Era uma estátua muito alta, uma clara demonstração da altivez do rei. Um côvado em Israel media cerca de 40 cm; na época de Ezequiel, media 51,8 cm, porém o côvado babilônico media aproximadamente 49 cm, o que daria à estátua uma altura próxima dos 29 metros (um edifício de mais de nove andares).
A obsessão pelo poder faz a pessoa perder o bom senso. O rei Nabucodonosor estava dopado pela ideia de ser o maior e perdeu a autocrítica embriagado pelo próprio poder e cego pelo fulgor de sua própria glória. Ele não se contentou em ser apenas a cabeça de ouro da estátua do seu sonho. No capítulo dois havia uma estátua no seu sonho e no capitulo três ele constrói literalmente uma estátua para si. Essa presunção vislumbra profeticamente outra estátua (imagem) que será erguida pelo último império mundial gentílico profetizado como o reino do Anticristo e será no "tempo do Fim” (Ap 13:14,15). (1)
2. A diferença entre as estátuas. É necessário destacar a diferença entre a estátua do capítulo 2 e a do capítulo 3. A estátua do capítulo 2 era simbólica, que surgiu no sonho do rei Nabucodonosor, e a estátua do capítulo 3 era literal, construída pelos homens. A estátua do capítulo 3 tinha a forma de um obelisco e tinha um aspecto um tanto grotesco que revelava a intenção vaidosa de Nabucodonosor de impor-se pela idolatria do homem e sua autodeificação aos olhos dos súditos (cf Dn 4:30).
3. A inauguração da estátua de ouro. Todos compareceram à inauguração da estátua, por força do edito do rei, e todos deveriam adorar a estátua de ouro (Dn 3:4). O rei testava seu poder de dominação requerendo dos exilados que renegassem suas crenças e substituíssem seus deuses pelos deuses da Babilônia. O objetivo era escravizar todos os seus súditos e obrigá-los a servirem às divindades caldeias. Ele queria uma religião totalitária em que as pessoas obedecessem não pela lealdade, mas pela força bruta (Dn 3:5,6).
Nabucodonosor foi seduzido por seu ego presunçoso que se via superior a tudo e a todos. Ele estava embriagado por sua própria glória temporal e passageira, por isso seu coração se engrandeceu e ele desejou ser adorado como deus. Não lhe bastou a revelação de que o único Deus verdadeiro triunfaria na história conforme está expresso no capitulo dois. Ele preferiu exaltar a si mesmo e para tal instituiu o culto a si e, também, a adoração dos seus falsos deuses. O objetivo era escravizar as consciências e obrigá-las a servirem aos seus deuses.
II. O DESAFIO A IDOLATRIA
1. A ordem do rei a todos os seus súditos (Dn 3:4-7).Então, se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para a consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado; e estavam em pé diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado. E o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós, ó povos, nações e gente de todas as línguas: Quando ouvirdes o som da buzina, do pífaro, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música, vos prostrareis e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor tem levantado. E qualquer que se não prostrar e não a adorar será na mesma hora lançado dentro do forno de fogo ardente. Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da buzina, do pífaro, da harpa, da sambuca, do saltério e de toda sorte de música, se prostraram todos os povos, nações e línguas e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tinha levantado”.
Os Sátrapas eram altos funcionários, representantes do rei, cabeças do governo provincial. Os prefeitos aqui neste texto, eram, provavelmente, comandantes. Os governadores eram senhores de distritos; quanto a conselheiros, o sentido é o mesmo da palavra, ou seja, conselheiros do povo. Tesoureiros eram administradores públicos. Os juízes administravam as leis enquanto os magistrados executavam as leis.  Por fim, de um modo geral, o rei diz: “todos os oficiais”, afim de não esquecer nenhum, apanhando a todos de uma forma mais abrangente.
Nabucodonosor exigiu obediência cega dos seus súditos de todos os territórios ao seu edito. Quando os instrumentos musicais fossem tocados, todos deveriam se ajoelhar diante da estátua e adorá-la, sob pena de serem arremessados na fornalha de fogo ardente em caso de desobediência. Era a punição mais terrível que alguém poderia sofrer, ser queimado vivo numa fornalha grandemente aquecida. Segundo o profeta Jeremias, o rei Zedequias de Judá foi queimado no fogo na Babilônia (Jr 29:22).
De todas as nações presentes com seus exilados estavam lá os judeus que serviam ao Deus vivo de Israel. Na história contada por Daniel, estavam lá os seus três amigos. Não há uma explicação plausível para a ausência de Daniel naquele evento. O que importa, de fato, é que os três hebreus deram uma tangível demonstração de fidelidade fé no seu Deus.
2. A intenção do rei e o espírito do Anticristo. Nabucodonosor tornou-se um homem embriagado pelo poder e ofuscado pela sua própria glória. Ele não se contentou com a mais alta posição da terra, ser rei de reis; ele quis ser adorado como deus (Dn 3:1-5). Diante da revelação da soberania e triunfo de Deus na história (capítulo 2), em vez de se humilhar, exaltou-se. Ele instituiu o culto a si mesmo e a adoração a seus deuses. Ele ordenou a todos os súditos de seu reino para se prostrarem e adorarem sua imagem. Ele escravizou as consciências e usou a religião para consolidar sua política opressora. A intenção do rei prenunciava o espírito do Anticristo, que levantará a imagem da Besta para ser adorado no tempo do Fim (Ap 13:11-17).
O objetivo de Nabucodonosor era a instituição de uma religião totalitária (Dn 3:6,7). “A religião totalitária exige a lealdade das pessoas pela força. Não conquista os corações, mas obriga as consciências. As pessoas se dobram por medo, não por devoção. É a religião do terror, não do amor. Estabelece uma pena para a desobediência: a morte. Estabelece um método para matar: a fornalha ardente. Nabucodonosor institui uma inquisição bárbara, uma adoração compulsória, uma religião opressora. Quando a religião se desvia da verdade, torna-se o braço da intolerância e da truculência” (Rev. Hernandes Dias Lopes).
3. Coragem para não fazer concessões à idolatria (Dn 3:6). “E qualquer que se não prostrar e não a adorar será na mesma hora lançado dentro do forno de fogo ardente”.
Hananias, Misael e Azarias estavam no local determinado por força do edito do rei. Todos os ilustres homens do império, os chefes de governos, os sátrapas, os governadores das províncias, os sábios, os sacerdotes dos vários cultos pagãos, todos estavam lá. A ordem era que quando a música fosse tocada todos deveriam ajoelhar-se e adorar a estátua do rei. Quem não obedecesse seria lançado na fornalha de fogo ardente. Os três servos de Deus (segundo estudiosos, nessa época eles estavam na faixa dos 40 anos de idade) preferiram morrer queimados naquela fornalha a negar a fé no Deus de Israel. Eles não fizeram concessões que comprometessem a sua fé em Deus. Eles não se acovardaram diante da ameaça de Nabucodonosor. Eles estavam seguros do cuidado do Deus vivo e verdadeiro, como falou o profeta Isaias: “... quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43:2).
III. A FIDELIDADE A DEUS ANTE A FORNALHA ARDENTE (Dn 3:8-12)
1. Os jovens hebreus foram acusados e denunciados (Dn 3:8-12).Ora, no mesmo instante, se chegaram alguns homens caldeus e acusaram os judeus. Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província de Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; esses homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem a estátua de ouro, que levantaste, adoraram” (Dn 3:8,12).
