sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"O HOMEM DO CÉU"

















Li (devorei) recentemente o livro “O homem do Céu”. Não contive as lágrimas que escorriam no meu rosto no decorrer da leitura. Recomendo a todos os cristãos que adquiram esse livro, pois certamente vai impactar suas vidas! Nele podemos observar que o livro de Atos continua sendo escrito pelos verdadeiros cristãos, que não abriram mão das verdades irrevogáveis do Evangelho de Jesus, e prosseguem vivendo e pregando a mensagem da cruz. O Irmão Yun é um desses, vivendo exclusivamente para servir a Jesus, escapou milagrosamente das mãos do governo comunista chinês, em 2001, após sofrer barbaridades por seu amor a Cristo. Este livro é um relato de um verdadeiro cristianismo.

Homem do Céu

O irmão Yun é conhecido em toda a China como o homem do Céu, por causa de um incidente acontecido em 1984, quando se recusou a revelar sua identidade para não colocar em risco outros cristãos. Ao ser preso, em vez de dizer seu nome e endereço, fato que permitiria identificar outros cristãos, ele esbravejava: “Sou um homem do céu ! Meu lar é o céu!”. Os cristãos reunidos em casas próximas, ouviram os gritos e perceberam que era uma alerta para fugirem, para não serem presos por causa do “crime” de servir a Jesus. O irmão Yun sofreu terríveis violências e prisões, mas o Senhor prosperou a sua palavra e tem resgatado milhões de chineses das trevas. As igrejas domésticas na China, perseguida brutalmente pelo governo, continua desafiando o poder das trevas, pois já somam mais de 80 milhões de irmãos.

Nascimento e infância

Ele nasceu em 1958, na província de Henan, China. De um lar extremamente pobre e filho de um pai de temperamento violento, viu a situação de seu lar piorar quando inimigos acusaram seu pai perante a Guarda Vermelha (Polícia do governo comunista chinês), sendo este espancado e torturado várias vezes e até quase a morte, pela acusação de ser contra a política do governo.

Como a Bíblia era proibida e pregar o evangelho era um crime contra o estado, uma experiência com Cristo só poderia acontecer de uma forma extremamente sobrenatural. Mas foi exatamente assim que aconteceu com sua mãe, ao ouvir certa vez uma voz compassiva e carinhosa sobre o amor de Jesus. O seu curto entendimento não impediu que ela conduzisse sua família a crer que somente Jesus era a esperança para salvar da morte seu marido que estava à beira da morte.

O irmão Yun bradava “Jesus, cura o Papai”. O Senhor operou um milagre e restabeleceu sua saúde. O Senhor entrou na história da família de Yun, quando sua mãe passou a pregar o evangelho e a reunir irmãos em sua casa, algo considerado crime de traição ao governo comunista.

A Bíblia

Yun quase enlouqueceu por uma Bíblia. Nunca tinha sequer visto uma, era crime possuí-la. Não conhecia nada das escrituras. Sua mãe além de não conhecer também nada, era analfabeta, tudo que fazia era por absoluta revelação do Espírito Santo. Passou a orar freneticamente pedindo uma Bíblia, passando momentos longos de jejum. Seus pais pensaram que ele estava enlouquecendo. Após três meses de oração, um dia, às 4 horas da madrugada, quando Yun estava orando, teve uma visão:
“Na visão eu subia uma colina íngreme, tentando empurrar um carrinho pesado ... Nesse momento vi três homens descendo a colina na minha direção ... Um deles empurrava um carrinho cheio de pães...e perguntou-me: ‘- Você está com fome?’ Sim... E eu chorei , pois minha família era extremamente pobre e tínhamos perdido tudo por causa da doença do papai ... vivíamos de ajuda dos outros. Ele pegou um pacote contendo pães e disse: ‘- Coma imediatamente’. O pacote imediatamente virou uma Bíblia. Logo acordei e passei a procurar a Bíblia, e ao descobri que tinha sido só um sonho, comecei a chorar incontroladamente. Meu pai me segurou com força e bradou: ‘- Senhor, tem misericórdia do meu filho. Não permitas que ele enlouqueça.’ De repente alguém bateu a porta e chamou por mim ... eu corri e perguntei se ele estava trazendo pão para mim ... o homem respondeu: ‘- Temos um banquete para você’. Abri a porta e vi que era o mesmo homem do sonho, com um pacote vermelho, tendo uma Bíblia dentro. Os dois logo se foram. Mais tarde descobri que era de um servo do Senhor que tinha sofrido violentamente nas mãos governo por causa de sua fé em Jesus ... ele teve uma visão que deveria dar uma Bíblia para um jovem em uma vila distante.

Um evangelista começa a carreira aos 16 anos

Como carregar a Bíblia poderia lhe causar a morte, o irmão Yun passou a decorá-la. Rapidamente memorizou os evangelhos. Tinha apenas 16 anos, quando o Senhor expressamente começou a lhe enviar a lugares diversos para pregar o evangelho. Na primeira vez, quando o Senhor lhe falou sobre uma vila próxima, quando ele estava na madrugara orando e decorando o livro de Atos, logo pela manhã encontrou um homem desconhecido que lhe disse: ‘Recebi a incumbência de levá-lo rumo ao oeste, até a Vila Gao, para você falar do evangelho. Estamos em jejum e oração há três dias por isto.’ Yun prontamente foi lá e teve sua primeira experiência de ser um “criminoso”, ao pregar o evangelho:

“Entramos numa casa com 40 pessoas. Assentei-me no chão e os demais se apertaram a minha volta. Eu estava nervoso, porque eu nunca tinha falado para um grupo ... Fiquei assentado , com os olhos bem fechados e segurei a Bíblia acima da cabeça. Então disse: ‘Esta é a Bíblia ... um anjo do Senhor a mandou. Se quiserem uma terão de orar e buscar a Deus como eu fiz’. Eu não sabia como pregar, só sabia recitar os versículos que decorei. Por isto recitei todo o evangelho de Mateus, sem saber se estavam entendendo algo ... Estava cheio do Espírito Santo, cantava alguns cânticos da escritura .... músicas que eu não conhecia. Ao abrir os olhos todos estavam ajoelhados e chorando de arrependimento".

Toda sua família foi alcançada

“Sou grato a Deus porque ele salvou toda a minha família. Meu pai partiu para o Céu anos depois de ser curado milagrosamente de um câncer. Sofri e me alegrei ao mesmo tempo, pois o Senhor o resgatou. Deus usou a enfermidade de meu pai para levar nossa família ao pé da cruz. Minha mãe adorava a Deus noite e dia em jejuns e orações. O Senhor me deu uma esposa virtuosa, Delling. Disse a Ela: ‘- Deus me escolheu para ser testemunha Dele e seguí-lo através de dificuldades imensas, no caminho da cruz. Não tenho dinheiro e estou sendo perseguido pela polícia. Você quer mesmo casar comigo?’ Ela respondeu: ‘Nunca te abandonarei. Vamos nos unir e serviremos juntos ao Senhor.’ Quando fomos ao cartório para o casamento, fui identificado como criminoso contra o estado e fui preso. Mesmo assim, Delling não desistiu".

Foragido

Após o casamento, Yun foi preso novamente e por um milagre tremendo do Senhor, conseguiu escapar das mãos das autoridades, que o espancavam brutalmente. Passou então a ser considerado um foragido e tendo sua foto espalhada por diversas províncias, com o titulo de ser ‘um perigoso criminoso’.

“No inverno de 1978, começamos a batizar os convertidos. A única maneira segura era cortar um buraco no rio congelado, à noite, e batiza-los nas águas gélidas, enquanto os policiais dormiam. Multidões se convertiam todos os dias.” Havia muitas conversões milagrosas, como em regiões remotas e de difícil acesso, pessoas tinham experiências de pregação do próprio Senhor Jesus.

A situação de Yun piorou quando ele acusou diretamente alguns líderes da ‘Igreja dos três poderes’ de falsificadores da Palavra de Deus. Além de perseguido pelo governo, passou a ser caçado pela liderança da ‘Igreja dos três poderes’. Por várias vezes Yun relata fugas milagrosas das mãos de policiais cruéis. O livro é recheado de histórias que nos fazem lembrar as experiências de Paulo e de Pedro, no livro de Atos.

A lição da prisão

Finalmente preso e tremendamente espancado pela polícia, lhe foi prometido a liberdade se ele entregasse os líderes das igrejas domésticas. Condenado a 17 anos de cadeia, passou por sofrimentos inimagináveis. Os policiais foram instruídos a tratar mal todos os presos de sua cela, para que estes se revoltassem contra Yun. Não demorou para que fosse odiado por todos, que o passaram a espancar, jogar urina e fezes em seu rosto e roupas. Ainda havia o espancamento sofrido por policiais, tais como choques elétricos dentro da boca e outras torturas insuportáveis, como introdução de agulhas grandes entre suas unhas, enquanto policiais pisavam em suas mãos e pés, além de urinarem em seu rosto. Tudo tinha como objetivo que ele entregasse os outros irmãos para serem presos, em troca de sua liberdade.

Yun começou um jejum absoluto que durou 74 dias: sem água e comida. Passou a pesar menos de 30 quilos e continuou sendo torturado violentamente por presos e policiais. “Durante o jejum, embora meu corpo estivesse muito fraco, meu espírito se achava alerta e continuei confiando no Senhor.” Mas, o Senhor operou um tremendo milagre, quando todas as pessoas da sua cela foram tocadas pelo poder do evangelho e se converteram a Cristo.

Yun teve os ossos de suas pernas esmigalhados a golpes de cassetetes, mesmo assim o Senhor operou um milagre, não só restaurando seus ossos, mas levando-o para fora da prisão, tal como aconteceu com Pedro e João no livro de Atos. As portas foram abertas e ninguém o via, até que ganhou o lado externo do complexo penitenciário.


Após uma breve abertura política na China, Yun pôde pregar o evangelho com mais liberdade, fase em que o impacto da obra que Deus iniciou através dele e outros irmãos causaram enorme impacto em toda China. Mas, a brutalidade do regime reacendeu e as igrejas domésticas voltaram a ser duramente perseguidas, com assassinatos, prisões e torturas de todo tipo. Yun conseguiu fugir milagrosamente da China em 2001, escapando da morte, em mais uma notável intervenção divina. Este irmão continua completamente voltado para a obra que o Senhor chama a todos os cristãos : anunciar a Cristo e seu evangelho. Após contatos com cristãos ocidentais, o Irmão Yun observou: “No ocidente vejo templos belíssimos e equipamentos caros. Posso afirmar que não é preciso construir mais nada, pois os bens materiais não produzirão a vida do Senhor. A igreja ocidental precisa voltar à palavra do Senhor, pois ela tem faltado. Não é necessário simplesmente o conhecimento da palavra, mas a completa obediência a ela.”

Hoje ele trabalha com uma missão chamada “Back to Jerusalém”, voltada a envio de missionários a países que perseguem duramente os cristãos, notadamente nos países mulçumanos.

SE DEUS NOS AMA POR QUE SOFREMOS?















......”Senhor, está enfermo aquele a quem amas”(JOÃO 11:3)


Este é um dos assuntos mais intrigantes da vida: Se Jesus nos ama, por que sofremos? Não é simples refletir a respeito desta questão do sofrimento do justo.

Os profetas analisaram esta questão e ficaram muitas vezes angustiados com o sofrimento do justo. O profeta Habacuque, num dado momento da sua vida, ficou até desesperado ao perceber como o justo era esmagado, injustiçado e pisado pelo ímpio.

