domingo, 28 de março de 2010

Aula 01 - JEREMIAS, O PROFETA DA ESPERANÇA

Leitura Bíblica: Jeremias 1:1-10
A ser ministrada em: 04/04/2010

Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta”(Jr 1:5)

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos o livro e a vida de Jeremias, um dos mais sensíveis profetas do Antigo Testamento. Pertencente à classe sacerdotal, foi escolhido por Deus para ser profeta e dizer ao povo a sua Palavra. Como profeta, desejoso de que seu povo ouvisse suas palavras, ele se viu em diversas ocasiões tomado pela angústia de sua própria profecia, sendo chamado de “profeta das lágrimas”(Jr 14:17). Como profeta, certamente, essa não era uma situação muito confortável, pois um sacerdote não precisava confrontar o povo com seus pecados, e sim cumprir os rituais prescritos na lei de Moisés. Os profetas tinham de confrontar seus ouvintes de forma que estes se voltassem para Deus e mudassem seus corações. Jeremias confrontou muitos israelitas que pecavam contra Deus: reis, falsos profetas, aqueles que serviam nos templos e assentavam-se nos portões da cidade.
Apesar da mensagem de Jeremias ser firme, clara e contundente, o povo de Judá não se arrependeu dos seus pecados. Essa falta de arrependimento fez com que Jeremias pensasse se realmente ele fez algo bom. Frequentemente o profeta se sentia desencorajado e amargurado. Pregar mensagens de condenação era uma tarefa difícil.
Nós também temos a responsabilidade de pregar o arrependimento a este mundo perdido. Os que se reconhecerem como pecadores e buscarem o perdão de Deus em Cristo serão salvos do Juízo. Aqueles que continuarem em seus caminhos pecaminosos serão eternamente condenados. Embora possamos sentir-nos desencorajados pela falta de resposta, devemos falar a todos sobre as conseqüências do pecado e sobre a esperança que Deus oferece.
A TEOLOGIA DO LIVRO DE JEREMIAS
É o segundo maior livro da Bíblia, pois contém mais palavras (não capítulos) do que qualquer outro livro, exceto Salmos. É essencialmente uma coletânea das profecias de Jeremias, dirigidas principalmente a Judá(2-29), mas também a nove nações estrangeiras(46-51); estas profecias focalizam principalmente o juízo, embora haja algumas que dizem respeito à restauração(ver Jr 30 -33).
O livro inicia com o chamado de Jeremias para ser profeta. O tema básico da mensagem de Jeremias é simples: Israel deveria arrepender-se e voltar-se para Deus, caso contrário Ele castigaria a nação. Como o povo rejeitou esta advertência, Jeremias começou a predizer a destruição de Jerusalém. Este acontecimento terrível é descrito no capítulo 39. Os capítulos 40 a 45 descrevem os fatos que se seguiram à queda de Jerusalém. O livro termina com profecias relativas a várias nações (Jr. 46-52).
Muitas das profecias de Jeremias foram cumpridas durante a própria vida do profeta (16:9; 20:4; 25:1-14; 27:19-22; 28:15-17; 32:10-13; 34:1-5); outras, que envolviam o futuro distante, foram cumpridas posteriormente, ou ainda estão por se cumprir(23:5,6; 30:8,9; 31:31-34; 33:14-16).
Autoria. O autor do livro é indicado com clareza: Jeremias (1:1). Depois de profetizar durante vinte anos a Judá, Jeremias foi ordenado por Deus a deixar a sua mensagem por escrito. Assim o fez, ao ditar suas profecias a seu fiel secretário, Baruque (36:1-4). Visto que Jeremias estava proibido de comparecer diante do rei, enviou então Baruque para ler as profecias no templo. Depois disso, Jeudi as leu diante do rei Jeoaquim. O monarca demonstrou desprezo a Jeremias e à palavra do Senhor ao cortar e queimar o rolo (36:22,23). Jeremias voltou a ditar suas profecias a Baruque, e dessa vez incluiu até mais do que estava no primeiro rolo.
Em Jeremias, temos um quadro bem claro a respeito da fidelidade e da rebeldia. Deus vela pela Sua Palavra para a cumprir(Jr.1:12) e, assim, executa o devido juízo ao povo impenitente que se recusa a se arrepender, mas também honra aqueles que O servem com fidelidade. O mesmo Deus que ama o povo e o conclama ao arrependimento, é o que manda o povo para o cativeiro, mas, em meio a este juízo, guarda e conserva a vida daqueles que lhe obedecem, como foi o caso do profeta Jeremias, de Baruque e até, mesmo, do eunuco Ebede-Meleque. Em Jeremias, vemos Cristo retratado como sendo o "Renovo justo de Davi" (Jr.23:5).
Embora Israel e Judá tivessem transgredido, repetidas vezes, os concertos com Deus, sendo, posteriormente, arruinados como castigo por sua rebeldia, Jeremias profetizou a respeito de um dia em que Deus faria com eles um novo concerto (31: 31). O Novo Testamento deixa claro que esse novo concerto foi instituído com a morte e ressurreição de Jesus Cristo (Lc.22:20; Mt.26:26-29; Mc.14:22-25), está sendo cumprido agora na Igreja, que é o povo de Deus segundo o novo concerto (Hb 8:8-13), e chegará ao seu clímax na grande salvação de Israel (Rm 11:27).
Resumo. Podemos resumir a teologia do livro de Jeremias da seguinte forma: O julgamento de Deus cairia sobre Judá por ter quebrado o concerto com Ele. O povo adorava outros deuses, e os líderes religiosos e civis eram desesperadamente corruptos. Espada, praga e fome devastariam a terra e muitos seriam levados em cativeiro. Deus também julgaria as nações arrogantes e subsequentemente restabeleceria o povo à Terra Prometida. Faria um novo concerto com os reinos do Norte e do Sul reunidos e no lugar dos reis e sacerdotes ineficazes dos dias de Jeremias colocaria um rei davídico ideal (o Messias) e um sacerdócio purificado.

I. A ORIGEM SACERDOTAL DO PROFETA JEREMIAS

A terra natal de Jeremias chamava-se Anatote (1:1; 29: 27), hoje Anata, uns 6 km ao nordeste de Jerusalém. Descendia de uma família sacerdotal (1:1). O nome do seu pai era Hilquias, mas, sem dúvida, não era o sumo sacerdote do mesmo nome que descobriu o livro da lei (2Rs 22:8). Designa-se ao pai de Jeremias como "dos sacerdotes", e não "o sacerdote" ou "o sumo sacerdote". O fato de que Jeremias vivesse em Anatote significa que era descendente de Eli e da linhagem de Abiatar, que foi deposto por Salomão do sumo sacerdócio (1Rs 2:26-27).
Jeremias é mais um exemplo bíblico de que quando um homem tem uma chamada de Deus para o Ministério, no tempo de Deus ele será encontrado esteja onde estiver. Creia nisso! Jeremias não nasceu, não estudou e nem morava em Jerusalém, a capital do Reino, o centro nevrálgico de todas as decisões políticas e religiosas. Ele nasceu e vivia na pequena Anatote. Era, por assim dizer, um jovem do “interior”.
Quem tem uma chamada de Deus, não precisa correr atrás da consagração, não precisa deslocar-se para os grandes centros, não precisa procurar “aparecer”, usando meios condenáveis, como a “bajulação” e a hipocrisia. Quem tem uma chamada de Deus, para o Ministério, será encontrado por Deus, mesmo que more em “Anatote”.

