domingo, 7 de fevereiro de 2016

Aula 07 – AS BODAS DO CORDEIRO


1º Trimestre/2016
 
Texto Base: Mateus 22:1-14
 
“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (Ap 19:9).
 

 
INTRODUÇÃO
Após o julgamento e a distribuição dos galardões, no Tribunal de Cristo, a Igreja será levada às mansões celestiais para celebração das Bodas do Cordeiro, o casamento entre Cristo e a Igreja (2Co 11:2). O casamento nos tempos bíblicos era algo considerado muito sério. Motivo de alegria não só para os noivos, para suas famílias, bem como para todos os demais parentes e amigos, por ter sido uma instituição criada pelo próprio Deus. Tão importante e tão séria é esta instituição que ela foi tomada como símbolo de união entre Deus e Israel, e, depois, como símbolo da união entre Cristo e Sua Igreja. Assim é que, em linguagem simbólica, o Senhor Jesus é apresentado como Noivo, sendo que a Igreja é chamada e descrita como Sua Noiva, ou a Noiva do Cordeiro, conforme lemos em Apocalipse 19:7,8:regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos. Esta passagem bíblica descreve um evento futuro, quando o Senhor Jesus receber, na glória, a Sua Igreja. A Bíblia compara esta união como se fosse uma festa de casamento, chamando-a de “Bodas do Cordeiro”.
I. AS BODAS DO CORDEIRO
1. O que será? Será o encontro glorioso, já no Céu, entre Cristo e Sua Igreja. O termo “Bodas” deriva-se do latim, “vota”, que significa votos, referindo-se aos votos matrimoniais por ocasião do casamento. O termo é sempre usado no plural, ou seja, Bodas, visto que, no passado, a festa de casamento costumava durar até sete dias, conforme podemos constatar no casamento de Sansão – “Disse-lhes, pois, Sansão: eu vos darei um enigma a adivinhar, e, se nos sete dias das bodas mo declarardes e descobrirdes, vos darei trinta lençóis e trinta mudas de vestes”(Juízes 14:12). Portanto, Bodas no seu sentido material e linguístico significa festa de casamento. Todavia, no seu sentido espiritual e bíblico, significa a consumação plena da união entre Cristo e sua Igreja, após o Arrebatamento e depois do Julgamento diante do Tribunal de Cristo.
a) O momento das Bodas do Cordeiro. É revelada nas Escrituras como algo que ocorrerá entre a translação da Igreja e a vinda gloriosa de Cristo. Esse casamento, pois, seguirá os acontecimentos do Tribunal de Cristo, visto que, quando surge, a Igreja aparece adornada com "os atos de justiça dos santos" (Ap 19:8), que só podem referir-se às coisas que foram aceitas no Tribunal de Cristo. Desse modo, as Bodas devem ocorrer entre o Tribunal de Cristo e a Sua vinda em glória. 
b) O local das Bodas do Cordeiro. Só pode ser o Céu, ou seja, no mundo espiritual, porque Apocalipse 19:11 mostra claramente que, em seguida, o Senhor Jesus regressará do Céu em seu Aparecimento glorioso - "E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça".
Tendo em vista que se seguirá ao Tribunal de Cristo, que é demonstrado como acontecimento celestial, e visto que, quando o Senhor retornar, a Igreja virá nos ares (Ap 19:14), indubitavelmente, as Bodas deverão ocorrer no Céu. Nenhum outro local seria adequado a um povo celestial (Fp 3:20). E nessa ocasião o mundo estará enfrentando o tenebroso período da Grande Tribulação. Todavia é bom enfatizar, que no mundo espiritual não existe o conceito de tempo, o tempo é sempre presente. Não existe, portanto, sequência de passado, presente ou futuro no tempo espiritual. Veja o que está escrito em Eclesiastes 3:14,15:
“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar e nada se lhe deve tirar. E isso faz Deus para que haja temor diante dele. O que é já foi; e o que há de ser também já foi; e Deus pede conta do que passou”.
Por isso, para todos aqueles que forem arrebatados, eles não sentirão que no mundo físico já se passaram 7 anos entre o Arrebatamento e a Ceia das Bodas do Cordeiro.
2. Quem poderá participar das Bodas do Cordeiro? - “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das Bodas do Cordeiro...” (Ap 19:9).
Jesus comemorará o Casamento com a Sua Noiva - a Igreja -, que O amou mais do que a própria vida (Ap 12:11), e essa festa é detalhada em Ap 19:9 através de uma grande Ceia de Jesus com o seu povo santo, a “... igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5:27). Apocalipse 19:8 também diz que a Noiva (a Igreja) se vestirá de linho fino, o que significa que esse povo é santo e justo. Seguramente será uma festa gloriosa e inesquecível. Simplesmente a maior festa de todos os tempos. Somente esse motivo seria mais do que suficiente para nunca, jamais, nos desviar da Palavra de Deus, do seu caminho, nenhum segundo sequer.
Os convidados para a Ceia das Bodas do Cordeiro
A Ceia das Bodas do Cordeiro é a segunda fase da comemoração das Bodas em si (Ap 19:9). A primeira são as próprias Bodas do Cordeiro (Ap 19:7); depois das Bodas, em que a Esposa participou, Apocalipse 19:9 diz que existem os chamados para a Ceia das Bodas do Cordeiro. Ou seja, haverá convidados para a Ceia - amigos do Noivo e da Noiva. Quem serão esses? A resposta se encontra em João 3:29. João Batista diz claramente que ele é amigo do Noivo: "Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido". João Batista foi um dos últimos santos do Velho Testamento; ele anunciou que a chegada do Messias era iminente e pregou o arrependimento ao povo judeu. Portanto, os santos do Velho Testamento estarão entre os convidados para a Ceia das Bodas do Cordeiro.
3. Quem ficará de fora deste glorioso evento? Nas Bodas do Cordeiro, todos os que rejeitarem o convite de Jesus Cristo (judeus e gentios) serão excluídos eternamente da presença e da comunhão do Filho de Deus - “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Ap 22:15). Este texto não tem a intenção de exarar uma lista completa de pecados. Aqui, a ênfase é que nada impuro e nenhum pecador estarão na presença de Deus. Somente os remidos entrarão na Formosa Jerusalém pelas portas. Os perversos serão deixados para trás, fora da Formosa Jerusalém e das Bodas do Cordeiro. Aqueles que não foram lavados no sangue do Cordeiro ficarão não apenas fora da cidade santa, mas serão destinados ao lago de fogo e enxofre, que é o inferno propriamente dito (Ap 20:15).
II. A REJEIÇÃO AO CONVITE DO CORDEIRO
1. O convite ao povo de Israel. Em Mateus 22:1-14 é registrada a Parábola das Bodas do Filho de Deus. Esta é a Terceira Parábola registrada por Mateus, após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, em sua última semana de vida sobre a terra, quando, então, se dá a rejeição do Messias por Israel. A Primeira Parábola é a dos Dois Filhos (Mt 21:28-31) e a Segunda Parábola é a dos Lavradores Maus (Mt 21:33-41). Na Parábola dos Dois Filhos, Jesus deixa claro que os judeus perderam sua posição em virtude de não terem feito a vontade de Deus; na Parábola dos Lavradores Maus (Mt 21:33-46), Jesus menciona que, além de rejeitarem o Messias, os judeus também O matariam; na Parábola das Bodas, Jesus mostra-nos que os judeus seriam substituídos por um outro povo, mas que deste povo também se exigiria fruto de justiça, como se exigiu de Israel, que fracassou.
Veja alguns aspectos da Parábola das Bodas do Filho de Deus.
