domingo, 16 de setembro de 2012

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA – Aula 13


DESCOBRINDO O NOVO TESTAMENTO

JUDAS E APOCALIPSE

Texto Básico: Ap 1:1-4


 

“Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso”(Ap 1:8)
 

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo panorâmico do Novo Testamento vamos estudar nesta Aula a Epístola de Judas e o livro de Apocalipse.

Epístola de Judas

É uma Epístola de poucas linhas, mas repleta de palavras poderosas de graça celestial. É a última das chamadas epístolas gerais, ou seja, cartas apostólicas dirigidas à Igreja como um todo. Judas se dirige para os “chamados”, ou seja, para a Igreja em geral. Devemos sempre nos lembrar que a salvação é resultado de um interesse e dedicação do Senhor em relação a nós, um "favor imerecido", isto é, graça de Deus. O homem jamais pode se vangloriar por ser salvo, pois tudo é resultado de um chamado de Deus (Tt 2:11; Rm 5:15;João 15:16).

O Livro de Apocalipse

Este livro é um dos mais belos e fascinantes da Bíblia. Através dos seus símbolos e figuras, Jesus nos mostra como serão os últimos dias da humanidade. Mas, Apocalipse não apenas olha adiante para a consumação futura de todas as coisas e o triunfo de Deus e do Cordeiro, também fornece um desfecho para os sessenta e cinco livros anteriores da Bíblia. Quase todas as suas personagens, símbolos, acontecimentos, números, cores e imagens aparecem anteriormente nas Escrituras. Alguém chamou Apocalipse apropriadamente de “Estação Central” da Bíblia, já que nele todas as “linhas” convergem. Que linhas sãos essas? São linhas de pensamento iniciada em Gênesis e nos livros seguintes. Elas desenvolvem os conceitos do fio escarlate da redenção, Israel como nação, as nações gentias, a Igreja, Satanás como adversário do povo de Deus, o anticristo e vários outros.
Chamado equivocadamente desde o século IV de “Apocalipse de São João”(na verdade, porém, é a “Revelação de Jesus Cristo”[1:1]), este livro é o ponto culminante necessário da Bíblia, pois nos mostra qual será o desfecho de todas as coisas. Até mesmo uma leitura rudimentar funciona como advertência severa aos incrédulos para se arrependerem e como encorajamento ao povo de Deus para perseverarem!
Ao lermos as palavras de Apocalipse e nos lembrarmos da graça que nos salvou de tudo o que está por vir brevemente, nosso coração deve se encher de louvor. É maravilhoso ter a certeza de vitória e glória finais.
I. JUDAS, LIDANDO COM A APOSTASIA.
O tema central de Judas é a apostasia. Mesmo em seu tempo, a Igreja do Senhor já enfrentava a infiltração de falsos religiosos, homens que se faziam passar por servos de Deus. Na realidade, porém, eram inimigos da cruz de Cristo. O objetivo de Judas é desmascarar esses traidores e descrever seu destino final.
O apóstata é uma pessoa que professa ser um cristão verdadeiro, mas que, na realidade, nunca foi regenerado. Pode ser batizado e participar plenamente de todos os privilégios de uma congregação, mas depois de algum tempo toma a decisão afrontosa de abandonar a fé e negar o Salvador. Nega a divindade de Cristo, sua obra redentora no Calvário, sua ressurreição física ou outras doutrinas fundamentais.
Não se trata de abandonar a fé, pois o apóstata nunca foi convertido. Não vê nenhum problema em rejeitar deliberadamente e conscientemente o único caminho oferecido por Deus para a salvação. É endurecido na incredulidade e obstinado na oposição ao Cristo de Deus.
A apostasia não consiste apenas em negar o Salvador. Pedro, um verdadeiro cristão, cedeu sob a pressão de uma crise e negou Jesus. Ainda assim, amava ao Senhor verdadeiramente e demonstrou que sua fé era real por meio do arrependimento e da restauração subsequente.
Judas Iscariotes era apóstata. Professava ser discípulo, por conviver cerca de três anos com Jesus. Chegou até servir como tesoureiro do grupo, mas, por fim, revelou sua verdadeira natureza ao trair o Senhor por trinta moedas de prata.
