domingo, 19 de novembro de 2017

Aula 09 – ARREPENDIMENTO E FÉ PARA A SALVAÇÃO


4º Trimestre/2017

Texto Base: Atos 2:37-41

"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At.2:38).

 
INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da fé salvífica e do arrependimento. Veremos que fé para a salvação é implantada em nossos corações pelo Espírito Santo a fim de que venhamos a receber a dádiva da salvação. Deus deseja que todos sejam salvos, contudo é necessário fé e arrependimento. Primeiramente o Espírito Santo faz nascer no coração do ser humano incrédulo a fé em Jesus e no seu sacrifício vicário; depois, o mesmo Espírito convence a pessoa dos seus pecados, do juízo e da justiça de Deus, gerando o arrependimento. Arrependido e convertido, o Espirito Santo torna essa pessoa em uma nova criatura, justificando-o e tornando-o apto a fazer parte do Reino de Deus.

I. ARREPENDIMENTO, UMA TRANSFORMAÇÃO DO ESPÍRITO

1. Definição de arrependimento. O que é arrependimento? É uma mudança de direção - conversão (ler 1Ts.1:9), mudança de mente, transformação do pensamento, da consciência, das atitudes, como afirma o apóstolo Pedro: “Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância”(1Pd.1:14). Se o homem diz que está salvo, mas, continua conformado e não procura mudar seus hábitos, ou costumes, alguma coisa deve estar errada. Quando eu recebo Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador, eu estou dando as costas para a velha vida.

Quando se passa pelo verdadeiro arrependimento há uma tristeza sincera pelo pecado praticado (2Co.7:10) e posterior compromisso de abandoná-lo para abraçar a vontade de Deus. O verdadeiro arrependimento nada significa se produz apenas algumas lágrimas, um espasmo de pesar, um pequeno susto. Precisamos abandonar os pecados dos quais nos arrependemos e andar em um caminho novo e de santidade.

2. O arrependimento na vida cotidiana. O verdadeiro arrependimento implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou, e isto não acontece somente no dia da conversão, mas na vida cotidiana, de forma contínua. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (João 8:11). Deus restaura o pecador que verdadeiramente se arrepende e muda de atitude.

Na época de Neemias, o povo judeu estava desviado dos caminhos do Senhor. Mas, no capítulo 8 de Neemias, vemos que o povo se reuniu para ouvir a Palavra. A leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado (Ne.8:9). Este é um dos efeitos da Palavra de Deus no coração daqueles que a ouvem; ela produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. Arrependimento começa com choro, humilhação e quebrantamento diante de Deus (2Cr.7:14). Aliás, arrependimento é a tristeza profunda e suficiente para não repetir o erro.

Quanto mais você lê e entende a Palavra de Deus, mais perto de Deus você fica; logo, mais consciência você tem de que é pecador e mais chora pelo pecado. O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do cristianismo. É impossível compreender a verdade sem ser tocado por ela. Não podemos adorar o Rei da glória antes de contemplarmos a triste realidade do nosso pecado. O choro do povo judeu à época de Neemias não foi mero remorso, pois as atitudes e gestos que eles demonstraram pregam um sincero arrependimento; o povo jejuou e cobriu-se com pano de saco. Esses são sinais de contrição, arrependimento e profundo quebrantamento. O povo reconheceu o seu pecado. O verdadeiro arrependimento resulta em mudança de vida, uma mudança contínua.

Nestes últimos dias da Igreja, vemos muita adesão e pouca conversão, muito ajuntamento e pouco quebrantamento. Estranhamente, vemos a pregação da fé sem o arrependimento e da salvação sem a conversão. O pragmatismo com a sua numerolatria está em voga hoje. Muitos pregadores abandonaram a pregação bíblica para alcançar um número maior de pessoas; pregam o que o povo quer ouvir e não o que ele precisa ouvir; pregam sobre cura e prosperidade e não sobre salvação; pregam para agradar e não para conduzir ao arrependimento. Desta forma, multidões estão entrando para a igreja sem conversão. A Palavra de Deus tem sido deixada de lado para atrair as pessoas, e isso é muito danoso.

3. A ação do Espírito Santo no arrependimento. O Espírito Santo opera o arrependimento na conversão do ser humano. Está escrito que é o Espírito Santo quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8). É preciso, no entanto, entender que o Espírito Santo não força a vontade de ninguém. Ele só age quando alguém lhe dá oportunidade para isso. Quando o homem reconhece ser um pecador, já é uma abertura para o Espírito Santo iniciar o seu trabalho. Então, ele começa convencendo o homem do seu estado pecaminoso que desagrada a Deus e que, em tal situação, está sujeito a castigos eternos. Porém, com o arrependimento virá o perdão e consequentemente a purificação dos pecados, a justificação e, em seguida, o cumprimento das promessas divinas (cf. Rm.5:9).

As necessidades espirituais do ser humano são inúmeras. O homem vive em um mundo de pecado, contaminado com vícios, erros de todas as espécies, mentiras, prostituição, imoralidade. Rodeado por tantos males, não tem condições de livrar-se destas coisas. Ele é um escravo do pecado (Sl.109:26). Por esse motivo, precisa de um poder sobrenatural que o ajude a libertar-se de tal situação que se torna um jugo muito pesado, cada vez pior. E o Espírito Santo está pronto para atuar em favor dessa pessoa (Rm.8:26). Contudo, é preciso que ela compreenda e aceite a ajuda oferecida e também se esforce para que a recuperação seja completa.

II. A FÉ COMO UM DOM DE DEUS E COMO RESPOSTA DO SER HUMANO

“Fé” é uma das menores palavras da Bíblia Sagrada em língua portuguesa, mas seu tamanho é inversamente proporcional ao seu profundo significado. A fé é uma doutrina chave no cristianismo. O pecador é salvo pela fé (Ef.2:8,9), o justo vive pela fé (Rm.1:17). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11:6). Tudo o que é feito sem fé é pecado (Rm.14:23). Em Hebreus 11 encontramos a galeria da fé, em que homens e mulheres creram em Deus, viveram e morreram pela fé. Fé é a confiança de que a Palavra de Deus é verdadeira, não importam as circunstâncias.

A palavra “fé” traduz conceitos fundamentais, essenciais na revelação de Deus ao homem através da sua Palavra, e não é de admirar, portanto, que a palavra tenha servido para expressar diferentes conceitos. É essencial que saibamos distinguir os diversos significados que a palavra “fé” traduz. Vejamos alguns.