a) Quem é o Rei que realizou a festa? - O Reino do céu é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho”. Este “certo rei” é aquele do qual Paulo disse: “...ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém!”(1Tm 1:17).
b) Que é o Filho do Rei? - “seu filho”. Não é outro senão aquele expresso em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira... deu o seu Filho Unigênito...”. Este mesmo que João Batista apresentou aos homens como “... o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29), e que, na festa das Bodas, lá no Céu, é ainda chamado de o Cordeiro – “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos lhe glórias, porque vindas são as bodas do Cordeiro...”(Ap 19:7).
c) uma celebração desejada pelo Rei (Mt 22:3,4). Foi Deus quem preparou a festa das Bodas de Seu Filho - “...Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já está pronto; vinde às bodas”. Mesmo sendo uma Parábola o Senhor Jesus não deixou margens para qualquer outro entendimento, senão, que o banquete da Salvação foi preparado, inteiramente por Deus. Não houve a mínima participação quer do homem, quer dos anjos. Outrossim, Deus não usou nada que não fosse exclusivamente Seu. A Palavra diz “o meu jantar, os meus bois e cevados e que tudo já está preparado”. No convite ficou claro que os convidados não precisavam levar nada, não se pedia qualquer tipo de ajuda, nem haveria qualquer demora, pois “tudo já está pronto”.
d) os convidados precisam estar com vestes apropriadas na festa do Filho do Rei (Mt 22:11). No meio da festa, o rei avista um convidado sem os trajes apropriados para aquele evento festivo. Todos os convidados que estavam na festa de núpcias podiam perceber que aquele homem não tinha veste nupcial, porém permanecia com muita naturalidade entre os convidados do Rei. Tudo estava indo muito bem até que “o Rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial”. O Rei questiona-o a respeito disso, mas ele ficou emudecido. Diante do seu silêncio, o Rei mandou que seus servos lançassem o intruso "nas trevas exteriores", onde "haverá pranto e ranger de dentes" (Mt 22:13). Notemos que ele tinha autorização para estar ali, pois fora convidado, mas sua veste não era apropriada para estar lá. Esse homem é uma figura dos crentes que estão nas igrejas, fazem parte dos convidados, aceitaram a Cristo um dia, mas não se prepararam espiritualmente para o grande Dia das Bodas do Cordeiro. Como em qualquer festa nupcial, só participarão das Bodas do Cordeiro, preparadas pelo Pai celestial, os que estiverem com suas vestes adequadas, isto é, trajados com a “justiça dos santos”(Ap 19:8).
2. O Rei convida a todos. Na Parábola das Bodas (Mt 22:1-14), o Senhor Jesus fala de três convites e de dois tipos de convidados. Os judeus eram os primeiros convidados. Eles receberam dois convites.
- O Primeiro Convite. Está descrito em Mt 22:3,4: “E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas...” Ele foi levado aos judeus, principalmente pelos profetas durante o período do Antigo Testamento, sendo que o último desses mensageiros foi João Batista.
- O Segundo Convite. Este Convite anunciava que o dia da festa havia chegado e que o “banquete” já estava pronto – “Depois enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo pronto; vinde às bodas”. Este Segundo Convite teve como seu principal mensageiro o próprio Jesus – “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o Evangelho do Reino...” (Mt 9:35). Na sequência, os mensageiros foram os Apóstolos enviados por Jesus, com ordens de convidar apenas os judeus, que eram os primeiros convidados – “Jesus enviou estes doze e lhes ordenou, dizendo: não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de Samaritanos; mas, ide, antes, as ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai, dizendo: É chegado o Reino dos céus” (Mt 10: 5-7), ou conforme disse Jesus, na Parábola: “Eis que tenho o meu jantar preparado...vinde às bodas”. Todavia, os judeus recusaram o convite – “e estes não quiseram vir...e outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram”. Mataram o próprio Jesus, mataram Estevão (Atos 7:58-60), continuaram matando, prendendo, espancando. Estêvão, por denunciar a dureza dos corações dos judeus, se tornou um daqueles sobre os quais o Senhor Jesus falou: “E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram”. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam”(Atos 7:51-58).
- O Terceiro Convite. O privilégio do convite para as Bodas era dos judeus, porém, uma vez que eles o rejeitaram, então o convite foi destinado aos gentios. Foi o que Paulo fez diante da rejeição por parte dos judeus – Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios(Atos 13:46). Isto confere com a ordem de Jesus dada aos seus discípulos: “... Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). É, pois, pela pregação do Evangelho que os pecadores, “tanto maus como bons”, são convidados para a “Festa Nupcial”, ou para o “Banquete da Salvação”.
3. A tragédia dos que rejeitaram o convite de Deus. “E o rei, tendo notícias disso, encolerizou-se, e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade”. Pode-se aplicar este texto ao que aconteceu no Ano 70 d.C. Certamente, sem saber que era uma ordem do Rei, o exército romano, sob o comando do general Tito, “destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade”. Jerusalém foi arrasada e todos os judeus que não foram mortos espalharam-se pelo mundo, e, sem pátria, ficaram dispersos até 1948. A Palavra de Deus sempre tem o seu real cumprimento.
Observe que a recusa aconteceu por motivos banais: “... não fazendo caso, foram um para seu campo, e outro para seu negócio”. Numa atitude de total desrespeito e de independência do Rei, uns foram desfrutar seus bens materiais - “foram para seu campo”; “outros para seu negócio”, ou seja, para sua atividade material, seu trabalho, sua conquista dos bens terrenos. Nenhum deles, na verdade, tinha um motivo plausível que, realmente, pudesse justificar a recusa. Estes convidados são o povo de Israel.
·     Israel rejeitou o Pai, como seu Rei - “Então todos os anciãos de Israel se congregaram, e vieram a Samuel, a Rama, e disseram-lhe: eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; Constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como tem todas as nações”(1Sm 8:4-7).
·     Israel rejeitou o Filho, como Seu Salvador - “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: os que creem no seu nome”(João 1:11-12).
·     Israel rejeitou o Espírito Santo - “Homens de dura cervis e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como vossos pais”(Atos 7:51).
Era, pois, esta a situação dos judeus que o Senhor Jesus projetava ante os olhos dos seus líderes religiosos – Sacerdotes, Escribas, Fariseus e Anciãos do povo. Portanto, ao propor a Parábola das Bodas o Senhor Jesus mostrou aos lideres religiosos, em Jerusalém, o quanto eles eram mais indignos do que os gentios.
Por rejeitarem a Deus e ao Seu Filho, Israel vem sofrendo ao longo dos tempos: com o cativeiro babilônico, onde amargaram a dor por causa de sua desobediência; no ano 70 d.C. foram expulsos de sua terra, voltando a se fixarem como nação somente em 1948. Ainda Israel não foi salvo completamente, mas quando Jesus voltar em glória, todo Israel será salvo (os remanescentes – Rm 9:27), e será um só povo e um só Senhor (Jr 31:31-34).