A apostasia é um pecado que conduz à morte e está além das responsabilidades de oração do cristão(1João 5:16b). É impossível restaurar um apóstata por meio do arrependimento, uma vez que ele crucifica para si mesmo o Filho de Deus e o expõe à ignomínia(Hb 6:6, ARA). Para aqueles que pecam deliberadamente depois de terem recebido o conhecimento da verdade, “já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”(Hb 10:26,27). A apostasia produz efeitos nocivos para outros e não apenas para o apóstata (cf Hb 12:15).
1. Autoria e contexto histórico. O autor da Epístola se intitula como sendo "o irmão de Tiago" (Jd.1), entendendo-se que o Tiago a que se refere é o líder da igreja em Jerusalém, ou seja, o irmão do Senhor(Gl 1:19, At 15:13). Deste modo, Judas é, também, irmão de Jesus (cf.Mc 6:3).
A humildade de Judas deve ser ressaltada, pois, provavelmente por não ter crido em seu meio-irmão como o Salvador do mundo (cf.João 7:5) até a ressurreição, entendia não ser digno de se identificar como irmão de Jesus, limitando-se a dizer que era irmão de Tiago, líder da igreja em Jerusalém (Jd.1). Este exemplo deve ser seguido pelos crentes, pois o principal título que devemos ostentar é o de "servo de Jesus Cristo", devendo sempre ter a mesma atitude daquele que o próprio Jesus testificou ser o maior de todos os homens, João Batista, cuja grandeza se encontra, precisamente, na sua humildade :" convém que Ele cresça e que eu diminua"(João 3:30).
Judas se converteu apenas após a ressurreição de Jesus, provavelmente como consequência da aparição do Senhor a Tiago(1Co 15:7), tendo sido batizado com o Espírito Santo no dia de Pentecostes(At 1:14).
Judas tencionava escrever algo sobre a salvação dos cristãos, provavelmente um ensino a respeito da vida cristã, mas acabou impulsionado pelo Espírito Santo a escrever uma apologia, ou seja, um discurso de defesa da fé cristã, contra os falsos mestres que ameaçavam a Igreja já no seu tempo(Jd.3).
A igreja tem uma dívida eterna para com Judas pela bênção magnífica com a qual ele encerra a sua Epístola(Jd 20-25). Ainda que breve, a Epístola de Judas é essencial em nosso tempo de apostasia crescente.
2. Conteúdo. Assim como Lucas iniciou a história cristã com “Atos dos Apóstolos”, Judas foi escolhido para escrever o penúltimo livro do Novo Testamento, que poderia ser chamado, apropriadamente, de “Atos dos Apóstatas”. Judas teria preferido escrever sobre a fé cristã compartilhada por ele e seus leitores, mas os falsos ensinamentos se difundiram de tal modo que ele se viu compelido a redigir uma exortação para batalharem “diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.
O alvo da Epístola de Judas é alertar sobre o perigo das heresias gnósticas que nuveavam a igreja de então. Judas apresenta um texto muito semelhante à Segunda Epístola de Pedro, preocupando-se em dissipar os ensinamentos do gnosticismo libertino, doutrina que ensinava que a matéria é má em si mesma e que só deve prevalecer o espírito, algo muito próximo ao ensinamento contemporâneo de que "Deus só quer o coração".
Judas fala com total franqueza e não mede esforços para desmascarar esses famigerados hereges. Emprega ilustrações da natureza, do Antigo Testamento e da tradição judaica(Enoque) para encorajar os fiéis.
Os gnósticos, contra os quais foi escrito este livro, criam no deísmo, o qual pode ser contrastado com o teísmo. O deísmo ensina que, apesar de existir um poder divino ou cósmico, que a tudo criou, esse poder ou pessoa não mantém interesse pessoal por sua criação, não galardoando nem castigando, nem fazendo intervenções na vida da humanidade. Deus, de acordo com essa definição, está divorciado de Sua criação. O teísmo, em contraposição a isso, ensina que Deus criou e até agora continua presente em Seu universo. Deus recompensa ao bem e pune ao mal, fazendo intervenções na história humana. Para que alguém seja 'amado por Deus', como é óbvio, torna-se necessário que exista um Deus concebido aos moldes teístas..." (R. N. CHAMPLIN, NTI, v.6, p.329). É interessante notar que, neste particular, os conceitos gnósticos se assemelham aos da Maçonaria.