1. A Fé natural. A Fé Natural é a chamada fé esperança, fé intelectual. Esta fé nasce com o homem, faz parte da natureza humana. Esta é a fé que dá ao homem motivação para lutar, para progredir, para superar dificuldades. Quando o homem perde a fé natural, ele cai no desânimo, perde a vontade de viver, de lutar. Aconteceu com a maioria dos chamados “moradores de rua”. É ela que faz com que o homem seja um ser religioso, faz com que ele creia sempre em algo, ou alguém superior a ele. Ouvindo falar de um Deus Criador, ele, com facilidade, crê na sua existência – “Tu crês que há um só Deus? Fazes bem...”(Tg.2:19), ou seja, nisto não há nada de excepcional; e Tiago acrescenta: “... também os demônios o creem e estremecem”; isto significa que ter uma fé apenas teórica não representa muita coisa.

A Fé natural não leva o homem a Deus e nem trás Deus ao homem. A Fé Natural não pode se transformar em Fé Espiritual, ela só atua na esfera material. Ela não pode ajudar o homem a compreender e a adquirir os bens espirituais. Ela não pode ser definida como “firme fundamento das coisas que se esperam”, porque está sujeita à falhas.

Dentre os exemplos de Fé natural podemos citar a do agricultor, ou lavrador. Se o agricultor não tiver Fé natural, ele não semeia, conforme afirmou Salomão: “Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará”(Ec.12:4). Isto significa que ele não pode ficar na dependência do tempo, se vai chover, se vai fazer sol. O tempo passa. Ele tem que acreditar, ter fé, lançar a semente, crer que haverá uma colheita abundante e esperar. Mas, nada pode lhe garantir que haverá colheita. A Fé natural não se apoia num firme fundamento, e, pode falhar. Uma praga, a falta ou excesso de chuva pode prejudicar, e até destruir toda colheita. Isto diferencia muita da Fé espiritual, que é “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”(Hb.11:1). A Fé espiritual só pode ser recebida como dom de Deus, através de sua Palavra. Isto acontece no momento da Conversão, ou do Novo Nascimento. Somente o homem nascido de novo possui a Fé espiritual.

2. A Fé salvífica. É a crença de que Jesus é o único e suficiente Senhor e Salvador de nossas vidas. Quando alguém dá crédito à pregação do Evangelho, considera-se um pecador, se arrepende dos pecados, crê que Jesus pode perdoá-lo e se submete à vontade de Deus, crendo que Jesus pode dar-lhe a vida eterna e levá-lo ao céu, age com a “Fé salvadora” ou “Fé salvífica”. Esta Fé não nasce no homem, mas é dom de Deus (Ef.2:8), e se origina do ouvir a Palavra de Deus (Rm.10:17). Através da Palavra de Deus(Rm.10:17), o Espírito Santo convence o homem do pecado, da morte e do juízo (João 16:8-11) e, deste modo, o homem crê e, mediante esta Fé, é justificado (Rm.5:1), ou seja, posto numa posição de justo diante de Deus, o que lhe permite ter paz, isto é, comunhão com Deus, sendo vivificado em Cristo. Esta Fé é a que concede salvação para o homem. Embora um dom de Deus, a Fé precisa ser exercida pelo crente para confirmar a sua salvação.

3. A Fé Ativa. É a confiança absoluta em alguém ou em algo. É precisamente este o significado em que se deve entender fé enquanto “Fé ativa”. Esta Fé é exercida diariamente pelo salvo, após ter aceitado Jesus como seu Senhor e Salvador. Trata-se da atitude de confiança em Deus, de crédito à sua Palavra, às suas promessas. Somente podemos dizer que temos fé se dermos crédito à Palavra de Deus, e dar crédito à Palavra de Deus é fazer o que Ele manda ali. Esta Fé é o combustível que nos leva a caminhar em direção a Jerusalém celestial. É o elemento que nos faz superar todos os obstáculos e a enxergar as circunstâncias sob o prisma espiritual. Foi esta Fé que fez com que os antigos vencessem todas as dificuldades, como nos mostra o escritor aos Hebreus no “capítulo da fé” (o capítulo 11 da epístola aos Hebreus). É esta Fé que nos faz vencer o mundo (1João 5:4).

4. A Fé morta (Tg.2:14-17). Quais são as características de uma fé morta? O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro “Tiago – transformando provas em triunfo”, classifica as características de uma fé morta da seguinte maneira:

a) Uma fé que não desemboca em vida santa. A fé morta está divorciada da prática da piedade. Há um hiato, um abismo entre o que a pessoa professa e o que a pessoa vive. Ela crê na verdade, mas não é transformada por essa verdade. A verdade chegou à sua mente, mas não desceu ao seu coração. É um erro pensar que apenas recitar ou defender um credo ortodoxo faz de uma pessoa um cristão. Assentimento intelectual, apenas, não é fé salvadora. A fé que não produz vida, que não gera transformação, é uma fé espúria (cf. Mt.7:21). Certo pastor, ao ser confrontado em razão de seu adultério, respondeu: "E daí se eu estou cometendo adultério? Eu prego melhores sermões do que antes". Esse homem estava dizendo que enquanto ele acreditasse e pregasse doutrinas ortodoxas, não importava a vida que ele levava. Isto é fé morta, e Tiago ataca esse tipo de fé. As igrejas estão cheias de pessoas que dizem que creem, mas não vivem o que creem. Isso é fé morta.

b) Uma fé meramente intelectual. A pessoa consente com certas verdades, mas não é transformada por elas. Em Tiago 2:14, Tiago pergunta: "Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?". Quando Tiago usa a palavra semelhante, ele está falando de um certo tipo de fé, ou seja, a fé apenas verbal em oposição à fé verdadeira. Ainda neste texto, ele pergunta: "Que proveito há, meus irmãos, se alguém disser que tem fé e não tiver obras?". A fé aqui descrita existe apenas na base da pretensão. A pessoa diz que tem fé, mas na verdade não tem. As pessoas com uma fé morta substituem obras por palavras. Elas conhecem as doutrinas, mas elas não praticam a doutrina. Elas têm discurso, mas não têm vida. A fé está apenas na mente, mas não na ponta dos dedos.