Observação Importante:
A Parábola das Bodas (Mt 22:1-14) em nada representa a grande festa das Bodas do Cordeiro (Ap 19:7,9). Na Parábola, a festa nupcial estava cheia de convidados, mas eles eram compostos de pessoas tanto boas quanto más (Mt 22:10). Isto nos prova que a festa nupcial não representa as Bodas do Cordeiro, como alguns, erroneamente, interpretam. Talvez pelo fato de Jesus ter comparado o reino dos céus às “bodas do seu filho” (Mt 22:1), muitos, apressadamente, identificam esta figura com a “Ceia das Bodas do Cordeiro” (Ap 19:9). Entretanto, são eventos diferentes. A festa nupcial indicada na Parábola, embora fizesse parte da cerimônia do casamento real, ainda não era o próprio casamento. O rei fez o convite para o casamento (Mt 22:1), mas o casamento não chega a se realizar na parábola, tanto que, em momento algum, Jesus anuncia que chegaram os noivos. A história se passa antes do casamento, enfatizando o convite, a recusa do convite, a escolha de novos convidados, a sua chegada até o local da festividade e a inspeção feita pelo rei antes que o casamento começasse. Portanto, a Parábola diz respeito ao período da dispensação da graça, ao tempo de pregação do evangelho pela Igreja, antes da chegada do Noivo, ou seja, até instante do Arrebatamento da Igreja. Portanto, a Ceia das Bodas do Cordeiro, que se dará depois do Arrebatamento da Igreja e do Tribunal de Cristo, não está incluída na Parábola.
A reunião dos novos convidados na casa do rei, nos momentos imediatamente anteriores ao início da cerimônia do casamento, fala-nos da reunião de pessoas que atenderam ao chamado do evangelho, que passaram a participar da “comunidade cristã”, mas que se distinguem em dois grupos: primeiro, os que se tornaram bons, ou seja, que realmente aceitaram a Cristo e se converteram, passando a ser justas, santas, que são as que recebem as vestes celestiais de justiça e de santidade (Ap 19:8; Sl 45:13,14); segundo, os que se conservaram maus, que não tiveram suas vidas transformadas, que serviram a Deus apenas em aparência, sem uma real conversão, que são representados pelo convidado que foi encontrado sem o traje nupcial (Mt 22:11).
III. A NOIVA DO CORDEIRO
Em muitos trechos do Novo Testamento a relação entre Cristo e a igreja é revelada pelo uso de figuras do Noivo e da Noiva (João 3:29; 2Co 11:2; Ef 5:25-33; Ap 19:7,8; 21:2). Na translação da Igreja, Cristo aparece como o Noivo que leva a Noiva consigo, para que o relacionamento que foi prometido seja consumado e os dois se tornem um. Será um momento de grande regozijo – “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Ap 19:7).
1. Assentados à mesa do Rei. – “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (Ap 19:9). Será um momento sem par. Milhões e milhões de salvos à mesa do grande Rei participarão do maior banquete de todo o Universo, com todos os salvos de todos os tempos. Nesse banquete, estarão todos aqueles que aceitaram o sacrifício de Cristo e confiaram nele para a salvação; eles virão de todas as nações. Jesus tinha dito: “Eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos céus” (Mt 8:11). Este versículo dá base bíblica para afirmarmos que, no Céu, conheceremos uns aos outros. Se vamos conhecer Abraão, Isaque e Jacó, certamente, também conheceremos os irmãos com quem convivermos na Terra. Não há dúvida, Jesus será a Pessoa mais admirada e mais abraçada.
Como uma garantia a todos nós da verdade absoluta da Ceia das Bodas de Cristo, da qual nós participaremos, o anjo disse a João: “Estas são as verdadeiras palavras de Deus”. As verdadeiras palavras de Deus permanecem válidas para sempre.
2. Jesus é quem vai servir – “E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá” (Lc 12:36,37). Esta Parábola do servo vigilante é uma figura da realidade que Cristo quis explicar sobre a vida da Igreja no porvir. Ele prometeu cear outra vez no Reino de seu Pai (Mt 26:29; Mc 14:25). Ora, se estar nas Bodas do Cordeiro já será um privilégio jamais visto, imagine o que será ser servido pelo Rei dos reis e Senhor dos senhores!
Cremos que a Ceia das Bodas do Cordeiro seguirá o mesmo roteiro estabelecido pelo Senhor, com a participação de todos os crentes do Corpo e do Sangue de Cristo, simbolizados pelo pão e pelo vinho. Assim cremos porque Jesus disse que voltaria a tomar do fruto da vide nessa Ceia e, como se trata de uma celebração simbólica e de uma ordenança do Senhor, não vemos porque não venha a se reproduzir aqui a mesma celebração que deu início a esta ordenança, há quase dois mil anos. Ademais, conquanto se esteja numa dimensão celestial e espiritual, não há qualquer obstáculo para que Deus crie uma circunstância única em que bens materiais possam ser utilizados nesta cerimônia, a exemplo do que ocorreu com Jesus e Seus discípulos na passagem de João 21:12-14.
Nessa Ceia o próprio Senhor nos servirá, pois assim fez na primeira ceia, como nos relatam os evangelhos. Além do mais, na Igreja do Senhor, o maior serve os menores (Lc 22:24-27), e Cristo é Cabeça da Igreja e, como tal, será quem nos servirá, como, aliás, disse em Seu ministério terreno (Mt 20:28 e Mc 10:45). Diante de tão grande revelação acerca do futuro glorioso da Igreja, vale a pena ser fiel a Deus; vale a pena renunciar ao mundo e seguir a Cristo; vale a pena buscar a santificação para poder participar dessa maravilhosa festa celestial.
Findando a Ceia, Jesus, na companhia da Sua Esposa, voltará para a Terra: a fim de salvar Israel de destruição iminente no vale do Megido; julgar as nações; lançar o Anticristo e o Falso profeta no Lago de fogo e enxofre; prender Satanás por mil anos; e estabelecer o seu Reino milenial.
CONCLUSÃO
Ao chamar o instante da reunião, em glória, de Cristo e da Igreja de “Bodas do Cordeiro”, a Bíblia está nos fazendo lembrar que somente aqueles que tiverem se relacionado com Cristo em comunhão e em fidelidade poderão participar deste evento escatológico. Será que estamos em comunhão com Jesus? Será que temos sido fiéis a Ele? Sem comunhão e sem fidelidade não é possível sermos considerados como “Noiva do Cordeiro”, nem tampouco que Cristo seja nosso Noivo, nosso Marido – “Porque o teu Criador é o teu marido; SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele será chamado o Deus de toda a terra” (Is 54:5). Pense nisso!
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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards
Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.
Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.
Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.
Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.
Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.
Caramuru Afonso Francisco. As Bodas do Filho de Deus (a Parábola das Bodas). PortalEBD_2005.
Pr. Ciro Sanches Zibordi. Escatologia Doutrina das últimas Coisas. Teologia Sistemática. CPAD.
Enciclopédia popular de Profecia Bíblica. Tim Lahaye. CPAD.2015.
Antônio Gilberto. Calendário do Apocalipse. CPAD.
Teologia Sistemática. Wayne Grudem. Vida Nova. 2012.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Aula 06 – O TRIBUNAL DE CRISTO E OS GALARDÕES