As pessoas ingratas têm memória curta. Os caldeus tinham sido poupados da morte pela intervenção de Daniel e de seus amigos (Dn 2:5,18). Agora eles, de forma ingrata, acusam as pessoas que lhes ajudaram, no passado, a se livrar da morte. E, ainda, faz três acusações graves contra eles: “não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem; nem a estátua de ouro, que levantaste, adoraram” (Dn 3:12). A ingratidão é uma atitude que fere as pessoas e entristece a Deus. A acusação dos caldeus foi maliciosa.
Os caldeus acrescentaram um fato inverídico: "Não fizeram caso de ti". Isso denota que eles eram tremendos bajuladores do rei. Eles não queriam informar, mas distorcer os fatos e destruir os judeus. As pessoas invejosas tentam se promover buscando a destruição dos concorrentes. Isso, apenas porque esses judeus foram constituídos sobre os negócios da província. A inveja foi o pecado que levou Lúcifer a ser um querubim descontente, mesmo no céu, e a tornar-se um demônio. A inveja provoca contendas, brigas, mortes e desastres.
Entretanto, esses jovens entenderam que a fidelidade a Deus é uma questão inegociável; eles entenderam que agradar a Deus é mais importante que preservar a própria vida. Três jovens tiveram coragem de discordar de todos; preferiram a morte ao pecado. Estavam dispostos a morrer, não a pecar. Transigir era uma palavra que não constava no vocabulário deles.
2. A resposta corajosa dos jovens hebreus (Dn 3:16-19). O rei foi informado da desobediência dos três servos de Deus. Quando o rei soube da atitude deles, ficou furioso e convocou os três imediatamente (Dn 3:19). Sem dar-lhes chance de se defenderem, deu-lhes mais uma oportunidade de prestar adoração após o som especial da música. A recusa em fazê-lo significaria a imediata execução do decreto irreversível: eles seriam lançados “dentro da fornalha de fogo ardente; e quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?”, vociferou o rei. Porém, os três jovens, de forma corajosa e destemida, responderam ao rei Nabucodonosor: “Não necessitamos de te responder (“defender-nos”, NVI) sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3:16-18).
A verdadeira fé não está ligada às circunstâncias nem às consequências. Ela está fundada na imutável fidelidade de Deus. Poderia ter parecido algo de menor valor racionalizar apenas um pouco. Afinal, eles não deviam uma certa consideração ao rei? Porventura, eles não poderiam dobrar seus joelhos, mas ficar em pé em seus corações? Uma pequena concessão à limitada compreensão das coisas divinas por parte do rei seria uma questão insignificante. Mas não! A reputação do caráter do Deus vivo e verdadeiro dependia desse momento. Multidões de pagãos de muitos países estavam observando. Quer Deus os libertasse das chamas, quer não, eles deveriam ser fiéis em honrar o seu nome(2). A fidelidade incondicional não é uma barganha com Deus.
Muitas vezes, nossa fidelidade a Deus nos levará à fornalha, à cova dos leões, à prisão, a sermos rejeitados pelo grupo, a sermos despedidos de uma empresa, a sermos rejeitados na escola. Nosso compromisso não é com o sucesso, mas com a fidelidade a Deus.
Os três jovens não cederam às ameaças e não ficaram livres da fornalha, mas o quarto Homem já os esperava ali (Dn 3:25). Ele está conosco sempre. Ele caminha conosco no meio do fogo, da dor, da doença, do abandono, da solidão, do luto e da morte. Quando todos os recursos da terra acabam, encontramos o livramento no quarto Homem, ainda que em meio da fornalha (Dn 3:24,25). Aqueles servos de Deus saíram ilesos e sem um único fio de cabelo queimado, porque foram fieis a seu Deus e confiaram nEle (Dn 3:28).
Quando o quarto Homem nos faz sair da fornalha, até nossos inimigos precisam reconhecer a majestade de Deus e dar glória a Seu nome:
28. Falou Nabucodonosor e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum outro deus, senão o seu Deus.
29. Por mim, pois, é feito um decreto, pelo qual todo povo, nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar como este.
Ceder à pressão da maioria pode destruir sua vida mais que o fogo da fornalha. Muitos jovens crentes são tentados a ceder. Jovens cristãos são instados a se embriagar com seus amigos ou a perder a virgindade antes do casamento. São tentados a mentir aos pais, a ver filmes indecentes, a curtir músicas maliciosas do mundo. O mundo tem sua própria fornalha ardente à espera daqueles que não se conformam em adorar seus ídolos. É a fornalha de ser desprezado, ridicularizado. Os que são fiéis a Deus são chamados de retrógrados. Cuidado com a opinião da maioria, ela pode estar errada e, via de regra, está (Rev. Hernandes Dias Lopes). (3)
3. Reação à intimidação (Dn 3:15). “Quem é o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (Dn 3:15). Os jovens responderam a essa ameaça da seguinte forma: “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei” (Dn 3:17).
Os três servos de Deus não entraram numa discussão infrutífera. Eles apenas testemunharam de Deus, mostrando que estavam prontos a morrer, mas não a ser infiéis a Ele. Nabucodonosor tenta intimidá-los, dizendo que deus nenhum poderia livrá-los de sua mão. Mas eles não tentam defender a reputação de Deus, procuram apenas obedecê-lo (Dn 3:16,17). Os três jovens dizem que Deus pode livrar, mas não dizem que Deus o fará. Eles não são donos da agenda de Deus. Eles não decretam nada para Deus. Eles não dizem: "Eu não aceito isto"; "Eu rejeito aquilo"; "Eu repreendo o fogo"'; "O rei está amarrado". Eles não determinam o que Deus deve fazer. Nem sempre é da vontade de Deus livrar Seus filhos dos padecimentos e da morte. O patriarca Jó, no auge da sua dor gritou: "Ainda que Deus me mate, eu ainda confiarei nele" (Jó 13:15, ARA). Tiago, Paulo, Pedro, John Huss, dentre inúmeros servos de Deus da história do cristianismo, foram mortos, não forma poupados. Às vezes, Deus livra Seus filhos da morte; outras vezes, não. Não importa, pois "se vivemos para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor" (Rm 14:8).
CONCLUSÃO
Apreendemos nesta Aula que:
- Devemos ser fiéis a Deus, não apenas pelo que Deus faz, mas por quem Deus é. Hananias, Misael e Azarias não serviam a Deus por causa dos benefícios recebidos. A religião deles não era um negócio, uma barganha com Deus. Eles serviam a Deus por causa do caráter de Deus. Eles tinham uma fé cristocêntrica, não antropocêntrica. Hoje as pessoas buscam a Deus, não por causa de Deus, mas por causa das dádivas de Deus. Querem bênçãos, não Deus.
- Devemos ser fiéis a Deus independente das circunstâncias. Nem sempre Deus nos livra dos problemas, mas nos problemas. Deus não impediu a fabricação da imagem, não impediu que Nabucodonosor acendesse a fornalha, não impediu a divulgação do decreto, não impediu que os três jovens fossem acusados, não os livrou da fúria do rei nem do fogo da fornalha. Deus não impediu que eles fossem atados e jogados na fornalha acesa e aquecida sete vezes mais, mas livrou-os do fogo da fornalha.
- Deus sempre honrará a nossa fé. Deus nos promove quando saímos da fornalha. O mesmo rei que ficou com o rosto transtornado de ira contra Hananias, Misael e Azarias, agora os chama reverentemente de servos do Deus Altíssimo (Dn 3:26). O mesmo rei que decretou a morte deles, agora os faz prosperar (Dn 3:30). Saíram da fornalha mais fortes e mais próximos de Deus!
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
(1) Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.
(2) Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.
(3) Hernandes Dias Lopes – Daniel (Um homem amado do Cé). Hagnos.
Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Aula 03 - O DEUS QUE INTERVÉM NA HISTÓRIA