c) Uma fé que não produz frutos dignos de arrependimento. Essa fé é ineficiente, inoperante e não produz nenhum resultado. Ela tem sentimento, mas não ação. Tiago dá dois exemplos para ilustrar a fé morta (Tg.2:15,16). Um crente vem para a igreja usando roupas emprestadas e sem comida. Uma pessoa com uma fé morta vê essa situação e não faz nada para resolver o problema do irmão necessitado. Tudo o que ele faz é falar algumas palavras piedosas (Tg.2:16). Deixar de ajudar o necessitado é fechar o coração ao amor de Deus (1João 3:17,18). O sacerdote e o levita podiam pregar sobre sua fé, mas não demonstraram a sua fé (cf. Lc.10:31,32). Essa fé intelectual, inútil, incompleta e morta não salva ninguém. Ortodoxia sem piedade produz morte. Não podemos ser cristãos e, ao mesmo tempo, ignorar as necessidades dos outros. Não podemos ser indiferentes às necessidades do próximo e ainda professar que somos cristãos.

5. Os benefícios da fé. Muitos são os benefícios da fé, mas o principal benefício registrado nas Escrituras Sagradas é a Salvação, a vida eterna com Cristo. Crer no Filho de Deus leva à vida eterna (João 3:16). As pessoas não são salvas pelas obras; também não são salvas pela fé adicionada às obras; somos salvos somente por meio da fé (Ef.2:8). No momento em se inclui obras de qualquer qualidade ou quantia como meio de alcançar a vida eterna, a salvação deixa de ser pela graça (Rm.11:6). A salvação é pela graça, mas a fé é o elemento indispensável para obtê-la.

Uma razão pela qual as obras são absolutamente excluídas é evitar que alguém se glorie. Se alguém pudesse ser salvo por suas obras, então teria razão de se gloriar perante Deus. Em contraste com as obras, a fé exclui a jactância (Rm.3:27), porque sendo a salvação unicamente pela fé não há nenhum lugar para méritos. Ter fé no Senhor Jesus é a coisa mais saudável, mais racional que se pode fazer. Confiar no Criador e Redentor é ser lógico e racional. Se não podemos confiar nele, em quem mais podemos confiar?

III. O ARREPENDIMENTO E A FÉ SÃO AS RESPOSTAS DO HOMEM À SALVAÇÃO

O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Embora o arrependimento por si só não possa salvar, é impossível ler o Novo Testamento sem tomar consciência da ênfase deste sobre aquele. Deus anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam (At.17:30). A mensagem inicial de João Batista (Mt.3:2), de Jesus (Mt.4:17) e dos apóstolos (At.2:38) era: “Arrependei-vos”. Todos devem arrepender-se, porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm.3:23).

1. Arrependimento - condição para a salvação. Não há salvação sem arrependimento. Ninguém entra no céu sem antes saber que é um pecador. Jesus afirmou que para fazer parte do Reino de Deus é necessário o arrependimento (Mt.4:17).

No dia de Pentecostes, tamanha foi o poder de persuasão do Espirito que, mesmo sem Pedro ter feito um convite ou apelo, seus ouvintes perguntaram: “Que faremos, irmãos?”. A pergunta foi motivada por um sentimento profundo de culpa. Perceberam que Jesus, o qual haviam crucificado, era o Filho amado de Deus. Esse Jesus havia sido ressuscitado dentre os mortos e se encontrava exaltado no céu. Como, então, seus assassinos poderiam escapar do julgamento e da condenação eterna? Pedro responde: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At.2:37,38).

Alguns dos judeus haviam se dado conta de seu erro e, por meio do arrependimento, reconhecido seu pecado diante de Deus. Ao crer no Senhor Jesus como seu Salvador, foram regenerados e receberam o perdão dos seus pecados. Observe que Pedro se dirigiu a um grupo extremamente religioso, pois todo aquele povo tinha ido a Jerusalém para uma festa religiosa; mas, a despeito dessa religiosidade, eles precisavam arrepender-se para serem salvos.

Hoje, a pregação do arrependimento está desaparecendo dos púlpitos. Precisamos arrepender-nos da nossa falta de arrependimento. O brado de Deus que emana das Escrituras ainda é: “Arrependei-vos!”. Esta foi a mensagem mais forte de João batista, de Jesus e dos apóstolos. Zaqueu, o publicano, teve um arrependimento tão genuíno que prometeu dar aos pobres metade de seus bens e devolver quatro vezes mais caso houvesse roubado alguém (Lc.19.8). Diante desta fé e arrependimento, ele pôde ouvir do Senhor: "Hoje, veio salvação a esta casa" (Lc.19:9).

Vemos hoje uma mudança desastrosa na pregação. Tem-se pregado muito sobre libertação e quase nada sobre arrependimento. Os pregadores berram dos púlpitos/palanques, dizendo que as pessoas estão com encosto, mau-olhado e espírito maligno. Dizem que elas precisam ser libertadas. Mas essa pregação é incompleta, pois, ainda que as pessoas estejam realmente possessas e sejam libertadas dessa possessão, o seu problema não está de todo resolvido, pois a Bíblia diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus. O ser humano é culpado diante de Deus e, por isso, precisa arrepender-se. Precisa colocar a boca no pó e depor as suas armas. Sem arrependimento, o mais virtuoso ser humano não pode ser salvo. O pecado não é tanto uma questão do que fazemos, mas de quem somos. O homem não é pecador porque peca; ele peca porque é pecador. Nossa natureza é pecaminosa.

2.  Salvação por meio da Fé - “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...” (Ef.2:8). A salvação é pela graça, mas também “por meio da fé”. É a graça que nos salva pela instrumentalidade da fé. É bem conhecida a expressão usada por Calvino: “A fé traz a Deus uma pessoa vazia para que se possa encher das bênçãos de Cristo”. É muito importante ressaltar que Paulo não está falando de qualquer tipo de fé. A questão não é a fé, mas o objeto da fé. Não é fé na fé. Não é fé nos ídolos. Não é fé nos ancestrais. Não é fé na confissão positiva. Não é fé nos méritos. É fé em Cristo, o Salvador.