1º Trimestre/2016

Texto Base: 1Co 3:11-15

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2Co 5:10).



INTRODUÇÃO

Embora a vida eterna seja um dom gratuito, concedido com base na graça de Deus (Ef 2:8,9), cada um de nós ainda será julgado por Cristo. Todos os crentes terão que comparecer diante do Tribunal de Cristo para julgamento de suas obras e atos. O Senhor nos recompensará de acordo com o nosso modo de vida aqui. O Tribunal de Cristo não se destinará: ao julgamento dos nossos pecados (1João 1:7), pois os mesmos foram perdoados por Jesus no Calvário; a garantir um lugar no Céu (Ap 22:14), que foi obtido a partir do momento em que cremos em Jesus e nosso nome foi escrito no Livro da Vida; à condenação, visto que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8:1).

I. O TRIBUNAL DE CRISTO E OS CRENTES

A Bíblia assevera que todos os redimidos estão isentos do juízo divino para condenação (João 5:24; Rm 8:1; Hb 10:14-17). Porém, há um juízo futuro para os crentes (1João 4:17; Hb 10:30b), concernente ao grau de sua fidelidade a Deus e a graça que receberam durante esta vida na Terra(1Co 3:10; 4:2-5; 2Co 5:10). Nesse juízo, há a possibilidade do crente, embora salvo, sofrer uma grande perda: (a) perda do trabalho que fez para Deus na sua vida (1Co 3:12-15); (b) perda de glória e de honra diante de Deus(Rm 2:7); (c) perda de galardão(1Co 3:14,15); etc. Deus avaliará a qualidade da vida, da influência, do ensino e do trabalho na Igreja, de cada pessoa e, especialmente, de cada obreiro; se uma obra for julgada indigna, ele perderá o seu galardão, mas, pessoalmente será salvo - “todavia como pelo fogo” (1Co 3:15). A alusão ao “fogo” aqui, provavelmente, significa “salvo por um triz”. Como alguém que está numa casa incendiada e escapa através do fogo, só com vida. É válido ressaltar que este trecho refere-se a um julgamento de obras, que se dará no Tribunal de Cristo, logo após o Arrebatamento, e não à purificação de pessoas quanto aos seus pecados. Os nossos pecados já foram purificados pelo sangue de Jesus Cristo(1João 1:7).

1. O julgamento. O julgamento da Igreja ocorrerá logo após o Arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Neste Tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm 14:10; 2Co 5:10).