O salmista Asafe, por sua vez, no Salmo 73, entra numa crise espiritual, porque olha de sua janela e vê o ímpio prosperando, tendo saúde, amigos e ele, que é piedoso, é castigado cada manhã, passando por lutas e provações as mais amargas.

Talvez estejamos enfrentando esta crise. Temos andado continuamente com Deus e neste momento estamos passando por dificuldades e aflições indescritíveis. Quem sabe tenhamos perdido o emprego, ou estamos lidando com dramas de enfermidade em nossa casa. Pode ser que estejamos passando por lutas emocionais ou lutas espirituais. Talvez nossa vida esteja sendo encurralada por circunstâncias adversas que fogem ao nosso controle. Talvez estejamos enfrentando como que uma avalanche que desce sobre nós e nos envolve e engole e, então, não sabemos mais o que fazer da vida.

O evangelista João, capítulo 11 de seu evangelho, fala de uma família, mas não era uma família qualquer, mas uma família a qual Jesus amava. Compunha-se de três irmãos: Marta, Maria e Lázaro. Esta família estava enfrentando um drama. Lázaro estava doente. O fato daquela família ser amiga de Jesus não impediu que ela enfrentasse a enfermidade.

O fato de sermos cristãos não significa que temos uma carta de alforria ou um cartão de imunidade das lutas e das provações da vida. Cristianismo não é uma sala vip. O Cristianismo não é um parque de diversões, nem uma colônia de férias. Nós não temos imunidades especiais. Mas temos sim imanência sobrenatural, temos a presença de Jesus conosco.

O profeta Isaias diz: “Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque, eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel”(Isaias 43:2-3a).

Deus está conosco no vale da dor. Deus está conosco no leito da enfermidade. Deus está conosco nas agruras, nas intempéries, nas vicissitudes, nas tempestades da vida. Mas quero lhe dizer que as crises, muitas vezes surpreendentes, que não conseguimos controlar, se agigantam, mesmo quando somos pessoas que andam com Deus, da mesma forma que aconteceu com Lázaro. Ele ficou doente e piorou, ao ponto de chegar a morrer.

E não é simples conciliar o amor de Jesus com o sofrimento. Aquela família de Betânia, tão logo Lázaro ficou doente, mandou em recado para Jesus, e mandou um recado na medida certa, com a base certa, dizendo: “Senhor, está enfermo aquele a quem amas”(João 11:3).

Interessante é que eles não disseram: “Aquele que te ama está enfermo, mas aquele a quem amas está enfermo”. Por quê? Porque quem ama tem pressa em socorrer a pessoa amada.

Tenho certeza que Marta dizia para as pessoas que estavam na sua casa: Jesus virá. Ele nunca nos deixou na mão. Ele nunca nos desamparou. Quem sabe as pessoas circunstantes ali diziam: Marta, será que Jesus não vem? Será que ele não vai socorrer vocês na hora de sua aflição? E Marta com firmeza respondia: Ele vem. Ele nunca nos deixou numa situação constrangedora e difícil. Ele vai chegar.

Mas de repente, a Bíblia registra que Lázaro morreu e Jesus não estava lá. Essa é uma crise, essa é uma dor. Essa é uma situação adversa para a qual muitas vezes não temos resposta. Mas vimos que Marta teve que enfrentar o problema da demora de Jesus.

Talvez este seja um dos maiores dramas da vida. Por que Jesus demora? Por que é que as providencias parecem carrancudas? Por que é que algumas situações parecem estar contra nós? Por que é que as coisas ruins acontecem com pessoas boas? Às vezes nos parece que as pessoas que andam na contramão da vontade de Deus colhem providências mais favoráveis.

O texto diz que Jesus Cristo manda um recado para Marta: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado”(João 11:4).

Um aspecto interessante é que a Bíblia diz que este mensageiro levou um dia para ir até onde Jesus estava. Quando Jesus recebeu a noticia, Ele permaneceu mais dois dias no lugar onde estava e só depois, no quarto dia, Jesus Cristo vai em direção a Betânia. Quando chega a Betânia, a Bíblia registra que Lázaro já estava morto e sepultado fazia quatro dias. Portanto, isso significa que logo que Marta enviou o emissário até Jesus, Lázaro morreu e foi sepultado naquele mesmo dia. Quando o emissário chega para Marta trazendo o recado de Jesus de que aquela enfermidade não era para morte, Lázaro já estava morto e sepultado fazia dois dias. Parecia uma mensagem absurda. Parecia algo contraditório.Parecia uma mensagem que conspirava contra toda a lógica.

Às vezes as coisas de Deus parecem não fazer sentido. Às vezes crer em Deus parece um absurdo que atenta contra a lógica mais comezinha. Parece que o sofrimento do justo é algo que atenta contra a razão, contra o bom senso, contra a fé.

Mas diz a Bíblia que Jesus vai até Betânia. E quando chega a Betânia, Marta vai ao seu encontro com amargura na alma; com tristeza no coração; talvez até com uma ponta de revolta, dizendo para Jesus: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão(João 11:21). Jesus olha para Marta e diz: “Teu irmão há de ressuscitar. Ela disse: “Eu sei que ele há de ressuscitar na ressurreição, no último dia. Jesus então diz para Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Crês isto?”(João 11:25,26).

Notamos então algo maravilhoso. Marta está vivendo um drama, num conflito entre a lógica e a fé. Ela disse: Jesus, eu acreditava que se tu estiveras aqui o milagre teria acontecido, ou tu terias evitado a morte do meu irmão. Ela conjuga o verbo no passado. Quando Jesus fala da ressurreição, ela conjuga o verbo no futuro. Ela diz, eu sei que ele há de ressuscitar no último dia. Mas Jesus corrige a teologia de Marta dizendo: Marta, eu não fui, não serei, eu sou a ressurreição e a vida. Eu sou o Deus que age agora. Eu sou aquele que intervém agora.

Nossas causas perdidas podem ser vitoriosas agora. Não existe causa perdida para Jesus. Não existe problema que Ele não possa resolver. Não existe situação irrecuperável para Jesus. Lázaro estava morto e sepultado há quatro dias. Era uma causa perdida para muitos, mas, para Jesus, era uma causa vitoriosa.

Talvez haja algumas causas na vida que consideramos perdidas. Talvez ficamos pensando que nosso casamento não tem mais jeito. Que nosso filho, ou nossa filha, não tem mais recuperação. Quem sabe com relação à nossa saúde, os médicos já lavaram a sentença, não tem cura. Mas há algo importantíssimo que quero dizer aqui: Se Jesus quiser, com toda certeza, tem jeito!

Para Ele não há causa perdida. Talvez pensemos: Eu já fui longe demais; estou afundado no pecado, no vício, para mim não tem mais jeito, não tem mais recuperação. Se Jesus quiser, tem jeito, porque Ele perdoa pecados, é Ele quem levanta o caído e restaura o abatido, Ele faz novas todas as coisas. Jesus pode restaurar nossa alma e salvar a nossa vida.

Mas, atentemos para o ato de que agora é Maria quem vai ao encontro de Jesus. Chegando perto dEle, ela se prostra e chora aos pés do Mestre. Ela repete as mesmas palavras de Marta, sua irmã, dizendo: “Senhor, se estiveres aqui, meu irmão não teria morrido”(João 11:32. E diz a Bíblia que Jesus se comove. Que Jesus chora. Que Jesus vai ao túmulo de Lázaro e ali Ele chora, nos ensinando uma verdade gloriosa, a verdade de que Jesus Cristo se identifica com a nossa dor.

Ele não está longe, Ele não está indiferente. Ele não está silencioso. A aparente demora de Jesus é pedagógica. Ele sabe o que estamos passando. Quando Ele parece demorar, na verdade está trabalhando para fazer algo maior e melhor em nossa vida, porque o plano dEle é melhor que o nosso plano.

A ressurreição de um morto é um milagre maior do que a cura de um doente. A ressurreição de um morto, há quatro dias sepultado, é maior do que a ressurreição de um morto que acabou de morrer. Na verdade, Jesus é aquele que se compadece de nós e aquele que tem todo o poder para restaurar a nossa sorte diante dos dramas de nossa vida.

Quero dizer o seguinte: Jesus Cristo sabe o que é a dor do sem-teto, porque Ele não tinha onde reclinar a sua cabeça. Jesus Cristo sabe o que é a dor da solidão, porque na hora mais angustiante de sua vida, nem os seus discípulos mais achegados estavam do seu lado, quando Ele estava com o rosto em terra suando gotas de sangue, clamando ao Pai: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!”(Mt 26:39).

Jesus Cristo sabe o que é a dor da perseguição, porque Ele foi perseguido desde a sua infância por Herodes, o Grande; foi perseguido pelos fariseus, pelos escribas, pelos sacerdotes, pela multidão.
Jesus Cristo sabe o que é a dor da traição, porque o seu discípulo em quem ele investiu, o traiu lhe dando um beijo traidor. Ele sabe o que é ser ultrajado, cuspido, zombado, escarnecido. Ele sabe a dor que passamos, que sentimos.

Ele sabe o que é a dor da enfermidade, porque a Bíblia diz que Ele foi enfermado, Ele tomou sobre si as nossas dores, as nossas enfermidades, os nossos pecados.

Jesus sabe o que é a dor da morte, porque lá na cruz do Calvário, quando Ele foi feito pecado por nós, quando foi feito maldição por nós, Ele deu um grito de desamparo: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”(Mt 27:46). E, naquele momento, Ele foi ferido. Naquele momento Ele foi traspassado. Naquele momento Ele sentiu o drama da angústia avassalando a sua alma.

Cristo sabe o que estamos passando. Porém, Ele é o Deus que restaura a nossa sorte. Jesus chega à porta da sepultura de Lázaro e diz: “Lázaro, vem para fora!”(João 11:43). E aquele que estava morto há quatro dias ressuscita. E Jesus disse a seguir: “Desatai-o e deixai-o ir”(João 11:44).

Jesus tinha um propósito em tudo isso.

O primeiro propósito de Jesus era a glória de Deus. “Esta enfermidade não é para morte, mas para a glória de Deus”. Se passamos por lutas e sofrimentos é para que Deus seja glorificado nesse sofrimento, porque a “leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação”(2Corintios 4:17).

A segunda motivação de Jesus era que os seus discípulos cressem nEle. Da multidão que estava ali, muitos creram nEle. Passamos por lutas para que creiamos, para que saibamos que Deus é amor, que Deus é bom, que Deus é fiel, que Deus é aquele que tem um plano maravilhoso para nossa vida.

E, em terceiro e último lugar, Jesus permitiu tudo isso porque Ele estava disposto a morrer em nosso lugar, em nosso favor. Naquele momento trama-se a prisão de Jesus, que culmina com a sua morte na cruz. Ele está pronto. E não somente está pronto, mas também disposto a morrer para que nós vivamos.

Quando sofremos, isso não está fora do controle de Jesus. Isso não está fora do conhecimento dEle. Isso está incluído na agenda de Deus. Faz parte do projeto de Deus. Um projeto bom, um projeto perfeito, um projeto glorioso, vitorioso e vencedor.

O sofrimento não é sinônimo do desprazer de Deus. Às vezes Deus permite que soframos, para que experimentemos da sua consolação, da sua intervenção milagrosa.

Se estamos sofrendo, se estamos angustiados, se estamos desesperados, vamos entregar a nossa causa para Jesus. Ele sabe o que está fazendo. Ele sabe quem somos, onde estamos, o que estamos passando, e Ele pode vir, trazer o socorro de que tanto precisamos.