3. Arrependimento e conversão. A conversão é obra do Espírito Santo na vida do homem. É o Espírito Santo quem convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), não sendo uma tarefa que se faça por força ou violência (Zc.4:6). O violento e zeloso Paulo, que, por meio de ameaças e mortes, procurava levar os cristãos judeus de volta ao judaísmo, descobriu que a transformação do homem se dá pelo Espírito Santo. Paulo é um exemplo impressionante da graça de Deus, que causou efeitos tão grandiosos, agarrando um rebelde obstinado como ele e transformando-o completamente de “lobo em cordeiro”.

A graça divina faz com que os seres humanos sejam verdadeiramente humanos. É o pecado que encarcera; a graça liberta. A graça de Deus nos liberta da escravidão do nosso orgulho, preconceito e egocentrismo, fazendo-nos capaz de nos arrepender e mudar a direção da nossa vida, ou seja, cessar antigas tradições e modos de vida abomináveis e pecaminosos, assumindo a virtude e a ética do Reino de Deus ensinadas por Cristo Jesus; ou seja, uma pessoa arrependida e convertida é uma nova criatura (2Co.5:17). Desta feita, não podemos fazer outra coisa, senão engrandecer a graça de Deus que teve misericórdia de criaturas tão orgulhosas, rebeldes e obstinadas como nós.

CONCLUSÃO

A queda do ser humano foi uma grande tragédia para toda a humanidade, e a única maneira de sermos salvos dessa tragédia é entregando-se a Cristo como único Senhor e Salvador de nossa vida e aceitando a sua obra salvífica no Calvário. Não há verdadeira conversão se não houver a fé autêntica na pessoa bendita de Jesus Cristo. Ao crente que experimentou essa conversão cabe esforçar-se para manter-se afastado de tudo aquilo que vem inibir a sua comunhão com Deus, e ser motivo de sua perdição.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Tiago, transformando provas em triunfo. Hagnos.

domingo, 12 de novembro de 2017

Aula 08 – SALVAÇÃO E LIVRE-ARBÍTRIO


4º Trimestre/2017

Texto Base: João 3.14-21

“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher” (Sl.25:12).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos a respeito da Salvação e o livre-arbítrio. Deus elaborou o plano perfeito para a salvação do ser humano, mas o ser humano precisa fazer a sua parte, que é crer e aceitar o sacrifício de Jesus. No plano perfeito da salvação, Cristo deu a sua vida por todos, mas somente aqueles que decidem crer serão salvos (At.16:31). Deus criou o ser humano com autonomia, inteligência e permite que ele escolha entre o bem e o mal.

I. A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

1. A eleição de Israel. Após o dilúvio, o Senhor estabeleceu com Noé um novo pacto, denominado pelos estudiosos da Bíblia de “pacto noaico” (Gn.9:1-17). Com essa família Deus começo a repovoar a terra, tratando com todos indistintamente. No entanto, cerca de mais de 400 anos depois, tal como antes do Dilúvio, toda as pessoas estavam, novamente, corrompidas, até mesmo a família de Abraão, conforme afirmou Josué: “... dalém do Rio, antigamente, habitavam vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses”(Josué 24:2). Não creram nas promessas divinas que lhe foram transmitidas por Noé e seus descendentes e, por isso, acabaram rejeitando a palavra do Senhor. Ficaram imersos no pecado, sendo por ele dominados, como, a propósito, bem descreveu o apóstolo Paulo no capítulo 2 da Epístola aos romanos. Aqui vemos nitidamente que a soberania divina não se confunde com o livre arbítrio humano, mas que o pecado impede que o pecador desfrute das bênçãos divinas que, entretanto, não são impedidas de serem oferecidas aos homens. A rebelião dos gentios contra Deus impedia o Senhor de promover a salvação por intermédio destas nações, vez que o pecado faz separação entre Deus e o homem (Is.59:2).

No episódio de Babel, houve a rebelião de toda aquela comunidade contra Deus (Gn.11:1-9) e, por causa desta rejeição, o Senhor, a fim de manter o seu compromisso com a humanidade, teria de formar um novo povo, uma nova nação, a fim de que, através dela, propiciasse o perdão dos pecados e a salvação da humanidade. Dentro do seu propósito de salvar o homem, ante a rebeldia gentílica, Deus, então, promoveu a formação de uma nação, de um povo que, a exemplo dos demais, teria população(Gn.12:2; 15:4,5; 17:1,2), território(Gn.15:7; 17:8)  e governo(Êx.19:6), a fim de que pudesse ser vista e observada por toda a humanidade. Deus, assim, mostra seu intento em cumprir a promessa feita no jardim do Éden.

Abrão, tornado posteriormente em Abraão (cujo significado é “pai de multidões”), atende ao chamado divino e, mediante a obediência e fidelidade dele, é retomado o propósito divino para a realização do seu objetivo de salvação da humanidade. Deus estava escolhendo Abraão, mas ele precisava aceitar e concordar com a escolha de Deus; certamente, Deus não iria tirá-lo à força de sua terra; ele podia rejeitar o chamado de Deus, caso quisesse. A eleição se completa quando a vontade do eleitor se encontra com a vontade do eleito. Abraão aceitou a escolha - “Assim, partiu Abraão, como o Senhor lhe tinha dito...”(Gn.12:4). Perceba que está escrito que “partiu Abraão”, e não que “tirou Deus Abraão”. Ele partiu, em obediência, porém, fazendo uso do seu livre arbítrio.

A partir do instante em que Abrão creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça (Gn.15:6), o plano de Deus começou a se cumprir integralmente na vida deste patriarca, que é chamado pelos judeus de “o primeiro judeu”, e reconhecido na Bíblia Sagrada como “o nosso pai segundo a fé” (Lc.1:73; Rm.54:12; Tg.2:21).

Notamos, pois, que, assim como a comunidade pós-diluviana fora constituída mediante a fé de Noé, também Israel teve, em seu nascedouro, a fé do patriarca Abrão que correspondeu ao chamado e à escolha da parte de Deus.

Não resta dúvida de que Deus usou de sua soberania para escolher Abrão e a nenhum outro dos habitantes da Terra do seu tempo para dar início à formação de Israel, mas, também, não há qualquer dúvida que o plano não se realizou a não ser a partir do instante em que Abrão respondeu com a sua fé, com a confiança nas promessas divinas que o levaram a abandonar a sua casa e a sua parentela, atendendo o chamado do Senhor.

Deus usou da sua soberania para escolher Abrão e o povo que formou a partir dele, mas a formação de Israel só foi possível diante da intervenção divina, pois Sara era estéril (Gn.16:1,2), assim como Rebeca (Gn.25:21) e, também, Raquel (Gn.29:31).