- Esse julgamento não envolve salvação ou perdição, pois todos os crentes que forem arrebatados estarão salvos, mas serão julgadas as obras com vistas à entrega de recompensas, de “galardão”. Nesta oportunidade, muitos serão surpreendidos, pois Deus conhece o coração do homem (1Sm 16:7) e sabe a qualidade de tudo o que está sendo feito em Sua obra, não atentando para a aparência. Diante disto, muitos que, aparentemente, terão feito muito pela obra do Senhor, nada receberão, porquanto suas obras serão consideradas como palha, como madeira, sem condição de resistir ao crivo divino; porém, outros, que, aparentemente, nada teriam feito pelo Senhor, receberão galardões, pois trabalharam em silêncio, sem alarde, mas com dedicação e real devoção. Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co 3:11-15:

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1Co 3:11-15).

- Esse julgamento será meticuloso. Levará em conta todos os nossos atos e palavras e não apenas o caráter geral da nossa vida (Gl 6:7,8).

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna”.

- Esse julgamento será recompensador. O objetivo final do Tribunal de Cristo é galardoar aqueles que trabalham na obra do Mestre. Esta é a razão que o apóstolo Paulo nos exorta a sermos firmes na obra, pois não é vão o nosso trabalho (1Co 15:58).

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.

É bom ressaltar que Jesus não galardoará o crente pelo seu título, não. Não será levado em consideração o crente pastor, diácono, evangelista, presbítero, missionário, revenrendo... O prêmio da soberana vocação (Fp 3:14) será dado aos “servos bons e fiéis” (Mt 25:21,23).

- Nesse julgamento Deus irá coroar seus filhos. Ali teremos as seguintes coroas:

- da vida (Tg 1:12; Ap. 2:10) - para aqueles que estiverem dispostos a morrer por amor a Jesus Cristo.

- da justiça (2Tm  4:8) – para todo aquele que amar a sua vinda.

- incorruptível (1Co 9:25) - para aqueles que não andam fazendo a vontade da carne.

- de glória (1Pe 5:4) – para aqueles que trabalharam por amor na obra do Senhor e não por amor ao dinheiro.

Lembremos, pois, do estribilho do hino 418 da Harpa cristã: “Depois da batalha Deus me coroará”...

2. Quando se dará o Tribunal de Cristo? Após o Arrebatamento da igreja se dará o Tribunal de Cristo, onde os crentes serão julgados e receberão o galardão da parte do Senhor (Ap 22:12). Naquele grande Dia, todos os salvos em Cristo que serviram ao Senhor com integridade, sinceridade, fidelidade e lealdade, receberão a devida recompesna.

Paulo foi um servo fiel que sofreu muitas tribulações, as mais terríveis e insuportáveis (2Co 1:8): foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado. Mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao céu um tributo de louvor ao Senhor. Na antessala do martírio, afirmou com inefável alegria: "eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia" (2Tm 1:12). Paulo não termina a vida com palavras de decepção, mas com um tributo de glória ao Salvador (2Tm 4:18b). A esperança da glória manteve esse bandeirante do cristianismo de pé nas lutas mais renhidas. Ele tombou na terra, pelo martírio, mas ergueu-se no céu para receber a recompensa.

Portanto, não desanimes, prezado obreiro do Senhor! Talvez o teu trabalho não esteja sendo levando em conta diante dos homens, mas Deus está vendo. Em breve, na Sua vinda, ele te recompensará (Ap 22:12). Pense nisso!

3. Onde ocorrerá o Tribunal de Cristo? Não é preciso muito esforço para perceber que o Tribunal de Cristo ocorrerá na esfera das regiões celestes. 1Tessalonicenses 4:17 diz que seremos "arrebatados [...] entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares". Visto que o Tribunal segue a translação, os "ares" devem ser o seu palco. Isso também é apoiado por 2Coríntios 5:1-8, em que Paulo descreve os acontecimentos que ocorrem quando o crente "deixar o corpo e habitar com o Senhor". Desse modo, isso deve acontecer na presença do Senhor na esfera dos "lugares celestiais".

Cremos que não será na Terra para não ser presenciado pelos pecadores que durante sua vida foram hostis ao povo de Deus; também não será no Céu, pois diante do Tribunal haverá decepções (1João 2:28; 1Co 3:13-15), coisa que não haverá no Céu, pois o mesmo é feito de alegria no Espírito Santo.

A história de Isaque e Rebeca relatada em Gênesis 24, nos fornece uma antecipação figurativa deste fato, pois nos diz o texto que Rebeca deixou sua terra natal e empreendeu uma longa caminhada para se encontrar com Isaque. Todavia, o encontro não se deu na casa de Isaque, mas no campo, o que nos dá a ideia de que o Tribunal de Cristo será nos ares.

4. Quem será o Juiz? Conforme 2Corintios 5:10 e 2Tm 4:8 o Juiz desse Tribunal será, indubitavelmente, Jesus Cristo. João 5:22 declara que todo o julgamento foi confiado às mãos de Jesus, o Filho de Deus. O fato de esse mesmo acontecimento ser citado em Romanos 14:10 como “o Tribunal de Cristo” mostra também que Deus confiou o julgamento às mãos de Jesus. Parte da exaltação de Cristo é o direito de manifestar autoridade divina no julgamento.

II. AS OBRAS DO CRENTE E O JULGAMENTO DE CRISTO

1. A precisão do julgamento. O julgamento será preciso, pois passará pelo crivo do justo Juiz; será comparado à passagem de materiais pelo fogo (1Co 3:13-15). Este fogo é destrutivo e não purificador; destrói apenas obras e não obreiros; causa perda e não lucro; destrói apenas o que for falso e não verdadeiro; causa apenas reprovação da obra e não do obreiro. Nessa ocasião, serão julgadas as obras – aquelas realizadas em Cristo - e não o obreiro (1Co 3:11-15). E somente duas palavras serão ali pronunciadas: aprovado ou reprovado, pois o fogo divino declarará a obra de cada um, revelará qual foi a verdadeira intenção do coração de cada crente que será julgado. O apóstolo Paulo diz que cada crente dará contas a Deus de todas as obras que houverem praticado aqui (Rm 14:11,12).