Em qualquer lugar onde estivermos, podemos fechar nossos olhos e orar. Podemos colocar a nossa causa na presença de Deus. Talvez nossa oração pode ser esta: “Oh Deus, em nome de Jesus, quero colocar agora nas tuas mãos a nossa causa. Senhor, toca nosso coração com as consolações do Espírito Santo. Meu Deus, enxuga nossas lágrimas. Meu Deus, restaura aquele que está caído, cura aquele que está enfermo, perdoa aquele que está caído na sarjeta do pecado, agrilhoado neste cipoal do vício, de desespero emocional, de desespero espiritual. Restaura nossa vida Senhor, restaura nosso coração, levanta nossa família, faz novas todas as coisas, e glorifica o teu nome em nossa vida, em nossa família. Oh Deus, opera agora o milagre maravilhoso do consolo, do refrigério, para que nossa família possa receber a intervenção do céu, a manifestação da tua graça. Em nome do Senhor Jesus. Amém!”.
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Hernandes Dias Lopes
Extraído do Livro TRANSFORMANDO VIDAS
Socep Editora Ltda

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Aula 09 - A CONVERSÃO DE PAULO

Texto Base: Atos 9:1-16

Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome”(At 9:15,16).

INTRODUÇÃO

Nesta aula veremos um dos mais importantes encontros já descritos na Bíblia: o de Paulo com o Senhor Jesus Cristo. O relato da sua conversão é uma narrativa que muito nos esclarece a respeito da salvação. As suas características nos permitem verificar o que significa o novo nascimento, a regeneração do pecador, a transformação de uma criatura de Deus em filho de Deus. A narrativa da conversão de Paulo mostra que, antes de se encontrar com o Senhor, o então perseguidor da Igreja era alguém que “respirava ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor”. Paulo, no seu zelo religioso, apenas trazia ameaças e mortes contra o próximo. O zelo religioso, sem a presença de Jesus Cristo na vida do religioso, somente redunda em ameaças e mortes. Paulo, porém, teve um encontro com Cristo, confessou seus pecados, entregou-se inteiramente a Jesus e passou a ter uma nova vida, que implica em um relacionamento intimo e pessoal com Jesus Cristo.

I. SAULO DE TARSO

O apóstolo Paulo era inicialmente chamado de Saulo. Nasceu na cidade de Tarso, capital da província romana da Cilícia, costa sul da atual Turquia (At 9:11; 21:39; 22:3). Era fabricante de tendas (ofício que deve ter aprendido quando criança e adolescente em Tarso – cfr. 1Ts 2:9; At 18:3). Depois de Jesus é considerado a figura mais importante do cristianismo. Era um judeu da Diáspora (Dispersão), de uma importante e rica família hebraica tradicional (2Tm 1:3; Fp 3:5; 2Co 11:22; Gl 1:14). Começou a receber desde cedo a formação rabínica, sendo criado de uma forma rígida no cumprimento das rigorosas normas dos fariseus, classe religiosa dominante daquela época, e ensinado a ter o orgulho racial tão peculiar aos judeus da antiguidade.
Quando se mudou para Jerusalém, para se tornar um dos principais dos sacerdotes do Templo de Salomão, deparou-se com uma “seita” iniciante que tinha nascido dentro do judaísmo, mas que era contrária aos principais ensinos farisaicos.
Dentro da extrema honestidade para com a sua fé e sentindo-se profundamente ofendido com esta “seita”, que se chamava cristã, começou a persegui-la, culminando com a morte de Estêvão, que foi o primeiro mártir do cristianismo.
Com a anuência dos principais dos sacerdotes, Saulo viajou para Damasco atrás de seguidores do cristianismo. Na entrada desta cidade, teve uma visão de Jesus, que em espírito lhe perguntava: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Ficou cego imediatamente. Foi então levado para a cidade. Depois de alguns dias, um discípulo de Jesus, chamado Ananias, foi incumbido de orar por ele. Apartir de então, se tornaria o "Apóstolo dos Gentios", ou seja, aquele enviado para disseminar o Evangelho para o povo não judeu. Foi especialmente perseguido pelos judeus, que o consideravam um grande traidor.
Fez quatro grandes viagens missionárias, sendo que na última foi à Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia.
Ele escreveu pelo menos treze livros do Novo Testamento – de Romanos a Filemon. Através de suas cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição.
No ano de 68 d.C., foi morto pelas Legiões Romanas, nas perseguições aos Cristãos instauradas por Nero, depois do grande incêndio de Roma.

1. A formação cultural de Paulo. Paulo estudou em escola de Tarso, onde teve acesso a todo o pensamento filosófico estóico, que tanto lhe serviria ao longo do seu ministério (que o diga o seu discurso perante o Areópago em Atenas — At 17:15-31 — que é uma demonstração de erudição da filosofia grega). Embora tivesse nascido em Tarso e gozasse da cidadania romana, Paulo era, antes de tudo, um israelita, da tribo de Benjamim (Rm 11:1) e sua erudição e inteligência foram, certamente, os principais motivos que o levaram a estudar a lei com Gamaliel em Jerusalém (At 22:3), o grande mestre fariseu (At 5:34), já que, tudo indica, seu pai pertencia a esta seita judaica (At 23:6). O farisaísmo era uma seita ligada ao judaísmo que valorizava a obediência à lei e a prática dos ritos judaicos.
Em Jerusalém, Paulo completa a sua educação, instruindo-se na lei judaica e dela se tornando um exímio conhecedor. Tornou-se um religioso contumaz (Fp 3:6). Ele mesmo afirmava que em sua nação, excedia em judaísmo a muitos de sua idade, sendo extremamente zeloso das tradições de seus pais (Gl1:14). Era um profundo conhecedor do Antigo Testamento(Rm 1:17; 3:4,510-18; 9:6-33), das tradições de seu povo(At 26:24; 28:17,18; Gl 1:13-14) e da língua hebraica(At 22:1,2).
Percebemos, assim, nitidamente, que Deus permitiu que Paulo fosse formado nas letras judaicas, gregas e romanas, para que fosse um eficaz vaso na propagação do Evangelho entre os gentios a partir de sua conversão. Tudo quanto aprendera seria utilizado no ministério, tanto que Paulo denomina a todo este conhecimento de “esterco” (Fp 3:8), ou seja, como fertilizante, como material que serve para fortalecer, corroborar o conhecimento que adquiriu de Cristo Jesus. Eis uma demonstração cabal de que o conhecimento secular não é obstáculo, mas um auxiliar poderoso no ministério de cada cristão e como não têm razão alguma os inimigos do estudo, os anti-intelectualistas, que, lamentavelmente, ainda existem aos milhares nas igrejas locais. Se o estudo secular fosse um mal, um entrave na obra do Senhor, por que Deus teria preparado durante décadas o apóstolo Paulo?
2. Paulo, cidadão romano. Encontramos em Atos a explicação de Paulo sobre sua identidade: “Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia” (At 21:39). No primeiro século, Tarso era a principal cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. A cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que passava no meio dela. O general romano Marco Antônio concedeu-lhe o privilégio de libera civitas (“cidade livre”) em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse parte de uma província romana, era autônoma, e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. Nessa cidade cresceu o jovem Saulo.
Paulo não era apenas “cidadão de uma cidade não insignificante”, mas gozava da cidadania romana, o que, àquela época, era uma prerrogativa de poucas cidades, o que lhe dava o direito de ser tratado como se fosse um natural de Roma. A cidadania romana era preciosa, pois acarretava direitos e privilégios especiais como, por exemplo, a isenção de certas formas de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado nem crucificado. Todavia, o relacionamento dos judeus com Roma não era de todo feliz. Raramente os judeus se tornavam cidadãos romanos.
Paulo era cidadão romano “por direito de nascimento”. Em At 22:24-29 vemos Paulo conversando com um centurião romano e com um tribuno romano(centurião era um militar de alta patente no exército romano com 100 homens sob seu comando; o tribuno, neste caso, seria um comandante militar). Por ordens do tribuno, o centurião estava prestes a açoitar Paulo. Mas o Apóstolo protestou: “Ser-vos-á porventura lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (At 22:25). O centurião levou a notícia ao tribuno, que fez mais inquirição. A ele Paulo não só afirmou sua cidadania romana, mas explicou como se tornara tal: “Por direito de nascimento” (At 22:28). Isso implica que seu avô ou seu pai fora cidadão romano.
“Embora conhecesse muito bem os seus direitos como romano(At 22:25-29;25:10-12,21,27), era-lhe a cidadania celeste(Ef 2:19; Fp 3:20) mais importante do que os privilégios concedidos pelos homens”(Claudionor de Andrade –LBM –pg. 66).