Deus elegeu Israel com um tríplice propósito para a humanidade:

Ø Revelar o Poder de Deus. Deus mostrou ao mundo a sua grandeza, poder e glória através de Israel (Rm.9:17), haja vista que Ele suscitou a Faraó para, através da intolerância deste com os israelitas, abater o monarca e dar liberdade ao povo da promessa, e assim mostrar ao mundo o seu grande e eterno poder.

Ø Dar a Bíblia ao mundo. A Bíblia foi dada às nações através de Israel. O apóstolo Paulo pergunta aos irmãos de Roma: "Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhes foram confiadas" (Rm.3:1,2). Então, através de Israel, Deus entrega a Bíblia ao mundo.

Ø Dar ao mundo o Salvador. A terceira razão da eleição de Israel por Deus foi para dar o Salvador ao mundo. Deus prometeu a Abraão: "...em ti serão benditas todas as famílias da Terra” (Gn.12:3). Jesus disse para a mulher samaritana: “...porque a salvação vem dos judeus” (João 4:22).

Embora escolhido por Deus e, de livre e espontânea vontade, tenha aceitado viver conforme os preceitos provenientes do Senhor, Israel cedo fracassou neste seu propósito, tendo, a partir da primeira geração adulta do Êxodo, aquela mesma que havia firmado o compromisso com o Senhor no monte Sinai, deixado de observar o pacto, endurecendo o seu coração continuadamente; ao longo da história se mostrara um povo obstinado (Ex.32:9; Dt.9:6; Ez.3:7); e por causa dessa obstinação, Israel sofreu progressivas sanções da parte do Senhor, pois Deus corrige a quem ama e castiga a quem quer bem (Hb.12:5,6), numa escalada já prevista na lei de Moisés (Dt.28:15-68), escalada esta que foi rigorosamente cumprida por Deus que chegou a tirar o povo da própria Terra Prometida para Babilônia (2Cr.36:15-21), sem falar na integral destruição das dez tribos do Norte (Efraim, Manasses, Ruben, Gade, Issacar, Zebulom, Naftali, Aser, Simeão e Dã – cf. 2Rs.17).

O apóstolo Paulo adverte que, o que ocorrera com Israel, nos serve de exemplo a fim de não repetirmos os mesmos erros do povo de Deus do Antigo Testamento – “E essas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1Co.10:6,11).

2. A eleição para a salvação. A eleição divina para a salvação do homem deve ser entendida como o ato pelo qual Deus chama os pecadores perdidos à salvação em Cristo, e “todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome” (João 1:12). Mas a quem Deus chama à salvação? A Bíblia responde-nos:

“Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). “Desejaria Eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová: não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” (Ez.18:23). “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11).

A chamada é universal, ou seja, Deus chama todas as pessoas à salvação. Deus oferece uma real oportunidade de salvação a todas as pessoas, indistintamente. Mas, alguém poderá dizer que não são todas as pessoas que se salvam, e o dizem com razão, visto que as Escrituras assim o declaram, quando afirmam que “a fé não é de todos” (2Ts.3:2). No entanto, isto é apenas reflexo do fato de que o chamado para a salvação está inserido na ordem estabelecida por Deus de que as pessoas foram criadas com livre-arbítrio, ou seja, a graça salvadora de Deus é estendida a todas as pessoas, mas Ele requer que as pessoas estendam a sua mão para receber – “por meio da fé” (Ef.2:8).

Portanto, a chamada para a salvação parte de Deus, e tem caráter universal, pois o caráter divino é imparcial, Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; 2Cr.19:7; Jó 34:19; Is.47:3; At.10:34; Ef.6:9; 1Pd.1:17).

Assim, sendo proveniente de Deus, a chamada é para todas as pessoas, que, segundo afirmou Paulo, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Rm.3:23). O Senhor Jesus também pensava assim quando lançou o seu convite a todos, sem qualquer exceção: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt.11:28). Também na Grande Comissão: “... ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”(Mc 16:15,16).

Ao que parece, o Senhor Jesus Cristo não excluiu ninguém da grande chamada universal para a Salvação. O Apóstolo Paulo também pensava assim, quando, em Atenas, na Grécia, pregou no Areópago, onde declarou: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam, porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos”(Atos 17:30,31).

Na hipótese remota de que uma parte dos seres humanos estivesse excluída desta chamada para a Salvação, qual seria a base desse julgamento referido por Paulo? O que Deus, na pessoa do Justo Juiz, que “com justiça há de julgar o mundo”, dirá àqueles que não foram salvos pelo fato de estarem excluídos pelo próprio Deus, do chamado para a Salvação? Será que eu posso imaginar que o Senhor Jesus, como justo Juiz, dirá aos que estiverem ali, diante de seu Trono: “Vocês que não foram salvos, serão condenados, eternamente, no inferno; e saibam mais: vocês não foram salvos porque eu mesmo, como Deus, os excluí do chamado para a Salvação; Eu os elegi para a perdição. Portanto, mesmo que vocês não quisessem ir para o inferno, teriam que ir, pois, foi para isto que eu os destinei”. Como Paulo fala “que com justiça [Cristo] há de julgar o mundo”, então se pode deduzir que a chamada universal para a Salvação de todos os pecadores não exclui ninguém, pois, segundo está escrito, “para com Deus, não há acepção de pessoas”(Rm.2:11).

Certamente a chamada universal para a Salvação é para todos, porque está escrito: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”(1Tm.2:3-4). Pedro acrescenta: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”(2Pd.3:9). Não se trata, pois, de uma passagem isolada, mas de todo um contexto bíblico apontando no sentido de que, de fato “... a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”(Tito 2:11).