4º Trimestre/2014

 
Texto Base: Daniel 2:12-23

 
“Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes” (Dn 2:20,21).

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula da maravilhosa revelação de Deus acerca de Sua intervenção na história da humanidade. Veremos isso à luz do capítulo 2 de Daniel, que trata do sonho de Nabucodonosor, no qual Deus revela sua soberania sobre os governos do mundo, a destruição dos megalomaníacos impérios e o estabelecimento vitorioso do Reino de Cristo. A Babilônia era a dona do mundo. Nabucodonosor era o rei de reis. As glórias da Babilônia atingiram seu apogeu. De repente, o sonho do rei tira não apenas seu sono, mas também a paz de todos os sábios. Os privilégios dos sábios transformam-se em iminente ameaça. Mas lá estava Daniel, homem de Deus, para fazer a diferença. O rei desafiou os seus magos a contarem o sonho e sua interpretação, que era humanamente impossível ser atendido. Mas “Daniel ora e pede a ajuda do Senhor. Temos um Deus que revela os seus mistérios aos seus profetas. Daniel, com a ajuda do Senhor, revelou ao rei detalhes do sonho que ele vagamente lembrava. A imagem vista por Nabucodonosor representava sucessivos reinos futuros, até que o Rei dos reis venha e estabeleça o seu reino eterno”.

I.  O SONHO PERTURBADOR DE NABUCODONOSOR (Dn 2:1-15)

O sonho revelou a fragilidade do rei Nabucodonosor. Tirou-lhe o sono e perturbou seu espírito (Dn 2:1). O rei encheu-se de ansiedade, insegurança e medo. Aparentemente nada nem ninguém podia ameaçar a fortaleza do seu reino. Ele tinha poder, riqueza e fama. Sua palavra era lei. Suas ordens não podiam ser questionadas. Mas, agora ele foi abalado. Sentiu que alguém maior que ele o ameaçava. A segurança de seu império estava ameaçada por algo fora de seu controle, algo invisível e além deste mundo. Por isso, ficou inseguro, inquieto e perturbado.

1. O tempo do sonho (Dn 2:1). “No segundo ano...”. Tendo em vista que o sistema babilônico começou a contar o reinado de Nabucodonosor oficialmente no começo do ano seguinte, o “segundo ano” do reinado de Nabucodonosor poderia significar o fim dos três anos de treinamento de Daniel (Dn 1:5). De outro modo, os eventos aqui historiados teriam acontecido durante o treinamento de Daniel.

2. A habilidade dos sábios é desafiada no palácio (Dn 2:2). “E o rei mandou chamar os magos, e os astrólogos, e os encantadores, e os caldeus, para que declarassem ao rei qual tinha sido o seu sonho; e eles vieram e se apresentaram diante do rei”.

O pr. Severino Pedro da Silva em seu livro Daniel (as visões para estes últimos dias) define assim estes “sábios” da Babilônia:

- Os magos – eram os escribas sagrados – uma ordem de sábios que tinham a seu cargo os escritos ditos sacros, que vieram passando de mão em mão desde o tempo da Torre de Babel. Algumas literaturas, das mais primitivas que se conhecem na terra, eram constituídas desses livros de magia, astrologia, feitiçaria, etc”(ver At 19:19).

- Os astrólogos – tinham acesso ao conhecimento sobrenatural por meio do estudo dos céus.

- Os encantadores – eram manipuladores de poderes sobrenaturais por meio da feitiçaria. Usavam fórmulas mágicas, atuadas por espíritos médiuns. Simão, o mágico, de Samaria e Elimas, “o encantador”, da ilha de Pafos pertenciam a essa classe (ver At 8:9 e 13:8).

- Os feiticeiros - eram dedicados à magia negra. A mesma palavra emprega-se a respeito dos encantadores egípcios Janes e Jambres, que resistiram a Moisés na corte de Faraó (Ex 7:11; 2Tm 3:8).