Judas, nesta sua apologia, após apresentar o aparecimento dos falsos mestres na Igreja(Jd.4), traz sete ilustrações das Escrituras a respeito deles, demonstrando qual é o fim deste tipo de gente, a saber: a rebelião da geração israelita do êxodo, a rebelião dos anjos, o juízo sobre Sodoma e Gomorra, a postura do arcanjo Miguel, Caim, Balaão e Coré(Jd.5-11).
Em seguida, Judas apresenta doze características dos falsos mestres: manchas nas festas dos cristãos; nuvens sem água; árvores murchas, infrutíferas e mortas; ondas impetuosas do mar; estrelas errantes; murmuradores; arrogantes; interesseiros; escarnecedores; divisionistas; sensuais; pessoas sem o Espírito(Jd.12-19).
Judas, então, faz uma exortação aos crentes diante destes falsos mestres, com sete recomendações: edificação sobre a fé, oração no Espírito, autoconservação no amor de Deus, esperança na misericórdia de Jesus Cristo para a vida eterna, piedade para com o irmão duvidoso, misericórdia para salvação de alguns do fogo, aborrecimento até da roupa manchada da carne(Jd.20-23).
A atualidade da epístola de Judas se encontra, precisamente, neste ponto, pois, atualmente, muitos são os que têm acrescentado, diminuído e distorcido os ensinamentos das Escrituras, gerando um sem-número de falsos ensinamentos que têm contaminado sobremaneira a vida espiritual de muitos crentes.
Judas encerra sua carta lembrando os irmãos da necessidade de uma vida livre de tropeços e com apresentação irrepreensível, com alegria, em virtude do poder de Deus, que é o único Senhor e dominador de todas as coisas(Jd.24,25).
II.  APOCALIPSE, O CRISTO VITORIOSO
1. Autoria e Contexto histórico. O autor se identifica como João(Ap 1:1,4,9;22:8). Era bem conhecido entre as igrejas da Ásia Menor(Ap 1:9). Já no século II d.C., Justino Mártir, Irineu e outros identificaram o autor como sendo o apóstolo João. O livro possui plena autoridade divina (Ap 22:18,19).
Apocalipse foi escrito durante uma época de perseguição, durante o reinado do imperador Domiciano(81-96 d.C). A maior parte dos estudiosos concorda com uma data em torno de 95 d.C.
O imperador Domiciano, que arrogou para si o título de Senhor e Deus, baniu João para a Ilha de Patmos. Mas ao mesmo tempo em que se achava fisicamente em Patmos, achou-se também em espírito e Deus abriu-lhe o céu e revelou-lhe as coisas que em breve devem acontecer.
Num tempo em que a igreja estava sendo massacrada e pisada, perseguida e torturada, João recebe a revelação de que o Noivo da Igreja, o Senhor absoluto dos céus e da terra, está no total controle da igreja e da história (Ap 1:13; 5:5). Roma pôde banir João para uma ilha solitária, mas não pôde impedir que ele veja o céu aberto. Roma pôde impedir que João se relacione com as pessoas, mas não pôde impedir que ele entre na sala do trono do universo para estar na presença do Deus Todo-Poderoso. Deus usa seus instrumentos de forma incomum. Ele transforma tragédias em triunfo.
O Livro é dirigido a sete igrejas da Ásia Menor(1:4,11), uma área que, atualmente, é parte da Turquia ocidental. Cada igreja recebe repreensões e encorajamentos de acordo com a sua condição (Ap 2:1-3:22). Houve muita perseguição sobre alguns cristãos (Ap 1:9; 2:9,13) e haveria mais pela frente (Ap 2:10;13:7-10). Oficiais romanos tentariam forçar os cristãos a adorar ao imperador. Ensinamentos heréticos e fervor decrescente tentariam os cristãos para que se envolvessem com a sociedade pagã (Ap 2:2,4,14,15,20-24; 3:1,2,15,17). O Livro assegura aos cristãos que Cristo conhece as suas condições e que Ele os chama para permanecerem firmes contra todas as tentações. A vitória dos cristãos já foi assegurada pelo sangue do Cordeiro(Ap 5:9,10; 12:11). Cristo virá em breve para derrotar Satanás e todos os seus agentes (Ap 19:11-20:10), e o povo de Cristo desfrutará da paz eterna em sua presença (Ap 7:15-17; 21:3,4).