Podemos até cogitar que Galardão será destinado para os salvos, mas o apóstolo Paulo afirma que tais honrarias estarão infinitamente além do que sonha ou cogita a imaginação humana - “Mas, como está escrito: as coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”(1Co 2:9). Além da explendorosa cidade que Jesus preparou para sua Igreja (João 14:1-3; Fp 3:20), com todos os seus indivisíveis e inimagináveis atrativos, o maior galardão do crente será a presença indelével do Senhor (João 14:3; 17:24).

2. Ouro, prata e pedras preciosas. Estes elementos representam o trabalho feito com humildade e temor, para a glória do Senhor (1Co 10:31). As obras que forem comparadas a estes três materiais serão aprovadas, e os seus praticantes serão galardoados (1Co 3:13,14). Veja a nálise de cada elemento, na visão do pr. Elinaldo Renovato de Lima.

a) Obras comparadas a ouro. Na Bíblia, o ouro é símbolo das coisas de Deus, das coisas divinas (Jó 22.23-25; Ap 3.18). São obras que são feitas para a glória de Deus, feitas em comunhão com Ele, "feitas em Deus" (João 3.21), de pleno acordo com sua Palavra. O crente que glorifica a Deus com suas obras está praticando obras comparáveis a ouro (Mt 5.16). São "as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Ef 2.10). Se tratamos os irmãos e os outros com o amor de Deus, isso é comparado a ouro. Quando usamos bem os talentos dados por Deus, realizamos obras "de ouro" (Mt 25.14,20). São obras que glorificam a Deus: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus" (Mt 5.16).

b) Obras comparadas a prata. Na tipologia bíblica, a prata é símbolo de redenção. No Antigo Testamento, a redenção dos filhos de Israel era paga em prata (Ex 30.11-16; Lv 5.15; 27.3). No Novo Testamento, simboliza a redenção feita por Cristo: "sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais" (1Pe 1.18; 1Co 6.20). São obras feitas em Cristo. O crente que ganha almas, que prega a Palavra, que dá bom testemunho da sua fé em Jesus, está realizando obras de prata. Os obreiros do Senhor que cuidam bem do rebanho realizam obras de prata. Visitar os enfermos, os carentes, evangelizar, podem ser obras de prata.

c) Obras comparadas a pedras preciosas. São símbolos do Espírito Santo, ou da glória de Cristo no crente (ver João 17.22). Os crentes que possuem os dons espirituais (1Co 12) têm o adorno do Espírito Santo. São obras feitas pelo poder do Espírito Santo (Fp 3.3; Tt 3.5). São obras na unção do Espírito Santo. Evangelizar, pregar, cantar na unção, podem ser pedras preciosas. É o testemunho eloquente do servo ou da serva de Deus, andando de acordo com a sã doutrina (Tt 2.10).

3. As obras que perecerão: de Madeira; de Feno; de Palha. Estes tipos de materiais não resistem ao fogo. As obras que forem comparadas a estes três tipos de materiais não ensejarão galardões - "Se a obra de alguém se queimar, sofrera detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo" (1Co 3:15).

Veja, a seguir, uma nálise destes três elementos, conforme entendimento do pr. Elinaldo Renovato de Lima.

a) de Madeira. Na Bíblia, madeira é símbolo das coisas humanas. É uma figura da árvore, que cresce por si mesma. Há crentes que fazem muitas coisas, mas buscando a glória humana. No fogo do julgamento, elas vão desaparecer. Há quem trabalha muito nas igrejas, mas não o fazem para a glória de Deus. Logo, não terão o reconhecimento por parte do Senhor.

b) de Feno. Feno é capim, é erva seca. São obras aparentes, mas sem consistência, como erva seca (Is 15.6). É coisa perecível (Is 51.12). Representam obras de crentes que fazem muita coisa para aparecer. A preocupação deles é com a quantidade e não com a qualidade. Um monte de feno pode ser muito grande, mas, no fogo, desaparece em segundos. Não haverá galardão para esse tipo de obra. Pregar para aparecer; pregar por dinheiro; cantar para aparecer, para ter a glória dos homens, buscando o aplauso das multidões, sem dúvida alguma, são obras de feno; aparecem muito, mas não têm consistência, e já receberam seu galardão, em termos de dinheiro; nada terão lá no Céu, pois "já receberam o seu galardão" aqui mesmo (cf. Mt 6.2,5,16).

c) de Palha. A madeira tem certa consistência, mas a palha é muito fraca. Não resiste à força do fogo. O vento leva com facilidade (Sl 1.4; Jó 21.18; Os 13.3). É instável. Não pode se misturar com o trigo (Jr 23.28). Palha representa obras sem firmeza. Há crentes que não sabem o que querem na vida cristã. Vivem mudando o tempo todo. Mudam de cargo, mudam de igreja com facilidade. São levados por "todo vento de doutrina" (Ef 4.14).

- "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo" (1Co 3.15).

“Este texto mostra que haverá crentes cujas obras não serão aprovadas no julgamento de Deus, no Tribunal de Cristo. São obras mortas, obras que não têm valor diante de Deus. São obras que alguns crentes praticam, para sua própria glória, mas não glorificam a Deus. São obras feitas por muitos de modo relaxado, sem o zelo necessário a quem serve a Deus. As obras não serão recompensadas, mas "o tal será salvo, todavia como pelo fogo"; isto quer dizer que, como não se trata de julgamento de pecados, quem pratica tais obras poderá ser salvo, mas sem recompensas ou galardões. Não haverá inveja ou tristeza, pois tais sentimentos são carnais e não entrarão no Céu. Só o fato de chegar lá já será motivo de grande alegria. Mas é melhor fazer o melhor para Deus” (Elinaldo Renovato de Lima. O Final de Todas as Coisas. CPAD).

III. A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO CRENTE E OS GALARDÕES

1. Os pastores darão conta dos seus rebanhos (Hb 13:17) – “...porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas...”.

As ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo. Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhum capricho ou descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”(Atos 20:28).

No período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de liderança, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados pastores do povo de Israel. Quanto ao rei, a sua missão era aconselhar e guiar o povo de Deus (1Sm 9:16; ler Dt 17:14-20); quanto ao sacerdote, sua missão era santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores (Hb 5:1-3; ler Lv 10:8-11; 16; 21:1-24); quanto ao profeta, sua missão era preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez 2:1-10; ler Dt 18:20-22).

Todavia, a maioria dos líderes de Israel foi infiel à missão que Deus lhes entregou. Maltrataram, em vez de cuidarem das ovelhas do Senhor. Deus repudiava esses pastores relapsos e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às ovelhas que lhes confiou.

Veja o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores infiéis de Israel (Ez 34:2-6):

“2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? 3. Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.  4. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam.  6. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque”.

- "Ai dos pastores de Israel". Nota-se que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação absoluta. Aqueles homens achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor, são motivadas pelo fato de que os pastores não são "donos" do rebanho de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus, o Supremo Pastor(ver 1Pedro 5:4).

- Deus também acusa os pastores de estarem cuidando de si mesmos em vez de estarem cuidando das ovelhas: "Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos!". Como se não fosse terrível o bastante ignorarem as necessidades das ovelhas por estarem por demais ocupados consigo mesmos, esses pastores ainda tratavam as ovelhas com extrema brutalidade, pois o profeta diz: “Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas" e "dominais sobre elas com rigor e dureza". O interesse daqueles pastores estava muito mais nos benefícios materiais que poderiam receber das ovelhas: carne, gordura, lã, do que nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. Para Ezequiel, o interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio e sim no poder e no controle que exerciam sobre as ovelhas.

- O resultado direto deste descaso e ignorância não demora a ser sentido. Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem a se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se pasto para todas as feras do campo. Este é o triste fim de todas as situações de abuso espiritual que encontramos, mesmo nos dias de hoje: ovelhas dispersas, abandonadas e sendo devoradas por todos os tipos de "feras". O profeta constata esta triste realidade ao dizer: “As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro”. Ovelhas abusadas só conseguem resistir até certo ponto. Algumas chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil - a comunidade local que chamamos de igreja. Outras, não aguentando mais os abusos, preferem abandonar o redil. E os pastores demonstram algum tipo de preocupação? As palavras de Ezequiel estão repletas de desconsolo neste quesito: "as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque".

Todavia, Deus tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor”(Jr 23:1). Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente cuidar de nós.

2. Crentes darão contas de seus talentos. Todo crente recebeu algum tipo de talento (habilidades, dons) do Senhor. Uns recebem mais e outros recebem menos, pois estes são distribuidos de acordo com a acapacidade de cada um, mas todos recebem, conforme percebemos através da Parábola dos talentos proferida por Jesus (Mt 25:14-30). Nesta Parábola, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. Para um servo deu cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um.

a) O homem da parábola. A Parábola começa dizendo: ”Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens”(Mt 25:14). É claro que esse homem da parábola é o próprio Senhor Jesus. Esse homem após passar aqui na terra um período de 33 anos, fez sua viagem de volta à casa de seu Pai. Porém, antes de partir, como bom Senhor, ele não deixou seus servos ociosos e nem desamparados. Antes “... chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens”.

b) Esse homem partiu para fora da terra. Isto nos indica que haveria uma ausência física do dono dos bens. Esse período de ausência física do dono é o período da dispensação da graça (Ef 3:2,9-11), o período em que cabe à Igreja fazer aquilo que Jesus fazia, ter as mesmas atitudes que Jesus tinha enquanto esteve entre nós, de anunciar a salvação como Jesus anunciou.

A vida dos servos, então, durante este período de ausência física do dono deveria tomar conta do bem-estar do patrimônio do proprietário, até que ele voltasse. É precisamente o que significa a vida do crente enquanto estamos aqui nesta Terra. Nosso trabalho é realizar as obras do dono que se ausentou fisicamente. Desde o momento em que Jesus foi ocultado da visão física dos discípulos (At 1:9), os seus servos não podem ficar inertes ou perplexos, mas devem fazer o que Ele fazia até a sua volta (At 20:24).

c) A prestação de contas (Mt 25:19). Aqui, Jesus nos ensina que teremos de prestar contas quando o Senhor voltar. Sua volta é certa. Demorará, conforme se depreende da parábola, mas acontecerá de forma inevitável. Quando o Senhor chegar, deveremos nos apresentar com os talentos que nos foram confiados, pois, na eternidade apenas as nossas obras nos seguirão (Ap 14:13). Estas obras serão manifestadas a todos e, no Tribunal de Cristo, passarão pelo teste do fogo, pela prova divina e, então, o trabalho que cada um fez por meio do corpo se revelará de forma inapelável diante daquele em que tudo está nu e patente (Hb 4:13).

d) Muito tempo depois o senhor veio e fez contas com eles. É interessante notar, em primeiro lugar, que Jesus fala em “muito tempo depois”. A parábola, portanto, indica que a dispensação da Igreja, o tempo destinado para os servos negociarem, seria extenso. Tudo parecia indicar que nada aconteceria, que a desobediência ficaria impune e que o labor dos servos obedientes tinha sido em vão, um zelo dispensável e desnecessário. Mas, sem que alguém esperasse, chegou o dia do retorno do senhor e, com ele, a prestação de contas. Mais uma vez, Jesus mostra que chegará o Dia em que deveremos prestar contas pelos nossos atos - Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus(Rm 14:12).

e) O julgamento apresentado na parábola começa com os servos fiéis (Mt 25:19-23). Os servos apresentaram as suas obras e, em tendo sido elas aprovadas, tiveram a oportunidade de serem reconhecidos pelo Senhor e de serem convidados a entrar no seu gozo. Este julgamento mostra-nos a realidade do Tribunal de Cristo. Nele, os salvos serão julgados pelo que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (2Co 5:10). O Senhor, ali, verificará o que foi dado ao servo e o que ele granjeou com o que lhe foi dado. A mensagem dada ao servo que recebeu cinco talentos é absolutamente idêntica ao que recebeu dois talentos, uma vez que o trabalho de ambos foi, também, igual. Ambos duplicaram os talentos que receberam, ambos exerceram a plenitude de sua capacidade na obra do Senhor, ambos tiveram dedicação integral, de sorte que ambos tiveram o mesmo galardão. Não foi, porém, pelas obras que cada um chegou ao gozo do Senhor, mas pela sua fidelidade e obediência.