3. A presciência divina. Presciência é a capacidade de Deus saber todas as coisas de antemão (At.22:14; Rm.9:23) e de interferir na história humana (Ne.9:21; Sl.3:5; 9:4; Hb.1:1-3). A onisciência de Deus, aliada à sua eternidade, faz-nos conceber a presciência de Deus, ou seja, Deus já sabe, de antemão, o que irá acontecer, porque, para Deus, não há tempo, sempre é presente, um eterno presente. Assim, Deus conhece o futuro, pois, para Ele, passado, presente e futuro são uma só coisa. Por isso, pode nos revelar, como nos revelou, as coisas que ainda iriam acontecer, na dimensão dos homens. No Plano da Salvação, Ele quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:4), mas Ele sabe quem responderá positivamente ao convite de salvação (Rm.8:30; Ef.1:5). O desejo do Pai é tão grande por incluir-nos em seus domínios eternos que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Em Apocalipse, o Espírito Santo revelou a João que o Senhor Jesus, para redimir-nos, não morreu apenas no tempo. Na presciência divina, o Cordeiro de Deus já estava morto antes mesmo dos eventos registrados em Gênesis (Ap.13:8). Nossa redenção, por esse motivo, transcende o tempo e os eventos da criação; é eterna (Hb.9:12). Portanto, quando ainda não havia pecado, ou pecadores, o amoroso Deus já tinha estabelecido as bases da nossa salvação. A morte do Cordeiro, na presciência de Deus, foi a primeira nota evangélica da história sagrada. Na sentença sobre o pecado, o Deus Pai anuncia a redenção do pecador (Gn.3:15). Antecipadamente, pregou o evangelho do Unigênito à humanidade, representada, ali, no primeiro ser humano. Antes mesmo que houvesse tempo, proclamou a salvação eterna. Era como se Deus, num tabernáculo vazio, chamasse os pecadores, que ainda não existiam, ao arrependimento. Infelizmente, a maior parte da humanidade não atenderia ao convite de Deus para a salvação.

II. ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

1. Breve histórico de Jacó Armínio. Jacó Armínio (1560-1609) nasceu na Holanda, foi pastor de uma igreja em Amsterdã e recebeu o título de doutor em teologia pela Universidade de Leiden. Tendo sido envolvido numa disputa calvinista, desenvolveu uma tese bíblica a partir dos primeiros pais da Igreja, que foi denominada de Arminianismo; sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. No arminianismo é ensinado que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos; por essa finalidade ele oferece sua graça a todos. Estes são os cinco pontos básicos do arminianismo (extraídos do Dicionário Teológico. CPAD):

·     A predestinação depende da forma de o pecador corresponder ao chamado da salvação. Logo, acha-se fundamentada na presciência divina; não é um ato arbitrário de Deus.

·     Cristo morreu, indistintamente, por toda a humanidade, mas somente serão salvos os que crerem.

·     Como o ser humano não tem a capacidade de crer precisa da assistência da graça divina.

·     Apesar de sua infinitude, a graça pode ser resistida.

·     Nem todos os que aceitaram a Cristo perseverarão.

Após a morte de Armínio (19 de outubro de 1609), alguns seguidores redigiram uma declaração de fé em cinco artigos que continham as principais ideias de Armínio, chamada de “Os Remonstrantes”. Eles criaram o acrônimo FACTS, grafado em inglês, que traduzido é: Livre pela Graça para crer; Expiação para todos; Eleição Condicional; Depravação total e; Segurança em Cristo. Estes cinco pontos de são uma forma de combater os cinco pontos do calvinismo conhecidos como TULIP, acróstico da língua inglesa que significa: Depravação total; Eleição incondicional; Expiação limitada; Graça irresistível e; Perseverança dos santos.

Concordamos que, embora a salvação seja obra de Deus, absolutamente livre e independente de nossas boas obras ou méritos, o homem tem certas condições a cumprir. Ele pode escolher aceitar a graça de Deus, ou pode resistir-lhe e rejeitá-la. Seu direito de livre arbítrio sempre permanece.

As Escrituras certamente ensinam a predestinação, mas não que Deus predestinou alguns para a vida eterna e outros para o sofrimento eterno. Ele predestina todos os que querem ser salvos, e esse plano é bastante amplo para incluir todos que realmente desejam ser salvos. Essa verdade é explicada da seguinte maneira: na parte de fora da porta da salvação, lemos as palavras: “quem quiser, pode vir”; quando entramos por essa porta e somos salvos, lemos as palavras no outro lado da porta: “eleitos segundo a presciência de Deus”. Deus, em razão de seu conhecimento, previu que essas pessoas aceitariam o evangelho e permaneceriam salvas, assim predestinou para essas pessoas uma herança celestial. Ele previu o destino delas, mas não o predeterminou nem interferiu.

Diante das duas correntes teológicas (calvinismo e arminianismo), com relação à salvação, o cristão deve atentar para o equilíbrio, deve evitar os extremos. As respectivas posições fundamentais, tanto do calvinismo quanto do arminianismo, são ensinadas nas Escrituras. O calvinismo exalta a graça de Deus como única fonte de salvação, e a Bíblia Sagrada concorda. O arminianismo acentua o livre-arbítrio e a responsabilidade do homem, a Bíblia também concorda. A solução prática consiste tanto em evitar os extremos antibíblicos de um e de outro ponto de vista quanto em evitar pôr uma ideia em aberto antagonismo com a outra. Quando duas doutrinas bíblicas são postas em posições antagônicas, uma contra a outra, o resultado é uma reação que conduz ao erro. Por exemplo: a ênfase demasiada na soberania e na graça de Deus em relação à salvação pode conduzir a uma vida descuidada, porque se a pessoa é ensinada a crer que a conduta dela nada tem a ver com sua salvação, pode tornar-se negligente. Por outro lado, a ênfase demasiada no livre-arbítrio e responsabilidade do homem, como reação contra o calvinismo, pode deixar as pessoas sob o jugo do legalismo religioso de algumas igrejas e despojá-las de toda a confiança de sua salvação. Os dois extremos, portanto, devem ser evitados. Pense nisso!

2. O Livre Arbítrio. O Livre Arbítrio é a faculdade mediante a qual o homem é dotado de poder para agir sem coações externas, e de acordo com sua própria vontade ou escolha. Como um livre agente, o ser humano tem a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus (Dt.30:11-20 e Js.24:15). Isso, por si só, é suficiente para que ele seja responsável pelas consequências de seus atos. Esta corrente teológica é contrária ao determinismo, e que tem como seu expoente maior o teólogo holandês Jacó Armínio.