- Os caldeus – denominava a casta sacerdotal deles todos. Dizem alguns estudiosos que os caldeus estudavam o dia do nascimento de uma pessoa, indagando até a hora, e então lançavam o horóscopo do seu destino. A prática foi levada para Roma, onde os Césares consultavam os áugures (peritos em magia negra, espiritismo e astrologia). No primeiro século da Era Cristã, a prática tinha se desenvolvido em toda a Ásia Menor.

Ao esquecer-se do sonho (alguns estudiosos dizem que ele não esqueceu) Nabucodonosor desafiou as habilidades desses “sábios” do reino em revelar e interpretar o que ele havia sonhado. Observe que Daniel e seus amigos não foram convocados, embora pouco tempo antes tivessem sido avaliados dez vezes mais sábios que os entendidos do reino (Dn 1:20). É bem provável que eles ainda não houvessem conquistado um lugar reconhecido entre os conselheiros sábios e profissionais. Além disso, Daniel e seus amigos, apesar de serem altamente dotados, não haviam sido aceitos na casta sacerdotal. Daniel e seus amigos só foram lembrados mais tarde para serem mortos (Dn 2:13).

Inicialmente o rei prometeu uma recompensa (Dn 2:6) e terminou sua mensagem ameaçando matar todos os sábios. Como não puderam dar a resposta que o rei exigia, então, foi decretado o extermínio de todos os sábios da Babilônia. Daniel e seus amigos foram agora lembrados para serem mortos (Dn 2:13); isto mostra que eles, efetivamente, faziam parte do grupo de conselheiros do rei.

É impossível alguém revelar o sonho de uma pessoa, sem que essa pessoa o conte primeiramente. Portanto, o que Nabucodonosor exigia de seus “sábios” era uma clara evidência de uma mente perturbada e despótica. Sem dúvida, uma demonstração clara de prepotência. E Nabucodonosor demonstrou isto de três maneiras: (1)

- Primeiro, exigindo dos homens o que eles não poderiam oferecer (Dn 2:5,10,11). Há coisas que são impossíveis aos homens. Exigir deles isso é um ato de prepotência. Os magos da Babilônia tinham limitações.

- Segundo, oferecendo vantagens financeiras e promoções (Dn 2:6). O rei tem poder e riqueza nas mãos. Com essas duas armas deseja o mundo aos seus pés.

- Terceiro, determinando o extermínio dos sábios para satisfazer um capricho pessoal (Dn 2:5,8,9,12,13). O rei não respeitou a limitação dos “sábios”. Acusou-os de esperteza (Dn 2:8), conspiração (Dn 2:9) e determinou o extermínio sumário deles (Dn 2:12).

Alguém disse que esse sentimento de insegurança, bem como esse complexo de ansiedade, é a causa da tirania política moderna. Quanto mais alto um homem sobe, mais medo ele tem de perder o poder, mais inseguro se torna. Isso prova que o poder, a riqueza e a fama não dão segurança ao homem nem satisfazem sua alma.

3. O fracasso da sabedoria pagã (Dn 2:3-13). A sabedoria dos sábios deste mundo tem limites. O rei mandou chamar os sábios da Babilônia, mas eles não puderam contar o sonho nem dar sua interpretação ao rei. Nabucodonosor suspeitava que os seus magos e encantadores se aproveitavam da situação para quererem usar de engano com vãs palavras, então os ameaça com pena de morte (Dn 2:13). Essa casta de “sábios” era mantida pelo palácio para prestar serviços especiais ao rei. Porém, diante do desafio, eles foram inaptos e inoperantes para revelarem o sonho do rei e dar a sua interpretação. Por isso, o rei decretou que todos esses sábios fossem mortos, inclusive Daniel e seus amigos.

Os caldeus e todos os sábios do palácio, desesperados ante a ameaça de Nabucodonosor, apenas disseram ao rei: "Não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei" (Dn 2:10). No versículo 11 está escrito assim: "Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei". Ora, esses sábios e magos do palácio não só confessavam sua incapacidade de revelar o sonho e sua interpretação, mas admitiam que, apesar de suas pretensões de comunicação com os espíritos, reconheciam que havia algo mais poderoso que eles, pois se referem a "deuses cuja morada não é com a carne" (2:11). Todos os demais sábios do palácio eram politeístas. Somente Daniel e seus amigos eram monoteístas. Quando Daniel teve a oportunidade de se apresentar diante do rei, disse-lhe: "Há um Deus no céu, o qual revela os mistérios" (Dn 2:28).

A teologia dos sábios deste mundo é deficiente. Eles reconhecem que há uma divindade acima e além, mas não têm uma visão do Deus pessoal, presente entre Seu povo (Is 57:15).

II. A ATITUDE SÁBIA DE DANIEL (Dn 2:16-30)

1. A cautela de Daniel (Dn 2:16-18). Daniel "falou avisada e prudentemente com Arioque, o capitão da guarda do rei" (Dn 2:14).

Quando o chefe da guarda do rei recebeu ordens para matar a todos os sábios da Babilônia, inclusive a Daniel e seus companheiros, Deus entrou em ação interferindo naquele episódio. Ele deu inteligência a Daniel para falar com Arioque. Daniel solicitou que Arioque pedisse ao rei para ser ouvido, e foi-lhe concedida a audiência com o rei. Daniel achou graça diante de Arioque porque Deus amenizou seu coração para que a soberana vontade de Deus prevalecesse naquela situação. Daniel teve iniciativa e ousadia. Ele não fugiu, não se escondeu, nem tentou enrolar o rei. Ele reconheceu sua limitação, mas demonstrou confiança na intervenção divina. Foi um grande passo de fé, e mostrou que ele já sabia, por experiência própria, que Deus nunca falha. Daniel tomou três atitudes importantes na solução daquele complicado problema: (2)

- Em primeiro lugar, ele vai ao rei e pede tempo (Dn 2:16). Daniel, sabedor do decreto real, pediu que lhe fosse dado um tempo para que pudesse revelar e interpretar o sonho do rei. Arioque deu a entender que não poderia adiar o mandado do rei (Dn 2:15). Mas foi-lhe concedida a oportunidade de se apresentar diante do rei, e ele, com respeito ao rei e com palavras prudentes, se identificou e pediu tempo ao rei para trazer, posteriormente, a revelação do sonho.