f) O julgamento do servo mau (Mt 25:24-30). O julgamento do servo mau não diz respeito ao Tribunal de Cristo. Aqui, o Senhor refere-se ao Juízo Final ou Juízo do Trono Branco, já que os ímpios serão julgados nesta oportunidade, onde haverá, sim, condenação, ao contrário do Tribunal de Cristo, onde os que forem julgados jamais perderão a salvação, ainda que sejam salvos como que pelo fogo (1Co 3:15).

O servo mau surge com desculpas, num comportamento bem diferente daquele que foi apresentado pelos servos bons. Assim procede o homem no pecado: tenta sempre encontrar uma justificativa para o seu erro, mas a Bíblia diz que os pecadores são inescusáveis, ou seja, não têm quaisquer desculpas diante de Deus (Rm 1:20).

Veja as desculpas do servo mau.

- Em primeiro lugar ele mentiu, pois alegou que conhecia o Senhor (Mt 25:24). Se conhecesse, mesmo, o Senhor, teria se empenhado em negociar os talentos. Quem o diz é o próprio Senhor, na Parábola, que afirma que, pelo menos, o servo mau deveria ter se preocupado em não causar a perda do poder aquisitivo do patrimônio que lhe fora confiado (Mt 25:26).

- Em segundo lugar, ele acusou o Senhor de “homem duro”, que ceifava onde não semeara e ajuntava onde não espalhara (Mt 25:24). Vemos aqui a segunda característica do pecador: ele sempre culpa Deus pelas suas próprias faltas. Quantos, nos nossos dias, não têm culpado Deus, negado até a existência de Deus? Quantos não acusam Deus de ser impiedoso e cruel porque mandará pessoas para a perdição eterna, e, enquanto o fazem, pecam desmedidamente, escandalizam o evangelho, muitas vezes até, sob a longanimidade deste mesmo Deus injustamente acusado?

- Em terceiro lugar, o servo mau chama o Senhor de ladrão (Mt 25:24) – “...que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste...”. Colher onde não se semeou é invadir terreno alheio, é apropriar-se do alheio, é chamar o Senhor de ladrão.

- Em quarto lugar, o servo mau chama o Senhor de cobiçoso (Mt 25:24). Ajuntar onde não se espalhou é uma expressão proverbial que indica um desejo ilegítimo de crescimento, uma ganância. O servo mau, entretanto, ao assim se referir ao Senhor denuncia a sua própria ganância. Ele havia se apropriado indevidamente do talento recebido e o enterrara porque sabia que tudo que granjeasse seria do Senhor e não dele.

- Em quinto lugar, o servo mau diz que teve medo do Senhor (Mt 25:25). Não adianta ter medo de Deus. É preciso ter respeito, reverência, mas não medo. O servo mau alegou ter medo de Deus e por isso não lhe obedeceu. É assim mesmo: quem tem medo não obedece. Pode até fazer o que se manda, mas isto não é obedecer, pois a obediência é uma ação voluntária, não forçada. Não podemos mostrar aos homens um Deus irado, cruel e pronto a castigar. O medo de Deus não resolve. Na Grande Tribulação, os homens terão medo de Deus, que estará derramando terríveis juízos sobre a Terra, mas não se arrependerão de seus pecados, pois medo não transforma, não torna ninguém obediente.

- Em sexto lugar, o servo mau não devolveu corretamente o que havia recebido do Senhor - ele mentiu mais uma vez, ao dizer ao Senhor: “aqui tens o que é teu (Mt 25:25). Diante do longo tempo decorrido, o talento devolvido não tinha o mesmo valor do talento que havia sido entregue. O tempo passou e, como a vida é dinâmica, o patrimônio recebido se desvalorizou, tanto que o Senhor diz que, se o servo mau quisesse mesmo apenas devolver o que lhe havia sido dado, teria entregado o talento ao banqueiro para que este o negociasse e, assim, não haveria perda de valor. O servo mau se apropriou de parte do valor do talento ilegitimamente, pois não era o dono. Assim ocorre com aquele que não usa o dom que Deus lhe deu. Ele retém ilegitimamente e o dom não será simplesmente devolvido ao Senhor, pois haverá um prejuízo irreparável, pois o bem que deveria ter sido feito com aquele dom, a glória que deveria ter sido dada a Deus através daquele dom, nunca terá sido concretizada e, como sabemos, quatro coisas não voltam atrás: o tempo passado, a oportunidade perdida, a palavra dita e a pedra atirada. O servo mau não teria mais condições de repor o valor perdido e, por isso, era praticante de uma injustiça, de uma iniquidade.

CONCLUSÃO

Que possamos, no momento da prestação de contas no Tribunal de Cristo, sermos achados fiéis e diligentes, e não servos negligentes. “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim” (Mt 24:46). Que possamos estar sempre prontos trabalhando na obra do Senhor, e aproveitando todo o tempo dispensado a nós, usando todos os nossos talentos na obra de Cristo, para que naquele Dia, no Tribunal de Cristo, não sejamos envergonhados na presença do justo Juiz, mas que possamos ouvir a célebre palavra dEle proferida a nós: “foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25:21).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

Manual de Escatologia (uma análise detalhada dos eventos futuros). J. Dwight Pentecost. Vida.

Joel Leitão de Melo - Sombras, Tipos mistérios da Bíblia.

Vem o Fim, o Fim Vem. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD. 2004.

Revista Ensinador Cristão – nº 65. CPAD.

Elinaldo Renovato de Lima – O Final de Todas as Coisas. CPAD.

Caramuru Afonso Francisco. O Serviço Cristão.PortalEBD_2008.