II. A CONVERSÃO DE PAULO

A conversão de Paulo se deve apenas a graça soberana de Deus. A graça divina faz com que os seres humanos sejam verdadeiramente humanos. É o pecado que encarcera; a graça liberta. A graça de Deus nos liberta da escravidão do nosso orgulho, preconceito e egocentrismo, fazendo-nos capaz de nos arrepender e crer. Não podemos fazer outra coisa, senão engrandecer a graça de Deus que teve misericórdia de um fanático enfurecido como Paulo, e de criaturas tão orgulhosas, rebeldes e obstinadas como nós.
1. O Encontro com Jesus. A narrativa da conversão de Paulo mostra que, antes de se encontrar com o Senhor, o então perseguidor da Igreja era alguém que “respirava ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor”. Paulo, no seu “zelo religioso”, apenas trazia ameaças e mortes contra o próximo. O “zelo religioso”, sem a presença de Jesus Cristo na vida do religioso, somente redunda em ameaças e mortes. Não é de surpreender, portanto, que o “zelo religioso” tenha promovido mortes e tragédias ao longo da história da humanidade e continuará a fazê-lo, inclusive o fará durante o tenebroso governo do Anticristo durante a Grande Tribulação. Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: “… vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus”(João 16:2).
Saulo era mais um destes milhões de fanáticos religiosos que, em seu zelo sem Cristo, apenas alimentam a violência, o ódio e a dor. De posse das cartas recebidas do sumo sacerdote com autorização para prender os cristãos que encontrasse em Damasco e os levasse presos a Jerusalém, tem um encontro no caminho com o Senhor Jesus.
Saulo e sua escolta (não sabemos quem eram) tinham quase completado sua viagem de cerca de 240 quilômetros, que deve ter levado por volta de uma semana. Quando se aproximaram de Damasco, perto do meio dia, de repente, “uma luz do Céu brilhou ao seu redor”(Atos 9:3), mais clara do que o sol(Atos 26:13). Foi uma experiência tão grandiosa que ele ficou cegado (Atos 9:8,9) e caiu por terra(9:4), prostrado aos pés de seu conquistador(Jesus Cristo). Então uma voz dirigiu-se a ele (26:14), de forma pessoal e direta: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. E respondendo à pergunta de Saulo sobre a identidade daquele que falava, a voz continuou: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”(At 9:5). Imediatamente, Saulo deve ter entendido, pela forma extraordinária como Jesus se identificou com os seus seguidores, que persegui-los era perseguir a Ele, que Jesus estava vivo e que suas afirmações eram verdadeiras. Assim obedeceu prontamente à ordem de levantar-se e entrar na cidade, onde lhe seriam dadas outras instruções. Enquanto isso, os seus companheiros de viagem, pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo, contudo ninguém (At 9:7). Eles também não entenderam as palavras do orador invisível (Atos 22:9). Mesmo assim, “guiando-o pela mão, levaram-no para Damasco”(At 9:8). Ele, que esperava entrar em Damasco na plenitude do seu orgulho e bravura, como um autoconfiante adversário de Cristo, estava sendo guiado por outros, humilhado e cego, capturado pelo Cristo a quem se opunha. Não podia haver dúvidas sobre o que acontecera. O Senhor ressurreto aparecera a Saulo. Não era um sonho ou uma visão subjetiva; era uma aparição objetiva de Jesus Cristo ressurreto e exaltado. A luz que viu era a glória de Cristo, e a voz que ouviu era a voz de Cristo. Cristo interrompeu a sua impetuosa carreira de perseguição e fez com que se voltasse em direção contrária.
Somente um encontro pessoal com Jesus Cristo pode mudar o caráter de uma pessoa. Não há conversão sem que se encontre pessoalmente com Jesus Cristo. Saulo, após se converter, iniciou esta experiência, que alcançou um patamar tão profundo que, certa vez, afirmou: “… vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus…” (Gl.2:20).
2. Ananias visita a Paulo(Atos 9:10-19). Três dias haviam passado desde o seu encontro com Jesus ressurreto, “durante os quais nada comeu nem bebeu”(9:9). Como bom fariseu, buscou a Deus em jejum, não mais o jejum ritual e formalista que costumava fazer, mas uma intensa busca de Deus, para saber qual era a vontade do Senhor para a sua vida, tanto que teve uma visão em que Ananias orava por ele e lhe restabelecia a vista (At 9:12), que foi precisamente o que aconteceu, oportunidade em que, demonstrando ser uma pessoa realmente convertida, aceitou ser batizado nas águas e, nesta ocasião, também foi cheio do Espírito Santo, ou seja, batizado com o Espírito Santo (At 9:17,18).
A princípio, quando ordenado a visitar Paulo, Ananias vacilou. Ele estava muito relutante em fazer aquela visita, e sua hesitação era compreensível. Ir até Saulo seria o mesmo que se entregar à policia. Seria suicídio. Pois já tinha ouvido a respeito dele e dos males que havia feito ao povo de Jesus em Jerusalém(9:13). Ananias também sabia que Saulo viera a Damasco “com autorização dos principais sacerdotes para prender todos os crentes”(9:14). Mas Jesus repetiu sua ordem, dizendo: “Vai”; e acrescentou que Saulo era um instrumento escolhido para levar o seu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel(9:15) – ministério que lhe traria muito sofrimento por amor a esse mesmo nome(9:16). Assim, Ananias foi até à Rua Direita (9:11), que ainda é a principal rua que vai de leste a oeste de Damasco, e entrou na casa de Judas, no quarto em que estava Saulo. Lá ele lhe impôs suas mãos, talvez para identificar-se com Saulo enquanto orava pela cura de sua vista e pela plenitude do Espírito Santo para dar-lhe poder para exercer seu ministério. Imediatamente “lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e tornou a ver”. Depois disso, ele foi batizado nas águas(9:18), provavelmente por Ananias, que assim o recebeu de forma visível e pública na comunidade de Jesus. Só depois, Saulo se alimentou e, então, após três dias de jejum, “sentiu-se fortalecido”(9: 19).
Aqui temos preciosas lições: a conversão genuína leva a pessoa a ter uma vida de oração e consagração a Deus. Paulo passou a buscar a Deus assim que se converteu, querendo saber qual a vontade do Senhor para a sua vida. A conversão genuína leva a pessoa a aceitar o batismo nas águas, a cumprir as ordenanças do Senhor. A conversão genuína e a busca incessante do Senhor leva-nos ao revestimento do poder, ao batismo com o Espírito Santo, indispensável para um ministério eficaz. Por fim, a obra do Evangelho não se limita a salvar a alma, mas também a curar o corpo; Saulo foi curado da cegueira, para que pudesse exercer a obra do Senhor. Jesus continua o mesmo: salva, cura e batiza com o Espírito Santo.
3. Saulo, de perseguidor a perseguido(ler Atos 9:19-25). Os discípulos em Damasco abriram o coração e os lares para Saulo. Logo, ele começou a pregar nas sinagogas, proclamando com ousadia que Jesus é o Filho de Deus. Os ouvintes judeus ficaram consternados, pois, até então, Saulo havia odiado o nome de Jesus. Agora, estava pregando que Jesus é Deus, que Ele era o Messias de Israel. Os judeus ficaram tão furiosos que planejaram tirar a vida daquele que, outrora, havia sido seu defensor, mas agora era um “apóstata”, um “renegado”, um “vira-casaca”. Para que Saulo pudesse fugir da cidade, os discípulos o colocaram num cesto grande e desceram-no por um buraco na muralha da cidade durante a noite. Saulo partiu de forma humilhante, mas, como todos aqueles que são quebrantados, pôde suportar por amor a Cristo o opróbrio do qual outros se esquivariam.

III. PROPÓSITOS DA VOCAÇÃO DE PAULO

Paulo, um vaso escolhido, foi chamado por Deus desde o ventre materno (At 9:15,16;Gl 1:15). Isso, porém, não tem nada que ver com predestinalismo, que não leva em consideração a livre-escolha(At 26:19; Dt 30:19; Is 1:18-20; Ap 22:17). É no caminho para Damasco que Jesus Se lhe revela e ocorre a extraordinária conversão (At 9:1-18). Quando orava no Templo, em Jerusalém, após sua conversão, Paulo teve uma experiência pela qual sua vocação foi confirmada (At 22:17-21).
Os propósitos da vocação de Paulo são desenvolvidos nas três narrativas de sua conversão exaradas no livro de Atos(At 9:3-18; 22:6-21; 26:12-18).
1. Conhecer a vontade de Deus“E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade...”(At 22:14). Para Paulo conhecer a vontade de Deus era preciso primeiramente que ele tivesse um encontro pessoal com o Senhor Jesus e houvesse uma conversão radical de sua vida. O homem natural, orgulhoso, simplesmente religioso, fanático, materialista, não compreende a vontade de Deus.
Sem arrependimento de pecados, não há genuína conversão. Jesus chama Saulo ao arrependimento de seus pecados. Saulo tinha de reconhecer que era o perseguidor, embora isto fosse extremamente penoso para sua mente, concepções e viver. Este chamado ao arrependimento é reforçado pela expressão “dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões” (At.26:14), ou seja, é duro resistir a obedecer a Deus, chegar ao ponto da ferida, retirar o “aguilhão”, ou seja, a ponta de ferro da aguilhada, o orgulho próprio, a vaidade pessoal, o que sempre ocasionará dor (na NVI, a expressão é “resistir ao aguilhão só lhe trará dor”), mas que é absolutamente indispensável para que sigamos a Cristo. Sem renúncia de nós mesmos, sem tomarmos a nossa cruz, é impossível seguir o Senhor Jesus (Mc 8:34; Lc 9:23), é impossível conhecer a sua vontade. Paulo passou a buscar a Deus assim que se converteu, querendo saber qual a Sua vontade para a sua vida.
Para sabermos a vontade de Deus para nossa vida é necessário que cultivemos uma vida de íntima comunhão com Ele. À medida que conhecemos o Senhor sua vontade vai se tornando mais evidente para nós. Romanos 12:2 nos diz: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”
2. Tornar-se ministro e testemunha de Jesus – “... porque te apareci por isto, para te por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda”(At 26:16). Saulo seria, acima de tudo, apóstolo aos gentios, uma comissão que o colocaria diante de reis. Não obstante, pregaria também aos seus compatriotas segundo a carne e seria nas mãos deles que sofreria perseguição mais intensa.
Pela formação do apóstolo Paulo, não é possível vislumbrar que seu ministério fosse para os gentios, pois quando apresenta sua biografia, de forma breve, mostra que sua formação intelectual e social estava voltada para atender aos interesses do Judaísmo. Mas Deus tinha outros planos para ele. Seu desafio seria falar com aqueles que estavam fora dos círculos judaicos, e essa era uma tarefa e tanto. Se os judeus, com o conhecimento da Lei de Moisés (que trazia as profecias sobre Jesus e a sua vinda), nem sempre aceitaram a mensagem do Evangelho, quem dirá os gentios, que nem sequer tinham, em muitos casos, o conhecimento da Lei nem a fé no Deus de Israel. Mas esse desafio foi vencido de tal forma que o Evangelho chegou até nós”(Ensinador Cristão nº 45).
3. Sofrer a favor de Cristo e do evangelho - “Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. “Pois eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome”(Atos 9:15,16). A conversão de Paulo incluiu não somente uma ordem para pregar o evangelho, mas também uma chamada para sofrer por amor a Cristo. Paulo foi informado desde o início que ele sofreria muito pela causa de Cristo. No reino de Cristo, sofrer por amor a Ele é um sinal do mais alto favor de Deus (Mt 5:11,12; Rm 8:17; 2Tm 2:3) e o meio de ter um ministério frutífero (2Co 1:3-6); resulta em recompensas abundantes no céu (Mt 5:12; 2Tm 2:12). Para outros textos sobre os sofrimentos de Paulo, ver 2Co 4:8-18; 6:3-10; 11:23-27; Gl 6:17; 2Tm 1:11,12.

CONCLUSÃO

A conversão é obra do Espírito Santo na vida do homem. É o Espírito Santo que convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), não sendo uma tarefa que se faça por força ou violência (Zc 4:6). O violento e zeloso Paulo, que, por meio de ameaças e mortes, procurava levar os cristãos judeus de volta ao judaísmo, descobriu que a transformação do homem se dá pelo Espírito Santo. Paulo é um exemplo impressionante da graça de Deus que causou efeitos tão grandiosos, agarrando um rebelde obstinado como ele e transformando-o completamente de “lobo em cordeiro”.
“Existem muitos Saulos de Tarso no mundo. Como ele, são intelectualmente bem dotados e têm caráter; homens e mulheres de personalidade, energia, iniciativa e impulso; tendo a coragem de suas convicções seculares; profundamente sinceros, mas sinceramente enganados; viajando de Jerusalém para Damasco, e não de Damasco para Jerusalém; duros, teimosos, até mesmo fanáticos, em sua rejeição de Jesus Cristo. Mas eles não estão fora do alcance de Sua graça soberana. Precisamos ter mais fé, mais expectativa santa, que nos levarão a orar por eles(como, com certeza, os cristãos primitivos oraram por Saulo) para que Cristo primeiro pique com seus aguilhões para depois agarrá-los definitivamente”(John Stott).
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Novo Testamento)
John Stott – A mensagem de ATOS(Até os confins da Terra)
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.
Eliezer de Lira e Silva - Paulo, um missionário zeloso e autêntico.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil (BBB)













Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço.

A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vivendo sob o signo da coerência

Certa feita, em Londres, um pastor pegou um ônibus, pagou a passagem, recebeu o troco e foi sentar-se. Ao contar o dinheiro, deu-se conta de ter recebido uma quantia maior que a devida. Decidiu, então, retornar e devolver o excedente ao cobrador. “O senhor me deu dinheiro a mais” – disse o pastor. O cobrador respondeu: “Eu sei. Estive ontem na sua igreja e o vi pregando sobre fidelidade. Eu só queria saber se o senhor vive o que prega”.

A primeira vez que ouvi essa história, tive inevitavelmente de perguntar a mim próprio se o que eu pregava batia com o tipo de vida que eu estava a viver. Isso é o mínimo que uma pessoa sensata pode fazer. Ou então, viver no limite inescrupuloso do princípio máximo da hipocrisia, que diz: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Todos sabemos que a ética nos ensina a viver sob o signo da coerência e que nossas ações devem, no mínimo, corresponder ao que falamos. Isto porque, independentemente da posição que ocupamos na sociedade, todos seremos cobrados quanto a isso. E quanto maior a posição, maior a cobrança. Como disse Jesus: “Àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12.48).