- Em segundo lugar, Daniel vai aos amigos e pede oração (Dn 2:17). Quando, para o mundo, só resta o desespero, para os filhos de Deus ainda há o recurso da oração. Os magos suplicaram ao rei da Babilônia que lhes contasse o sonho, mas Daniel fez o mesmo pedido ao Rei dos reis, o Senhor Deus Todo-Poderoso. Daniel compreendeu a importância de termos um grupo de oração. Ele sabia que quando os crentes se unem em oração, isto agrada a Deus, e a vitória é certa. Precisamos buscar ajuda nas pessoas certas na hora da crise.

- Em terceiro lugar, Daniel vai a Deus e pede misericórdia quanto ao segredo (Dn 2:18). Ele ora ao Deus do céu para que ele fosse o instrumento para a salvação não só dele e de seus amigos, mas também dos sábios da Babilônia, naquele momento crítico para todos (Dn 2:17,18). O nosso Deus está acima do céu, isto é, acima do sol, da lua e das estrelas que os babilônios adoravam. Enquanto os caldeus adoravam os astros, Daniel adorava o Deus criador dos astros. Ele revela sua fé no Deus vivo. Daniel chega a Deus pedindo misericórdia. A oração é um ato de humildade, não de arrogância.

2. Deus ainda revela mistérios (Dn 2:19-27). ''Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite" (Dn 2:19).

No versículo 18 está escrito que "Daniel foi para a sua casa", que era o lugar da sua intimidade com Deus, onde ninguém mais o perturbaria. Foi na sua casa que ele pediu ao Pai que revelasse aquele mistério a fim de salvar a sua própria vida e a dos seus amigos hebreus, bem como dos demais sábios do palácio. Sua intimidade com Deus lhe propiciou a graça divina para receber a revelação do sonho do rei em visão de noite. Uma prova indiscutível de que Deus se utiliza desses meios para revelar a sua glória aos seus servos (Elienai Cabral).

A confiança de Daniel em Deus e na resposta que havia recebido era completa: “darei ao rei a interpretação” (Dn 2:24). A visão que Deus tinha lhe dado era idêntica à do rei. Sendo assim, ele nem precisou inquirir o rei para testá-la.

A alegria de Arioque em ver que Daniel estava pronto para dar a resposta ao rei ficou evidente em suas ações: “Arioque depressa introduziu Daniel na presença do rei “(Dn 2:25). Quando o incrédulo rei perguntou se Daniel poderia cumprir sua difícil exigência, ele se deparou com um homem que estava firmado sobre um fundamento mais sólido do que o solo da Babilônia. Daniel fez questão de dizer ao rei que o mistério do seu sonho "nem sábios, nem astrólogos, nem adivinhos o podem declarar ao rei" (Dn 2:27), mas humildemente declarou que sua fonte de conhecimento era uma revelação do “Deus nos céus, o qual revela os mistérios” (Dn 2:28). Daniel negou qualquer revelação própria. Além disso, essa revelação particular foi dirigida de Deus para o próprio rei, para que soubesse os pensamentos do seu próprio coração e "o que há de ser no fim dos dias”.

O primeiro pensamento de Daniel após o Senhor revelar-lhe o sonho e a sua interpretação foi louvar ao Senhor por sua bondade e poder. Expressões espontâneas de louvor a Deus são típicas daqueles que verdadeiramente O amam e O servem.

3. O caráter profético do sonho de Nabucodonosor (Dn 2:28,29). O sonho do rei dizia respeito ao próprio reino da Babilônia, mas continha uma visão futura dos próximos reinos que haveriam de suceder ao reino da Babilônia. Daniel usou a expressão "fim dos dias" (v.28) que é escatológica e não significa simplesmente a sucessão dos impérios representados no texto. Segundo a escatologia judaica do Antigo Testamento "o fim dos dias" pode significar todo o espaço de tempo desde o começo do cumprimento da profecia até a inauguração do reino messiânico na terra.

Inteirar-se do significado desta visão é de suma importância para a Igreja do Senhor que vive na iminência da volta de Cristo, pois esta visão ajuda a compreender globalmente a palavra profética.

III. DANIEL CONTA O SONHO E INTERPRETA-O (Dn 2:31-45).

1. A correta descrição do sonho (Dn 2:31-35). O sonho de Nabucodonosor tinha uma estrutura de uma mensagem profética. Os estudiosos veem o capítulo 2 apenas numa perspectiva histórica, porque os quatro impérios pagãos que a visão anunciava já passaram. Porém, a visão tinha também um sentido escatológico, porque estabelece ao final o reino universal de Cristo. É algo que Deus tem preparado para o futuro.

A estátua continha quatro divisões principais: a cabeça de ouro (Dn 2:32); o peito e os braços eram de prata (2:32); o ventre e as coxas eram de cobre (2:32); as pernas eram de ferro (2:33) e os pés continham ferro e barro (2:33). No versículo 34 lemos: "uma pedra que foi cortada, sem mãos", a qual feriu a estátua nos pés destruindo-a completamente. Naqueles tempos, o misticismo e a utilização de figuras de representação faziam parte das crendices existentes na cultura pagã. Na mente de Nabucodonosor havia essa cultura e Deus aproveita para revelar realidades presentes e futuras daquele império através de sonhos. Todavia o rei esqueceu o sonho, mas sabia que havia sonhado algo importante que tinha algum significado para si mesmo e para o seu império (Elienai Cabral).

2. A interpretação dos elementos materiais da grande estátua (Dn 2:34-45). Daniel revela que o sonho do rei é profético, não histórico (Dn 2:28,29). O sonho do rei diz respeito ao plano de Deus na história da humanidade. Por intermédio desse sonho do rei, Deus abre as cortinas da história e revela que o futuro está em Suas próprias mãos.

