terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Aula 13 – TEMA A DEUS EM TODO TEMPO


4º Trimestre/2013

 

Texto Básico: Ec 12:1-14

 

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12:13).

 

INTRODUÇÃO

Mais um ano letivo se finda. Não poderia terminar melhor sem o estudo dos livros de Provérbios e Eclesiastes. Neste 4º trimestre tivemos momentos de grandes reflexões acerca da vida nossa de cada dia. O capítulo 12 do livro de Eclesiastes encerra as reflexões de Salomão a respeito da vida, e este é o final do discurso: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau (Ec 12:13,14). Todo o livro de Eclesiastes deve ser interpretado conforme o contexto destes versículos. Salomão reconhece que a vida é passageira. Tiago a compara a um “vapor que aparece por um pouco e depois desvanece" (Tg 4:14). Ela é muito breve, por isso precisamos vivê-la de modo completo, isto é, temendo a Deus e obedecendo aos seus mandamentos, certo de que todos seremos um Dia julgados.

1. “TEME A DEUS” EM TODO TEMPO. Temer a Deus é reconhecer nossas limitações e a grandeza do nosso Criador. O Livro de Eclesiastes ordena cinco vezes que o homem tema a Deus (Ec 3:14; 5:7;7:18; 8:12,13; 12:13), reconheça quem é Ele e responda de forma adequada em adoração, reverência, amor, confiança e obediência.

O temor a Deus é o princípio da sabedoria e da vida abundante. Quem teme a Deus vive todas as fases da vida de modo a agradar a Deus. Desperdiçar qualquer fase da vida, longe de Deus, é suicídio espiritual.

Ser temente a Deus não é ter medo de Deus, mas, muito pelo contrário, ter respeito a Deus, comportar-se de modo que se reconheça que Deus é o Senhor e que nós somos apenas Seus servos.

Ser temente a Deus é reconhecer que Deus deve guiar nossos passos e que nós devemos obedecer-lhe, simplesmente porque Ele é o Senhor. Aqui repousa, aliás, a própria moralidade do servo do Senhor. Fazemos ou deixamos de fazer algo não porque tenhamos medo de Deus, mas porque reconhecemos que Ele é o Senhor e que a Ele cabe ordenar os homens sobre o que deve ser feito ou não.

Ser temente a Deus é ser dependente de Deus, é negar o convite feito pelo inimigo de sermos auto-suficientes e de querermos ser "pequenos deuses", dizendo, para nós mesmos, o que é certo ou o que é errado, exatamente a mensagem satânica que está sendo disseminada no mundo, atualmente sob a roupagem do movimento Nova Era.

A Bíblia diz que o temor do Senhor é o princípio da ciência (Pv 1:7), é o princípio da sabedoria (Sl 111:10).

Jó era temente a Deus, reconhecia em Deus o senhorio sobre o universo e sobre a sua vida e, por isso, aborrecia o mal (Pv 8:13). É no temor de Deus que Jó depositava a sua confiança (Jó 4:6), não sendo diferente conosco nestes dias(Pv 14:26), pois, ao temermos a Deus, sabemos que Ele é soberano e, portanto, reina antes da fundação do mundo, tendo, pois, o absoluto controle sobre todas as coisas, o que nos deixa tranquilos quanto à Sua bênção sobre nós e o cumprimento de Suas promessas a nosso respeito.

Só poderemos alcançar a pureza se tivermos o temor do Senhor, pois só Ele é limpo (Sl 19:9). Não temer a Deus é ser ímpio e, portanto, sem qualquer parte com o Senhor e com a vida eterna (Sl 36:1; Rm 3:12-18).

2. “E GUARDA OS SEUS MANDAMENTOS”.  O mandamento divino é constituído de princípios eternos e, para o nosso próprio bem, temos de observá-los e acatá-los integralmente fazendo tudo quanto o Criador requer de nós, pois esta é a vontade de Deus – “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1João 5:3).