Não apresentar coerência nesse ponto equivale ao resultado decorrente de limpar o lado de uma vidraça e deixar o outro sujo. A visão ficará sempre embotada. Desse modo, quando pessoas investidas de autoridade são um mau exemplo, porque as palavras não condizem com suas ações, isso causa uma deformidade no psiquismo coletivo de seu grupo social, gerando insegurança e instabilidade nas relações sociais.

No mundo, há inúmeros exemplos de partidos políticos que, enquanto pequenos e fora do poder, primavam pela pregação da coerência e exigiam de seus pares e opositores correção na coisa pública. Porém, depois que assomaram ao poder, não poucas vezes pisaram em tudo o que pregavam. Só restou aos sociólogos de plantão entender o que aconteceu na esteira de sua mudança radical em sentido contrário. Mas, no geral, isso pode indicar pelo menos duas coisas: ou pregavam o que não tinham ousadia para viver, ou passaram a viver o que não tiveram coragem para pregar.

Ora, se isso é, de certo modo, comum aos partidos políticos (pois todos eles são, vez por outra, colocados em xeque entre o que afirmam em seus programas de governo e o que fazem quando assumem cargos executivos), tal só se estabelece porque há uma tolerância de grande parte da sociedade.

Por exemplo, na época da eleição, os candidatos tentaram passar a impressão de que, uma vez eleitos, transformariam a vida num mar de rosas. Na campanha, houve “solução” para todo tipo de problema.

Porém, a hora de checagem da coerência chegou. Agora que a presidenta, juntamente como os novos governadores, deputados e senadores assumiram seus cargos, será fácil constatar se as promessas foram feitas para serem cumpridas, ou se os problemas permanecerão intocados até à próxima eleição.

Pergunta-se: o que anda errado com um país, quando suas lideranças mentem ou, por incoerência ética, dizem uma coisa e fazem outra? O que fazer quando juízes se colocam acima da lei, como a fazer valer que, embora todos sejam iguais diante da lei, são desiguais perante o juiz? O que dizer quando líderes religiosos, legisladores e educadores dizem uma coisa em público e fazem outra em privado?

Quando isso acontece, a pergunta que não quer calar é essa: que lições estamos a transmitir aos nossos filhos?

A Bíblia é riquíssima em orientações para que mantenhamos a coerência entre o que falamos e o que vivemos. Paulo questiona: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? (Rm 2.21,22).

Jesus afirma: “Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mt 5.37). O que Ele está dizendo é óbvio: as nossas palavras têm de estar sob o signo da coerência. Ou seja: quando empenhamos nossa palavra, temos de cumpri-la; nossas ações posteriores devem corresponder ao compromisso dessa mesma palavra.

Apenas como exemplo, devemos nos lembrar do que foi dito a um eloquente pregador, o qual vivia na incoerência de pregar bonito e viver na fealdade de detestáveis maus costumes: “O que vives fala tão alto que não consigo escutar o que pregas”.

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Aula 08 - QUANDO A IGREJA DE CRISTO É PERSEGUIDA

Texto Base: Atos 8:1-8

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa”(Mt 5:11).

INTRODUÇÃO

"Perseguição” é o “ato de seguir até o fim, instar, reclamar, buscar, procurar, prosseguir, continuar”, sendo uma palavra que vem do latim “persequor”, que tem a idéia de “que segue assiduamente, que prossegue sem descanso; que não larga, que não descontinua”, ou, numa expressão bem popular, “que não larga do pé”.
Desde o seu nascedouro, a Igreja foi e está sendo perseguida. Satanás nunca a deixou quieta. Assim que uma pessoa aceita a Cristo e passa a pertencer à Igreja, passa a ter em seu encalço o adversário, que não descansa enquanto não conseguir tirar esta pessoa da luz, trazendo-a de volta para as trevas. É uma luta incansável do adversário e, por isso, o Senhor nos manda ter bom ânimo, pois não podemos nos cansar. Enquanto estiver aqui na Terra a Igreja passará por perseguições. O apóstolo Paulo ressaltou isso quando escreveu ao jovem Timóteo: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3:12).
Estevão, um dos primeiros mártires da Era Cristã, sentiu na pele o peso da perseguição (At 7:52), mas não apenas ele, a igreja primitiva pagou um alto preço por seguir a Jesus (Hb 11:38; 1João 3:12); basta ler as histórias dos mártires do Coliseu para constatar. Paulo é um caso especial de alguém que perseguiu e depois passou a ser perseguido (At 9:1-9; Fp 3:6; 1Co 15.32; 2Co 11.23). No Apocalipse, a igreja de Esmirna, tipifica a igreja perseguida e vitoriosa (Ap 2:9,13).

I. OS EFEITOS DA MORTE DE ESTÊVÃO

Usando os seus súditos, Satanás matou Estevão. O resultado para o reino de Satanás foi catastrófico. Os crentes de Jerusalém se espalharam por toda parte e incendiaram o mundo através da pregação do Evangelho.
A morte de Estevão desencadeou uma perseguição generalizada contra a igreja(Atos 8:1-3). Os cristãos foram dispersos por toda a Judéia e Samaria. Até então, o testemunho dos discípulos tinha se limitado exclusivamente a Jerusalém. A perseguição serviu, então, para impelir os discípulos receosos de levar o evangelho a outros lugares. Do ponto de vista humano, foi um dia sombrio para os cristãos. Um membro de sua comunidade dera a vida pela fé. Eles próprios estavam sendo perseguidos como animais. Do ponto de vista divino, porém, foi auspicioso. Um grão de trigo precisava ser plantado no solo para dar muito fruto. Os ventos da aflição estavam levando a lugares distantes sementes do evangelho que dariam frutos incalculáveis.

1. Efeito sobre Paulo. O martírio de Estevão teve um efeito no caráter e personalidade de Paulo. Certamente, a morte daquele servo de Deus impressionou profundamente ao fariseu Saulo de Tarso, contribuindo para a sua conversão, levando-o a se tornar apostolo dos gentios. Mas tarde, Paulo, agora apostolo, faz menção de que ele fora cúmplice da execução de Estevão e que aquele fato lhe impressionara: “E,quando do sangue de Estevão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as vestes dos que o matavam”(At 22:20).

2. Efeitos sobre a Igreja. A Igreja ficou abalada, até mesmo aturdida com o martírio de Estevão e com a oposição violenta que se seguiu. Mas, olhando adiante, podemos ver como a providencia de Deus usou o testemunho de Estevão, em palavras e em obras, na vida e na morte, para promover a missão da Igreja. Quando os “piedosos varões” puseram-se a sepultar o corpo de Estevão, não sabiam eles estarem, na verdade, semeando uma semente que, de imediato, multiplicar-se-ia dentro e fora dos termos de Israel. Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”.
A morte de Estevão ocasionou “uma grande perseguição”, que provocou a dispersão dos discípulos “pelas regiões da Judéia e Samaria”(At 8:1). Por toda parte aonde iam, pregavam as boas-novas da salvação. Filipe, o “diácono” do capítulo 6, que tinha o dom ministerial de evangelista(At 21:8), foi para o norte, para a cidade de Samaria(Atos 8:6). Além de anunciar Cristo, realizou muitos sinais. Os espíritos imundos foram expulsos, e muitos paralíticos e coxos foram curados. Como a mensagem genuinamente evangelística e cristocêntrica resulta em bênçãos divinas e conversões, havia muita alegria na cidade. A pregação de Filipe era acompanhada de cura e libertação, por isso, atraiu toda a população de Samaria. Muitos se converteram ao evangelho e, como aconteceu em Jerusalém no Dia de Pentecostes, foi realizado um batismo em água, que marcou o início da igreja naquela localidade (ler Atos 8:4-8).
É interessante observar que o “feitiço” do diabo (que está por trás de toda a perseguição à Igreja) se voltou contra ele mesmo. Seu ataque resultou num efeito contrário àquele que havia planejado. Ao invés de aniquilar o evangelho, a perseguição apenas o espalhou. Como disse certo escritor: “o vento aumenta a chama”. Um exemplo moderno é o que aconteceu na China, em 1949, quando o governo foi derrotado pelos comunistas. 637 missionários da Missão para o Interior da China foram obrigados a deixar o país. Parecia um desastre total. Segundo Johh Stott, “dentro de quatro anos, 286 deles foram trabalhar no Japão e no Sudoeste da Ásia, enquanto que os cristãos chineses, mesmo sob severa perseguição, começaram a se multiplicar e agora perfazem um número trinta ou quarenta vezes maior do que o existente quando os missionários saíram (os números não são conhecidos)”.
A igreja é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja. Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida. No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer.

II. QUANDO A IGREJA É PERSEGUIDA

As perseguições contra a Igreja nunca cessaram. Satanás sempre “bateu” de frente com a Igreja, mas perdeu todas. O Senhor Jesus havia dito que “...as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(Mt 16:18). Hoje, a perseguição é camuflada. Satanás, sutilmente, está usando pessoas de dentro da igreja (falsos mestres e falsos pastores) para persegui-la, com disseminação de falsas teologias, falsas doutrinas, falsos ensinos. Peçamos a Deus o dom de discernimento, ele é indispensável nestes últimos dias da Igreja.
A opressão sofrida pela igreja, ao longo do tempo, se deu de várias maneiras: por meios religiosos, teológicos, em cumprimento a determinações legais, políticos e/ou culturais. Em muitos lugares esses elementos foram aplicados de modo integrado a fim de que os perseguidos não encontrem escapatória. Por falta de espaço, trataremos aqui, em resumo, apenas sobre a perseguição física, cultural e institucional.

1. Perseguição física. O início da perseguição dos judeus contra a igreja se deu quando Pedro e João, em o nome de Jesus, curaram um coxo de nascença que ficava esmolando à “porta do templo chamada Formosa” (At 3:2). Naquele episódio, os apóstolos foram presos (At 4:3), mas muitas pessoas creram, elevando o número dos cristãos a quase cinco mil (At 4:4). A igreja primitiva sofreu muito com as prisões, ameaças e mortes, mas nada disso impossibilitou seu extraordinário crescimento (At 5:19, 29; 6:8-15).
No Império Romano a perseguição física aos cristãos foi tremenda e horrível. Segundo os historiadores, Nero chegou ao poder em outubro do ano de 54. Era um homem insano, filho de Agripina, uma mulher assassina e perversa. Na noite de 18 de julho de 64, estourou um catastrófico incêndio em Roma. O fogo durou 6 dias e 7 noites. 10 dos 14 bairros da cidade foram destruídos pelas chamas vorazes. Segundo rumores este incêndio foi produto da loucura do próprio Nero, que o assistiu no alto da torre de Mecenas, no cume do Palatino, vestido como um ator de teatro, tocando sua lira e cantando versos acerca de destruição de Tróia. Pelo fato de 2 bairros onde havia a maior concentração de judeus e cristãos não terem sido atingidos pelo incêndio, Nero encontrou uma boa razão para culpar os cristãos pela tragédia. Daí para a frente, eclodiu uma sangrenta perseguição física. Além de matá-los com requinte de crueldade, fê-los servir de diversão para o público. Segundo o historiador Tácito, os cristãos eram vestidos de peles de animais para que os cães os matassem a dentadas. Outros foram crucificados. E a outros, ao cair da noite, eram amarrados nos postes e ateavam-lhes fogo para iluminarem os jardins de Roma. Sua loucura só não foi mais longe, porque no ano de 68 boa parte do império se rebelou contra ele e o Senado romano o depôs. Desesperado, sem ter para onde ir, suicidou-se. No ano 70, Tito, filho de Vespasiano, envergando a púrpura romana, tomou Jerusalém e destruiu a cidade com crueldade indescritível. Naquele tempo multidões foram esmagadas. Ele também construiu o Coliseu Romano e nos 100 dias de inauguração 10.000 cristãos foram mortos. Correu na cidade um rio de sangue. Milhares foram mortos de fome, outros foram crucificados, outros foram devorados à espada, outros foram deportados como mercadoria e vendidos como escravos. Houve uma dispersão para o mundo inteiro.
Satanás, usando o império Romano matou milhares, porém, converteram-se milhões. No final de cerca de dois séculos e meio de ardente e terrível perseguição, segundo a história, havia cerca de seis milhões de cristãos no Império Romano. Deu tudo errado para Satanás. A Igreja, tendo o Senhor Jesus como seu Comandante, venceu, e seguiu triunfante.
Na Idade Média, vários foram os instrumentos destrutivos que os Papas usavam para intimidar os crentes fiéis, e uma delas, foi a satânica “santa inquisição”. Muitos cristãos foram queimados vivos nas fogueiras do ódio, mas Satanás fracassou outra vez. Os cristãos perseguidos por toda Europa, começaram a migrar para a América. Acabaram construindo nela a maior potência da Terra e, através dela, o Evangelho foi sendo alcançado por todo o mundo, tendo inclusive chegado ao Brasil. Deu tudo errado para Satanás. A Igreja tendo o Senhor Jesus como seu Comandante, venceu, e seguiu triunfante.