II. A VOCAÇÃO DE JEREMIAS

1. O jovem Jeremias(1:6). “Então, disse eu: Ah! Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar; porque sou uma criança”.
Jeremias, como diz o texto bíblico, pertencia à tribo de Levi e habitava na área ocupada pela tribo de Benjamim, mas foi escolhido desde o ventre de sua mãe pelo Senhor para trazer uma mensagem altamente impopular para o povo de Judá(Jr.1:5), qual seja, a de que eles seriam levados cativos para a Babilônia. Ele profetizou a partir do décimo - terceiro ano do reinado de Josias (Jr.1:2) e seu ministério perdurou até alguns anos depois da destruição do templo em Jerusalém. Não sabemos a idade de Jeremias quando foi chamado por Deus ao ministério profético. Alguns estudiosos dizem que ele tinha aproximadamente a mesma idade que Josias, a saber, entre 21 e 27 anos. Observe que Josias começou a reinar com 8 anos(2Rs 22:1). A chamada de Jeremias deu-se no 13º ano de Josias(Jr 1:2).
Antes de ele nascer, Deus já havia determinado que ele seria profeta(1:5). Seu ministério abrangeu os últimos quarenta anos da nação, inclusive os dias que precederam a destruição de Jerusalém e a deportação do povo de Deus a Babilônia (627 – 586 a.C). Ministrou durante os reinados de Josias, de Jeoacaz, de Jeoaquim, de Joaquim e de Zedequias. Durante esse período, a nação manteve-se rebelde contra Deus e confiava nas alianças políticas para conseguir livrar-se dos inimigos. Seu ministério perdurou por mais alguns anos depois da destruição do templo em Jerusalém. Parte da tradição judaica diz que ele morreu no Egito, para onde foi levado, contra a sua vontade, pelos judeus rebeldes comandados por Azarias e Joanã (cf. Jr 43:4-7).
Ao nascer, todos os homens estão dotados de certas possibilidades, mas eles são responsáveis de desenvolver plenamente essas aptidões. Do mesmo modo, Deus hoje tem um plano para cada pessoa. O lugar específico assinalado para nós na vida é determinado por Deus utilizando nossas aptidões. Devemos descobrir qual é esse lugar e procurar cumprir o propósito e o plano que Deus tem para nós.
2. O chamamento de Jeremias(Jr 1:5). “Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te consagrei e às nações te dei por profeta”.
A chamada de Jeremias baseou-se numa profunda iniciativa de Deus, e deu-se antes mesmo de ser concebido. O texto enfatiza a ação soberana de Deus, usando quatro verbos na primeira pessoa: “te formei”; “te escolhi”, “te consagrei”; “te dei”. Jeremias não tem “escolha”, ele está sendo convocado para uma missão, devendo submeter-se alegremente ao chamado eficaz de Deus.
Jeremias foi chamado ao ofício profético aproximadamente em 626 a.C., no 13º ano do reinado de Josías (1:2). Pela sua linhagem, poderia ter exercido o ofício levítico, o que lhe teria proporcionado prestígio e segurança. Em Israel, diz Flávio Josefo, os sacerdotes eram honrados como se pertencessem à nobreza. Mas, os nossos caminhos nem sempre são os caminhos de Deus(Is 55:8). Pouco depois Deus ordenou ao profeta que pregasse em Jerusalém (2:2); mas não limitou seu ministério a Jerusalém; pregou em todas cidades de Judá (11:6).
Jeremias conclamou o povo a arrepender-se dos seus pecados e os advertiu que não escapariam do castigo por rejeitarem a Deus e à sua lei. Por causa da sua mensagem de julgamento e da sua devoção ao Senhor, Jeremias enfrentou muita oposição e sofrimento.
Jeremias - um Profeta da undécima hora. Jeremias foi o último profeta, antes do Cativeiro. Judá seria levado para o exílio durante o seu ministério, e Jeremias tinha consciência disto. Isto explica o porquê de ele ser conhecido como “O Profeta das lágrimas”. Ele chorou muito, face a dureza do povo e a certeza de que o juízo de Deus se aproximava. Ele dizia - “Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos numa fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite os mortos dos filhos do meu povo” (9:1).
Tudo indica que nós somos os pregadores da undécima hora. A meia-noite parece estar chegando, e poderá acontecer no tempo de nosso ministério. Pergunte a você mesmo se está havendo em nós, o mesmo sentimento que houve em Jeremias.
Jeremias não tinha a mensagem que o povo queria ouvir. Jeremias tinha uma firme convicção de que o Cativeiro seria inevitável, se não houvesse arrependimento. Daí, sua preocupação era falar o que Deus queria que ele falasse, e não o que o povo queira ouvir.
Jeremias tinha uma experiência pessoal com Deus, tinha uma viva convicção de sua chamada, estava cônscio da responsabilidade do Ministério Profético que recebera. O Senhor havia dito: “... porque aonde quer que te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás” (1: 7). Jeremias tinha um compromisso com Deus e com Sua Palavra.
O povo, a Casa Real, os sacerdotes e demais líderes religiosos, todos estavam vivendo numa situação de miserabilidade espiritual, atolados na lama do pecado, da imoralidade, da idolatria... e o tempo do juízo se aproximava. Nesta condição, a mensagem de Jeremias não podia ser uma mensagem bonita, falando de prosperidade e de bênçãos, em abundância. Jeremias pregava a necessidade de arrependimento, de conversão, de santificação. Era uma mensagem dura, “feia”, mas verdadeira. Não era o que o povo queria ouvir. Era o que o povo precisava ouvir.
Os falsos profetas pregavam mensagens “bonitas”, vendiam ilusões, enganavam o povo (23:16, 21). Esses profissionais da religião, enganavam o povo, para tirar proveito pessoal. Não foram chamados, não tinham compromisso com Deus, não conheciam Sua Palavra. Falavam aquilo que o povo queria ouvir - e eram aplaudidos. Pregavam abundância de bênçãos, de prosperidade, de libertação material para um povo afundado no pecado e na idolatria (5:12;8:11;14:13,15). Pelo visto, a base para esta falsa mensagem de esperança era que a nação possuía a lei mosaica (8:8) e o Templo do Senhor estava entre eles (7:4). Todavia, o Senhor ressaltou que não achou os sacrifícios aceitáveis (6:20). Deus também deixou claro que a presença do Templo não cera garantia de segurança. Para apoiar o argumento, destacou Silo, que outrora fora o local do Tabernáculo, foi mais tarde abandonado por Deus. Se o povo não se arrependesse, o Monte do Templo seria destruído como Silo fora( 7:12-14); 26:6,9). Isso foi cumprido literalmente, como vemos hoje.
3. A relutância do profeta (Jr 1:4-10). O jovem Jeremias fica aterrorizado ante a idéia de ser profeta. Foi assaltado pelo sentimento de indignidade; sua natureza rejeitava uma tarefa que o obrigaria a ser diferente de seus contemporâneos. Como o indica uma amarga queixa posterior (15: 10), temia a inimizade dos homens e dos falsos profetas.
3.1 A objeção de Jeremias:
a) “Eu não sei falar”(1:6). Jeremias argumentou que carecia da eloqüência necessária para exercer o ofício profético. Um profeta deve dirigir-se a pessoas importantes e a grandes multidões. Como não era um hábil orador, como poderia atrair o atendimento do povo ou influenciar nele em favor de Deus? (compare com Ex 3:11; 4:10.) Pensou que não poderia expressar suas mensagens na linguagem apropriada.
b) “Eu sou uma criança”(1:6). Sou uma criança, diz o jovem Jeremias, dando a entender que a sua falta de capacidade era devida à sua juventude. Todavia, esta objeção é arredada no próprio momento em que é feita, e o futuro profeta se sujeita com pleno consentimento da sua personalidade - atitude típica de Jeremias, para quem a vontade de Deus deve vir em primeiro lugar, logo que for conhecida.
3.2. Deus não admite desculpas.
a) “Não digas (1:7). Deus se negou a aceitar as escusas do profeta, e respondeu com uma declaração categórica de sua vontade. Quando Deus ordena, estão fora de lugar os pensamentos que giram em torno do eu. Só resta um caminho: a completa obediência. Jeremias devia ir a qualquer parte e dirigir-se a qualquer pessoa que Deus escolhesse, sejam eles reis idólatras, sacerdotes corruptos, profetas mentirosos, juízes injustos. Jeremias declarou: "Não sei falar"; mas Deus lhe respondeu: "tudo quanto te mandar dirás”.
b) “Não temas... Eu estou contigo” (1:8). Deus prometeu ajudar e proteger seu profeta. A convicção de que Deus o acompanhava, fez que Jeremias se elevasse por cima de seu temor e timidez; tornou-o invencível. Foi perseguido por muitos inimigos poderosos, e com freqüência esteve em grave perigo por causa de seus ensinos impopulares e sua dura condenação da impiedade. Mas esta promessa, repetida ao menos duas vezes (Jr 1:19;15:20), foi uma fonte de imensa fortaleza e de grande consolo para Jeremias.
Do mesmo modo é a maravilhosa e refrigerante promessa de Jesus: "Eu estou convosco todos os dias" (Mt 28:18-20). Ela é motivo de ânimo e fortaleza para os cristãos que procuram obedecer a grande comissão de pregar o Evangelho.
Não importa qual a tarefa que você esteja executando para Deus, Ele sempre promete sua presença e ajuda constante, se você permanecer firme, com sua fé posta nEle.
c) “Eis que ponho as minhas palavras na tua boca”(1:9). Deus tocou nos lábios de Jeremias, tal como fez com Isaias(Is 6:6-7), tornando-o Seu mensageiro, com poder para destruir ou recriar. Jeremias se sentiu seguro de que não teria incerteza em sua mensagem. Sairia a pronunciar as palavras que o Espírito de Deus colocasse em seu coração (Jr 5:14; 15:16).
Uma das características mais importantes que devem marcar o ministério profético é a certeza de que aquilo que os profetas falam é a Palavra de Deus(2Pe 1:21). Mesmo aqueles que utilizam a pregação e a exposição das Escrituras devem ter o cuidado absoluto de não adulterar aquilo que está escrito. Jeremias profetizou e falou aquilo que Deus ordenara. Nem mais nem menos.

III. O ESTADO CIVIL DE JEREMIAS

O Senhor proibiu Jeremias de se casar e criar filhos, uma vez que o juízo divino iminente contra Judá aniquilaria a geração seguinte. Na verdade, esta era uma das restrições que Jeremias teve da parte de Deus, que serviriam de lições práticas para o povo ao chegar a hora do julgamento. É o que diz o texto sagrado: “Não tomarás para ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar. Porque assim diz o SENHOR acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca de suas mães que os tiverem e de seus pais que os gerarem nesta terra: Morrerão de enfermidades dolorosas e não serão pranteados nem sepultados; servirão de esterco para a terra; e, pela espada e pela fome, serão consumidos, e os seus cadáveres servirão de mantimento às aves do céu e aos animais da terra”(16:1-4).
O crente pode permanecer solteiro por tempo indeterminado para realizar propósitos específicos de Deus. Todavia, isso requer não somente domínio próprio, mas um DOM (capacitação sobrenatural conferido por Deus) especial da graça divina, o qual não é concedido a todos. Disse o apóstolo Paulo: “... cada um tem de Deus o seu próprio dom, um deste modo, e outro daquele”. Paulo quis dizer que Deus dá graça a alguns para permanecerem solteiros, mas chama outros inequivocamente para se casarem. Trata-se de um assunto individual e, portanto, não convém adotar nenhuma legislação geral aplicável a todos.
Veja o conselho de Paulo aos solteiros que desejam permanecer neste estado: “Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu”(7:8). Ele aconselha, portanto, aos solteiros e às viúvas que permaneçam no estado em que também ele está. A recomendação de Paulo aqui é meramente por causa das condições sombrias que a igreja estava passando ou ia passar naquela época. E nesta situação a vida conjugal seria muito difícil.
Jesus também abordou esse assunto em Mateus 19:12: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o”. Vejam que coisa, onde já se viu! Por que Jesus puxa exatamente o assunto de eunuco a essa altura? Porventura eunuco tem relações sexuais? Parece claro: Jesus está dizendo que quem deseja estar solteiro deve então viver como "eunuco": nada de casamento, logo, nada de prática sexual extraconjugal.

IV. A POSTURA PROFÉTICA DE JEREMIAS

O ministério profético de Jeremias é um dos mais sofridos de todas as Escrituras e revelam quanto se deve padecer para cumprir a vontade de Deus. Mais de uma vez Jeremias foi preso como também teve sua morte determinada(cf (11:18-23; 26:6-11; 37:11-15; 38:6; 38:14-28)., mas apesar de todas estas vicissitudes, manteve-se fiel à chamada do Senhor, tendo o Senhor sempre conservado a vida do Seu leal servo.
A mensagem profética de Jeremias é dura e é um chamado para que o povo se arrependesse de seus pecados, que eram muitos e capitaneados por uma aberta idolatria. Mas, apesar da mensagem dura e impopular, Jeremias não deixou de apresentar uma mensagem de esperança para o povo, definindo que o cativeiro somente duraria setenta anos(Jr 25:11,12;29:10) e que Deus faria um novo concerto com o Seu povo, um concerto melhor que o atual, de uma nova dimensão espiritual(Jr.31:31,32). Jeremias, também, não deixou de anunciar o Messias, demonstrando claramente que a impiedade dos ocupantes do trono de Judá de seu tempo em nada havia podido alterar o pacto que Deus havia selado com Davi (Jr 23:5,6).
De acordo com os padrões humanos, a pregação de Jeremias foi um fracasso, embora ele não tenha falhado em sua tarefa, permanecendo fiel a Deus.
Nosso sucesso não deve ser medido pela aceitação ou pela rejeição das pessoas. Somente a aprovação de Deus deve ser o padrão de nosso serviço. Devemos levar a mensagem do Senhor a outros, mesmo quando formos rejeitados. Devemos fazer a obra de Deus, ainda que isto signifique sofrer.

CONCLUSÃO

Assim como Deus tinha um plano para a vida de Jeremias, Ele também tem um para cada pessoa. Seu alvo é que o crente viva segundo a sua vontade e deixe que Ele cumpra seu plano em sua vida. Assim como no caso de Jeremias, viver segundo o plano de Deus pode significar sofrimentos; porém Deus sempre opera visando o melhor para nós. Está escrito: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto”(Rm 8:28).
-----------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br, e no Blog: http://luloure.blogspot.com/
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – Jeremias. Teologia do Antigo Testamento – Roy B. Zuck