A estátua visualizada em sonho por Nabucodonosor tinha cinco destaques: (3)

a) “A cabeça de ouro” (Dn 2:32,36-38). Nabucodonosor foi chamado de rei de reis (v. 37). Ele era a cabeça de ouro. Ele representava o império. Sua palavra era lei. Ele governou durante 41 anos. Transformou a Babilônia no maior império e na maior cidade do mundo. Alargou as fronteiras de seu domínio. Mas, a riqueza e o poder da Babilônia foram dados por Deus (v. 37,38). A Babilônia deu ao mundo a organização da legislação (código de Hamurahi).

b) “O peito e os braços de prata” (Dn 2:32,39). O peito e os braços de prata simbolizam o império medo-persa. Como a figura já indica, os dois braços ligados pelo peito representam um império que seria formado pela união de dois povos: os medos e os persas. Nesse reino, o rei não estava acima da lei, mas sob ela. A lei era maior que o rei. O rei tinha menos autoridade. O império medo-persa deu ao mundo o aperfeiçoamento do Sistema Tributário.

c) “Ventre os quadris” (Dn 2:32,39). O ventre e os quadris de bronze representam o império grego estabelecido por Alexandre Magno, em 333 a.C. Este dominou o mundo inteiro, mas seu reino desintegrou-se com sua morte. O império grego deu ao mundo a cultura, a língua e os jogos.

d) “Pernas de ferro” (Dn 2:33,40-43). Trata-se do império romano. Era o mais forte dos quatro. Mas, internamente, seu valor era inferior aos seus predecessores, como o ferro é inferior aos outros metais. Ao mesmo tempo, o império romano era forte como o ferro (exército, leis e organização política), mas débil como o barro (baixo nível moral). O império romano deu ao mundo o aperfeiçoamento da legislação (o Direito Romano).

3. “A pedra cortada, sem ajuda de mãos” (Dn 2:45). Aqui, Daniel explica a respeito da pedra que esmiúça a estátua (Dn 2:34,35,44,45). Qual é o significado da pedra? Ela representa o Reino Messiânico de Cristo que virá intervindo no poder dos reinos do mundo. Ele é a pedra cortada que virá para desfazer no último tempo o poder mundial do Anticristo (Dn 2:45; Zc 12:3).

A pedra tronou-se um reino que encheu toda a Terra (Dn 2:35). Este quinto reino é o reino de Deus, estabelecido por Jesus, o Messias. Ele encherá a Terra inteira e se estenderá até aos novos céus e a nova terra (cf. Ap 21:1). Este reino durará para sempre (cf 2Pe 3:10-13).

 “... o Deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disso...”. Daniel foi explicito em sua interpretação. Ele disse que o alvo final não é o governo do homem em esplendor crescente, mas o governo de Deus sobre as ruinas da loucura do homem. A presente Ordem Mundial com a sua filosofia de vida e valores deve desaparecer completamente para que o Reino de Cristo seja plenamente estabelecido aqui.  Amém! Vem, Senhor Jesus!.

CONCLUSÃO

Aprendemos nesta Aula que a história está nas mãos de Deus. Ele não apenas prevê o futuro, Ele tem o controle do futuro. Ninguém pode frustrar Seus desígnios. Seu plano é eterno. Ele está com as rédeas da história nas mãos e Ele a levará a um fim glorioso: a vitória triunfante do Reino de Cristo sobre os reinos do mundo.

Depreendemos desse sonho de Nabucodonosor que o Reino de Cristo triunfará. Os poderosos deste mundo, os reis e os déspotas, não têm as rédeas nas mãos. Os grandes impérios já caíram. Outros ainda cairão. Só o Reino de Cristo triunfará. Não precisamos ter medo quanto ao futuro da causa de Cristo. Ele já determinou o fim: sua vitória gloriosa!

 

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Ensinador Cristão – nº 60. CPAD,

Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.

(1) Hernandes Dias Lopes – Daniel (Um homem amado do Cé). Hagnos.

(2) ibidem

(3) ibidem

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Aula 02 - A FIRMEZA DO CARÁTER MORAL E ESPIRITUAL DE DANIEL


4º Trimestre/2014

Texto Base: Dn 1:1-8; 17,20

 
“E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1:8).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos da firmeza do caráter moral e espiritual de Daniel e dos seus três amigos. “Caráter é o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe determinam a conduta e a concepção moral” (Aurélio). “É o conjunto das características morais de uma pessoa”. “Deriva do grego charaktér, que quer dizer impressão gravada”. Então o caráter se refere àquilo que foi gravado na mente de uma pessoa e assimilado no comportamento, por influência da família, de amigos, líderes religiosos, etc. É válido dizermos que os fatores ambientais (convivência com os pais, a cultura e as realidades da vida) agem sobre o temperamento, influindo na formação do caráter. Ao impor a troca dos nomes de Daniel e dos seus três amigos, o rei Nabucodonosor estava "mudando" a identidade deles, tanto cultural quanto religiosa, advinda da Lei de Deus. O que, então, fizeram esses os jovens servos de Deus? Resistiram sabiamente, propondo outra estratégia para viverem no palácio da Babilônia sem desonrar a Deus e conservando a integridade de caráter herdado da sua família. Mesmo vivendo em uma sociedade pagã eles não se deixaram contaminar. A fé de Daniel fez com que ele se tornasse um exemplo de fidelidade e de integridade para os crentes de todas as épocas. É o grande legado para a igreja de hoje.

I. UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA

1. A situação moral e política de Judá. Depois de ver seus irmãos (as 10 tribos pertencentes ao reino do Norte - Israel) levados para o exílio, o povo de Judá ainda não se arrepende de seus pecados. Os reis Ezequias e Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam muitos deles para o exílio - Até Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs 17:19). Às vezes não aprendemos com os exemplos de pecado que ocorrem à nossa volta.

Compreendendo melhor...

Nabopolassar, governador da região do Golfo Pérsico, libertou Babilônia dos assírios, e em 626 a. C. foi proclamado rei. Continuou a obter vitórias sobre os assírios até que finalmente em 612 a. C., os Babilônios e os Medos tomaram Nínive, a capital da Assíria. Não se concentraram em dominar a Assíria propriamente dita, mas partiram para a conquista de todo o império Assírio. Os egípcios temendo pela sua segurança marcharam para o norte a fim de ajudar os Assírios. O rei Josias de Judá tentou interceptá-los em Megido, mas na batalha que se travou foi morto e Judá foi subjugada ao Egito (2Rs 23:29-33).

Quatro anos mais tarde, em 605 a. C., o exército babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis (Jr 46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Nesse mesmo ano, pela primeira vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias. Um período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C.

Os longos anos em que a elite política, militar e religiosa de Judá esteve longe de sua terra são popularmente conhecidos como exílio na literatura moderna, um termo singularmente apropriado, uma vez que não apenas sugere a remoção forçada da população de judeus para a Babilônia, como também comunica a ausência de Jeová durante o processo.

A tragédia do exílio não pode ser interpretada como apenas a deportação de um povo para outra terra, ou a destruição de uma cidade e seu santuário central. Na verdade, Deus havia se retirado do meio de seu povo, uma ausência simbolizada por uma das visões de Ezequiel, na qual a Shekinah movia-se do Templo (Ezequiel - cap 1).