2. Tema do Apocalipse. O tema do livro de Apocalipse é a vitória de Cristo e de sua Igreja sobre Satanás e seus seguidores (Ap 17:14). A intenção do livro é mostrar que as coisas não são como parecem ser. O diabo, o mundo, o anticristo, o falso profeta e todos os ímpios perecerão, mas a Igreja, a Noiva do Cordeiro, triunfará. Cristo é sempre apresentado como vencedor e conquistador (Ap 1:18; 5:9-14; 6:2; 11:15; 19:9-11; 14:1,14; 15:2-4; 19:16; 20:4; 22:3). Jesus triunfa sobre a morte, o inferno, o dragão, a besta, o falso profeta, a Babilônia e os ímpios.
A igreja perseguida ao longo dos séculos, mesmo suportando martírio, é vencedora (Ap 7:14; 22:14; 15:2). Os juízos de Deus mandados para a terra são uma resposta dEle às orações dos santos (Ap 8:3-5).
3. Divisões do Apocalipse. O livro de Apocalipse é dirigido às sete igrejas da Ásia (Ap 1:4) e está dividido em três partes principais, contemplando passado, presente e futuro (Ap 1:19):
a) As coisas que João viu - “escreve as coisas que tens visto”: A visão na qual Cristo aparece como Juiz das Igrejas (Ap 1:9-20).
b) As coisas que são – “e as que são”: as cartas enviadas por Jesus, por intermédio de João, às sete igrejas da Ásia Menor (caps. 2 e 3).
c) As coisas que hão de acontecer depois destas – “e as que depois destas hão de acontecer”: Um esboço dos acontecimentos que ocorrerão antes e depois da vinda de Cristo à Terra - a ascensão do Anticristo, a Grande Tribulação, o Milênio, o Julgamento Final e a inauguração da Jerusalém Eterna e Celeste(caps 4-22).
A seguir, uma forma simples de memorizar o conteúdo da terceira parte do livro:
c.1) Os capítulos 4 a 19 descrevem a grande tribulação, um período de sete anos durante o qual Deus julgará a nação incrédula de Israel, bem como os gentios incrédulos. Esses julgamentos são representados pelas imagens de:
Ø       sete selos;
Ø       sete trombetas;
Ø       sete taças.
c.2) Os capítulos 20 a 22 tratam da segunda fase da segunda vinda de Cristo, de seu reino na Terra, do julgamento diante do Grande Trono Branco e do Estado Eterno.
No período da Grande Tribulação, o sétimo selo contém as sete trombetas. A sétima trombeta contém as sete taças de julgamento. À medida que a narrativa se desdobra, porém, ocorrem interrupções frequentes que nos apresentam várias personalidades e acontecimentos relevantes do período da Grande Tribulação. Alguns autores chamam essas interrupções de parênteses ou inserções. Os parênteses mais importantes são:
·         Os cento e quarenta e quatro mil santos judeus selados (Ao 7:1-8).
·         Os cristãos desse período (At 7:9-17).
·         O anjo forte com o livrinho (Ap 10).
·         As duas testemunhas (Ap 11:312).
·         Israel e o dragão (Ap 12).
·         As duas bestas (Ap 13).
·         Os cento e quarenta e quatro mil com Cristo no monte Sião(Ap 14:1-5).
·         O anjo com o evangelho eterno (Ap 14:6,7).
·         Anúncio preliminar da queda da Babilônia (Ap 14:8).
·         Advertência aos adoradores da besta (Ap 14:9-12).
·         A ceifa e a vindima (Ap 14:14-20).
·         A destruição da Babilônia (Ap 17:1-19:3).
Grande parte da linguagem de Apocalipse é simbólica. Números, cores, bestas, estrelas, candeeiros, pedras preciosas e outros minerais são usados para representar pessoas, coisas ou verdades. Felizmente, alguns desses símbolos são explicados de forma clara no próprio livro. As sete estrelas, por exemplo, são os anjos (pastores dirigentes) das sete igrejas (Ap 1:20); o grande dragão branco é o diabo (Ap 12:9). Indicações do significado de outros símbolos podem ser encontradas em passagens anteriores da Bíblia. Os quatro seres viventes (Ap 4:6) são quase idênticos aos quatro seres viventes de Ezequiel 1:5-14. Em Ezequiel 10:20, são identificados como querubins. O leopardo, o urso e o leão (Ap 13:2) trazem à memória Daniel 7, onde esses animais selvagens se referem aos impérios da Grécia, Pérsia e Babilônia, respectivamente. Outros símbolos não são explicados claramente nas Escrituras, e devemos usar de grande cautela ao procurar interpretá-los.