quinta-feira, 18 de março de 2010

Aula 13 - SOLENES ADVERTÊNCIAS PASTORAIS

Leitura Bíblica: 2 Coríntios 12.19-21; 13.5,8-11
28 DE MARÇO DE 2010

"Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos" (2 Co 13.5a).
INTRODUÇÃO
Com esta aula concluímos o estudo da 2ª carta do apóstolo Paulo aos corintios. É a sua carta mais pessoal. Nela, ele abriu o coração e falou de suas experiências mais íntimas, de suas dores mais profundas e de seu amor mais puro. De todas as igrejas que Paulo plantou, nenhuma recebeu tanto cuidado pastoral, conselhos e visitas quanto a igreja de Corinto. Também nenhuma igreja significava tanto para ele do que a dificultosa comunidade de Corinto. Por outro lado, nenhuma lhe fez sofrer tanto. Ele experimentou grande sofrimento, perseguição e oposição em seu ministério. Agora, Paulo se prepara para a terceira visita àquela igreja. Não será uma visita amistosa, mas confrontadora, conciliadora e, ao mesmo tempo, disciplinar(13:1,2). Sua responsabilidade pastoral era muito grande, por isso, esforçava-se para consolidar a fé dos santos que viviam em Corinto. Caso não haja arrependimento terá de disciplinar os faltosos. Contudo, antes de viajar para Corinto, ora a Deus para que a igreja emende seus caminhos e busque uma vida de perfeição.
I. PREOCUPAÇÕES PASTORAIS DE PAULO (12.19-21)
1. Preocupação com o estado espiritual dos crentes (12:19).
Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação”.
Aqui é demonstrado que o motivo evidente de Paulo não era obter a aprovação dos corintios, mas possibilitar sua edificação espiritual. Diz o apóstolo:”tudo isto, ó amados, para vossa edificação”. Quando afirma que tudo fora feito “para vossa edificação”, Paulo se refere possivelmente a tudo quando já disse, fez e escreveu(de modo particular a carta que ora estudamos), que os corintios poderiam erroneamente ter interpretado como mera autodefesa. Ele reitera, também, com essas palavras, o propósito do ministério apostólico: edificar a igreja(cf 10:8; 13:10). Deve-se notar que depois de todas aquelas palavras fortes, toda aquela ironia dos caps. 10 –12, o verdadeiro sentimento de Paulo pelos cristãos de Corinto emerge de novo no vocativo “ó amados”(cf 11:11;12:15). Era o amor de Paulo pela igreja coríntia, bem como seu desânimo, porque um evangelho falso estava sendo proclamado. O apóstolo desejava fortalecê-los na vida cristã e adverti-los acerca dos perigos que os cercavam. Estava mais interessado em ajudá-los do que em defender sua própria reputação.
2. O temor de Paulo em relação à igreja de Corinto. Ao visitar Corinto, Paulo teme encontrar os crentes despreparados espiritualmente. Havia duas áreas vulneráveis na vida daqueles crentes:
a) A área dos relacionamentos(12:20). “Temo, pois ,que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero, e que também vós me acheis diferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos”.
Paulo teme que haja entre os crentes: contendas, isto é, rivalidade e competição, discórdia acerca de prestígio; invejas, isto é, o desejo mesquinho de ter o que não lhe pertence; iras, isto é, explosões repentinas que leva a pessoa a fazer coisas das quais se arrependerá amargamente; porfias, isto é, ambição egoísta, centrada em si mesma, que jamais se dispõe a servir o próximo; detrações, isto é, ataque frontal, insultos e acusações lançados em voz alta e em público; intrigas, isto é, campanha de murmurações e maledicência espalhada de ouvido em ouvido, buscando desacreditar a pessoa; orgulho, isto é, conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba; e tumulto, isto é, a anarquia.
Todos esses pecados estão ligados à área dos relacionamentos. A igreja de Corinto era um amontoado de gente, mas não uma família unida. Eles não agiam como um corpo, em que cada membro coopera com o outro. Ao contrário, estavam devorando uns aos outros pelas contendas e intrigas. Paulo, então, ciente disso, não podia, como pastor, deixar de tratar esses pecados que haviam comprometido a qualidade espiritual daquele rebanho. Portanto, ele toma atitudes disciplinares severas, a fim de que por ocasião de seu retorno à igreja de Corinto não encontrasse os mesmos problemas.
b) A área da pureza sexual(12:21). “Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram”.
Paulo temia encontrar muitos crentes ainda prisioneiros dos mesmos pecados e aberrações sexuais que caracterizaram sua vida pagã. Esses pecados listados revelavam uma completa decadência moral. Lendo essa lista, nem parece tratar-se de uma igreja com tantos dons. Contudo, isso significa que a espiritualidade de uma igreja não pode ser avaliada pela quantidade de dons, mas pelo seu caráter e amor a Deus e ao próximo.
Impureza é tudo aquilo que impede que um homem tenha comunhão com Deus. É o oposto de pureza.
Prostituição é a promiscuidade no relacionamento sexual.
Lascívia indica o desacato deliberado da decência em público. É a atitude da alma que desconhece os limites da disciplina. Trata-se de pessoas que não aceitam restrições nem tem compromisso com a decência. Não se importa com a opinião pública, tampouco com sua própria reputação.
Tais pecados estavam corrompendo os bons costumes, anulando a ética cristã e promovendo dissensões e divisões entre os crentes de Corinto.
II. O PROPÓSITO DA DISCIPLINA DA IGREJA POR PAULO (12.21; 13.2-4)
Havia na igreja de Corinto um grupo que dava guarida ao ensino dos falsos apóstolos. Não apenas a teologia deles estava errada, mas também a vida deles estava em descompasso com a verdade. Havia não apenas oposição a Paulo(13:3), mas também relacionamentos quebrados(12:20) e imoralidade na vida desses membros(12:21).
Paulo está indo a Corinto com o propósito de instaurar um tribunal e disciplinar aos que insistem na prática do erro. Na sua primeira visita a Corinto, Paulo implantou a igreja. Sua segunda visita foi dolorosa e precisou sair da cidade sem solucionar os graves problemas que a atacavam; porém, enviou à igreja Tito, para pôr em ordem a situação pendente. Mas, agora, está pronto a ir à igreja pela terceira vez e dessa feita não poupará aqueles que de forma contumaz permanecem no erro. Ele poderia: (a) confrontar e denunciar publicamente o comportamento deles; (b) exercer a disciplina, chamando-os à presença dos líderes da igreja; ou c) excluí-los da igreja.
1. Promover a paz e o arrependimento dos pecadores (12.21; 13.2). Para levar os pecadores ao arrependimento, Paulo teria de ser rigoroso em sua repreensão. Os problemas de ordem moral exigiam uma postura firme do apóstolo. Caso contrário, as ações diabólicas para destruir a igreja não seriam neutralizadas. A disciplina deveria ser imposta de maneira firme e exemplar. Com respeito à isso duas coisas devem ser ressaltadas:
a) A acusação contra os pecadores precisa ser fundamentada(13:1). “É esta a terceira vez que vou ter convosco. Por boca de duas ou três testemunhas, será confirmada toda palavra”.
Aqui, Paulo está aplicando um princípio da lei mosaica de que nenhuma acusação deve ser recebida contra alguém sem ser consubstanciada por duas ou três testemunhas(Dt 19:15). Este mesmo princípio foi referendado por Jesus(Mt 18:16; João 8:17). Agora, Paulo está dizendo que aplicará o mesmo critério para disciplinar os faltosos(1Tm 5:19). Ao tratar do pecado na igreja devemos saber dos fatos, não apenas dos boatos.
b) A disciplina precisa ser aplicada(13:2).Já anteriormente o disse e segunda vez o digo, como quando estava presente; mas agora, estando ausente, o digo aos que antes pecaram e a todos os mais que, se outra vez for, não lhes perdoarei”.
Considerando que seu apostolado tinha sido concedido pelo Senhor Jesus e que este era seu modelo de líder-servidor, nada mais coerente do que a postura rígida de Paulo contra os pecadores impenitentes. Depois de alertar os coríntios algumas vezes, Paulo está disposto a não mais retardar a disciplina de alguns membros que estavam vivendo de forma escandalosa, na prática da imoralidade, e se recusavam a emendar seus caminhos, bem como aqueles que aprovavam sua atitude. Ele não pretende inocentar pecadores impenitentes.
O pecado é como fermento na massa. Se não for removido, contamina toda a igreja. A disciplina visa a proteção da igreja e a correção do faltoso. A disciplina, portanto, é um ato responsável de amor, e Paulo está pronto a aplicá-la na sua terceira viagem a Corinto.
2. Afirmar o caráter cristão de seu apostolado (13.3). “visto que buscais uma prova de Cristo que fala em mim, o qual não é fraco para convosco; antes, é poderoso entre vós”.
Influenciados pelos falsos apóstolos, alguns crentes de Corinto que teimavam em viver na prática do pecado buscavam provas contra Paulo, argumentando que Cristo não falava por intermédio dele. Como Paulo podia comprovar que Cristo falava mesmo por seu intermédio? O apóstolo começa sua réplica citando o pedido impertinente: “visto que buscais uma prova de Cristo que fala em mim...”. Na verdade, esses crentes queriam ser confrontados em seu estilo de vida. Em vez de corrigir sua conduta errada, procuraram desqualificar aquele que os exortava.
Então, Paulo lembra que Cristo se havia revelado aos coríntios por meio dele de modo poderoso. Quando creram na mensagem do evangelho, não havia nada de fraco na revolução que eles haviam experimentado em sua vida. Portanto, ao rejeitarem a Paulo, na verdade, estavam rejeitando o próprio Cristo.
Ao usar os termos “fraco” e “poderoso”, Paulo se recorda do paradoxo de força e fraqueza observada na vida do Salvador e de seus servos. Nosso Senhor foi “crucificado por fraqueza; contudo, vive pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós”(13:4). Quando Paulo diz que “viveremos com ele pelo poder de Deus em vós”, não está fazendo uma referência à ressurreição. Está falando que, ao visitá-los, demonstrará o grande poder de Deus ao tratar de quem estava vivendo em pecado. Consideravam-no fraco e desprezível, mas Paulo mostraria que podia ser forte no exercício da disciplina.
III. ALGUMAS RECOMENDAÇÕES FINAIS (13:5-11)
1. Paulo encerra sua carta com uma advertência (13.5).Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis, quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”.
Paulo sai agora da defesa do seu ministério e apostolado e resolve testar os cristãos coríntios, ao admoestá-los que realizem um autoexame. Ele inverte a situação. Ele diz a esses crentes rebeldes que em vez de eles o examinarem, eles deveriam examinar a si mesmos. Em vez de buscarem provas contra ele, deveriam investigar a si mesmos. Em vez de olharem para fora, deveriam olhar para dentro.
Há pessoas que estão na igreja, mas não são convertidas, e são essas a que dão mais trabalho. Tem seu nome no rol de membros da igreja, mas não no livro da vida. São contundentes na disposição de acusar os outros, mas são incapazes de examinarem seu próprio coração. Enxergam um cisco no olho do outro, mas não vêem a trave que está no seu próprio.
Esta exortação de Paulo nos alerta que, da mesma maneira que fazemos exames físicos periódicos, devemos fazer exames espirituais periódicos. Devemos procurar ter uma consciência crescente da presença e do poder de Cristo em nossa vida. Assim saberemos se somos verdadeiros cristãos ou meros impostores. Se não estivermos procurando nos aproximar de Deus, podemos ter certeza de que estaremos nos afastando dEle.
2. Paulo encerra sua carta com um desejo (13.7-9). Ele deseja que aqueles cristãos pratiquem o que é certo; e que sejam aperfeiçoados(13:7-9) – “Ora, eu rogo a Deus que não façais mal algum, não para que sejamos achados aprovados, mas para que vós façais o bem, embora nós sejamos como reprovados. Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. Porque nos regozijamos de estar fracos, quando vós estais fortes; e o que desejamos é a vossa perfeição”.
Havia muitos pecados na Igreja de Corinto: divisões(1Co 1:10-12); imoralidade(1Co 5:1); contendas(1Co 6:7); uso abusivo da liberdade cristã(1Co 8:10; 10:24-28); atitudes inadequadas com respeito à ceia do Senhor(1Co 11:17-22), ao culto(1Co 12:3), aos dons(1Co 12:16-21) e à ressurreição(1Co 15:12). Alguns desses pecados não haviam sido ainda superados por alguns membros da igreja(12:20,21). Por influência dos falsos apóstolos, alguns crentes lideravam uma frente de oposição ao próprio ministério de Paulo(13:3).
Mas, em vez de condenar seus opositores, Paulo ora por eles. E ora para que pratiquem o bem. Sua preocupação não é com a sua reputação, muito menos com sua superioridade pessoal, mas o com aperfeiçoamento dos crentes, pois diz: “ Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade”. Paulo está afirmando que jamais poderia agir de modo que fosse contrário ao evangelho ou às suas implicações”. Paulo quer apenas a obediência, a pureza e a unidade da igreja.
Paulo deseja a perfeição dos coríntios – “e o que desejamos é a vossa perfeição”(13:9). Há falhas em nossa vida que precisam ser reparados. Há brechas que precisam ser tapadas. Paulo ora para que essas deficiências sejam tratadas e que os crentes sejam aperfeiçoados para o serviço divino.
3. Últimas recomendações (13.11,12). “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, aperfeiçoai-vos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todos os santos vos saúdam”.
Paulo encerra de forma repentina e enérgica essa epístola. Antes, porém, tem uma série de recomendações à igreja:
a) “regozijai-vos”. É a mesma expressão que aparece em 1Tessalonicenses 5:16: “Regozijai-vos sempre”. A alegria deve ser a marca do crente. Isso porque o evangelho é a boa nova de grande alegria. O reino de Deus é alegria. O fruto do Espírito é alegria, e a ordem de Deus é:”Alegrai-vos”.
b) “ aperfeiçoai-vos”. O crente não pode ficar estagnado. Ele precisa ser santificado na verdade. Ele precisa crescer na graça e no conhecimento de Cristo. Sua vida precisa ser transformada de glória em glória na imagem de Cristo. Para alcançar esse propósito, os coríntios precisariam abandonar os ensinos errados dos falsos apóstolos, acertarem seus relacionamentos uns com os outros e romperem com as práticas imorais.
c) “sede consolados”. Na vida cristã enfrentamos mares revoltos, desertos inóspitos e estradas juncadas de espinhos. Precisamos ser bálsamo de Deus na vida uns dos outros nessa jornada. Precisamos ser aliviadores de tensão, tornando o fardo dos irmãos mais leve.
d) “sede de um mesmo parecer”. Essa frase também pode ser traduzida por “tenham um só pensamento”(NVI). Os coríntios só poderiam pensar da mesma forma se tivessem a mente de Cristo. Ter a mente de Cristo significa pensar como Ele e sujeitar-lhe todo pensamento e raciocínio.
A igreja é um corpo, e todos os membros devem trabalhar sob a direção da mesma cabeça. Uma igreja onde os crentes vivem em conflito, alimentando suas vaidades pessoais, brigando por opiniões pessoais, o testemunho da igreja é prejudicado.
e) “vivei em paz”. Como está claro em 1Co 12:20, havia discórdias e contendas entre os coríntios; uma consequencia comum da infiltração do legalismo. Assim, Paulo os exorta a disciplinar os ofensores e a se entender com seus irmãos em Cristo.
Os crentes não são rivais, são parceiros. Devem viver em harmonia, e não em guerra. Onde há união entre o povo de Deus, ali Deus ordena a vida e a bênção(Sl 133:1-3). Quando os crentes vivem em harmonia, o Deus de amor e de paz será com eles - “E o Deus de amor e de paz será convosco”.
f) “ Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo”(13:12). O ósculo santo era uma forma de cumprimento característica dos cristãos no tempo dos apóstolos. O fato de ser santo indica que não devia ser um símbolo de afeição artificial, mas de sentimento puro e sincero.
Os crentes devem cumprimentar uns aos outros com alegria, com graça e com fervor. Os crentes devem ter santas, sinceras e intensas afeições uns pelos outros. Não há espaço na igreja para indiferença, frieza e preconceito. Devemos acolher a todos com desvelo e carinho.
CONCLUSÃO
Após tantas defesas, advertências e recomendações severas, Paulo conclui sua carta com uma bênção trinitariana: ”A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!”(13:13). Essa é a única bênção do Novo Testamento que abrange todos os membros da Trindade. Essa bênção é uma síntese da mensagem do evangelho. É um resumo precioso de tudo aquilo que Paulo ensinou até aqui.
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo nos traz à memória seu nascimento, quando Ele se fez pobre a fim de nos tornar ricos(2Co 8:9). O amor de Deus nos leva ao Calvário, onde Deus deu seu Filho como sacrifício por nossos pecados(João 3:16). A comunhão do Espírito Santo nos lembra o Pentecostes, quando o Espírito de Deus veio e revestiu a igreja de poder(At 2:1-47).
Que esta segunda carta aos coríntios possa produzir em cada crente uma reflexão a respeito de seu ministério, a fim de que possamos declarar como Paulo: "Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas" (2 Co12.15).
-------------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br, e no Blog: http://luloure.blogspot.com/
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 2Corintios. 2Corintios – Rev. Hernandes Dias Lopes. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdnald. II Corintios – Colin Kruse.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Aula 12 - VISÕES E REVELAÇÕES DO SENHOR