2. A situação espiritual de Judá. Depois da grande reforma política e religiosa em Judá, promovida pelo piedoso rei Josias, os filhos deste se desviaram do Deus de Israel. O povo, a casa real, os sacerdotes e demais líderes religiosos, todos estavam vivendo numa situação de miserabilidade espiritual, atolados na lama do pecado, da imoralidade, da idolatria (cf 2Cr 36:13,14). Deus, portanto, por intermédio de Jeremias e Habacuque alerta o povo que um tempo de calamidade aconteceria. A poderosa Babilônia invadiria Jerusalém e levaria o povo para o cativeiro. Os profetas de Deus foram perseguidos, presos e mortos. Em vez de haver quebrantamento, arrependimento e volta para Deus, o rei, os sacerdotes e o povo se endureceram ainda mais.

Os falsos profetas pregavam mensagens “bonitas”, vendiam ilusões, enganavam o povo (Jr 23:16,21). Os profissionais da religião enganavam o povo para tirar proveito pessoal. Falavam aquilo que o povo queria ouvir, e eram aplaudidos. Pregavam abundância de bênçãos, de prosperidade, de libertação material para um povo afundado no pecado e na idolatria (Jr 5:12;8:11;14:13,15). Pelo visto, a base para esta falsa mensagem de esperança era que a nação possuía a lei mosaica (Jr 8:8) e o Templo do Senhor estava entre eles (Jr 7:4). Todavia, o Senhor ressaltou que não achou os sacrifícios aceitáveis (Jr 6:20). Deus também deixou claro que a presença do Templo não era garantia de segurança. Para apoiar o argumento, destacou Siló, outrora o local do Tabernáculo, que foi mais tarde abandonado por Deus. Se o povo não se arrependesse, o Monte do Templo seria destruído como fora Siló (Jr 7:12-14; 26:6,9). Isso foi cumprido literalmente, como vemos hoje.

3. O império babilônico arrasa o reino de Judá. “No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoaquim, rei de Judá...” (Dn 1:1,2). Isso não aconteceu por acaso, Deus permitiu que Babilônia arrasasse Judá a fim de corrigi-la, pois se esquecera do seu Deus e vivia em plena degradação moral e espiritual. Deus está no controle da história. Até os ímpios estão a serviço dos propósitos de Deus. O Senhor é soberano. A cidade conquistada, o templo saqueado, os tesouros transportados e os cativos a chorar, tudo isso foi obra de Deus, destinada a cumprir Seus soberanos e sábios propósitos. Nabucodonozor era apenas uma “vara” na mão do Deus vivo para castigar o Seu povo desobediente. Em Jeremias 25:9, Deus o chama de "meu servo". Nabucodonozor prestava seus serviços a Deus sem ter consciência disso. Ele era senhor de quase toda a terra, mas era servo de Deus. Foi colocado sobre os homens, mas estava debaixo da poderosa mão daquele que dirige o universo, segundo Seus planos e propósitos.

A deportação de Judá para a Babilônia deu-se em três fases. Deus demonstrou sua misericórdia diante do julgamento merecido e concedeu ao povo repetidas oportunidades de arrependimento.

- A primeira fase. Foi simultânea com a ascensão de Nabucodonosor (605-562) ao trono de Babilônia. Esse jovem príncipe, derrotando os egípcios na batalha de Carquêmis em 605 (Jr 46:1,2), foi, mediante a inesperada morte de seu pai, obrigado a abandonar o propósito de expulsar os egípcios de suas terras. Mesmo assim, no caminho de retorno, Nabucodonosor saqueou Jerusalém, conduzindo muitos judeus em cativeiro para a capital do império, dentre esses judeus estavam Daniel e seus três companheiros (2Cr 36:5,6; Dn 1:1-6). Deixou no trono de Judá o rei Jeoaquim, que veio a rebelar-se, forçando o retorno de Nabucodonosor em 601.

- Segunda fase. O Egito encorajou Jeoaquim, rei de Judá, a se rebelar contra a Babilônia em 600 a. C., provocando outra invasão babilônica em 598. Joaquim o sucedeu no trono de Judá e entregou Jerusalém à Babilônia em 597. Ele e muitos judeus proeminentes foram deportados para a Babilônia, dentre eles estava Ezequiel (2Rs 24:14-16).

- Terceira fase. Zedequias, irmão de Joaquim, foi estabelecido no trono de Judá (2Rs 24:18). Também esta ação foi mal sucedida, pois Zedequias era instável e de pouca confiança. Judá foi persuadido a rebelar-se mais uma vez. Desta feita, Nabucodonosor decidiu retornar para Jerusalém, desta vez para destruí-la completamente, em 586 a.C. Os babilônios invadiram Judá e sitiaram Jerusalém; o assédio durou dezoito meses. Finalmente, abriram uma brecha nos muros e Jerusalém foi tomada. Zedequias foi feito prisioneiro e teve os olhos furados. Os objetos de valor do Templo foram levados para Babilônia. Também, o Templo foi destruído e a maior parte do povo restante foram levados para a Babilônia. Só foram deixadas as pessoas mais pobres para cultivar a terra (2Rs 25:1-21).

II. A FORÇA DO CARÁTER

Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua história.

Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas um influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl 137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

1. A tentativa de aculturamento dos jovens hebreus (Dn 1:3,4). “E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real, e dos nobres, jovens em quem não houvesse defeito algum, formosos de aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus”.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Ele foi levado para a Babilônia, uma terra eivada de idolatria. Foi levado para esse panteão de divindades pagãs, para a capital mundial da astrologia e da feitiçaria. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé infringível no Deus vivo. Daniel e seus companheiros possuíam uma maturidade espiritual inexorável, que não foi adquirida em uma universidade secular, mas na Palavra de Deus.

Daniel e seus amigos correram sério risco de aculturamento nos costumes e nas ciências babilônicos. A despeito de eles serem educados em línguas e ciências, Nabucodonosor queria muito mais. Ele queria educá-los nas ciências dos caldeus para que tivessem conhecimento de astrologia e adivinhação. Mas, os babilônios perceberam logo que a formação cultural e, sobretudo, religioso desses jovens hebreus, era forte. Não seria fácil fazê-los esquecer de suas convicções de fé. Para quebrar a rigidez cultural desses jovens, Nabucodonosor elaborou um programa cultural que fosse eficaz na sua extinção: os jovens participariam da mesa do rei. Mas Daniel e seus amigos mantiveram-se íntegros, fieis e puros diante de Deus e dos habitantes da babilônia. O caráter deles era bastante sólido.