O que é o determinismo? É a corrente doutrinária que ensina que os homens já nascem predestinados por Deus para serem salvos ou para serem condenados. Assim, o homem já nasce com seu destino definido – o que nasceu para ser salvo será salvo; e, uma vez salvo, estará salvo para sempre. Por outro lado, o que nasceu para a condenação, será condenado. Os seguidores dessa doutrina creem na predestinação no sentido de que, segundo eles, Deus, no início, já determinou ou “predestinou” quem seria salvo e quem seria condenado. A escolha, para eles, é um ato unilateral de Deus, sem qualquer participação do homem. Segundo essa doutrina, quando uma pessoa se arrepende, é inteiramente pelo poder atrativo do Espírito Santo.

Para os adeptos do determinismo, a predestinação é o "decreto" de Deus, através do qual Ele decidiu quem seria ou não salvo. O homem não tem condições de, por si só, desprender-se do domínio do pecado, que somente uma intervenção divina é capaz de fazer com que os homens atendam ao chamado para a salvação. O atendimento ao chamado para a salvação só seria possível àqueles que, de antemão, Deus tenha destinado à salvação, ou seja, Deus somente chama à salvação àqueles que, por sua soberana vontade, quiser que sejam salvos.

Ora, se Deus dá a salvação para quem Ele quer, se o homem nada tem a ver com a salvação, ou seja, se não depende da vontade do ser humano, por que Deus não salva a todos os homens? A Bíblia diz que Deus deseja que todos os homens se salvem - “O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4). Se a Bíblia diz que Deus quer que todos os homens sejam salvos, e se Deus é Onipotente, por que não salva a todos os homens? Se a salvação é um "decreto" de Deus, por que Ele não decretou que todos fossem salvos, se a Bíblia diz que essa é a sua vontade? Fica subentendido, então, que se Deus não salva a todos, é porque nem todos creem.

Ao contrário do que ensina o determinismo, no Livre-Arbítrio a Salvação é bilateral. Ela inclui a vontade de Deus em oferecer uma Salvação gratuita – “pela graça sois salvos”; mas esta Salvação precisa ser aceita pelo homem – “por meio da fé”. Assim, na verdade, Deus elegeu todos os homens para a Salvação, porém, o homem tem o livre arbítrio, ou a liberdade de escolha. É fazendo uso desta liberdade que o homem tomará posse, ou não, da Salvação, em Cristo. Em função do Livre Arbítrio que o próprio Deus deu ao homem, ele não pode forçá-lo a aceitar sua graça. Aceitar, ou rejeitar – a escolha é do homem. Isto confere com as palavras ditas por Jesus: “quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”; ou, conforme o que consta em João 3:16, “para que todos aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”. A vontade de Deus é que “todos” os homens sejam salvos, porque Cristo morreu por todos os homens: “O qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm.2:4); “Pois a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens” (1Tt.2:11); “E todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo” (At.2:21).

3. O livre-arbítrio na Bíblia. A Bíblia contém uma série de textos em que o direito humano de escolha fica claro: Adão e Eva, no jardim do Éden, podiam escolher o fruto que comeriam. Escolheram a desobediência e foram castigados por causa dela. Se estivessem predestinados a pecar, Deus não os condenaria. Depois vieram Caim e Abel. Deus deixou claro para Caim que, se ele mudasse sua atitude, sua oferta poderia ser aceita (Gn.4:7); por outro lado, havia a opção pelo pecado; se tudo estivesse predestinado e predeterminado por Deus, por quê o Senhor haveria de alertá-lo? É bom observarmos que Caim estava morto espiritualmente, mas isso não significava incapacidade de ouvir a voz de Deus, de crer e decidir.

Outras passagens interessantes: “Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js.24:15);  “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt.30:19).

Portanto, a liberdade humana, o livre-arbítrio, é uma manifestação da vontade divina. Deus quis que o homem tivesse esta liberdade e, por isso, não cabe a nós querer estabelecer limites ou objeções ao Senhor por causa desta liberdade. Deus fez o homem com poder de servi-lo ou não e, por isso, nós, simples seres humanos, não podemos querer obrigar os homens a servir a Deus. Quem cerceia, pois, a liberdade de opção do homem em servir, ou não, a Deus, algo que, infelizmente, muitas vezes foi praticado em nome do Senhor, atenta, antes de tudo, contra a própria ordem estabelecida por Deus, que foi quem criou o homem com esta faculdade.

Mas, a liberdade que Deus deu ao ser humano, tem uma correspondência: a responsabilidade. Ao verificarmos o texto sagrado de Gn.2:16,17, notamos que Deus deu uma ordem ao homem no sentido de que ele comesse livremente de todas as árvores do jardim do Éden, com exceção da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que ele dela comesse, certamente morreria. O homem poderia escolher entre o bem e o mal, mas, no dia em que desobedecesse a Deus, em que escolhesse o mal, adviria uma penalidade, a saber, a morte, a separação entre o homem e Deus (“certamente morrereis”). A contrapartida do poder dado ao homem para escolher entre o bem e o mal era a de que deveria responder diante de Deus pela escolha feita, arcando com as consequências de sua opção.

III. ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE-ARBÍTRIO

1. A Eleição divina. Afirma o apóstolo Paulo: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dEle em caridade, e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade” (Ef.1:4,5).

A Eleição divina refere-se a escolha feita por Deus, em Cristo, de um povo para si mesmo, a fim de que sejam santos e inculpáveis diante dEle (cf. 2Ts.2:13). Essa Eleição é uma expressão do amor de Deus, que recebe, como seus, todos os que recebem o seu Filho Jesus (João 1:12). Segundo Donald C. Stamps, a eleição abarca as seguintes verdades:

a) É cristocêntrica, isto é, a Eleição de pessoas ocorre somente em união com Jesus Cristo. Deus nos elegeu em Cristo para a salvação (Ef.1:4). Ninguém é eleito sem estar unido a Cristo pela fé.

b) A Eleição é feita em Cristo, pelo seu sangue - “em quem [Cristo]... pelo seu sangue” (Ef.1:7). O propósito de Deus, já antes da criação (Ef.1:4), era ter um povo para si mediante a morte redentora de Cristo na cruz. Sendo assim, a Eleição é fundamentada na morte sacrificial de Cristo, no Calvário, para nos salvar dos nossos pecados (At.20:28; Rm.3:24-26).

c)  A Eleição em Cristo é em primeiro lugar coletiva, isto é, a eleição de um povo (Ef.1:4,5,7,7; 1Pd.1:1; 2:9). Os eleitos são chamados “o seu [Cristo] corpo” (Ef.1:23; 4:12), “minha igreja” (Mt.16:18), o “povo adquirido” por Deus (1Pd.2:9) e a “noiva” de Cristo (Ap.21:9). Logo, a Eleição é coletiva, e abrange o ser humano como indivíduo somente à medida em que este se identifica e se une ao corpo de Cristo, a igreja verdadeira (Ef.1:22,23). É uma Eleição como a de Israel no Antigo Testamento (vide item 1, do tópico I, desta Aula).