Leitura Bíblica: 2 Coríntios 12.1-4,7-10,12

"Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor" (2 Co 12.1).

INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento à sequencia de aulas sobre a defesa do apostolado de Paulo, observamos que esse homem de Deus defende o seu ministério e mostra o quanto trabalhou e sofreu em prol do Reino de Deus. Além dos inimigos externos e interiores, ele enfrentou lutas renhidas que os outros apóstolos não experimentaram; para perceber isso basta ler os versículos 11-33 do capítulo 11. Apesar das lutas enfrentadas, Paulo partilhou de momentos que nenhum apóstolo participou, como ser arrebatado ao paraíso e conhecer coisas indizíveis desse lugar, que nenhum outro ser humano teve o privilégio de presenciar em vida. Um momento garboso como esse deixaria qualquer cristão numa posição de destaque e cheio de si, mas veremos nesta aula a intervenção de Deus para que o apóstolo não fosse uma pessoa soberba diante doas revelações que teve da parte do Senhor. Os falsos apóstolos, opositores de Paulo, se vangloriavam de possuírem um conhecimento divino e uma espiritualidade superior à dele. Paulo se viu obrigado a responder que tinha ainda mais razões do que eles para orgulhar-se, mas não fez isso. Preferiu gloriar-se em relação às suas fraquezas, as quais o poder de Deus havia convertido em experiências gloriosas (12.9,10).
I. A GLÓRIA PASSAGEIRA DE SUA BIOGRAFIA (11:11-33)
Alguns indivíduos na igreja de Corinto haviam levantado dúvidas quanto à legitimidade do apostolado de Paulo. Acaso ele possuía credenciais que atestavam seu chamado por Deus? Ele podia provar, por exemplo, que estava no mesmo nível dos doze apóstolos? Paulo responde a esses questionamentos, mas talvez não da forma que seria de esperar. Ele não apresenta um diploma de seminário nem uma carta oficial assinada pelos irmãos de Jerusalém, declarando que ele havia sido ordenado para seu trabalho. Também não fala de suas realizações e aptidões pessoais. Antes, fornece uma comovente relação dos sofrimentos que havia suportado ao proclamar o evangelho.
Enquanto os pseudo-apóstolos se vangloriavam dos títulos auto-declarados, Paulo dava demonstração de que a glória maior que ele detinha não estava em sua biografia, mas no sofrimento padecido por causa do evangelho. Aquilo que os falsos apóstolos consideram uma vergonha, Paulo ostenta como triunfo. Enquanto eles se vangloriam de sua retórica, Paulo se gloria em suas fraquezas. Enquanto eles se ufanam de receber dinheiro da igreja, Paulo era esmagado pela preocupação com todas as igrejas. Enquanto mostram seus troféus, Paulo mostra o catálogo de seus sofrimentos por Cristo(11:23-33). Foi por causa da atitude dos seus opositores, que o apóstolo se vê obrigado a dar-lhes uma resposta, relatando suas experiências de sofrimento. A prova de que não há nenhuma postura de autoexaltação, é que no versículo 30, ele diz: "Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza".
Já que os falsos apóstolos estavam se exaltando ao se compararem com Paulo, dizendo que eram superiores a ele, Paulo aceita o desafio ainda que admita que essa era uma atitude insensata. Paulo demonstra como se sente mal ao gloriar-se:”falo como fora de mim”(11:23).
Paulo não concorda com a atitude dos falsos apóstolos de se gabarem de seus feitos. Na verdade, acha isso uma loucura(11:1) e uma insensatez(11:16). Paulo sabe que o auto-elogio conduz à destruição(Sl 12:13; Pv 16:18). Sabe que a vanglória rouba a Deus da honra que só a Ele merece(Sl 96:8; 97:6). Sabe que só Deus pode ser glorificado(1Co 10:31). Mas, Paulo tem de fazê-lo, não por si mesmo, mas pelo evangelho que estava pregando.
O auto-elogio já havia sido considerado por Paulo como algo reprovado(10:18). Mas tendo em vista que os corintios valorizavam os falsos apóstolos por esse critério e que o que estava em jogo não era sua reputação, mas o evangelho de Cristo, Paulo escreve: “Outra vez digo: ninguém me julgue insensato ou, então, recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco. O que digo, não o digo segundo o Senhor, mas, como por loucura, nesta confiança de gloriar-me. Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei. Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos”(11:16-19).
Paulo estava consciente de que o ato de gloriar-se, que estava prestes a cometer era um ato de insensatez, mas ele não quer que os corintios o considerem um insensato por fazê-lo. Se não fosse a ingenuidade deles em face das asserções dos falsos apóstolos, Paulo não precisaria gloriar-se(12:11).
Paulo reconhece que não fala segundo o Senhor, e sim como por loucura. Já que os falsos apóstolos batiam no peito e arrotavam suas vantagens pessoais e seus feitos portentosos, Paulo enumera também suas credenciais. O propósito do apóstolo era desbancar a arrogância desses obreiros fraudulentos e mostrar à igreja que nesse quesito seus adversários sofrem uma derrota fragorosa quando se comparam a ele.
Os falsos apóstolos davam grande valor à sua ancestralidade judaica(11:22). Afirmavam ser hebreus de sangue puro, israelitas e descendentes de Abraão. Ainda operavam sob a ilusão de que sua árvore genealógica lhes conferia favor aos olhos de Deus. Não percebiam que Israel, o povo de Deus do Antigo Testamento, havia sido colocado de lado por ter rejeitado o Messias. Eles não se davam conta de que, para Deus, não havia mais diferença entre judeus e gentios: todos eram pecadores e todos precisavam ser salvos pela fé exclusiva em Cristo.
Era inútil que se vangloriassem a esse respeito. Sua linhagem não os tornava superiores a Paulo, uma vez que ele também era hebreu, israelita e descendente de Abraão. Tais coisas, porém, não comprovavam que ele era um apóstolo de Cristo. Por esse motivo, ele se apressa em explicar o cerne de sua argumentação: havia um aspecto no qual eles não podiam superá-lo, a saber, nas dificuldades e sofrimentos.
No versículo 23, ele contesta aqueles falsos mestres, que se diziam "ministros de Cristo", ao declarar que tinha razões muito mais profundas para assim ser considerado. Eles eram ministros de Cristo por profissão, enquanto Paulo era servo do Senhor em devoção, trabalho e sofrimento. Paulo não se esquecia jamais de que seguia o Salvador sofredor. Sabia que o servo não estava acima do seu senhor, que o mundo não trataria um apóstolo melhor do que havia tratado o Senhor Jesus. Quanto mais fiel fosse seu serviço ao Senhor e mais semelhante a Cristo se tornasse, mais ele sofreria nas mãos dos homens. Para ele, o sofrimento era a marca ou insígnia dos servos de Cristo. Apesar de Paulo se sentir um insensato ao se gloriar desse modo, era necessário dizer a verdade, e a verdade era que os falsos apóstolos não se destacavam por seu sofrimento. Eles trilhavam o caminho fácil. Evitavam o opróbrio, a perseguição e a desonra. Por esse motivo, Paulo considerava que eles não estavam em condição de atacá-lo como servo de Cristo.
II. A GLÓRIA DAS REVELAÇÕES E VISÕES ESPIRITUAIS (12.1-4)
Paulo continua desfraldando a bandeira de sua defesa. Os falsos apóstolos diziam que ele não tinha experiências tão arrebatadoras quanto eles, nem credenciais suficientes para o apostolado. Diziam que Paulo tinha interesses inconfessos em seu trabalho pastoral e não tinha estatura espiritual para confrontar os crentes face a face, como fazia em suas cartas. Paulo, então, responda a essas levianas acusações de forma contundente e firme. Ele sai da ostentação de suas tribulações apostólicas e entra nas visões e revelações. Ele relata uma experiência em que ele se viu arrebatado até o terceiro céu, no paraíso, onde ouviu coisas inefáveis, não permissíveis de serem reveladas.
1. Visões e revelações do Senhor (12.1). “Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor”.
Os crentes de Corinto tinham constrangido Paulo a usar um método que ele mesmo desaprovava: o método de gloriar-se, de contar suas vantagens(12:11). O apóstolo não gostaria de gloriar-se de nada. Sabe que sua atitude não convém, mas é necessário diante das circunstancias. Naquele momento estava em jogo o evangelho e não propriamente a reputação do apóstolo, por isso ele destaca suas próprias experiências e põe na mesa suas credenciais, desbancando, assim, as pretensões soberbas de seus opositores. Ele passa, então, a falar das “ visões e revelações do Senhor”. Não se trata de algum tipo de alucinação nem qualquer distúrbio emocional. São experiências sobrenaturais, advindas do Senhor, que permitem a um ser humano ver algo que outros não podem ver.
Quando lemos o Antigo Testamento, deparamos com várias ocorrências de visões e revelações advindas do Senhor, como forma dEle se relacionar com seu povo Israel. No Novo Testamento, também, as visões e revelações fazem parte do relacionamento de Deus com os cristãos. Por exemplo, Zacarias recebeu uma visão estando servindo no templo, e foi-lhe dito que suas orações haviam sido ouvidas e que sua esposa Isabel daria à luz um filho, cujo nome seria João(o Batista)(Lc 1:8-23). A transfiguração de Jesus foi uma visão dada a Pedro, Tiago e João(Mt 17:9). As mulheres que haviam ido ao túmulo de Jesus relataram que haviam tido uma visão de anjos, que lhe disseram que Jesus estava vivo(Lc 24:22-24). Estêvão, um pouco antes de morrer teve uma visão do “Filho do Homem” de pé ao lado direito de Deus(At 7:55,56). O Senhor falou a Ananias numa visão ao instruí-lo para procurar Saulo de Tarso, depois de este ter ficado cego na estrada de Damasco(At 9:10). Pedro tornou-se disposto a receber o chamado para que fosse visitar Cornélio, mediante uma visão tríplice de animais imundos que desciam do céu num lençol(At 10:17,19; 11:5). Noutra ocasião, ao ser liberto da prisão por um anjo, Pedro julgou estar tendo uma visão(At 12:9). O livro de Apocalipse é a descrição de revelações que chegaram ao autor na ilha de Patmos(Ap 1:1).