2. O caráter colocado à prova (Dn 1:5-8).E o rei lhes determinou a ração de cada dia, da porção do manjar do rei e do vinho que ele bebia, e que assim fossem criados por três anos, para que no fim deles pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. E o chefe dos eunucos lhes pôs outros nomes, a saber: a Daniel pôs o de Beltessazar, e a Hananias, o de Sadraque, e a Misael, o de Mesaque, e a Azarias, o de Abede-Nego. E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”.

A integridade de Daniel e de seus amigos foi colocada à prova diante da determinação do rei. O maior de todos os perigos era o risco da aculturação. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de dois perigos: (1)

a) O perigo das iguarias do mundo. As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece! Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: Deus é meu juiz; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: bel proteja o rei. Hananias significa: Jeová é misericordioso; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: iluminado pela deusa do sol. Misael significa: quem é como Deus? Deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: quem é como Vênus? Azarias significa: Jeová ajuda; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: servo de Nego. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé.

III. A ATITUDE DE DANIEL E DE SEUS AMIGOS

1. Uma firme resolução: não se contaminar (Dn 1:8). “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto, pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar”.

Viver exige discernimento. Os tolos naufragam, quer pelas oportunidades quer pelos riscos. Daniel e seus companheiros foram arrancados do seio de sua família como escravos, teve oportunidades e riscos. A vida ofereceu-lhes muitas propostas sedutoras. Todavia, souberam discernir a linha divisória entre o certo e errado.

“Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. A razão desta decisão do jovem profeta é que geralmente a comida e bebida daqueles monarcas babilônicos eram, antes de tudo, oferecidas aos ídolos pagãos e, portanto, Daniel, como fiel judeu, não podia participar de comidas consagradas ou dedicadas a deuses pagãos. Comer tal alimento era, para ele, desobediência à Lei de Deus; beber tal vinho significava entorpecer sua mente. Daniel não abriria mão de suas convicções, mesmo se estivesse que pagar com a vida por isso. Note-se que Daniel não tinha agora a presença dos seus pais para orientá-los nas suas decisões; mas seu amor a Deus e à sua lei achava-se de tal modo arraigados nele desde a infância que ele somente desejava servir ao Senhor de todo coração.

“Aqueles que resolvem permanecer fiéis a Deus, enfrentando a tentação, receberão forças para permanecerem firmes por amor ao Senhor. Por outro lado, aqueles que antes não tomam a decisão de permanecer fiéis a Deus e à sua Palavra, terão dificuldades para resistir ao pecado ou evitar conformar-se com os caminhos do mundo” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

2. Daniel, um modelo de excelência. A vida de Daniel é um farol a ensinar-nos o caminho certo no meio da escuridão do relativismo. Seu testemunho rompeu a barreira do tempo e ainda encoraja homens e mulheres em todo o mundo a viver com integridade. Possuía valores absolutos no meio de uma geração que se corrompia. Ele era ainda um adolescente, mas conhecia a Deus. Era ainda jovem, mas sabia o que era certo e errado. Estava no alvorecer da vida, mas não se misturava com aqueles que se entregavam ao relativismo moral. Era um jovem que tinha coragem de ser diferente.

Mesmo tendo sido levado muito jovem para o exílio babilônico, Daniel conhecia a Deus e não o trocaria por iguaria alguma que lhe fosse oferecida. É um modelo de excelência para os jovens (Ec 12:1), como também foram outros jovens na história bíblica como Samuel (1Sm 3:1-11), José (Gn 39:2), Davi (1Sm 16:12), Timóteo (2Tm 3:15). Durante toda a sua vida, Daniel foi um exemplo de fidelidade e de oração, pois orava três vezes ao dia, continuamente (Dn 6:10).

3. Daniel é um modelo de integridade numa sociedade corrupta. Apesar de todo o esforço de seus exatores que os trouxeram para uma terra estranha, com costumes e hábitos, dedicados a outros deuses, Daniel soube, durante toda a sua vida, manter-se íntegro moral, espiritual e fisicamente. Apesar da tentativa de neutralizar a força de sua fé, os jovens hebreus permaneceram firmes e dispostos a não render-se, senão a Deus com suas próprias vidas. A mudança de nome não os fez esquecerem de sua fé nos Deus Vivo e Poderoso (Dn 3:6,7). Nas atividades políticas soube conduzir-se, respeitando as autoridades superiores, sem trair a sua fé em Deus. Sabia cumprir seus deveres e, quando foi desafiado na sua fé a deixar de orar, ele não traiu o seu Deus. (2)

CONCLUSÃO

Como preservar um caráter puro em meio a uma sociedade corrompida? Esta pergunta pode ser respondida à luz da vida de Daniel e seus amigos. Um caráter moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão, hoje. As pessoas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus. Afirmou John Wooden: “Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é“. Portanto, o caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências.

Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando. Nossa reputação, por outro lado, diz respeito à nossa conduta como é vista ou percebida por outros. “Boa” conduta sem caráter se torna hipocrisia. Isto foi revelado à igreja em Sardo: “Ao anjo da Igreja que está em Sardo escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus, e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto!” (Ap 3:1).

Deus está interessado em quem realmente somos. Quando nós temos caráter cristão, a evidência está em nossa conduta. Quando uma pessoa é salva existem evidências da sua salvação. Se alguém diz, “Eu sou salvo”, mas continua a mentir, roubar e viver imoralmente, é muito claro que não está salvo. Se você é salvo, sua conduta muda como evidência de que alguma coisa mudou dentro – no coração. Nós lemos em 2Co 5:17: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Se não há uma mudança de conduta, então o coração não mudou. Deus diz: “Sede santos”. Ele não disse para fazermos algo para que aparentássemos santos. Mas, Ele diz: “sede” santo. Você não pode fazer a si mesmo santo da mesma forma que não pode salvar-se a si mesmo, mas quando você recebe a santidade de Deus por dentro, sua vida e conduta serão santas e agradáveis a Deus.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – M. Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.

Integridade Moral e Espiritual – Elienai Cabral. CPAD.

Daniel – As visões para estes últimos dias. Severino Pedro da Silva. CPAD.

(1) Hernandes Dias Lopes – Daniel (Um homem amado do Cé). Hagnos.

Revista Ensinador Cristão – nº 60 – CPAD.

(2) Elienai Cabral – Integridade Moral e Espiritual. CPAD.