2. Perseguição cultural. A perseguição cultural manifesta-se por meio da literatura anticristã e através da indústria de entretenimento. Escritores e intelectuais seculares, a serviço do inferno, têm feito de tudo para profanar e perverter o evangelho de Cristo. Certo autor, de renome internacional, publicou recentemente um livro que relata uma falsa história sobre a vida sentimental de Jesus. Este livro possui o mesmo teor dos livros hereges e antibíblicos rejeitados pela igreja nos primeiros séculos do cristianismo.
Além da literatura, outras manifestações culturais têm sido usadas para desqualificar e desacreditar o Cristianismo. Peças teatrais, filmes como "A Última Tentação de Cristo", músicas, pinturas, e outras formas de expressão artística têm sido manipuladas pelo Diabo para afastar as pessoas do evangelho de Cristo.
A igreja permanece fiel ao seu caráter ao preservar sua distinguibilidade. Ela não faz nenhum favor à sociedade adaptando-se à cultura popular prevalecente, porque falha em sua tarefa justamente no ponto em que deixa de ser ela mesma. Quando a Igreja adota uma ética moral formada pela cultura popular prevalecente, está negando sua natureza. Antes, a Igreja tem de expressar a ética social que já encarna; tem de transmitir a história de Cristo, uma história que continuamente causa impacto nas relações sociais dos seres humanos.
A igreja deve ser ela mesma pelo bem da humanidade. É o papel da Igreja servir e transformar a sociedade e suas instituições. Para realizar esta tarefa, a igreja deve ser a Igreja e não se assimilar com a cultura popular prevalecente. Só um Cristianismo que não se envergonha de ser ele mesmo pode fazer isto."(
JOHNS, C.B.;WHITE, V.W. A ética de ser: caráter, comunidade, práxis. In: PALMER, M.D. (ed.) Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 314.)

3. Perseguição institucional. A perseguição não se dá apenas pelo uso da força bruta, da proibição clara e objetiva de pregação do Evangelho, máxime nos dias trabalhosos em que vivemos, onde as sutilezas do inimigo estão mais aguçadas do que nunca, em que o inimigo não se apresenta ameaçador, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (1Pe 5:8), mas como a astuta e quase imperceptível serpente (Gn 3:1), que, sorrateiramente, se insere no meio do povo de Deus e prepara, com muito cuidado, o seu bote fatal.
O poder político tem sido utilizado para que as pessoas sejam obrigadas a consentir e concordar com o pecado, sejam impedidas de combater contra o pecado. Sob o nome de “tolerância”, de “democracia” e até mesmo de “proteção aos direitos fundamentais da pessoa humana”, inúmeras iniciativas têm procurado forçar as pessoas a aceitar o pecado, a consentir com a sua prática, quando não se está a estimulá-la.
Assim, por exemplo, recentemente em nosso país, iniciou-se uma campanha para a aprovação do crime de homofobia(a PEC 122), criminalizando, na prática, toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo.
A Igreja tem a obrigação de dizer ao mundo que a Palavra de Deus condena a prática do homossexualismo voluntário, que esta atitude é, aos olhos de Deus, o ápice da rebeldia do homem contra o seu Criador (Rm 1:26-28). Apesar de ser direito fundamental da pessoa humana a liberdade de manifestação do pensamento, tenta-se impedir a pregação contra o homossexualismo, enquanto que a pregação contra o heterossexualismo continuará sendo livre e ilimitada. Que é isto senão a utilização do poder político para se impedir a pregação da Palavra de Deus pela Igreja?
Passou-se a considerar que a defesa da Palavra de Deus e de seus valores e princípios, sem qualquer tolerância com o pecado, é uma atitude de “fundamentalismo religioso”. Sob este nome, o inimigo tem alardeado e convencido muitas pessoas que os defensores de uma autêntica vida cristã são tão nocivos e perniciosos quanto os terroristas do chamado “fundamentalismo islâmico”. A utilização, aliás, da mesma palavra (“fundamentalismo”) já faz parte da estratégia do adversário de criar ojeriza e repugnância da sociedade a tudo quanto representar a defesa da Bíblia Sagrada e do seu teor.
Vivemos dias em que todo aquele que diz que não há comunhão entre a luz e as trevas e que quem não aceitar a Cristo sofrerá a morte eterna é considerado um elemento “intolerante”, “preconceituoso”, “ignorante” e “indigno de conviver ou ter sucesso na sociedade”. A discriminação contra este “tipo de gente” é evidente e não é considerada atentatória aos direitos humanos, mas uma “atitude civilizada e pós-moderna”. Tem-se, assim, uma evidente perseguição institucional, mais uma atuação das “portas do inferno”.

III. COMO ENFRENTAR A PERSEGUIÇÃO

1. Evangelizando e fazendo missões. Que deve o servo do Senhor fazer diante de um quadro de perseguição? Agir como agiram os irmãos da igreja primitiva e dos outros períodos da história da igreja. Temos de combater o bom combate (2Tm 4:7). Apesar de toda a oposição, continuar a proclamar e a viver o que diz a Palavra de Deus, não titubear nem vacilar, mas seguir em frente dizendo que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o Céu. Dizer que pecado é pecado, que Deus ama o pecador, mas abomina o pecado e que há uma solução para o pecado do homem: crer em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29).
Muitas são as oportunidades que o Senhor tem nos dado para proclamarmos sua Palavra. Que não venhamos a ficar intimidados, deixando de testemunhar de Cristo, mesmo diante dos críticos, maus exemplos de alguns ou qualquer tipo de perseguição. Sigamos de perto a postura dos primeiros crentes.
Os “Atos dos Apóstolos” mostram que nenhuma perseguição impediu que o evangelho fosse difundido com intrepidez pela Igreja Primitiva. A despeito da perseguição, em menos de meio século a igreja, sem recursos, sem meios modernos de comunicação e transporte, sem literatura alcançou o mundo inteiro, penetrou como fermento em todo o império romano. Cada crente era uma testemunha. Era um corpo vivo. Foi em meio à perseguição que a igreja teve o seu início, cresceu e continuou crescendo. Assim, também, a igreja atual deve ser: aguerrida, ousada, destemida, cônscia da sua principal responsabilidade: a pregação do Evangelho. Não importando quão negras são as nuvens da perseguição.

2. Apresentando uma apologia de nossa fé. Se, por causa da manutenção da fé em Deus e na Sua Palavra, viermos a ser discriminados, ridicularizados, o servo do Senhor deve exultar e se alegrar, porque é grande o galardão nos céus (Mt 5:12), regozijar-se de ter sido julgado digno de padecer afronta pelo nome de Jesus (At 5:41).
Sabemos que não é fácil uma atitude destas, mas o genuíno e autêntico servo do Senhor tem de ter este sentimento. Jesus, logo após ter feito a “declaração de Cesaréia”, ensinou aos discípulos que deveria padecer e morrer para cumprir a vontade de Deus e o inimigo, imediatamente, usando a boca de Pedro, procurou criar no Senhor um sentimento de auto-comiseração. O verdadeiro servo do Senhor Jesus não tem pena de si mesmo, não se coloca à frente da vontade de Deus, mas se nega a si próprio e toma a cruz (Mc 8:34; Lc 9:23). Quem não toma a sua cruz e não segue após o Senhor, quem ama mais a si ou a outrem do que ao Senhor não é digno do Senhor (Mt 10:37,38).
Em 1Pedro 3:15, o apostolo Pedro conclama o crente à reverencia interior(a santificação) para com Cristo e à dedicação a Ele como Senhor, no sentido de sempre estarmos dispostos a defender a sua causa e a explicar o evangelho aos outros(cf Is 8:13). Assim sendo, devemos conhecer a Palavra de Deus e a sua vontade, a fim de testemunhar corretamente de Cristo e levar outras pessoas a Ele.

3. Conservando nossa identidade como povo de Deus. Alguém disse que o “Amor é o cartão de identidade do cristão”. Na verdade, o amor é a característica de destaque de alguém que se diz Cristão, é a sua identidade principal, ou o seu distintivo. Alguém que não ama a Deus, que não ama a si próprio, que não ama ao seu próximo não pode se identificar como sendo Cristão. Jesus deixou-nos muito claro ao dizer que seus discípulos seriam reconhecidos pelo amor(João15:12; 1João 2:10,11; 3:10,11).
Nos dias atuais, cada vez mais se alastra o egoísmo - está em alta a máxima popular: “cada um por si e Deus por todos”. Como alertou o apóstolo Paulo na sua última carta, os homens são “amantes de si mesmos” (2Tm 3:2), e até mesmo os atos que fazem sob aparência de piedade são manifestações de seu egoísmo e de um individualismo. Assim, muitos chegam até a fazer filantropia, a dar esmolas e promover o bem-estar do próximo, mas visando, com isso, benefícios para si, como uma projeção na sociedade que lhe angarie simpatia, popularidade e poder político, ou mesmo, tentam, com isso, em vão, obter a própria salvação de sua alma. São ações egoísticas, que não têm qualquer valor diante de Deus e de sua Palavra.
O apóstolo Paulo diz que somente seremos verdadeiros servos do Senhor se apresentarmos os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando com este mundo, para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12:1,2). Não se conformar com o mundo é não tomar a forma deste mundo, é não aceitar a maneira de viver do mundo. Por isso, o cristão jamais pode consentir com a prática do pecado, pois são dignos de morte tanto quem pratica tais coisas, como quem consente com a sua prática (Rm 1:32).
Diante da “perseguição”, precisamos lutar contra as hostes espirituais da maldade, revestindo-nos da armadura de Deus, cuja arma de ataque é a espada do Espírito, que é, precisamente, a Palavra de Deus (Ef 6:17) e que tem no escudo da fé a principal arma para se defender dos dardos inflamados do inimigo (Ef 6:16). Somente confiando em Deus e nas Suas promessas, poderemos manter o bom combate contra o pecado, mesmo em meio às perseguições que têm se levantado contra a Igreja.