O próprio Paulo teve várias visões e revelações ao longo do seu ministério. A primeira delas foi no caminho de Damasco, onde viu o Cristo glorificado. Ali sua vida foi transformada(At 9:3; 22:6). Subsequentemente, Paulo teve a visão do homem da Macedônia chamando-o para que o ajudasse(At 16:9,10). Quando estava desenvolvendo o evangelismo pioneiro em Corinto, recebeu encorajamento da parte do Senhor através de uma visão(At 18:9-11). Paulo afirmava ter recebido seu evangelho por revelação(Gl 1:12), e que seu discernimento do mistério do evangelho, seu acesso à verdadeira sabedoria, e sua compreensão das verdades escatológicas particulares baseavam-se em revelações da parte de Deus(cf Ef 3:3-5; 1Co 2:9,10; 1Ts 4:15).
2. O "Paraíso" na teologia paulina (12.2-4).Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”.
Das muitas visões e revelações que havia recebido, Paulo agora seleciona uma, que lhe ocorrera quatorze anos antes. Isso significa que a experiência ocorrera vários anos depois de sua conversão, pelo que não pode ser considerada a mesma revelação de Cristo a Paulo no caminho de Damasco. Paulo foi arrebatado ao terceiro céu. O Céu não é uma imaginação fantasiosa, mas uma realidade inegável. Alguns estudiosos da Palavra de Deus dizem que o primeiro céu se refere à atmosfera; o segundo céu ao espaço(o céu das estrelas) e o terceiro céu à morada de Deus.
O Céu é o lugar onde está o trono de Deus (Sl 2.4); é o local onde o Senhor está presente na plenitude de sua glória, um local “fixado”, “estabelecido” para que Ele se revele tal como Ele é e não apenas pela expressão da suas obras, como o que ocorre com o Universo (Rm.1:20); é o lugar de sua presença, ao qual o Cristo glorificado retornou (At 1.11); e onde um dia o povo de Cristo estará com seu Salvador para sempre (Jo 17.5,24; 1 Ts 4.16,17). Ele é retratado como um lugar de descanso (Jo 14.2), uma cidade (Hb 11.10), e um país (Hb 11.16). Logo, pensar no Céu como um lugar é mais correto do que errado.
O versículo 4 diz que Paulo “foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”. Esse lugar visitado por Paulo é o mesmo para o qual o Senhor Jesus levou o ladrão arrependido depois da morte deste último, ou seja, o lugar onde Deus habita. Neste lugar de glória indizível e sem par, Paulo ouviu a língua do paraíso e entendeu as palavras, mas foi proibido de repeti-las aqui na Terra. As palavras eram inefáveis no sentido de que eram sagradas demais para serem proferidas e, portanto, não deviam ser enunciadas.
Portanto, o “paraíso” é o lugar celestial onde os santos desfrutam da comunhão com Deus. É a habitação dos santos que morreram, tanto do Antigo como do Novo Testamento, e que aguardam a ressurreição de seus corpos (Lc 16.19-31; 23.43; 1 Co 15.51,52).
3. A atualidade das experiências espirituais
. Assim como aconteceu com muitos cristãos no princípio da Igreja, em que foram manifestadas revelações e visões com o objetivo de transmitir algo para o povo de Deus, no afã de edificar a igreja, atualmente isso pode também acontecer, desde que não venham de encontro com a revelação infalível das Escrituras Sagradas. É bom ressaltar que após a conclusão do cânon sagrado, as experiências de visões e revelações não podem serem manifestadas em detrimento da Palavra de Deus. Ela, sim, é a magnânima revelação de Deus aos homens. É a regra de fé e prática do cristão, e a bússola que orienta o pecador ao caminho certo a seguir.
O pr. Elienai Cabral diz que o crente não pode viver à mercê de visões e revelações para praticar o cristianismo. Nem a igreja, nem crente algum dependem exclusivamente de experiências sobrenaturais, como visões, revelações e arrebatamento de espírito para conhecer a vontade de Deus. Ainda que tais experiências não estejam proibidas, devemos levar em conta sempre a completa revelação da Palavra de Deus. É preciso ter cuidado com a presunção de alguns em fazer ‘viagens ao paraíso’, seja comandada por homens, seja por anjos, pois tais "experiências" na maioria das vezes constitui-se em fraudes espirituais.
Também é bom ressaltar que, na relação dos dons espirituais, não há o chamado “dom de revelação” ou “dom de visão”, “dons” que são constantemente mencionados e considerados no meio de alguns integrantes do povo de Deus que não têm o costume de ler e meditar na Palavra de Deus. Segundo o pr. Elienai Cabral, “visões e revelações são experiências do campo das manifestações espirituais que não se constituem em doutrinas, mas são possíveis à vida do crente desde que estejam em conformidade com a Bíblia”.
O “dom de revelação”, na verdade, é o dom da palavra da ciência, não podendo ser confundido, como já dissemos, com verdadeiras adivinhações que têm perturbado o povo de Deus nos nossos dias. Deus não tem qualquer propósito de fazer com que alguns de Seus servos sejam “adivinhos”, pois Ele abomina a adivinhação, que é típica operação maligna. A revelação de fatos ocultos tem tão somente o propósito de edificar o povo de Deus, jamais de envergonhar quem quer que seja.
Já o chamado “dom de visão” não tem qualquer respaldo bíblico. É verdade que existe a operação de visão, uma operação divina em que Deus mostra algo para algum servo Seu, mas também com o propósito de proporcionar a edificação de quem vê ou da igreja, jamais para devassar a intimidade ou envergonhar alguém.
III. A GLÓRIA DOS SOFRIMENTOS POR CAUSA DE CRISTO (12.7-10)
1. O espinho na carne (12.7,8).E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim”.
A vida de um servo de Deus não é constituída só de bonança. Há muito sofrimento. Deus sabe equilibrar em nossa vida, as bênçãos e os fardos, o sofrimento e a glória. Há um contraste gritante entre as duas experiências de Paulo! Ele passou do paraíso à dor, da glória ao sofrimento. Provou a bênção de Deus no Céu e sentiu os golpes de Satanás na Terra. Passou do êxtase à agonia.
O que era o espinho na carne de Paulo? Só podemos dizer com certeza que se tratava de uma provação física permitida por Deus em sua vida. Sem dúvida, a natureza exata desse espinho não é especificada propositadamente, para que santos atribulados e provados ao longo do tempo pudessem identificar-se de maneira mais próxima com o apóstolo em seus sofrimentos. Talvez se trate de uma doença dos olhos, talvez de uma dor de ouvido ou malária, talvez de enxaquecas ou algo ligado à fala. Pessoalmente, sou inclinado a acreditar que esse espinho na carne era um deficiência visual de Paulo(At 9:9; Gl 4:15; 6:11; Rm 16:22; At 23:5).
O apóstolo descreve o espinho na carne como um mensageiro de Satanás, para esbofeteá-lo. Em certo sentido, é representado como um a tentativa de Satanás de atrapalhar o serviço de Paulo ao Senhor. Mas Deus é maior do que Satanás e usou o espinho para levar a obra do Senhor adiante ao manter Paulo em uma posição de humildade. Esse espinho foi dado a Paulo para impedir que se orgulhasse a respeito das revelações que recebera. O espinho tornou Paulo mais dependente da graça divina(12:9).
2. Paulo reafirma que se gloria na fraqueza (12.10). “ Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte”.
Paulo considerava como maior glória para si os seus sofrimentos, enfermidades, prisões, açoites, fomes e perseguições. Em termos humanos, é quase impossível sentir prazer no tipo de experiência relacionado aqui. A chave para entender este versículo é a expressão por amor de Cristo. Aqui, Paulo obedece à instrução de Jesus em Mateus 5:11,12 e regozija-se ao ser injuriado e perseguido.
Ao perseverar na causa de Cristo e propagar o evangelho, devemos estar dispostos a suportar coisas que normalmente não suportaríamos por nós mesmos ou por algum ente querido. É quando tempos consciência de nossa fraqueza e inutilidade que nos tornamos mais dependentes do poder de Deus. E é quando nos entregamos a ele em total dependência que seu poder se manifesta em nós e somos verdadeiramente fortes.
3. A explicação do paradoxo do gloriar-se nas fraquezas (12.9,10). ”E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte”.
O poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza, é o que diz o versículo 9. Quando somos fracos, aí é que somos fortes. Esse é o grande paradoxo do cristianismo. A força ao dizer que é forte, na verdade, é fraqueza; mas a fraqueza ao dizer que é fraca, na verdade, é força. O poder de Deus revela-se nos fracos. Paulo pediu para Deus substituição, mas Deus lhe deu transformação. Deus não removeu sua aflição, mas lhe deu capacitação para enfrentá-la vitoriosamente. Deus não deu explicações para Paulo, fez-lhe promessas:”A minha graça de basta”. Não vivemos de explicações, vivemos de promessas. Nossos sentimentos mudam, mas as promessas de Deus são sempre as mesmas.
O apóstolo se contenta com a resposta do Senhor e declara: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo”. Em vez de murmurar e se queixar do espinho na carne, ele se gloriaria nas fraquezas. Dobraria os joelhos e agradeceria ao Senhor por elas. Suportaria de bom grado, desde que o poder de Cristo repousasse sobre ele.
CONCLUSÃO
O sofrimento do tempo presente não é para se comparar com as glórias por vir a serem reveladas em nós(Rm 8:18). A nossa leve e momentânea tribulação produz, para nós, eterno peso de glória(2Co 4:17). Aqueles que tem a visão do Céu são os que triunfam diante do sofrimento. Aqueles que ouvem as palavras inefáveis do paraíso são aqueles que não se intimidam com o rugido do leão. O sofrimento é por breve tempo, o consolo é eterno. A dor vai passar; o Céu jamais! A caminhada pode ser difícil. O caminho pode ser estreito. Os inimigos podem ser muitos. O espinho na carne pode doer. Mas a graça de Cristo nos basta. Só mais um pouco e nós estaremos para sempre com o Senhor. Então, o espinho será tirado, as lágrimas serão enxugadas, e não haverá mais pranto, nem luto e nem dor. Glórias ao nome do Senhor Jesus!!!
---------------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br, e no Blog: http://luloure.blogspot.com/
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 2Corintios. 2Corintios – Rev. Hernandes Dias Lopes. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdnald. II Corintios – Colin Kruse.

sábado, 6 de março de 2010

Aula 11 - CARACTERÍSTICAS DE UM AUTÊNTICO LÍDER

Leitura Bíblica: 2 Coríntios 10.12-16; 11.2,3,5,6
14 DE MARÇO DE 2010

"Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" (2 Co 11.2).