Existem cristãos que não apreciam o ensino bíblico, declarando que só o amor é importante, como se o cristianismo fosse algo para viver em superficialidade. Observemos que Jesus ordenou, em primeiro lugar, a obediência aos seus mandamentos, como prova de nosso amor para com Ele: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”(Jo 14:15). Verificamos pelas Escrituras que o valor que damos a seu ensino, mostra o relacionamento que temos com Ele: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele”(1Jo 3:24). Estar nEle garante plena confiança, permite que O sirvamos, que prossigamos no caminho com autenticidade. Estar firmado nEle é um fator de estabilidade na vida cristã.

Guardar os mandamentos de Deus é guardar a sua Palavra. Desobedecer aos seus mandamentos é não obedecer à Sua Palavra. Não obedecer à Palavra de Deus de forma consciente e deliberada peca contra o Espirito Santo. Uma menção bíblica explícita a respeito deste pecado contra o Espírito Santo é encontrada no sermão inspirado de Estevão, o primeiro mártir da Igreja. Em At 7:51, em meio àquela multidão enfurecida de judeus que o haviam levado ao Sinédrio, Estevão acusa os israelitas de cometerem o pecado de resistência contra o Espírito Santo: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim vós sois como vossos pais”. Estamos, portanto, neste caso, diante de um pecado contra o Espírito Santo. Pelo que podemos verificar, a resistência ao Espírito Santo caracteriza-se por ser uma rejeição de obediência à Palavra de Deus. Conforme nos dá conta Estevão, o povo de Israel cometera este pecado e, por isso, havia rejeitado a Jesus, o seu Messias, porque haviam se recusado a ouvir a Palavra de Deus, a obedecer aos mandamentos divinos, tornando-se “incircuncisos de coração e de ouvido”, “homens de dura cerviz”. Jesus declarou: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19:17).

3. “PORQUE ESTE É O DEVER DE TODO HOMEM”. “Dever” é algo que está acima da minha vontade ou desejos. Posso não gostar de remédios, mas para o bem da minha saúde, preciso tomar o medicamento receitado. Posso não ter a mínima vontade de pagar impostos, mas se não o fizer, vou arcar com as consequências. Se Deus mandou devemos obedecer. No original, essa frase está expressa assim: “isso é tudo do homem”. Isto sugere que sem um relacionamento correto com Deus o homem não se realiza, nem se entende; não compreende seu mundo, nem a sua razão de existir.

4. AGUARDANDO O JULGAMENTO – “Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. A mensagem final do Livro de Eclesiastes faz-nos lembrar de uma verdade solene e inabalável: a prestação de contas do ser humano perante Deus, por todos os seus atos. O Senhor julgará a todos nós, crentes e incrédulos, isto é, todos os nossos atos, bons e maus.

Deus julgará cada pessoa (Hb 9:27). Esse julgamento será de acordo com a Palavra que Deus revelou através de seu Filho – “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (João 12:48). 

O Novo Testamento menciona sete categorias de Julgamentos definitivos:

a) Julgamento da Igreja (2Co 5:10). O julgamento da Igreja é o chamado “Tribunal de Cristo”, que ocorrerá logo após o arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Neste tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm 14:10; 2Co 5:10). Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co 3:12-15.

b) Julgamento de Israel (Ez 20:34-38;Ml 3:2-5). O segundo julgamento é o julgamento de Israel, o povo escolhido de Deus. A Grande Tribulação será o instante em que Deus tratará com a nação israelita e, ao término da Grande Tribulação, Deus terá provado este povo e só o remanescente será salvo (Rm 9:27).

c) O Juízo sobre o Anticristo e o Falso profeta. Assim está narrado o fim do Anticristo e do Falso profeta: "E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre" (Ap 19.20). Portanto, o Anticristo e o Falso profeta, na batalha do Armagedon, serão aniquilados pela espada que sai da boca de Cristo (isto é, por sua Palavra), e serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre, que é o inferno propriamente dito (Ap 19:20). É o fim das duas “bestas”.