Ao estudarmos Apocalipse, precisamos ter sempre em mente a distinção entre a Igreja e Israel. A Igreja é um povo celestial, abençoado com bênçãos espirituais e chamado a participar da glória de Cristo como sua noiva. Israel é o povo antigo e terreno de Deus, ao qual ele prometeu a terra de Israel e um reino terreno literal sob o governo do Messias. A Igreja verdadeira é mencionada nos três primeiros capítulos, mas só volta a aparecer nas Bodas do Cordeiro em Ap 19:6-10. O período da Grande Tribulação (Ap 4:1-19:5) é, primordialmente, de caráter judaico.
4. Generalidades. De todos os livros da Bíblia, Apocalipse tem a maior visão panorâmica da história e do controle máximo que Deus tem sobre ela. As coisas podem ficar difíceis, mas Deus sabe o que está fazendo e está nos guiando a uma Nova Jerusalém onde enxugará nossas lágrimas e onde habitaremos com Ele para sempre.
Apocalipse é um livro aberto em que Deus revela seus planos e propósitos para a sua Igreja. Ele não é a revelação apenas das últimas coisas, mas sobretudo da saga do Cristo vencedor. Este livro majestoso fala não tanto de fatos escatológicos, mas da Pessoa gloriosa de Cristo. Apocalipse é fundamentalmente a revelação de Jesus Cristo(Ap 1:1), e não apenas de eventos futuros. Você não pode divorciar a profecia da Pessoa de Jesus.
Apocalipse é também um livro prático e não apenas para transmitir informações sobre o futuro. Ele foi dado para ajudar o povo de Deus no presente. Ele contém muitas exortações à fé, paciência, obediência, oração e vigilância.
Cristo veio ao mundo para revelar o Pai(João 17:6). No Apocalipse é o Pai quem revela a Jesus(Ap1:1). E como O revela? Como o servo lavando os pés dos discípulos? Como uma ovelha muda que vai para o matadouro? Como aquele de quem os homens escondem o rosto? Como aquele que está pregado na cruz, com o rosto cheio de sangue? Como aquele que tem as mãos atadas e os pés pregados na cruz? Absolutamente não!
A revelação de Jesus Cristo pelo Pai é de um Ser glorioso: Seus cabelos não estão cheios de sangue, mas são alvos como a neve. Seus olhos não estão inchados, mas são como chama de fogo. Seus pés não estão pregados na cruz, mas soa semelhantes ao bronze polido. Sua voz não está rouca por causa da língua que está colada ao céu da boca, por atordoante sede, mas é voz como voz de muitas águas. Suas mãos não estão cheias de pregos, mas Ele segura a Igreja e a história em Suas onipotentes mãos. Seu rosto não está desfigurado, mas brilha como o sol.
O objetivo do livro do Apocalipse não é nos dar uma tabela do tempo do fim, mas nos revelar o Noivo glorioso da Igreja, o supremo conquistador. A Igreja precisa olhar para a supremacia do seu Senhor. Durante a sua primeira vinda, a glória de Cristo estava encoberta. Ele viveu se esvaziando da Sua glória. Mas na sua segunda vinda, sua glória será auto-evidente (cf Mc 14:61,62; Ap 1:7).
O Apocalipse é um livro de esperança. O apóstolo João, testemunha ocular de Jesus, proclamou que o Senhor vitorioso iria, com toda certeza, retornar para defender os justos e julgar os pecadores. Mas o Apocalipse também é um livro de advertências e consolações. O seu estudo incentiva-nos à santidade, encoraja-nos no sofrimento e nos leva a adorar Àquele que está no trono (2Pe 3:12). Encha-se de Esperança sabendo que Deus está no controle de tudo e que a vitória de Cristo está assegurada. Todos os que confiam nEle serão salvos.
5. Escolas de Interpretação. Há três escolas principais de interpretação do Livro de Apocalipse: a interpretação preterista, histórica e a interpretação futurista.