INTRODUÇÃO
Um autêntico líder é aquele que não avalia o seu sucesso pelo dinheiro e pelo status social que ele adquire, mas sim pelo número de pessoas que ele influenciou positivamente ao longo de sua vida. Ele transforma muito mais por aquilo que ele é como pessoa, do que pelo cargo que ocupa. Paulo é um dos maiores exemplos de liderança do Novo Testamento. Como autêntico líder, ele era compromissado com Deus e com a sua Obra. Ele era exemplo, e sabemos que a liderança na igreja é repleta de desafios. Suas credenciais de ministro de Deus são evidenciadas através do seu trabalho árduo, do sofrimento e da preocupação com as ovelhas do Senhor.
Cada Líder que é chamado possui um conhecimento geral do funcionamento do corpo de Cristo, mas precisa exercer seu ministério de acordo com o dom que recebeu de Deus. E a principal exigência bíblica para quem exerce esse dom, é que o faça diligentemente, ou seja, com sinceridade, prudência e zelo (Rm 12.8). Nenhuma igreja pode funcionar bem sem uma boa liderança.
O obreiro, enquanto administra a igreja do Senhor, deve estar cônscio de que liderar não é só mandar, é ir à frente para que seus liderados o tomem como exemplo e nunca considerar alguém uma ameaça para sua liderança; basta permanecer sob a direção Divina. Mas, como saber se está no centro da vontade de Deus? É uma pergunta que todo líder deve procurar encontrar a resposta, pois Deus tem um plano específico para cada um de nós e precisamos nos colocar à disposição dEle, que certamente dirigirá os nossos passos.
CARACTERÍTICAS DE UM AUTÊNTICO LÍDER
O líder de Deus deve possuir características ímpares que o colocam como um legítimo representante do Senhor Jesus Cristo. É claro que existem muitas outras qualidades que um líder deva ter, mas nós citaremos apenas as seguintes:
1) Integridade. Um líder que não é íntegro em sua vida pessoal não é um verdadeiro líder. Integridade requer caráter. Para que um líder seja íntegro, ele deve ser sincero, esta sinceridade é verificada em seu viver diário: nas conversações, no agir, nas finanças, no serviço. A integridade faz parte da vida do autêntico líder. Uma vida pura, sem manchas demonstra integridade. Ninguém pode falar mal do líder que assim procede.
2) Determinação. O autêntico líder deve possuir determinação para fazer a obra de Deus, para corrigir os problemas na igreja, para iniciar trabalhos, e tudo quanto mais é possível. Ele não tem receio de executar o que está ao seu alcance. Jesus foi firme em não se desviar das prioridades estabelecidas em seu ministério terreno. Quando ele disse: “Segue-me e deixa aos mortos sepultar os seus mortos”(Mt 8:22), Jesus falou da necessidade de não sermos desviados da nossa meta real e importante, mesmo em situações de emergência que possam solicitar a nossa atenção.
3) Sabedoria. Sabedoria envolve percepção do coração humano, é saber realmente como as coisas são. O líder deve pedir de Deus a sabedoria para poder dirigir o rebanho. Sem sabedoria o líder fracassará, não conseguirá desempenhar o seu papel, não saberá aconselhar, dialogar, discernir as coisas espirituais. Portanto, sabedoria é fator preponderante ao autêntico líder.
4) Disciplina. Disciplina é primordial para a vida do líder. Ele deve ser disciplinado em tudo. Deve estabelecer algumas obrigações para regerem sua vida. Disciplina envolve todas as áreas: na vida espiritual, disciplina para com a leitura da Palavra de Deus, oração, exercício do seu dom, dentre outros; na vida particular: disciplina no seu modo de viver, seu testemunho, seus alvos e planos; na vida financeira: disciplina em saber controlar gastos, organizar orçamentos, manter-se longe do amor ao dinheiro. Um líder sem disciplina não saberá o que fazer primeiro, ou que realizar a seguir. Não conseguirá colocar seus projetos em desenvolvimento, ou apenas começará e não conseguirá terminar ou terminará muito além do prazo estipulado.
5) Humor. Humor é uma qualidade que ajuda em muito ao líder de Deus. Esta qualidade pode ser benéfica em situações de pressão, cuja tensão é bastante grande; nessa hora um pouco de humor também pode ajudar. O líder sabe quando se deve usar de humor, pois até mesmo no humor, há lugar e hora certos. Não adianta possuir senso de humor e usá-lo toda hora, em locais e ocasiões impróprias. O líder deve praticar o humor; ser alegre não faz mal a ninguém e dar risadas não é pecado, relaxa.
6) Atitude Inspirativa. O líder de Deus é alguém cuja presença, cujo modo de falar, de agir, inspira as pessoas para o serviço. Ele é capaz de incendiar as pessoas para a realização de algo. Sua energia faz com que as pessoas queiram colaborar para o bom andamento da obra de Deus. Ele sabe o que deve ser feito, quando, como, e por isso conduz as pessoas a realizar também. Um líder que apenas sabe o que deve ser feito, mas não tem capacidade para executar, para colocar o plano em ação, terá inúmeros problemas.
7) Coragem. O líder deve ter coragem suficiente para enfrentar um erro; também para tomar decisões difíceis com firmeza e sem medo. Uma grande vantagem do líder cristão é que nele habita o Espírito Santo. A coragem do líder se vê diante de enfrentar fatos ou condições adversas, quando têm de ser firme ou enfrentar oposição, ele é corajoso para dizer o que está certo ou errado, não teme ser reprimido pelo povo, pois sabe o que é certo e fica firme na posição, se esta tem respaldo bíblico. A coragem do líder fará com que a igreja o siga. Muitos podem temer enfrentar tal situação ou empreender tal plano ou projeto, o líder de coragem enfrenta sem vacilar, pois sabe que com ele está o Senhor. Coragem leva a ousadia. Ousadia é fazer coisas diferentes que deixam uma marca. Uma marca na vida da família, das pessoas, da congregação, do povo, do bairro, etc. Temos visto, ao longo deste trimestre, essa característica na vida do apóstolo Paulo. Imagine se ele não fosse corajoso o suficiente para enfrentar com ousadia seus opositores; como teria ficado a vida espiritual da igreja de Corinto?
I. OS DESAFIOS DO APOSTOLADO PAULINO (10.9-18)
1. O desafio da oposição (10.9-11).
“para que não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas. Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível. Pense o tal isto: quais somos na palavra por cartas, estando ausentes, tais seremos também por obra, estando presentes”.
Os opositores de Paulo de plantão o acusavam de inconsistência, duplicidade e hipocrisia. Denegriam seu caráter, dizendo que não tinha coragem de enfrentar as pessoas nem os problemas cara a cara. Maculavam sua honra dizendo que era um obreiro covarde, que só rugia como leão à distancia, mas quando estava perto era tímido e fraco como um cordeiro. A acusação aqui não é à oratória de Paulo, mas ao caráter do apóstolo. Ele, porém, se defende dizendo que a tese dos acusadores será desmantelada. Ele irá à igreja e não poupará os insubmissos e rebeldes.
Estamos vivendo uma época parecido com àquela de Corinto, em que as pessoas apreciam belos discursos, com retóricas que impressionam, que satisfaçam seus interesses egoísticos.
2. O desafio do orgulho (10.12,13). “Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas esses que se medem a si mesmos e se comparam consigo mesmos estão sem entendimento. Porém não nos gloriaremos fora de medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós”.
Nestes versículos, Paulo fala da arrogância dos falsos apóstolos que se sentiam superiores a ele. Os falsos apóstolos comissionavam a si mesmos e legitimavam seu próprio apostolado. Mas, o chamado deles não vinha de Cristo. O poder deles não procedia do Espírito Santo. A pregação deles não estava baseada nas Escrituras, e a vida deles não estava arraigada na integridade. Conseqüentemente, eles eram falsos apóstolos, falsos obreiros e falsos mestres.
Rev. Hernandes Dias Lopes diz(2Corintios – pg 232) que “é insensatez escolher a si mesmo, aprovar a si mesmo e elogiar a si mesmo. É uma consumada loucura bater palmas e aclamar a si mesmo e cantar:’Quando grande és tu’, diante do espelho”.
Apesar da acusação de ser excessivamente ousado em suas cartas, Paulo diz no versículo 12 que não é ousado o suficiente para considerar-se em pé de igualdade com “ alguns que se louvam a si mesmos” ou com aqueles cujo único padrão de comparação é sua própria vida.
Se uma pessoa serve de padrão para si mesma, é claro que está sempre com a razão! Não há espaço para aprimoramento. Quem procede desse modo revela insensatez; demonstra falta de lucidez e discernimento espiritual; ou, como diz Paulo, “estão sem entendimento”. Como alguém bem disse: “A ruína de todas as panelinhas e grupos exclusivistas é ignorar toda virtude de fora do seu próprio círculo”.
3. O desafio do respeito aos limites e da autoglorificação (10.14-18). Diz o pastor Elienai Cabral que “respeitar os limites alheios é uma atitude indispensável a um líder. Seja do ponto de vista pessoal, ou coletivo, o líder deve respeitar os limites de sua liderança, e não apossar-se da honra de um trabalho realizado por outros” (10:15,16). Deus havia delimitado para o apóstolo Paulo uma esfera de atuação que incluía Corinto. Paulo havia ido a Corinto, pregado o evangelho e organizado uma igreja. Ele foi o primeiro a chegar em Corinto com o evangelho(1Co 4:15). Ele lançou o fundamento (1Co 3:10,11) e se tornou o pai espiritual dos coríntios no evangelho(1Co 4:15). Ele havia passado por tribulações, provações, aflições e dificuldades para chegar aos coríntios. Agora, outros estavam invadindo o território que ele havia desbravado e provavelmente se vangloriavam em alta voz das próprias realizações. Assim, com aguda ironia, Paulo mostrou que os opositores são, de fato, desqualificados como seus competidores. Eles nada mais eram do que proselitistas que, como todos de sua classe, se ocupavam com a invasão do trabalho de outros.
Paulo não estava invadindo campo alheio; os falsos apóstolos, sim, esses eram impostores, obreiros fraudulentos que não tinham entrado no redil pelas portas, antes, haviam pulado o muro como ladrões e salteadores e estavam devorando o rebanho de Deus.