“No tocante à Eleição e Predestinação, podemos aplicar a analogia de um grande Navio viajando para o Céu. Deus escolhe o Navio(a Igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse Navio. Todos os que desejam estar nesse Navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em Cristo. Enquanto permanecerem no Navio, acompanhando o seu Capitão, estarão entre os eleitos. Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A predestinação concerne ao destino do Navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus convida a todos a entrar a bordo do Navio eleito mediante Jesus Cristo”(Bíblia de Estudo Pentecostal).

2. Escolha humana e fatalismo. A graça salvadora (Rm.5:18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evange­lho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus. Não encontramos na Bíblia uma predestinação fatalista, em que uns são destinados à vida eterna e outros, à perdição eterna. Isto contradiz dois atributos divinos: Primeiro, porque torce a justiça divina, pois, nesse caso, Deus destinaria as pessoas antes mesmo de seu nascimento à perdição eterna; Segundo, porque põe em dúvida o ilimitado amor de Deus, por ensinar que o Senhor destinou os pecadores ao inferno sem lhes dar o direito à oportunidade de arrepender-se.

O Senhor quer que todos se arrependam (At.17:30) e a todos dá tempo para o arrependimento. Se todos já estivessem predestinados ao céu ou ao inferno, por que Deus haveria de dar oportunidades? Veja o caso da personagem descrito em Ap.2:20-21: “Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição”. Se essa misteriosa Jezabel estivesse predestinada ao inferno, Deus não lhe daria tempo para se arrepender. Se ela estivesse predestinada ao céu, teria se arrependido no tempo que Deus lhe deu. Se sua condição de morte espiritual significasse incapacidade absoluta, Deus não lhe daria tempo para se arrepender, pois isto seria inútil.

O Texto sagrado é claro: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens”(Tt.2:11); “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”(1Tm.2:4); “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Portanto, Deus dá a oportunidade para que todos se salvem (At.17:30), pois Ele não faz acepção de pessoas (At.10:34).

3. A possibilidade da escolha humana. Ao ser humano foi dada a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus (vide Dt.30:11-20 e Js.24:15). Tendo em vista essa possibilidade, ele é responsável pelas consequências dos seus atos; não existe liberdade sem responsabilidade. O ser humano não faz o que quer sem qualquer consequência, uma vez que a sua liberdade não é o direito de ditar as regras para si, mas de optar entre seguir, ou não, as regras estabelecidas por Deus. Liberdade não se confunde, pois, com libertinagem, como, infelizmente, tem sido propagandeado pelo mundo ao longo dos séculos e, muito intensamente, nos dias em que vivemos. O uso da liberdade pelo homem deverá ser objeto de prestação de contas diante de Deus, que é o soberano, a máxima autoridade. O plano da salvação, pois, não elide nem sequer diminui a soberania divina.

Deus fez o homem com o poder de escolher entre o bem e o mal, sendo real a possibilidade da escolha do mal, só que, uma vez feita a escolha pelo mal, o homem sofrerá a penalidade da morte, ou seja, da separação eterna de Deus, arcando com as consequências de sua opção. Ao criar o homem com liberdade, Deus também estabeleceu que o homem responderia diante dEle sobre o uso desta liberdade.

Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o Altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados, mas, na sua soberania, quis que fossem criados seres que, assim como Ele, pudessem saber o que é o bem e o que é o mal, e, portanto, tivessem liberdade para escolher fazer o bem, seguindo, assim, as determinações divinas, ou de fazer o mal, ou seja, escolherem ter uma vida em que estivessem distantes de Deus. Essa liberdade de escolha aparece já nos primórdios de Gênesis, na aurora da raça humana, quando o primeiro casal dá ouvidos à serpente e comete por sua livre vontade a primeira transgressão contra Deus(Gn.3:1-13).

É importante salientar que o fato de haver seres com liberdade (anjos e homens), isto em nada diminui a soberania de Deus; pelo contrário, a existência de seres com liberdade é a maior prova de que Deus é soberano, pois está tão acima dos seres criados que lhes permite, inclusive, dar as costas para Ele. O fato de Deus permitir que alguns dos seres criados possam não lhe obedecer não é qualquer fragilidade ou diminuição na autoridade de Deus; antes, porém, é a reafirmação dessa autoridade, pois o fato de seres criados poderem desobedecer a Deus não retira o fato de que Deus mantém o controle sobre todas as coisas, tanto que tais seres serão responsabilizados pela desobediência, no tempo, modo e lugar já previamente determinado pelo Senhor.

Portanto, a liberdade do homem construiu-se debaixo da soberania divina, não havendo, pois, qualquer incompatibilidade, qualquer conflito entre o fato de Deus ser soberano e o homem, livre para escolher entre o bem e o mal. Essa liberdade está sujeita à vontade e às determinações de Deus.

CONCLUSÃO

A Salvação provém de Deus, é um presente incomensurável do Deus Altíssimo para o homem, sendo a Sua graça a causa meritória dessa Salvação. Entretanto, segundo as Escrituras Sagradas, a maior parte da humanidade resiste ao Espírito Santo e rejeita a salvação em Cristo Jesus que é oferecida a todas as pessoas indistintamente. Todavia, os que aceitam o convite de Deus estão predestinados a "serem conforme a imagem de seu filho", Jesus Cristo (Rm.8:29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo. Creia nisso!

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Revista Ensinador Cristão – nº 72. CPAD.
Wayne Grudem. Teologia Sistemática Atual e exaustiva.
Claiton Ivan Pommerening. Obra da Salvação. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. 1,2,3 João.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. A chamada divina e o Livre Arbítrio. PortalEBD_2006.
Ev. Caramuru Afonso Francisco. As Doutrinas da Graça de Deus. Portal EBD.2006.
Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.
A Mensagem de Romanos. John Stott. ABU.
Maravilhosa Graça. José Gonçalves. CPAD.
Rev. Hernandes Dias Lopes. Gálatas, a carta da liberdade cristã. Hagnos.