d) Julgamento das Nações (Mt 25:31-46). Esse julgamento acontecerá na terra sobre aqueles que sobreviveram ao Armagedon. Serão julgados com base no tratamento dado a mensagem do Reino, aos seus mensageiros e ao modo como trataram a nação de Israel. Esse julgamento terá como finalidade apartar os “bodes” das “ovelhas”, ou seja, decidir quem passará com Cristo o Reino milenial e quem não passará o milênio, ficando a aguardar o julgamento final e definitivo.

e) Julgamento dos anjos maus (1Co 6:3;Jd 6). Judas revela o fato de que anjos serão trazidos a julgamento: “e aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande Dia” (Jd 6). Serão julgados e condenados ao lago de fogo juntamente com o Diabo, logo após o Milênio e antes do juízo do Trono Branco (Mt 25:41).

f) O Juízo sobre o Dragão (Ap 20:9). Quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações hostis a Cristo que há nos quatro cantos da Terra, chamados de Gogue e Magogue(Ap 20:7-8). Aqui, Gogue e Magogue não devem ser confundidos com os dos textos de Ezequiel 38-39. Na passagem do Antigo Testamento, Magogue é um território extenso ao norte de Israel, e Gogue é seu governante. Neste texto de Apocalipse, as palavras se referem às nações do mundo em geral. Em Ezequiel, o contexto é pré-milenar; em Apocalipse, é pós-milenar.

Após os exércitos de Satanás ser devorados por Cristo, Satanás será, para sempre, destruído, esmagado – “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo sempre” (Ap 20:10). O julgamento divino é a destruição e ruína total de Satanás. No inferno (o lago de fogo e enxofre), ele não reinará, sendo sempre atormentado, dia e noite, eternamente.

g) Julgamento do Grande Trono Branco (Ap 20:11-15). Este é o chamado “Julgamento Final” ou “Juízo Final” ou, ainda, o “Juízo do Trono Branco”, que terá lugar depois do término do reino milenial de Cristo. Logo após os rebeldes serem devorados pelo fogo do céu que cairá sobre os exércitos que estarão a cercar o lugar santo em Israel, terá findado a história humana. O tempo deixará de existir e Deus chamará à sua presença todos os seres humanos que foram criados e que ainda não tinham sido julgados até então, ou seja, todo ser humano que não pertence nem à Igreja, nem ao Israel salvo e nem ao grupo dos mártires da Grande Tribulação, que já terão sido julgados. Estes outros homens são os que serão levados a julgamento neste último grande tribunal da história.

Portanto, quem negligenciou ou rejeitou a graça redentora de Deus não estará justificado no Dia do julgamento.

CONCLUSÃO

Salomão começou com uma avaliação negativista da vida como vaidade, algo irrelevante, mas no fim ele conclui com um sábio conselho, a indicar onde se pode encontrar o sentido da vida. No temor de Deus, no amor a Ele e na obediência aos seus mandamentos, temos o propósito e a satisfação que não existem em nada mais. Salomão nos mostrou que podemos desfrutar a vida, mas isso, de forma alguma, nos isenta de guardar e cumprir os mandamentos de Deus. Lembre-se: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12:13).  Amém?

Agradeço sobremaneira a todos os que me acompanharam durante este ano letivo. Acredito que terminamos o ano melhor do que começamos. Temos mais solidez espiritual. Somos agora mais maduros espiritualmente. Aprendemos verdades fundamentais que nos levarão a uma intimidade com Deus mais firme e confiante, contudo, com temor e tremor. Que o Senhor nos conceda saúde física para podermos continuar neste precioso trabalho de estudo, aprendizagem e ensino da Palavra de Deus, que Ele tão bondosamente nos confiou. Feliz 2014!

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Assembleia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Revista Ensinador Cristão – nº 56 – CPAD.

Comentário Bíblico Beacon – v.3. CPAD.

Sábios Conselhos para um viver Vitorioso – José Gonçalves. CPAD. 2013.

 

 

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