a) Preterista. Segundo essa escola, tudo o que é profetizado no livro de Apocalipse já aconteceu. Eles pensam que o cumprimento ocorreu na queda de Jerusalém(isto se Apocalipse foi escrito em 67 a 68 d.C.), na queda do império Romano, ou em ambos. Portanto, segundo essa escola de interpretação, o Livro de Apocalipse não tem nenhuma significação profética para o futuro. Simplesmente trata-se de um vívido quadro dp conflito que a Igreja teve contra o poder ímpio de Roma.
Esta linha de interpretação é deficiente porque não explica muitos eventos vistos por João, que ainda não ocorreram, tais como a “Grande Tribulação” e o Reino de Cristo em companhia dos mártires (Ap 20:4-6).
b) Histórica. Esta interpretação toma como base que os fatos que João descrevia tinham lugar durante a história da igreja e insinua que todos os fatos já teriam acontecido quando olhamos para trás na história da humanidade. Obviamente, seria muito difícil encaixar todas as profecias do livro de Apocalipse em fatos históricos que já aconteceram.
Esse método é extremamente amplo, podendo levar a diversas interpretações acerca dos símbolos e dos cumprimentos proféticos. O livro poderia fazer alusão a muitos acontecimentos, como as invasões bárbaras, o surgimento e a expansão do Islã, as pestes que ocorreram na Europa medieval, a Reforma Protestante, a Revolução Francesa e até as Grandes Guerras do século XX.
Uma linha de interpretação historicista que se tornou muito comum é a que identifica, na besta, o papado e, no falso profeta, a Igreja Romana. Por muito tempo o método historicista foi o predominante no meio protestante. Simplesmente, isto faz com que esta interpretação não tenha fundamento.
c) Futurista. Esta interpretação coloca as profecias do livro de Apocalipse como fatos que ainda não se cumpriram. Tais profecias começam no capítulo 4 em diante. Esta interpretação foi a mesma que a igreja primitiva usou durante sua história evangelística, desde o momento dos apóstolos que estavam com Jesus Cristo até o século IV. Esta interpretação toma como regra o sentido literal das profecias. Esta é a única interpretação considerada aceitável para o livro do Apocalipse.
Esta escola de interpretação, aceita pela maioria dos crentes, permite que as profecias do Apocalipse se harmonizem com outras profecias da Bíblia. Aqueles que a defendem podem mostrar que as previsões do Apocalipse cumprem ou enriquecem o significado de profecias anteriores. Por exemplo, em Daniel 7:13 e Atos 1:11, lemos que Jesus voltará a Terra. Além disso, esta escola de interpretação mostra-nos que a visão de João sobre a vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos e a separação final entre salvos e perdidos não representam apenas ideias, mas retratam eventos verdadeiros.
É válido ressaltar que as cartas às sete igrejas da Ásia(Ap 2-3) não aludem a períodos da História da Igreja, pois nelas se mencionam lugares e pessoas que realmente existiram. Contudo, apesar de não sermos os destinatários originais dessas cartas, boa parte do que foi dito por Jesus àquelas igrejas é extensivo a nós: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2:7,11,17,29; 3:6,13,22; 13:9). A igreja nascente começou com os doze discípulos do Senhor Jesus, que ouviram ensinamentos que, em sua maioria, são válidos para hoje (Mt 5:7,24,25; João 13:17). Nós somos a continuação da igreja primitiva.

CONCLUSÃO

Com esta Aula concluímos o estudo panorâmico do Novo Testamento. Através destes estudos fomos conscientizados de que este compêndio doutrinário é a mensagem divina para a Igreja. É o Novo Concerto que Deus estabeleceu com o homem por meio de Jesus Cristo. O Novo Testamento revela-nos como Deus nos salvou da perdição eterna; diz-nos como podermos ser conduzidos ao seu reino através de Cristo, experimentando o seu poder em nossa vida diária. Nele é descrito o retorno glorioso de nosso Salvador e o maravilhoso destino que Ele estabeleceu para nós.


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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).

Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

 

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