CONCLUSÃO

O autêntico cristão é cônscio de que a perseguição faz parte da caminhada, já que Cristo nos advertiu nesse sentido (Mt 5:11,12; Lc 11:48,51; 21:12; Mc 4:17; João 15:20). Não devemos temê-las, cientes de que as venceremos pela fé em Cristo (1João 5.4). A Igreja sempre prevalecerá. Jesus, o autor da Igreja, foi enfático ao afirmar que “as portas do inferno não prevalecerão sobre a Igreja”(Mt 16:18). Que Deus abençoe o seu povo!
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. E-Mail: luloure@yahoo.com.br. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular(Novo Testamento)
John Stott – A mensagem de ATOS(Até os confins da Terra)
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Revista Ensinador Cristão – nº 45.
Elinaldo Renovato de Lima - Tempos trabalhosos: como enfrentar os desafios deste século.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CONSERVANDO O PRIMEIRO AMOR















Ap 2:4,5: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres”.

Estas palavras foram dirigidas a Igreja de Éfeso, aquela que representou os cristãos até o ano 100 depois de Cristo. Aquela, cujos membros viviam em plena comunhão com Deus e o próximo(Ef 1:15); aquela que tinha como principal tema a Ressurreição e volta de Cristo( 1 Tes 2:19); aquela que buscava os dons espirituais(1Co 14:1); aquela que quando orava pelos mortos eles ressuscitavam(At 9:40); aquela que quando orava o chão tremia(At 4:31); aquela que tinha o prazer de contribuir com liberalidade para a obra missionária(2Co 9:13); aquela que orava sem cessar(At 1:14); aquela que não tinha medo de morrer por amor a Cristo(Fp 1:21); aquela que não tinha por preciosa as coisas desta vida; aquela que dizia “vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”(Gl 2:20); aquela que sabia perdoar(Cl 3:13); aquela que pregava o evangelho com palavras e atitudes, o evangelho puro e simples como simples é Jesus(2Co 11:3); aquela cuja esperança era a vida eterna(Tt 1:2; 3:7); aquela que era isenta da ganância(Hb 13:5); aquela que aguardava a coroa da vida(Tg 1:12), um coroa incorruptível(1Co 9:25);aquela que não se embaraçava com os negócios desta vida(2Tm 2:4). Onde está essa Igreja?

Quando estas palavras foram proferidas muitos dos seus fundadores já haviam morrido e a maioria dos crentes da segunda geração havia perdido seu zelo por Deus. Era uma igreja muito ocupada. Seus membros faziam muito em beneficio próprio e da comunidade, mas estavam agindo de acordo com motivos errados. A obra de Deus deve ser motivada pelo amor a Deus; caso contrário, não durará.

Há pouco tempo a Igreja evangélica viveu momentos de grande avivamento espiritual, mormente a Assembléia de Deus, no que tange ao movimento pentecostal, em que os deleites espirituais da igreja primitiva foram vivenciados. Mas, qual a igreja de Éfeso, à medida que as gerações vão sendo sucedidas por outras, a igreja vai mudando o seu ritmo e sua maneira bíblica e apostólica de viver. Muitos falsos pastores e mestres têm surgido e tem causado tremendos prejuízos espirituais à Igreja, mas uma coisa é certa: As Portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja do Senhor(Mt 16:18). Portanto a mensagem atual é: Volta irmão ao primeiro amor!!

Deus está alertando a igreja de hoje como o fez com a igreja de Sardes: “...Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti”(Ap 3:1-3).

"Tens nome de que estás vivo, e estás morto". Na sociedade daquele tempo, ou até mesmo entre os crentes, Sardes era considerada uma Igreja viva. Até tinha evidências de um avivamento. Porém, aos olhos de Deus, havia lá muito material necrosado, morto. A Igreja estava morta espiritualmente. Assim são muitos crentes e muitas Igrejas locais atualmente. Muitas vezes, há neles uma "aparência" de avivamento, um barulho "santo", mas é só barulho, são só lampejos de um verdadeiro avivamento. Deus alerta seus filhos para que despertem: Ef 5:14, "Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará". Nesta passagem encontramos Paulo advertindo a certos crentes, que dormem espiritualmente. Estão "mortos" em sua vida com Deus. Precisam despertar urgentemente! Rm 13:11, "E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos". Esta passagem é dirigida aos filhos de Deus que conhecem os fatos relacionados à volta do Senhor, mas vivem como se Cristo nunca fosse voltar.

Sardes era uma igreja rica materialmente, mas pobre espiritualmente. Que lástima! A luta intensa e insensata para a obtenção de riqueza, tem esfriado a fé na vida de muitos crentes, que depois de enriquecerem não têm mais sossego, como está escrito em Eclesiastes 5.12: “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a saciedade do rico não o deixa dormir”. Não há pecado em ser rico, desde que sempre dependamos de Deus e vivamos para Ele.

Sê vigilante”- O Senhor está dizendo à Igreja: “Desperta dessa anestesia espiritual!”. O Apóstolo Paulo disse a Timóteo: "Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”(2Tm 3:13). Numa Igreja que tem aparência de viva, mas está morta, não há frutos, arrependimentos, santidade, ética, caráter... Uma Igreja assim precisa de uma reforma, de um novo começo, precisa voltar ao primeiro amor.

"...e confirma o resto que estava para morrer..." – Na Igreja de Sardes, as poucas coisas que ainda viviam já estavam à beira da morte, mas poderiam ser salvas, mediante uma pronta intervenção do Senhor da Igreja. A aparência e as formas estavam bem, mas precisavam ser trocadas pelo poder e pela dedicação.Temos aqui também, um grande perigo. Muitos já morreram na vida cristã. Mas outros há que estão morrendo em sua passividade. É necessário interromper este "sono letal", esta "morte lenta", que atinge um certo número de irmãos no seio da Igreja local nos dias hodiernos.

Nessa igreja local havia muitas pessoas doentes, à deriva, e que era preciso fortalecê-las. E como é que se fortalece uma pessoa que está à deriva na obra de Deus? O Apóstolo Paulo explicou sobre isto em Efésios 5:14: "Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará”. O que o Senhor faz? Desperta a nossa alma! Mostra-nos os elementos principais da Graça de Deus, ilumina os olhos do nosso coração, para compreendermos a herança e a esperança dos santos.

"Não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus". As obras que a Igreja de Sardes fazia, os poucos que eram fiéis, ainda estavam envolvidos com as obras da lei. Fomos criados para boas obras: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”(Ef 2:10 ). Nós fomos preparados para boas obras. Nada de sacrifícios que não agradam a Deus. Lê Gálatas 3:10-11.

"Lembra-te do que tens recebido e ouvido". Deus está dizendo: “Volta aos princípios fundamentais da obra de Deus – a Graça”, ou seja, volta ao primeiro amor! Diz assim a Palavra, em 1Coríntios 4:7: "Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?" O Apóstolo Paulo nos mostra que tudo que nós temos, recebemos de Deus. Nós ouvimos a Palavra: lembra-te de como ouviste? Lembra-te de como recebeste? - Ler Gálatas 5:7 e Colossenses 2:6.

“...guarda...-” - Isto significa guardar a Palavra de Deus. Guardar a Palavra é uma das coisas básicas da vida espiritual. Em 2João 1:8, 10-11 está escrito: ”Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão... Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más." Se nós guardarmos a Palavra e abrirmos a nossa casa, o nosso coração para vãs filosofias, ou para ensinos quaisquer, estaremos nos tornando cúmplices das más obras; o que é uma insensatez.

"Arrepende-te". Arrepende-te quer dizer: muda a tua forma de pensar e de agir – imediatamente. Foi o que Deus disse aos Gálatas, em 3:1: “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? “. O arrependimento bíblico não é só mudança de coração, mas também de conduta, e deve acompanhar o crente em toda a sua vida. O cristão deve arrepender-se como filho, não como ímpio. Volta igreja ao primeiro amor!!

“...Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti”. Certamente aquela igreja tinha adotado um modelo de vida à moda deles, onde cada um fazia o que desejava, sem consultar a vontade do Senhor. Por isso, Jesus adverte: "Virei a ti como um ladrão", isto é, de repente, inesperadamente, e para perda de algo. O Senhor está alertando que a Igreja de Jesus deve viver sempre como se a sua vinda fosse iminente. Nós devemos viver hoje como se fosse o último dia da nossa vida. A antiga Sardes era constantemente fustigada por bandidos que desciam das montanhas e saqueavam o povo. Assim eles sabiam muito bem o que o Espírito estava dizendo da vinda do Senhor como um ladrão. Somente a vigilância e a preparação serão suficientes para se estar preparado para sua vinda. A família de Noé estava bem consciente do dilúvio iminente, e estando consciente foi preparada e salva. Mas o mundo dos ímpios foi submerso. Embora eles estivessem diariamente em contato com os oito justos e ouvissem a verdade, eles desprezaram-na até que foi tarde demais. Aquele povo completamente carnal naquele período antigo tipificaram os cristãos nominais de hoje cujas vidas estão cheias de coisas terrenas, e desfrutam os prazeres delas em tal extensão que eles não têm nenhum desejo das coisas espirituais, e não estão conscientes disto. Igreja, volta ao primeiro amor antes que seja tarde demais!

Como conservar o primeiro amor

Em primeiro lugar, dando prioridade à meditação na Palavra de Deus. Como diz o salmista, se alguém quer ser bem-aventurado e, como Jesus nos ensina no sermão do monte, bem-aventurados aos seus discípulos, é preciso que, antes, tenha prazer na lei do Senhor e nela medite de dia e de noite (Sl 1:1,2). Ler a Bíblia de forma devocional e sistemática é elemento constitutivo da disciplina da vida cristã.

Em segundo lugar, vivendo uma vida de obediência à Palavra de Deus. Não basta orarmos, nem tampouco meditarmos na Palavra de Deus, mas precisamos pôr em prática aquilo que aprendemos ao estudarmos a Bíblia Sagrada, como também aquilo que recebermos da orientação direta do Espírito Santo. O conhecimento teórico das Escrituras de nada serve. Jesus mostrou que os fariseus tinham amplo e correto conhecimento da Palavra, mas não viviam coisa alguma daquilo que ensinavam (Mt 23:1-3). Torna-se necessário retomarmos as ações determinadas pelas Escrituras, santificarmo-nos cada dia mais, a fim de não nos transformarmos em hipócritas.

Em terceiro lugar, sendo vigilantes, extremamente cuidadosos e atentos para impedir que o inimigo invada as fileiras de nossas igrejas locais com falsas doutrinas e embaraços que produzam a perdição. Foi, aliás, esta a primeira recomendação que o Senhor Jesus deu ao remanescente fiel da igreja de Sardo: “Sê vigilante”.

Em quarto lugar, não mudando a nossa posição, não deixando os nossos valores, as nossas crenças, a nossa fé.

Em quinto lugar, perseverando em cultuar ao Senhor. Os crentes da igreja primitiva “perseveravam unânimes todos os dias no templo”. Os crentes sentiam prazer em cultuar a Deus e, por isso, iam ao Templo, onde haviam sido ensinados, por sua cultura, a adorar ao Senhor. Os avivamentos sempre mostram, nos seus registros, multidões reunidas para adorar a Deus e ouvir a sua Palavra, nas mais adversas circunstâncias de tempo ou de lugar. Nada supera o desejo que tem o crente avivado em se reunir e adorar ao Senhor e ouvi-lo falar, pois ele está “…certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm.8:38,39).