“De acordo com 2Corintios 10:15, percebemos que os falsos líderes gostavam de atrair a atenção para si mesmos, gloriando-se em coisas que não fizeram. Aqueles homens não haviam evangelizado aquela cidade, não doutrinaram aquela igreja nem deram de si mesmos para edificar a congregação. Não é muito difícil ser ‘obreiro’ assim. Basta mentir, ser arrogante, crer que o que é exclusivamente de Deus é propriedade sua e debochar daqueles que realmente levam a obra de Deus a sério. Aqueles homens tratavam da obra iniciada por Paulo como se deles fosse, exercendo uma autoridade sobre a igreja que era incompatível tanto com o histórico quanto com a vocação – duas coisas que eles não tinham. Paulo deixa claro que ele não participava desta política, pois prezava por pregar em lugares onde ninguém antes tinha ido e dizia aquilo que tinha feito, para que não se gloriasse naquilo que já tinha sido feito antes, como faziam seus acusadores: ‘não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios; antes, tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra’. Paulo via a grandeza de seu ministério com integridade, ciente de que falava e escrevia a Verdade. Liderança se faz com integridade, não com mentiras”(Revista Ensinador Cristão – nº 41).
A autoglorificação é desprezível. A igreja de Laodicéia exaltou-se dando nota máxima a si mesma em todas as áreas. Mas Cristo a reprovou em todos os itens. A Bíblia diz:” Louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios”(Pv 27:2). Deus detesta o louvor próprio. Jesus explicou essa verdade na parábola do fariseu e do publicano. Aquele que se exaltou foi humilhado, mas o que se humilhou, desceu para sua casa justificado. De igual modo o obreiro não deve fundamentar o seu ministério em elogio de homens. A sua aprovação deve vir de Deus(ver 2Co 10:18)
II. AS MARCAS DE UM VERDADEIRO LÍDER (11.2-15)
1. O compromisso de Paulo diante da igreja e de Deus (11: 2-4).
Paulo era o pai espiritual dos crentes de Corinto(1Co 4:15). Não podia ver passivamente seus filhos na fé serem atacados pelos falsos mestres. Nestes versículos vemos Paulo demonstrar o seu cuidado pastoral pela igreja:
Em primeiro lugar, seu zelo(11:2). “ Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo”. Paulo aqui assume a posição de um pai que vela pela pureza da filha até o dia do casamento. A igreja é a noiva de Cristo e deve apresentar-se a Ele, nas bodas, como uma virgem pura e incontaminada. Como pai espiritual dos corintios, Paulo tem zelo por eles e não admite que sejam enganados por falsos amores e falsos amantes. A igreja é a noiva de Cristo, e ela deve apresentar-se a Ele santa, gloriosa, imaculada, sem ruga, nem defeito(Ef 5:27).
Em segundo lugar, seu temor(11:3). “ Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. Os falsos apóstolos estavam pregando em Corinto uma nova versão do evangelho. Eles eram servos de Satanás, e não de Deus. Estavam a serviço da mentira, e não da verdade. O propósito deles era enganar, e não edificar. A bandeira deles era desviar os crentes da simplicidade e pureza devidas a Cristo. A arma que eles usavam era a mesma da serpente: a astúcia.
Em terceiro lugar, sua denúncia(11:4). “Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o tolerais”. A igreja de Corinto estava sendo tolerante com os falsos apóstolos e intolerante com Paulo. Esses falsos apóstolos traziam na bagagem três coisas absolutamente diferentes:
· Eles pregavam um outro Jesus. O Jesus dos falsos apóstolos não era o Jesus da Bíblia. Eles pregavam um Jesus triunfalista, o Jesus dos milagres, das curas, das coisas espetaculares, e não o Jesus crucificado(1Co 1:23) que experimentou fraqueza, humilhação, perseguição, sofrimento e morte. Vemos hoje uma grande ênfase na prosperidade, curas e milagres e pouca pregação sobre o sacrifício, abnegação e o sofrimento de Cristo.
· Eles tinham um outro espírito. O espírito deles era de arrogância, e não de humildade. Era autoritário, e não manso(11:20). Era inspirado por Satanás, e não por Deus(11:13-15). Eles se vangloriavam de suas obras, de seus talentos e de sua procedência, e não de suas fraquezas. Eles exaltavam-se a si mesmos.
· Eles abraçavam um outro evangelho. Só há um evangelho, é o evangelho da cruz, da graça, do favor imerecido de Deus, do arrependimento do pecado e da fé em Cristo. É o evangelho que glorifica a Deus, exalta a Cristo e exige do homem arrependimento e fé em Cristo para ser salvo. Os falsos apóstolos apresentavam um outro evangelho diferente desse, um falso evangelho.
2. Paulo se interessa, antes de tudo, pelo bem-estar espiritual da igreja (11: 5-15). Os falsos apóstolos usavam a política financeira de Paulo como “prova” do que ele não era um verdadeiro apóstolo. Afinal, diziam eles, se ele fosse mesmo um apóstolo teria aceito ser sustentado por eles. Mas, Paulo pregava de graça o verdadeiro evangelho para a igreja, enquanto seus opositores pregavam um falso evangelho e ainda roubavam da igreja. A pobreza de Paulo era um escândalo para os coríntios. Ainda hoje, há aqueles que pensam que um crente fiel precisa necessariamente ser rico, e que toda ostentação de riqueza é sinal da bênção de Deus. Ledo engano. Há muitos ricos pobres e muitos pobres ricos(Pv 13:7).
Mas, Paulo dá um testemunho ousado: “ Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e, quando estava presente convosco e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado e ainda me guardarei”. Paulo não estava atrás do dinheiro dos corintios(12:14). A motivação dele não era o lucro. Ele não fazia do ministério um negócio para se enriquecer. Não via a igreja como uma oportunidade para locupletar-se. Hoje, há muitos pastores que fazem da igreja um empresa familiar e transformam o evangelho num produto, o púlpito num balcão, o templo em praça de negócio e os crentes em consumidores.
Embora Paulo considerasse legítimo o obreiro ser sustentado pela igreja(1Co 9:1-12; 1Tm 5:17; Gl 6:6), para não criar obstáculos ao avanço do evangelho e não dar munição aos seus críticos, ele aboliu mão de receber salário das igrejas durante o tempo em que as pastoreava. E isso, por amor ao evangelho(1Co 9:15-18), por amor aos pecadores(1Co 9:19-23) e por amor a si mesmo(1Co 9:24-27). Nos versículos 13 a 15, Paulo fica tão irritado com os falsos apóstolos que, para desmascarar-lhes a dissimulação, utilizou a figura de Satanás que, conforme reafirma, disfarça-se até de anjo de luz. É o que faziam os falsos apóstolos.
3. Paulo colocou o ato de servir acima dos interesses pessoais (11:16-33). Paulo expõe, agora, todos os seus sofrimentos físicos e emocionais por amor a Cristo: fome, sede, nudez, açoites, prisões, naufrágios, ameaças e perigos incontáveis. Aquilo que os falsos apóstolos consideravam uma vergonha, Paulo ostenta como triunfo. Enquanto eles se vangloriavam de sua retórica, Paulo se gloria em suas fraquezas. Enquanto eles se ufanam de receber dinheiro da igreja, Paulo era esmagado pela preocupação com todas as igrejas. Enquanto mostram seus troféus, Paulo mostra o catálogo de seus sofrimentos por Cristo. Paulo conclui essa listagem de sofrimento jogando uma pá de cal na presunção de seus oponentes. Enquanto eles se gloriavam em suas virtudes e realizações, Paulo diz: “ Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza”(11:30). Paulo sabia que sua autoridade não vinha de suas habilidades, mas de seu chamado(Rm 1:1,5); não de sua força, mas de sua fraqueza; não de seus feitos, mas de suas cicatrizes.
III. PAULO, UM LÍDER SEGUNDO A VONTADE DE DEUS
A Bíblia registra muitos homens de Deus que foram líderes competentes segundo a vontade de Deus, como, por exemplo, Moisés, Josué, Davi, Paulo. Quando se trata de liderar o povo de Deus é Ele quem escolhe a pessoa certa, segundo a sua soberana vontade. Quando isso não acontece, ou seja, quando o povo não submete à vontade de Deus na escolha dos seus líderes, as conseqüências serão, inevitavelmente, nefastas e devastadoras. Ate hoje, o povo de Israel sofre as conseqüências de suas más escolhas.
Se o evangelho chegou até nós é porque ao longo da história da igreja Deus providenciou líderes segundo a sua vontade, que orientou o seu povo no caminho certo, no temor do Senhor. Deus dispõe à igreja as pessoas que Ele deseja que exerçam a liderança em seu nome, em prol do seu Reino.
Na história da igreja, o apóstolo Paulo se destacou como um líder autêntico, por seu empenho em relação às missões e ao cuidado para com o rebanho de Deus. Ele se preocupava com o estado do povo de Deus e pela unidade dele. Foi o que ele demonstrou junto aos crentes de Corinto. Foi um líder-servidor que serviu humildemente aquela igreja, como fez o Senhor Jesus durante o seu ministério terreno, e externando-lhes um amor que só o verdadeiro líder chamado por Deus possui. Ele possuía a marca de Cristo: o amor. Demonstrou-lhes ser, realmente, um apóstolo chamado por Cristo Jesus, a fim de levar o Evangelho aos gentios até aos confins da terra.
Paulo liderou e influenciou por meio do exemplo, de forma planejada, fazendo com que todos os seus liderados trabalhassem em torno de um propósito específico e atingisse um objetivo comum: viver para agradar a Deus. Um homem ou uma mulher conseguem ser líderes quando conseguem igualmente lidar com pessoas totalmente diferentes e conduzi-las a que trabalhem juntas em prol do Reino de Deus.
CONCLUSÃO
Como ser um autêntico líder, em tempo de tantos enganos, de falsos governantes, de crise moral e social em todas as camadas da sociedade? Mais do que nunca a humanidade necessita de pessoas compromissadas com o reino de Deus, que inspirem confiança em seus liderados.
Ser Líder de um organismo vivo, como a Igreja do nosso Senhor Jesus, não é ter um emprego como se fosse um “alto executivo”, um grande “empresário”, mas é ter plena dependência de Deus; é ser servo, capaz de administrar a obra de Deus com humildade e sabedoria; é ser exemplo de vida para os que estão esperando uma orientação. Assim como foi o apóstolo Paulo. O líder autêntico busca seguir o seu conselho: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo”(1Co 11:1).
-----------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br, e no Blog: http://luloure.blogspot.com/
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 2Corintios. 2Corintios – Rev. Hernandes Dias Lopes. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdnald. II Corintios – Colin Kruse.