Em sexto lugar, amando a Deus sobre todas as coisas. Muitos se encontram na mesma situação do jovem rico, também chamado de “mancebo de qualidade”. Ele tinha “sede de Deus”, era religioso, possuidor de boas qualidades, mas sabia que nem a sua religiosidade, nem tampouco a sua moral ilibada eram suficientes para saciar a sua “sede de Deus”, a sua necessidade de ter um encontro verdadeiro com o Senhor, de desfrutar a vida eterna. Foi ao encontro de Jesus, mas dali saiu triste, porque não quis deixar as suas riquezas, porque amava mais as riquezas do que a Deus (Mt 19:16-22; Mc 10:17-22; Lc 18:18-23). Perdeu a salvação, desperdiçou a oportunidade de ter a vida eterna. Por que era rico? Não, pois Deus não faz acepção de pessoas, mas perdeu a salvação porque não amou a Deus. Portanto, sem que amemos a Deus não há como sermos participantes da natureza divina, até porque, como João nos ensina, Deus é amor. Sem que amemos a Deus, não O buscaremos, não desejaremos as coisas de Deus e, por conseguinte, não teremos qualquer prazer em sermos um com o Senhor, em desfrutarmos da vida eterna.

Na atualidade, entre aqueles que se dizem cristãos, há uma profusão de pregações, sermões, cânticos e reflexões sobre os “sonhos”. Há um estímulo, um incentivo sem igual para que os crentes “sonhem”, “acreditem nos seus sonhos”, “não deixem seus sonhos morrer”, “que você não vai morrer antes de se cumprir os seus sonhos”, e outras asneiras desse gênero. Mas toda esta “sonhomania” é mais uma demonstração do esfriamento do amor a Deus. Quando acalentamos nossos sonhos em vez de buscarmos a Deus, quando têm mais importância e nos chama mais a atenção o estímulo e incentivo de nossos sonhos, do que a busca das coisas de Deus, do que o desfrute da eternidade, temos um sinal, uma evidência exuberante de que o amor a Deus está ausente de muitos corações, o primeiro amor já se foi. Em vez de sonharmos ou desejarmos com coisas desta vida, por que não atentarmos para as coisas de Deus, para a salvação tão grandiosa que Jesus nos proporcionou? - “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” (Hb 2:3a).

Deus nos mostra a necessidade de voltarmos ao cristianismo dos primeiros dias de nossa vida em Cristo. Voltar ao primeiro amor – “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”(Ap 2:4).

Há promessas aos vencedores:


a) “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”( Ap 2:7);
b) “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”(Ap 2:17)
c) “E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações”(Ap 2:26);
d) “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”(Ap 3:31).
e) “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam”(Tg 1:12);
f)) “Nada temas das coisas que hás de padecer... Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap 2:10).

Recomendação final: “E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda”(1João 2:28).

“...aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira lembra-te da misericórdia”(Hc 3:2).
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Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD/Assembléia de Deus –Ministério Bela Vista/Fortaleza-CE.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SINAIS DO PERFUME DO JASMIM



















Caramuru Afonso Francisco*



2011 iniciou, na política internacional, com uma série de movimentos populares em diversos países árabes e/ou muçulmanos do Oriente Médio e Norte da África demonstrando a fadiga das ditaduras secularistas que, há décadas, governam estes países.

Tudo começou na Tunísia, onde uma onda de protestos eclodiu a partir da autoimolação de Muhammad Bouaziz, um jovem que, apesar de graduado em curso superior, não conseguia encontrar um trabalho regular e foi privado, por parte das autoridades, do seu magro sustento, vendendo verduras. Ele colocou fogo em seu próprio corpo em 17 de dezembro de 2010 e acabou incendiando o país, que já estava farto do governo do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que já durava 23 anos e cuja família, principalmente a de sua mulher, praticamente controlava todos os negócios rentáveis do país.

Com a queda do presidente da Tunísia, que fugiu do país em 14 de janeiro de 2011, após uma onda de protestos populares, que ficou conhecida como “Revolução do Jasmim” (o jasmim é a flor nacional da Tunísia), uma série de protestos similares eclodiram em diversos países árabes, onde também há regimes autoritários longevos e seculares, como na Argélia, Egito, Iêmen e Jordânia.

Em meio aos protestos da Tunísia, o governo do Líbano, que era dirigido por Saad Hariri, também mudou de mãos, diante de uma manobra política liderada pelo movimento Hizbollah, que passou a controlar o novo governo.

Todos estes movimentos demonstraram que há uma insatisfação crescente nas populações destes países contra estes regimes autoritários, que cerceiam a liberdade política e que não têm conseguido melhorar as condições sócio-econômicas, pois, em regra, são países extremamente pobres, com enormes desníveis sociais, em que uma elite controla a política e a economia, sendo, todos estes países, fortemente sustentados pelos Estados Unidos, uma vez que são regimes políticos que, apesar de muçulmanos, não adotam e são contrários ao fundamentalismo radical.

A persistente pobreza e desigualdade social nestes países, agravada sobremaneira com a crise econômico-financeira que assolam Estados Unidos e Europa desde 2008, o que fez reduzir as oportunidades não só destes países no mercado internacional, mas também a vida dos imigrantes que encaminhavam recursos para seus familiares nestes países (principalmente nos países do Norte da África), fizeram com que o quadro político se deteriorasse rapidamente, ainda mais quando não se tem, no sistema político, quaisquer válvulas que permitam uma mudança que não seja mediante a rebelião contra as instituições.

Como se não bastasse isso, o clima de pobreza e desigualdade persistentes tornam ainda mais sedutoras as teses defendidas pelos fundamentalistas islâmicos, que, governos ou não, são grandes investidores na sustentação das comunidades islâmicas e, no caso principalmente de Argélia e Egito, as principais forças políticas de oposição.

Assim, diante da queda de um dos governos considerados mais estáveis da região, como foi o da Tunísia, não foi surpreendente o “pipocar” de movimentos similares nestes diversos países, notadamente no Egito, que é o mais importante de todos eles.

Não se pode, também, esquecer que, diante da crise econômico-financeira e da própria retórica trazida pelo governo Obama nos Estados Unidos, também houve uma sensível redução do “poder de fogo” dos Estados Unidos, que sustentam estes regimes, a criar ainda mais ardor entre os que desejam a queda de tais regimes.

O fato é que, após a queda do regime secular de Saddam Hussein no Iraque e a vitória de um partido islâmico na Turquia, nunca a vertente secularista (ou seja, aquela que, sem renegar a religião muçulmana, procura manter o Estado laico, criar uma vida social desvinculada dos preceitos do Corão) esteve tão agonizante no mundo árabe como agora.

Este quadro mostra-nos, claramente, que estamos vivendo um momento de profundas transformações na configuração política do Oriente Médio e, para os que conhecem as Escrituras, o fechamento de um quadro que nos permite vislumbrar a iminência de um “estado de guerra” que é descrito nos capítulos 38 e 39 do livro de Ezequiel.

Com efeitos, estes governos autoritários seculares, pró-americanos que, se não estão em paz com Israel (como é o caso do Egito), pelo menos não são favoráveis ao confronto com o Estado judeu, até porque são adversários daqueles que defendem que “Israel seja lançado ao mar”, como é o caso da Irmandade Muçulmana no Egito (que é a “mãe ideológica” desta ideia e que deu origem, entre outros movimentos, ao Hamas, na Palestina), em sendo substituídos, sê-lo-ão por governos que, ou serão diretamente controlados pelos fundamentalistas islâmicos ou, ainda que sejam dirigidos por pessoas moderadas, terão, mais cedo ou mais tarde, de ceder aos fundamentalistas islâmicos ou a suas teses, até porque nada indica que as profundas crises sócio-econômicas serão debeladas por estes novos governos que, diante da impaciência natural da população, terão de recorrer ao velho expediente do “bode expiatório” e Israel é, evidentemente, o candidato a assumir uma tal posição.

A queda do governo do Egito representará, para Israel, a perda do principal aliado do mundo árabe. Como as relações com a Turquia já estão profundamente deterioradas desde a subida ao poder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento em 2003, que defende o abandono do “kemalismo”, a ideologia que manteve o Estado turco dissociado da “sharia” (a lei islâmica) desde 1920, temos um quadro de profundo isolamento que, certamente, levará a uma nova guerra dos judeus contra os árabes.

A subida ao poder no Líbano do Hizbollah, que é um movimento que defende abertamente a destruição de Israel, complica ainda mais a situação, pois os confrontos com Israel aumentarão, havendo, também, o fato de que o Hamas, o movimento palestino que também defende a destruição de Israel e que governa a Faixa de Gaza, terá, doravante, a ajuda tanto do Líbano quanto de um novo governo egípcio, o que até aqui não ocorria.

O próprio governo da Autoridade Nacional Palestina, que administra a Cisjordânia, também, por questão de sobrevivência, terá de se aproximar do Hamas, pois o seu principal suporte, atualmente, tem sido os governos secularistas do Egito e da Jordânia.

A moderada Jordânia, com seu rei Abdullah II, também foi alvo de protestos e o rei, imediatamente, destituiu o governo e nomeou um novo primeiro-ministro, que deverá promover novas eleições, onde, certamente, os setores mais radicais terão maior influência. A Jordânia é outro país árabe que está em paz com Israel mas cuja disposição de não-enfrentamento sofrerá natural modificação.

Os países do Norte da África, os demais países árabes e a Turquia caminham, assim, para uma postura de enfrentamento com Israel, voltam a assumir como sua bandeira o sonho de “lançar Israel ao mar”.

Onde vemos isto no texto da Bíblia Sagrada? Nos capítulos 38 e 39 de Ezequiel, onde, após a visão do vale dos ossos secos, que nos falam da restauração da nação israelita, temos a descrição de uma guerra em que Israel é atacado por um conjunto de nações, sob o comando de Gogue, o chefe de Meseque e Tubal, que se fará acompanhar de Togarma, Gômer, Pute, persas e etíopes (Ez.38:5,6).

Ora, conforme os estudiosos das Escrituras, Magogue (Ez.38:2), a terra de Meseque e Tubal, outra não é senão a Rússia; Pute, a região do Norte da África, em especial a Líbia; Togarma, a Turquia; persas, o Irã; os etíopes, a Etiópia, outro país do Norte da África e Gômer, identificada com a Alemanha (país em que a minoria turca é cada vez mais presente e influente) e que pode muito bem representar a União Europeia, que tem se envolvido cada vez mais nas negociações do Oriente Médio e de forma desfavorável a Israel.

Segundo texto de Ezequiel, estes países se unirão a outros, entre os quais Sebá e Dedã (Ez.38:13), povos apontados como sendo os árabes (mais precisamente a área da Jordânia, Iêmen e Arábia Saudita), querendo a destruição de Israel, com o objetivo de retirar-lhe a segurança de que hoje goza, mas serão fragorosamente derrotados, dando a Israel uma força internacional poderosa.

A “Revolução do Jasmim” mostra, claramente, o início do surgimento de um consenso entre os países do Oriente Médio contra Israel que não se via desde a Guerra dos Seis Dias, e ainda reforçado com um governo antipático a Israel tanto no Irã quanto na Turquia, países que estão muito dependentes da Rússia, que se ergue e precisa ter uma nova projeção no campo da política internacional.

O cenário está a mostrar que uma aliança contra Israel está em fase final de elaboração, em mais uma eloquente indicação que Jesus breve vem, não tarda muito para voltar e arrebatar a Sua Igreja, pois a vitória militar profetizada para Israel é o lastro que forçará o Anticristo, que será o outro grande emergente dentre as nações, a ter de firmar um pacto com Israel, que incluirá o ressurgimento do Templo e o consequente início da última semana de Daniel, fatos que somente poderão ocorrer após o término da dispensação da graça, do tempo da Igreja sobre a face da Terra.

Diante dos sinais trazidos pelo perfume do jasmim, estamos preparados para a volta do Senhor?


* Evangelista da Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede e colaborador do Portal Escola Dominical.

Fonte: http://blogdoarturribeiro.blogspot.com