terça-feira, 2 de março de 2010

Aula 10 - A DEFESA DA AUTORIDADE APOSTÓLICA DE PAULO

Leitura Bíblica: 2 CORÍNTIOS 10:1-8,17,18
07 DE MARÇO DE 2010

"Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus [...]" (2 Co 1.1).

INTRODUÇÃO
Nos capítulos 10 a 13 estudaremos a terceira e última parte da carta de 2Corintios, a saber, a defesa da autoridade apostólica de Paulo. Nos nove primeiros capítulos Paulo escreveu para a maioria da congregação que o amava e o apreciava(ver 7:8-16). Mas, nestes quatro últimos capítulos, dirigiu-se ao pequeno grupo que o acusava de ter um ministério fraco, de “ser forte em cartas, mas frágil na aparência pessoal e de discurso desprezível”. Os acusadores de Paulo eram judaizantes que se diziam cristãos, e inflamaram a igreja coríntia contra o apóstolo. Paulo não se defendia pessoalmente, mas defendia seu ministério e sua autoridade apostólica. Ele suportou ataques ao seu caráter, pois sabe que estava longe de ser perfeito, mas não permitiu ataques contra a obra do Espírito, na igreja, por intermédio dele. Paulo admitiu viver no mundo, mas não se sujeitou aos seus padrões.
I. PAULO RESPONDE AOS SEUS ADVERSÁRIOS
Os falsos apóstolos haviam se infiltrado na igreja de Corinto, fazendo com que "desprezassem" os sofrimentos de Paulo. Na verdade, tais pessoas diziam o seguinte sobre ele: "Se Deus está de verdade com esse homem, então por que tantas acusações vergonhosas estão se acumulando contra ele? Por que Paulo está sendo jogado na prisão? E como um homem de Deus pode dizer que está 'desesperançado da vida'? Não dá para entender como que um homem de oração pode ser tão atacado e diminuído. Se Paulo tivesse realmente fé, ele não estaria vivendo esses problemas”.
Acusações como essas ainda são lançadas hoje contra servos consagrados que enfrentam sofrimentos e críticas. Quantas vezes você já ouviu um cristão falando assim de outro cristão: "Alguma coisa de errado deve ter na vida dele para enfrentar tanto sofrimento". No caso de Paulo, o alvo era seus críticos querendo quebrar a sua autoridade espiritual.
1. A aspereza versus a delicadeza de Paulo (10.1,2). Paulo muda drasticamente seu estilo nos últimos quatro capítulos. Há momentos que o líder do rebanho do Senhor deve agir com aspereza no intuito de disciplinar a igreja no caminho certo a seguir, e há momentos que ele deve agir com brandura, visando o mesmo propósito; ambas as situações, devem ser controladas pelo Espírito Santo. Quando isso não acontece, aí vem as conseqüências negativas, dentre elas a quebra da unidade da igreja e de comunhão. Todo obreiro, portanto, é um ser humano dotado de sentimentos e que reage às situações; controlado, porém, pelo Espírito, não perde jamais a compostura cristã.
O estilo aplicado por Paulo trouxe benefício a Igreja de Corinto, trazendo-a à unidade da fé e ao respeito pela autoridade espiritual do apóstolo. Paulo agora, olha para o futuro, para a nova visita em Corinto. Essa visita não tornará a acontecer “em tristeza”(2:1), porém, provavelmente, trará consigo uma última luta com aqueles que desencaminharam e confundira a igreja.
2. Paulo apela para a mansidão e ternura de Cristo (10.1,2). “Além disso, eu, Paulo, vos rogo, pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas ausente, ousado para convosco; rogo-vos, pois, que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia que espero ter com alguns que nos julgam como se andássemos segundo a carne”.
Ao apelar para as virtudes de Cristo (mansidão e benignidade), Paulo foge ao padrão mundano; opta por uma resposta branda. Paulo não se põe numa torre de marfim, encastelado em sua prepotência para humilhar as pessoas com sua autoridade. Ele pede e roga com mansidão e benignidade. Ele tinha autoridade para dar ordens à igreja, mas ele roga, pede com humildade. Na verdade, ele queria evitar uma ação disciplinar contra os rebeldes. Além disso, Paulo não desejava amedrontar os cristãos de Corinto, pois eram seus filhos espirituais.
Mansidão não é moleza nem complacência com o pecado. Cristo foi manso quando, cheio de compaixão, recebeu pecadores, sem, contudo, minimizar seus pecados. É à luz dessa mansidão afetuosa que Paulo roga à igreja. O que Paulo rogava a igreja? O versículo 2 responde: “ rogo-vos, pois, que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia que espero ter com alguns que nos julgam como se andássemos segundo a carne”. O apóstolo não desejava ser ousado para com eles como pretendia ser para com aqueles que o acusavam de agir de forma carnal.
Segundo Colin Kruse(II Coríntios – introdução e comentário – pg 184 e 185): “Andar na carne, no conceito dos adversários de Paulo, provavelmente significava agir sem autoridade alguma(11:20-21), sem experimentar visões e revelações(12:1), sem executar sinais miraculosos(12:11,12), não sendo uma pessoa mediante quem Cristo estaria falando(13:3). Na verdade, diriam talvez esses inimigos de Paulo, “andar na carne” significava executar um empreendimento puramente humano utilizando o engano e a malícia(12:16-18)”.
3. Paulo diz que sua conduta não era segundo a carne (10.3). “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne”.
O apóstolo não aceita a acusação leviana assacada contra ele nem se cala diante da afronta. Seus acusadores queriam esvaziar sua autoridade apostólica e denegrir sua integridade moral. Paulo responde a seus opositores que, embora viva na carne, ou seja, está sujeito à fraqueza da natureza humana, não milita segundo a carne, ou seja, não anda segundo os ditames da carne. Andar na carne significa participar da existência humana normal com todas as limitações. Não militar segundo a carne significa não desempenhar o ministério cristão com meros recursos humanos, isento do poder de Deus, com a tendência concomitante a empregar meios duvidosos(1:17; 4:2; 12:16-18). Em outras palavras, Paulo estava declarando que não seguimos os desejos da carne, porquanto, embora habitemos em corpos físicos, somos guiados pelo Espírito de Deus (Gl 5.16).
II. INIMIGOS E ARMAS ESPIRITUAIS DO APOSTOLADO
1. Os inimigos interiores (10:4,5). “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo”.
O ministério exercido pelo apóstolo Paulo lhe acarretou uma grande soma de inimigos: os externos(os judeus-não cristãos e os romanos); os interiores(os falsos ensinos e as falsas acusações contra o seu ministério perpetrados pelos falsos apóstolos). Os que mais lhes causou perturbação na alma e lhes trouxe tanta preocupação foram os inimigos interiores ou internos, porque acarretou grande estrago na mente e no coração da igreja.
Paulo se via em uma guerra contra o raciocínio arrogante dos falsos apóstolos, sofismas, isto é, argumentos contrários à verdade, propositalmente maquiados por argumentos verdadeiros, para que possa parecer real. O verdadeiro caráter desses sofismas é descrito na expressão “contra o conhecimento de Deus”.
Hoje, poderia ser usado para descrever o raciocínio de cientistas, evolucionistas, filósofos e fanáticos religiosos cujo modo de pensar exclui a Deus. O apóstolo não está disposto a assinar uma trégua com esses inimigos internos. Antes, seu compromisso é levar “cativo todo conhecimento à obediência de Cristo”. Todas as especulações e ensinamentos humanos devem ser julgados à luz dos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Paulo não condena a intelectualidade humana em si, mas adverte contra o exercício intelectual rebelde e desobediente ao Senhor.
Também em nosso íntimo existem guerras espirituais sendo travadas. O próprio apóstolo Paulo discorre sobre isso em sua carta aos Gálatas (5:17), quando revela a luta entre os desejos da carne e do espírito. Entretanto, ele nos revela como vencer essa guerra tão difícil contra inimigos tão poderosos - "Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne" (Gl 5:16).
2. As armas espirituais (10:4,5). O conflito entre as forças de Deus e as de Satanás é espiritual e precisa ser travado com armas espirituais – “ Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas”. A vida cristã não é um parque de diversões, mas um campo de guerra. Estamos numa milícia(campanha), e não numa estufa espiritual. Nossa luta é contra as hostes espirituais da maldade(Ef 6:12).
O ataque do inimigo fazia parte de uma grande campanha militar. Os poderes do inferno atacavam a igreja e era importante não ceder nenhum território. Neste campo de guerra, as armas carnais e humanas, tais como habilidade, riqueza, capacidade organizacional, eloqüência, persuasão, influência e personalidade são, em si mesmas, inadequadas para destruir as fortalezas de Satanás. As únicas armas adequadas para desmantelar os arraiais de Satanás, a injustiça e os falsos ensinos são as que Deus nos dá.
Essas armas são “poderosas em Deus”(10:4b-5). São armas poderosas porque são espirituais e provêm de Deus. Noutros trechos, Paulo alista algumas dessas armas: a dedicação à verdade, uma vida de retidão, a proclamação do evangelho, a fé, o amor, a certeza da salvação, a Palavra de Deus, e a oração perseverante(Ef 6:11-19; 1Ts 5:8). Mediante o emprego dessas armas contra o inimigo, a igreja sairá vitoriosa.
Essas armas constroem em vez de destruir. São armas que dão vida em vez de matar. Elas são eficazes para algumas finalidades:
· Elas destroem a resistência do inimigo(10:4). Essas armas destroem fortalezas. Essas fortalezas são muralhas que resistem, portas que se fecham, e paredes que aprisionam. Essas fortalezas são: sistemas, esquemas, estruturas e estratégias que satanás maquina para frustrar e obstruir o progresso do evangelho de Cristo. Essas fortalezas parecem inexpugnáveis, mas as armas que usamos podem derrotar essas muralhas, fazer ruir essas resistências. O evangelho é a dinamite de Deus que quebra pedreiras, arrebenta rochas e demole toda oposição.
· Elas anulam as estratégias do inimigo(10:4). Essas armas anulam sofismas(argumentos contrários à verdade). A batalha é travada no campo das idéias. Essa guerra não é travada contra pessoas em si, mas contra padrões de pensamentos, filosofias, teorias, visões e táticas. O diabo cega o entendimento dos incrédulos(4:4). Ele distorce a verdade, dissemina o erro e espalha a mentira. As nossas armas desmantelam esses sofismas, desnudam esses artifícios e aniquilam esses raciocínios falazes.
· Elas acabam com o orgulho do inimigo(10:5). Essas armas são poderosas em Deus para anular toda altivez que se levanta contra o conhecimento dele. A “altivez” simboliza os argumentos intelectuais, as racionalizações erigidas pelos seres humanos contra o evangelho. Quando o apóstolo Paulo pregou o evangelho para os filósofos atenienses, eles desprezaram sua mensagem. Para os filósofos, o evangelho era pura tolice(At 17:32). Entretanto, mediante a proclamação do evangelho, essa argumentação oca é destruída, e os pecadores são salvos. Há muitos falsos intelectuais que tentam ridicularizar a verdade de Deus. Há muitos homens soberbos que escarnecem da fé cristã. Esses homens soberbos e insolentes escarnecem da inerrância da Bíblia e pisam com escárnio suas doutrinas. Mas quando usamos a verdade de Deus, essa altivez arrogante cai por terra e cobre-se de pó.
· Elas aprisionam o pensamento do inimigo(10:5). As armas espirituais não aprisionam homens, mas idéias. Elas libertam os homens, levando todo pensamento cativo à obediência de Cristo. Portanto, o propósito do apóstolo não é apenas demolir os falsos argumentos, mas também conduzir os pensamentos das pessoas sob o senhorio de Cristo. Quando as pessoas se arrependem, experimentam uma inversão completa em seu modo de pensar que, a partir daí, dirigem suas ações à obediência a Cristo. Por essa obediência a Cristo, a razão escapa da escravidão do erro e do pecado e volta a encontrar sua verdadeira liberdade para a qual foi criada(João 8:32).
Pr. Elienai Cabral diz que “enquanto soldados de Cristo, militando o bom combate aqui na terra, estamos sujeitos às tentações e males dentro e fora da igreja. Portanto, temos de andar de acordo com as leis do Espírito, lutando sempre com as armas espirituais, que são: a Palavra de Deus - a espada do Espírito - a verdade, um caráter justo e reto, a proclamação do Evangelho da paz, a fé, a certeza da Salvação, e uma vida de oração (Ef 6.11-18)”.
III. A PERSPECTIVA DE PAULO SOBRE AUTORIDADE
“Olhais para as coisas segundo a aparência? Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo: assim como ele é de Cristo, também nós de Cristo somos. Porque, ainda que eu me glorie mais alguma coisa do nosso poder, o qual o Senhor nos deu para edificação e não para vossa destruição, não me envergonharei, para que não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas”(2Co 10:7-9).
1. O significado de autoridade. Autoridade significa o direito e a capacidade de comandar, exigir obediência e julgar. Em outras palavras, a nossa autoridade é o fundamento ou o padrão que temos para distinguir o certo do errado. Em todas as áreas, tem que haver um padrão de autoridade. Para as distâncias, a autoridade é o metro; para o peso, é a balança; para o tempo, o relógio; na escola, o diretor; na igreja, o pastor; no lar, os pais. Dependemos da autoridade para tudo o que realizamos; sem autoridade, só há confusão e anarquia.
Deus é a fonte de toda a autoridade, Ele é a autoridade suprema. Portanto, é dEle que provem todas as demais autoridades que existem -“...porque não há autoridade que não venha de Deus...”(Rm13:1). Isto significa que ninguém tem autoridade, a não ser o próprio Deus e Ele é quem concede autoridade a todas às pessoas. Deus tem autoridade direta e o homem tem autoridade delegada. Quando obedecemos a qualquer autoridade delegada estamos obedecendo à autoridade do próprio Deus.
Para que haja autoridade é condição indispensável a existência do poder. Sem poder não há autoridade. Pela Bíblia sabemos que o poder pertence a Deus, conforme declarou o Salmista Davi – “Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus”(Salmo 62:11). Só Deus, pois, é Senhor, por natureza; só ele tem, em si mesmo, o poder. Só ele pode dizer: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome...”(Isaias 42:8).
Nenhum homem tem autoridade de si mesmo. O Senhor Jesus, diante de Pilatos, deixou esta verdade bíblica bem clara de que o poder pertence a Deus – “Disse-lhe, pois Pilatos: não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?”. Pilatos pensava que o poder era dele! Muitos, hoje, continuam pensando como Pilatos! O Senhor Jesus não negou que Pilatos tivesse poder; reconheceu que o poder lhe conferia autoridade sobre ele, como homem. Porém, falou-lhe sobre a origem do poder que Pilatos pensava ser dele: “Respondeu Jesus: nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado...”(João 19:10-11).
Portanto, Deus é fonte de toda autoridade, e o homem tem apenas autoridade delegada – “Porque, ainda que eu me glorie mais alguma coisa do nosso poder, o qual o Senhor nos deu para edificação e não para vossa destruição, não me envergonharei, para que não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas”(2Co 10:8,9).
A autoridade de Paulo vem de Jesus e não dele mesmo. Ele não consagrou a si mesmo apóstolo, ele foi chamado por Cristo para ser apóstolo. Ele não precisava de cartas de recomendação como os falsos apóstolos. A própria igreja de Corinto era sua carta. Sua autoridade não procedia da terra, mas do céu; não de homens, mas do próprio Deus.
2. A perspectiva de Paulo quanto à autoridade espiritual. Como apóstolo do Senhor Jesus Cristo, Paulo havia recebido autoridade sobre as igrejas organizadas por ele. O objetivo dessa autoridade era edificar os salvos na fé santíssima. Os falsos apóstolos, por outro lado, exerciam entre os cristãos uma autoridade que não haviam recebido do Senhor. Além disso, usavam essa autoridade para destruir os santos, e não para edificá-los. Paulo, por sua vez, exercia seu apostolado para edificação, e não para destruição(10:9). Paulo não exercia uma autoridade arrogante. Ele não exigia respeito pela intimidação, ele o conquistava pelo seu exemplo. Sua liderança não inspirava medo, mas obediência. Ele usava sua autoridade para fortalecer a igreja, enquanto os judaizantes usavam a igreja para fortalecer a autoridade deles. Nossa autoridade não emana de nós mesmos, ela vem de Cristo.
CONCLUSÃO
Deus deu vitória ao servo do Senhor, o apóstolo Paulo, cuja autoridade foi desafiada e confrontada com armas pesadas advindas das potestades do ar. Não obstante, a maioria dos crentes corintios aceitou a sua autoridade e se submeteu aos seus ensinos e apostolado (7:8-16). Apenas uma minoria, orientada por falsos obreiros, que se intitulavam apóstolos, que subvertia o evangelho, faziam o trabalho de Satanás(11:13,14), e continuava a resistir a Paulo e a caluniar a sua pessoa e seu caráter. O inimigo desejava enfraquecer a Paulo e a sua liderança, impedindo a igreja de avançar. Ele também deseja fazer o mesmo conosco. Por isso, devemos estar alertas e armados com as armas que Deus nos dá, pois esta é uma batalha espiritual.
Se você é fiel ao Senhor e está enfrentando oposição, não desanime. Siga o exemplo da Paulo. Não se exaspere, não deixe de realizar a obra que lhe foi confiada por Deus com amor e zelo. Não devemos temer falsas acusações, pois essas sempre farão parte da vida de um servo fiel.
--------------
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no site: www.adbelavista.com.br, e no Blog: http://luloure.blogspot.com/
-------
Fonte de Pesquisa: Bíblia de Estudo-Aplicação Pessoal. Bíblia de Estudo Pentecostal. Bíblia de estudo DAKE. O novo dicionário da Bíblia. Revista o Ensinador Cristão. Guia do leitor da bíblia – 2Corintios. 2Corintios – Rev. Hernandes Dias Lopes. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento – William Macdnald. II Corintios – Colin Kruse.